sexta-feira, dezembro 30, 2011

J.D. Salinger: À espera no centeio


"Advogado é porreiro, acho eu... Mas não é o meu estilo - disse eu. - Quer dizer, é porreiro se for andar por aí a salvar a vida de gajos inocentes a todo o momento, ou coisas do género, mas não é isso que se faz quando se é advogado. Tudo o que se faz é sacar uma pipa de massa e jogar golfe e jogar bridge e comprar carros e beber Martini e armar-se em bom. E por aí adiante. Mesmo que fosse andar por aí a salvar a vida dos outros e tudo, como é que sabíamos que fazíamos isso porque realmente queríamos salvar a vida das pessoas ou se era porque o que realmente queríamos era ser um advogado bestial, com toda a gente a dar-nos palmadinhas nas costas e a dar-nos os parabéns no tribunal quando acabasse a merda do julgamento, os jornalistas e toda a gente, tal e qual como na porcaria dos filmes? Como sabíamos que não nos estávamos a armar? O problema é que não sabíamos."

(...) A queda para ondee me parece que caminas é um tipo especial de queda, um tipo terrível. A pessoa que vai a cair não consegue dar por isso nem ouvir quando toca o fundo. Continua só a cair, a cair. É um esquema que calha aos homens que, num momento ou outro da vida deles, andavam à procura de alguma coisa que o meio em que viviam não lhes podia dar. Ou que eles pensavam que não lhes podia dar. E que por isso desistiram de procurar. Desistiram antes sequer de terem começado. (...) Aqui tens o que ele, Wilhekm Stekel, escreveu: O que caracteriza o homem imaturo é que deseja morrer nobremente por uma causa, enquanto o homem maduro se caracteriza por desejar viver humildemente por ela."

quinta-feira, dezembro 29, 2011

A pele que há em mim



Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu
E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu


Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.



Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
o caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou
Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Livros sublinhados em 2011


Fiodor Dostoievski, Os Demónios
Ivan Turgueniev, Primeiro amor
Ivan Turgueniev, Fumo
Ivan Turgueniev, Cadernos de um caçador
Ivan Turgueniev, Solo virgem
Antón Tchekhov, Contos, Vol. III
Antón Tchekhov, O Duelo
Anna Akhmátova, Só o sangue cheira a sangue
Jonathan Franzen, Correcções
Joshua Ferris, Sem rumo
Jonathan Safran Foer, Extremamente alto e incrivelmente perto
Philip Roth, A Humilhação
Truman Capote, A harpa de ervas
Michael Cunningham, Uma casa no fim do mundo
Kejell Askkidsen, Uma vasta e deserta paisagem
Vikram Seth, Uma música constante
Hanif Kureishi, Meia-noite todo o dia
Gary Shteyngart, Super sad true love story
Craig Thompson, Habibi
Henry Miller, Big Sur e as laranjas de Jerónimo Bosh
Henry Miller, O sorriso ao pés das escadas
Clarice Lispector, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
Franz Kafka, Carta ao pai
J.D.Salinger, À espera no centeio
Whitman, Folhas de erva (jumping)
Ernesto Sabato, O Túnel
Miguel Jesus, Inês Morre
Ondjaki, A bicicleta com bigodes
Gonçalo M. Tavares, Viagem à Índia
Vergílio Ferreira, Na tua face
Joaquim Pessoa, Ano Comum
Rob Riemen, Nobreza de espírito, um ideal esquecido
Tony Judt, Um tratado dos nossos actuais descontentamentos
Nicolau Santos, Portugal vale a pena
Aynn Rand, The Fountainhead [Reading...]
A desilusão:
Tarjei Vesaas: Noite de Primavera

