quinta-feira, janeiro 18, 2007

Troféu para a analogia mais ridícula

Depois de Sua Santidade o Papa ter comparado o aborto a um "acto terrorista" e D. António Montes Moreira, bispo de Bragança, ter afirmado que o aborto é "uma variante da pena de morte", chegou a vez do economista João César das Neves, segundo o qual a despenalização tornará o aborto "tão banal como um telemóvel".

Deveria haver um prémio para a comparação mais ridícula sobre o tema. Daqui até 11 de Fevereiro hão-de aparecer mais. Pessoalmente, a questão continua a parecer-me tão elementar quanto isto: que direito tenho de decidir a vida da vizinha do lado?

2 comentários:

  1. Cara Helena

    Sobre o que o Papa realmente disse, recomendo a leitura deste post do Blasfémias.

    Quanto a decidir da vida da vizinha do lado, vai estar de algum modo sempre a fazê-lo ao colocar um prazo para o aborto legal. A menos que defenda a liberalização total do aborto, sem restrições, até ao nascimento. Em caso de insónia, recomendo também alguns textos meus sobre o assunto:
    O Aborto em 2007
    O "mal menor".

    Saudações!

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  2. Paulo Portas tem opinião sobre isso. Pode ensinar os Senhores Padres:

    “Não tem nada a ver com a Europa um país em que o discurso da social-democracia sobre as questões morais se limita a dizer que o aborto é a restauração da pena de morte. É próprio dos mais conservadores dentro dos conservadores, e sul-americano concerteza. Não tem nada a ver com a Europa que a livre iniciativa seja um palmarés deixado vazio, preterido pelas fáceis e dóceis concessões às corporações fácticas. É próprio dos Estados sobretudo confessionais e não de sociedades civis dinâmicas. Não tem nada a ver com a Europa que se regrida a ponto de substituir o acto livre e consciente, por isso pleno e sublime de escolher uma religião, pela imposição de um princípio de obrigatoriedade, por isso sem elevação, nas escolas, de uma confissão. É próprio do passado.”

    Paulo Portas, “A Europa Mora ao Lado”, in Tempo, 12 de Maio de 1982.

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