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terça-feira, setembro 03, 2013

Sandór Márai: Rebeldes



"A consciência de uma cumplicidade cruel derramava-se sobre eles, a alegria excitada da afinidade, a felicidade da careta enorme que faziam nas costas do mundo cândido e adormecido, talvez pela última vez. O actor, dentro de um minuto, fecharia o círculo. Nesse instante, esclarecia-se tudo nas suas mentes: as lembranças comuns, o espírito de revolta que os unia, o ódio ardente contra o mundo, tão incompreensível e improvável como o deles, insensível e mentiroso, exactamente como o deles. E a amizade que os sustinha, a esperança e a angústia, cuja tristeza ainda brilhava nos olhos deles. 

(...) A separação não se devia a nenhuma razão especial. Já haviam superado a necessidade de encontrar pretextos para o ódio recíproco. Sofriam muito, mas todo o ódio vinha suavizado, acomodavam-se nos braços das recaídas, e a luta permanente que destruía as almas, travada em si próprios e contra os outros, silenciara. (...) Tudo o que acontecesse depois seria um caminho descendente, talvez na direcção da morte."


terça-feira, novembro 27, 2012

Sándor Márai: A ilha


Sándor Márai, a nossa mais maravilhosa descoberta de 2012.

"Um dia mentes a alguém, nem sabes muito bem porquê, é uma questão de segundos, talvez queiras parecer mais inteligente ou mais elegante, ou fazê-lo apenas para dizer algo. Às vezes é como se não falasse, mas ouço a minha voz. A mentira acompanha-te. Nalgum sítio há uma pessoa que sabe algo sobre ti; faças o que fizeres, por muito que assegures que, de um modo geral, agistes com as melhores intenções, que trabalhaste pelo bem dos outros, essa pessoa fará um sorriso de superioridade, sozinho no seu quarto. Todos temos uma pessoa assim..."