Concertos em 2011


National, Coliseu do Porto
Portishead, Meco
Arcade Fire, Meco
Joy Formidable, Coura
Esben & the Witch, Coura
Likke Li, Meco
Mogway, Coura
Battles, Coura
Kings of Convenience, Coura
Fleet Foxes, Alive
James Blake, Alive
Strokes, Meco
Pulp, Coura
Foals, Alive
Anna Calvi, Hard Club, Porto
Noiserv, Meco
Beirut, Meco
Foo Fighters, Alive
Grinderman, Alive
Wild Beasts, Coura
Deerhunter, Coura
Twin Shadow, Coura
Wu Lyf, Alive
Coldplay, Alive
Surfjan Stevens, Coliseu do Porto
(mais ou menos por esta ordem)
Desilusão:
Perry Blake, Famalicão

terça-feira, dezembro 27, 2011

Da plateia em 2011


Inês Morre, Anatoly Praudin
Be your self, Garry Stewart
Saturday Night, Matthew Lenton
Rosas Danst Rosas, Anne Teresa de Keersmaeker
A morte do palhaço, João Brites
E livrai-nos do mal, Rui Reininho
(Claramente, um ano preguiçoso...)

Fitas em pause em 2011


The Fountainhead, King Vidor

Melancholia, Lars von Trier

Submarine, Richard Ayoade

Super 8, J.J. Abrams

José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes

Win Win, Tom McCarthy

Drive, Nicolas Winding Refn 

Restless, Gus Van Sant

Film Socialism, Jean-Luc Godard

Copie conforme, Abbas Kiarostami 

Respiro, Emanuele Crialese

Sangue do meu sangue, João Canijo

The intimate, Chang-hun Yun

Winter's bone, Debra Granik

Chloe, Atom Egoyan 

Blue Valentine, Derek Cianfrance

Love and Other Drugs, Edward Zwick

Black Swan, Darren Aronofsky 

Conviction, Toni Goldwin

The King's Speech, Tom Hooper

The romantics, Galt Niederhoffer

Surveillance, Jennifer Lynch 

No strings attached, Ivan Reitman

Morning glory, Roger Michell

The company men, John Wells 

Another year, Mike Leigh

Get low, Aaron Schneider 

All good things, Andrew Jarecki

Everybody dies but me, Valeriya Gay Germanika

Barney's version, Richard J. Lewis

Crazy Stupid Love, Glenn Ficarra, John Requa

Friends with benefits, Will Gluck

Meia-noite em Paris, Woody Allen

Moneyball, Bennet Miller
Bridesmaids, Paul Feig

A desilusão:

