Mostrar mensagens com a etiqueta Tomas Tranströmer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tomas Tranströmer. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, novembro 01, 2012

Tomas Transtromer: 50 poemas


"Olhamos um para o outro, ela e eu. É como subir por aquelas encostas acima, cobertas de flores silvestres, sem acusar o menor sinal de fadiga. Já vivemos tantas experiências juntos, recordamos nós, até momentos de que não éramos especialmente merecedores, acontecimentos que nos teriam separado se não nos tivessem unido, e recordámos casos que esquecemos juntos - mas que não se esqueceram de nós! Foram pedras, umas escuras, outras claras, pedras de um mosaico delapidado. E agora sucede isto: os cacos que esvoaçaram reúnem-se, o mosaico fica restaurado. Fica à nossa espera.

(...) Fortalecemo-nos com os outros, mas também com nós próprios. Com aquilo que, dentro de nós, o outro não vê. Aquele que tem o seu igual só em si mesmo. O paradoxo mais profundo, a flor que brota do chão da garagem, o ventilador voltado para o negrume benéfico. Uma bebida efervescente num copo vazio. Um altifalante que emite silêncio. Um atalho que fica intransitável à medida que por ele avançamos. Um livro que só pode ser lido nas trevas."

quinta-feira, outubro 06, 2011

Tomas Tranströmer Nobel de Literatura 2011


Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.

«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.

Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.

Desde a montanha, 1962