You Will Meet a Tall Dark Stranger, Woody Allen

segunda-feira, dezembro 26, 2011

domingo, dezembro 25, 2011

2011: O ano entre aspas

"Amem a Dilma como vocês me amaram."
Lula da Silva, na tomada de posse da sua sucessora
01-01-2011
"É imprescindível que estejamos unidos para enfrentar as dificuldades que atravessamos e que, repito, não irão desaparecer em 2011."
Cavaco Silva, na tradicional mensagem de Ano Novo
01-01-2011
"Não podemos aceitar que a mesma colher sirva para mexer o bacalhau com natas e a seguir o caldo verde."
António Nunes, inspetor-geral da ASAE
Expresso, 08-01-2011
"A direita portuguesa parece que saliva com simples possibilidade de tirar proventos partidários de uma eventual entrada do FMI em Portugal."
Augusto Santos Silva
10-01-2011
"O Governo português, Portugal não vai pedir nenhuma ajuda financeira, nenhuma assistência financeira, pela simples razão que não é necessário."
José Sócrates
11-01-2011
"Tenho muito pouco apetite para utilizar a bomba atómica [dissolução da Assembleia da República]."
Cavaco Silva
Lusa, 19-01-2011
"Tanto a chanceler Merkel como eu, nunca, nunca, vamos virar as costas ao euro. Nunca vamos abandonar o euro."
Nicolas Sarkozy
27-01-2011
"Sempre fiz com que todas as mulheres se sentissem, como hei-de dizer... especiais."
Sílvio Berlusconi
Canale 5, 14-02-2011
"Portugal já está em recessão."
Carlos Costa
Diário Económico, 16-02-2011
"Nunca disse que Portugal precisava de pedir ajuda externa."
Ângela Merkel, após o encontro com José Sócrates
02-03-2011
"Entre vir ou não vir o FMI, há um país que perderia o prestígio."
José Sócrates
08-03-2011
"É necessário um sobressalto cívico que faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos."
Cavaco Silva, no discurso da tomada de posse para um segundo mandato em Belém
AR, 09-03-2011
"Se a Assembleia votar contra o PEC está a dizer ao Governo que não tem condições para se apresentar numa cimeira europeia para se comprometer com um programa de redução do défice. Então ter que ser devolvida a palavra ao povo."
José Sócrates
SIC, 16-03-2011
"Esta peça de teatro acaba aqui!"
Pedro Passos Coelho
16-03-2011
"Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI."
José Sócrates
19-03-2011
"[A entrada no mercado chinês permite] uma afluência de 400, 500 pessoas todos os fins-de-semana em charters para Lisboa [ficando o] Sporting com parte do lucro."
Paulo Futre, em conferência de imprensa
24-03-2011
"Eu já ouvi o primeiro-ministro [José Sócrates] dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate."
Pedro Passos Coelho
01-04-2011
"Entre nós e o FMI há 10 milhões de portugueses."
José Sócrates
04-04-2011
"O Governo decidiu dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira."
José Sócrates
06-04-2011
"Se soubesse como o país ia ficar, não fazia a Revolução."
Otelo Saraiva de Carvalho
Lusa, 13-04-2011
"Portugal funcionará como um corta-fogo da crise da dívida soberana na Europa."
Christine Lagarde
14-04-2011
"Se, seja por que razão for, eu não puder ser nomeado presidente da Assembleia da República, renuncio imediatamente ao mandato de deputado. Não serei só um deputado."
Fernando Nobre
Expresso, 16-04-2011
"Os jornalistas, em vez de andarem a discutir as grandes questões que podem mudar Portugal, andam a discutir -- passe a expressão -- pentelhos."
Eduardo Catroga
SIC, 11-05-2011
"Tornou-se evidente que a Grécia, a Irlanda e Portugal não serão capazes de pagar as suas dívidas na totalidade."
Paul Krugman
25-05-2011
"Não há exemplo de alguém ter feito tanta coisa tão mal feita em tão pouco tempo. José Sócrates vai para o Guinness."
Belmiro de Azevedo
Jornal de Negócios, 06-06-2011
"Eu adoro-vos."
José Sócrates, despedindo-se dos militantes na reunião da Comissão Nacional
07-06-2011
"Portugal não pode falhar. Eu sei que Portugal não falhará."
Pedro Passos Coelho
21-06-2011
"Não podemos falhar, sob pena de a situação se tornar irreversível e insustentável."
Cavaco Silva
21-06-2011
"Se estou magoado com a saída de Villas-Boas? Ando nisto há 30 anos, não é fácil magoarem-me. Só me magoaria se caísse de um 7º andar."
Pinto da Costa
Diário de Notícias, 22-06-2011
"A Europa morreu."
Vasco Pulido Valente
Expresso, 25-06-2011
"Há dois anos disse que Portugal se aproximava de uma situação explosiva. Lamentavelmente chegámos a essa situação explosiva."
Cavaco Silva, 29-06-2011
"[A decisão da Moody's de baixar o rating de Portugal para lixo] é o chamado murro no estômago."
Pedro Passos Coelho
06-07-2011
"Não somos a Grécia! Não somos Portugal!"
Barack Obama, num apelo aos republicanos para se chegar a um acordo sobre o aumento do teto máximo da dívida pública
15-07-2011
"Angela Merkel está a destruir a minha Europa."
Helmut Kohl, antigo presidente alemão
18-07-2011
"Não há nenhum buraco colossal nas contas públicas. (...) Houve uma utilização abusiva de uma alusão que eu fiz a um esforço colossal que o Estado vai precisar de fazer em praticamente meio ano para poder acomodar o desvio de despesa de quase mil milhões de euros -- é a nossa estimativa",
Pedro Passos Coelho
22-07-2011
"Devíamos vender o ouro que anda ao pescoço dos santos nas procissões."
D. Manuel Martins, ex-bispo de Setúbal
Expresso, 13-08-2011
"Temos de abrir os olhos: o euro e a Europa estão à beira do precipício. Para que não caiam, a escolha parece-me simples: ou os estados-membros aceitam a cooperação económica reforçada que sempre defendi, ou transferem mais poderes para a União."
Jacques Delors, em entrevista aos nos jornais Le Soir (belga) e Le Temps (suíço)
18-08-2011
"Daqui a uns meses vou-me embora... Vou-me embora deste país de merda que me dá náuseas. Ponto final!"
Sílvio Berlusconi,
Ansa, 01-09-2011
"Se alguma coisa de muito grave acontecer na Grécia, não podemos excluir essa possibilidade [novo pacote de ajuda da 'troika'].
Passos Coelho
RTP, 20-09-2011
"[Paula Teixeira da Cruz] transformou o Ministério da Justiça] numa coutada da família."
António Marinho Pinto
Lusa, 24-09-2011
"A Europa atravessa uma crise financeira que está a assustar o mundo."
Barack Obama, durante um debate promovido pela rede social Linked-In
26-09-2011
"As medidas que constam deste orçamento são minhas, mas o défice não é meu."
Pedro Passos Coelho
Assembleia da República, 14-10-2011
"[A suspensão dos subsídios de férias e de Natal da administração pública e dos pensionistas é] a violação de um princípio básico de equidade fiscal. Mudou o Governo, mas eu não mudei de opinião. Já o disse anteriormente e posso dizê-lo outra vez: é a violação de um princípio básico de equidade fiscal."
Cavaco Silva
19-10-2011
"Se o euro cai, também a Alemanha cairá."
Ângela Merkel, perante o Parlamento alemão
26-10-2011
"Sem o financiamento, Portugal não tem dinheiro sequer para assegurar os serviços mínimos do Estado, é importante que as pessoas percebam isso."
Durão Barroso
Expresso, 29-10-2011
"Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei."
José Sócrates,em Paris, durante uma conferência com colegas universitários da Sciences Po, onde estuda Ciência Política
Correio da Manhã, 03-11-2011
"Este não é o meu OE [Orçamento do Estado], mas Portugal é o meu país e eu não volto as costas a Portugal."
António José Seguro
Expresso, 05-11-2011
"Quero dizer aqui, nesta casa, que a única exceção [ao diálogo do Ministério com os operadores judiciários] tem sido a do senhor bastonário da Ordem dos Advogados. Devo dizer a vossa excelência, com igual frontalidade, que a mentira e a ofensa não são o caminho para a resolução dos graves problemas que temos de enfrentar."
Paula Teixeira da Cruz, dirigindo-se a Marinho Pinto na abertura do VII Congresso de Advogados
11-11-2011
"[Teixeira da Cruz] dá sinais demasiado óbvios de que está mais interessada em fazer ajustes de contas dentro da Ordem do que em resolver os problemas [da Justiça]."
Marinho Pinto
11-11-2011
"Foi a profissão de advogado que me ensinou que as raposas mudam de pelo, mas não mudam de género nem de hábitos."
Marinho Pinto
11-11-2011
"Não gosto do Sporting. No meu bairro, era o clube da elite, da polícia e dos racistas."
Eusébio
Revista Única/Expresso, 12-11-2011
"2012 certamente irá marcar o fim da crise. Será o ano da retoma para o crescimento de 2013 e 2014."
Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia
Assembleia da República, 14-11-2011
"Não anunciei o fim da crise, o que eu disse é que 2012 será o princípio do fim da crise."
Álvaro Santos Pereira
14-11-2011
"A nossa economia e a situação em que estamos não permite a esses ativos fantásticos [jovens portugueses qualificados] terem em Portugal hoje solução para a sua vida ativa."
Miguel Relvas,
16-11-2011
"A austeridade é a receita para o suicídio económico."
Joseph Stiglitz, Nobel da Economia em 2001
24-11-2011
"Se a Europa não muda, terá de haver uma revolução."
Mário Soares
i, 29-11-2011
"O primeiro-ministro pré-anunciou mais medidas de austeridade para o próximo ano. Quer dizer, em vez de dar soluções, o primeiro-ministro dá pesadelos aos portugueses."
António José Seguro
Lusa, 01-12-2011
"É de temer que um dia destes a troika se renda incondicionalmente ao malthusianismo e apresente um plano de diminuição, talvez em um terço, da população portuguesa."
Rui Pereira
Correio da Manhã, 01-12-2011
"Será uma moeda credível a nível mundial. A integração é o ativo mais importante que a Europa tem e a componente chave da integração europeia é o euro. Dentro de um ano, dentro de 20 anos, o euro estará aqui."
Cavaco Silva
Time, 02-12-2011
"Este é o primeiro Governo sem 'Plano B'."
Miguel Relvas
Expresso, 10-12-2011
"O maior problema que existe em Portugal é a classe empresarial."
Filipe de Botton
i, 12-12-2011
"Sem euro a Europa deixa de existir no panorama internacional."
Teixeira dos Santos
13-12-2011
"O empobrecimento é consequência das medidas de ajustamento que temos de empreender."
Pedro Passos Coelho
13-12-2011, SIC Notícias
"Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis."
Pedro Nuno Santos
Rádio Paivense FM, 14-12-2011
"Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida. As pernas dos banqueiros alemães até tremem."
Pedro Nuno Santos
Rádio Paivense FM, 14-12-2011
"Estamos muito de joelhos e é uma questão de dignidade dar um grito de alma. Portugal deve tentar pagar a dívida, mas não deve aceitar estar de joelhos, transformando-se numa colónia dos bancos alemães e da Alemanha."
Manuel Alegre,
15-12-2011
"Eu era uma bateria prestes a esgotar-se."
António Horta Osório
"Financial Times", 14-12-2011
"Vamos precisar muito uns dos outros e, por isso, é necessário que o espírito solidário do Natal perdure para lá destes dias."
Cavaco Silva, na mensagem de Natal
16-12-2011
"O Governo é tão democrata-cristão como Bin Laden."
Manuel Carvalho da Silva
16-12-2011
"Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue (...) estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa."
Pedro Passos Coelho
Correio da Manhã, 18-11-2011
"Penso que o senhor primeiro-ministro podia aproveitar (a sugestão) e ir ele próprio desgovernar outros países e outros povos. Não desejo no entanto que esses países e esses povos sejam os nossos irmãos de língua portuguesa."
Mário Nogueira
Lusa, 18-12-2011
"O euro é uma jangada prestes a afundar-se."
Dominique Strauss-Kahn
Fórum económico organizado pelo grupo NetEase, 19-12-2011
"Estamos chocados com a notícia de que o supremo líder (...), camarada Kom Jong-il, morreu e exprimimos as nossas profundas condolências ao povo da Coreia do Norte."
Ma Zhaoxu, porta-voz do MNE chinês
19-12-2011
"Não há qualquer necessidade de medidas adicionais de austeridade [em 2012]."
Vítor Gaspar
Assembleia da República, 21-12-2011
"Os reformados já não têm forças para conseguir corrigir o percurso, o rumo das dificuldade e, por isso, nós não podemos de forma nenhuma empurrá-los para o grupo dos novos pobres, aqueles que passam por uma pobreza envergonhada."
Cavaco Silva
Em visita a Benavente, 21-12-2011
"A partir de 2013 todos estaremos mais confiantes de que Portugal terá dobrado o cabo das tormentas."
Pedro Passos Coelho
Convívio de Natal do grupo parlamentar do PSD, 21-12-2011
"O cenário do fim do euro é basicamente uma dramatização mediática sem fundamento."
Vítor Gaspar
Única/Expresso, 23-12-2011
"Portugal desceu ao túmulo."
Eduardo Lourenço
Atual/Expresso, 23-12-2011

terça-feira, dezembro 20, 2011

Carta a Passos Coelho (Um murro no estômago)

Exmo. Senhor Primeiro Ministro,

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados. Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.

Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido. Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. "És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro." - disseram-me - "Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção". Fiquei. Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. "Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante". Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade.

Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira 'congelada'. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como "nativa". Tinha como ordenado 'fixo' 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas... Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci - felizmente! - também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor. Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida.

Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.

Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar... Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si.

Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores - e cada vez mais raros - valores: um ser humano em formação.

Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca. Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal ou feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro e como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

As duas canções que deram cabo de nós em 2011...

... a versão do DJ Shadow para "Sad and Lonely", dos Ohio Players (?)...


... e a versão de James Blake para "A case of you" de Joni Mitchell.

domingo, dezembro 18, 2011

Anselmo Borges: Os trabalhos mais felicitantes

O que é que verdadeiramente queremos? Ser felizes, não? Mas, quando começamos a tentar definir o que é a felicidade, essa definição não se encontra. É um não sei quê, que tem a ver com alegria, realização, bem-estar, vida preenchida, bem-aventurança. De qualquer forma, é o contrário de infelicidade e desgraça.

Kant foi dizendo que a felicidade é "a satisfação de todas as nossas tendências e inclinações", ao mesmo tempo que preveniu que isto não é senão "um ideal da imaginação". De facto, a felicidade coincide com o Sumo Bem na plenitude, de que nesta Terra apenas poderemos encontrar antecipações. Tendemos para ser de modo pleno, precisamente para a eudaimonia, a felicidade, como lhe chamou Aristóteles, e que Andrés Torres Queiruga caracterizou como aquele "estado no qual, sem contradições, se realizariam todas as potencialidades, se manifestariam todas as latências e se cumpririam todos os desejos e aspirações que habitam o coração humano, individual, colectivo e cósmico". Mas a felicidade perfeita não é deste mundo. Há instantes de felicidade, aqueles instantes tocados pela eternidade e que anulam o tempo.

Aliás, para a felicidade, são necessárias muitas condições: saúde, prazer, algum dinheiro, amigos, um trabalho realizante, uma família estável, um projecto de vida, a acção, a justiça, o conhecimento, o reconhecimento. Claro, o amor. A religião, na medida em que se refere ao sentido, e sentido último, pode ser decisiva. Santo Agostinho dizia a Deus: "O nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti."

De todo o modo, ao contrário do pensamento corrente, não é o ter que decide da felicidade. Neste sentido, é significativo que a famosa revista "Forbes" tenha publicado os resultados de um estudo levado a cabo pela National Organization for Research, da Universidade de Chicago, segundo o qual, entre os trabalhadores mais felizes do mundo, se encontram os padres e pastores protestantes, os bombeiros, os fisioterapeutas, os escritores...

A ordem é exactamente esta: clérigos (sacerdotes católicos e pastores protestantes), bombeiros, fisioterapeutas, escritores, educadores do ensino especial, professores, artistas, psicólogos, agentes financeiros, engenheiros de operações.

Segundo os estudiosos, o que une estas profissões tão diversas é a baixa remuneração e a ligação e entrega aos outros. A confirmar esta opinião está que são as profissões com menos contacto humano que trazem mais insatisfação. Assim, entre os dez trabalhos menos felicitantes e até mais odiados, encontram-se postos de direcção e salários elevados: directores de tecnologias da informação, directores de vendas e marketing, produtores/managers, peritos de Web, técnicos especialistas, técnicos de electrónica, secretários jurídicos, analistas de suportes técnicos, maquinistas, gerentes de marketing. Nestes tempos de tantas dificuldades para tantos, estes resultados dão que pensar.

Já agora, tendo apresentado estas duas listas de top 10, permita-se-me mais uma lista com 10, mas, desta vez, com os dez mandamentos das relações humanas, segundo Alejandro Córdoba. Tornariam a nossa vida mais fácil:
1. Fala com as pessoas. Nada há tão agradável e estimulante como uma palavra de saudação cordial.
2. Sorri para as pessoas.
3. Chama as pessoas pelo seu nome. Para quase todas, a música mais suave é ouvir o seu próprio nome.
4. Sê amigo e prestável. Se queres ter amigos, sê amigo.
5. Sê cordial. Fala e age com toda a sinceridade: tudo o que fazes fá-lo com gosto.
6. Interessa-te sinceramente pelos outros. Recorda que sabes o que sabes, mas que não sabes o que outros sabem.
7. Sê generoso a elogiar e cauteloso a criticar. Os líderes elogiam. Sabem animar, dar confiança e elevar os outros.
8. Aprende a captar os sentimentos dos outros. Em toda a controvérsia, há três ângulos: o teu, o do outro e o do que só vê o seu com demasiada certeza.
9. Preocupa-te com a opinião dos outros. São três as atitudes de autêntico líder: ouvir, aprender e saber elogiar.
10. Ama e depois age. É transversal a todos os anteriores e é a maneira mais eficaz de dar testemunho e evangelizar.

Ontem, DN

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Eduardo Lourenço eleito Prémio Pessoa... finalmente!



“Que o português médio conhece mal a sua terra – inclusive aquela que habita e tem por sua em sentido próprio – é um facto que releva de um mais genérico comportamento nacional, o de viver mais a sua existência do que compreendê-la.”

“Citar um autor nacional, um contemporâneo, um amigo ou inimigo, porque nele se aprendeu ou nos revimos com entusiasmo, é, entre nós, uma raridade ou uma excentricidade como usar capote alentejano. A referência nobre é a estrangeira por mais banal que seja, e quem se poderá considerar isento de um reflexo que é, por assim dizer, nacional?”

“Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo.”

“Mas seja qual for a interpretação ideológica de Camões, não é possível, para ninguém, separar o seu canto épico da apologia histórica de um povo enquanto vanguarda de uma fé ameaçada na Europa do tempo e de um império igualmente guarda-avançada da expressão comercial e guerreira do Ocidente. É essa a «matéria» textual e moral do Poema.”

“Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.”

O Labirinto da Saudade, Gradiva, 2005

Era mais fácil não ter coração. É sempre.



Não parece uma coisa boa quando ao lado alguém grita: "E se deitassem a tua casa abaixo, gostavas? Ser pobre é fodido." Foi mais triste do que espetacular.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

As minhas noites preferidas... Noites de estrelas cadentes


Estas são noites de chuva de estrelas. Nesta altura, essa chuva de meteoros tem o nome de Gemínidas, dado que esses traços de luz parecem provir da constelação de Gémeos. As melhores horas para ver o espectáculo, se as nuvens não atrapalharem, são as que antecedem o amanhecer.

Ao longo do ano, há várias picos de chuvas de estrelas. São mais conhecidas as Perseidas, no Verão, quando a órbita descrita pela Terra atravessa uma região do espaço onde há uma grande concentração de poeiras que ali foram deixadas pela cauda do cometa Swift- -Tuttle, quando por ali passou. As que dão origem às Gemínidas, nesta altura do ano, provêm do asteróide Phaeton.

Os meteoros são pequeníssimos grãos de poeira, muitos deles menores do que grãos de areia, outros maiorzinhos. Quando a Terra passa em zonas do espaço com concentrações destas partículas, estas penetram na atmosfera a cerca de 59 quilómetros por segundo e acabam por arder e volatilizar-se, dando origem ao característico rasto luminoso.

DN

terça-feira, dezembro 13, 2011

Love can be frightening when you fall




I'm falling harder than I've ever fell before
I'm fallin fast while hoping
I'll land in your arms
Cause all my time is spent here
Longing to belong
To you
I dream of circles perfect
Eyes within your face
My heart's an open wound that
Only you replace
And though the moon is rising
Can't put your picture down
Love can be frightening when you fall
And when the time is right, I
Hope that you'll respond
Like when the wind gets tired
And the ocean becomes calm
I may be dreaming but I'm
Longing to belong
To you

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Jules Maidoff: From florence with love

[Romeo and Juliet]

Jules Maidoff, uma das nossas melhores recordações do Porto 2001, regressa a Portugal no próximo ano. A 21 de Janeiro, a galeria arthobler-porto inaugura From Florence with Love, uma exposição individual onde o artista apresenta as suas obras recentes.

Jules Maidoff nasceu em Nova Iorque, em 1933. Talvez pelas suas raízes, pelo universo imaginário das ricas tradições e do folclore colorido da sua herança Russo-Judáica que lhe foi transmitido pelos avós imigrantes, Maidoff desenvolveu a sua obra sempre mais próximo da tradição humanista europeia, do que da corrente abstraccionista norte-americana do pós-guerra. Sendo um pintor de extrema intensidade expressiva, Jules Maidoff consegue não deixar o espectador indiferente. Os seus quadros transmitem a força da sua personalidade e, ao encerrar uma história em cada tela, inspira uma acentuada resposta emocional. O artista conta as suas histórias numa atmosfera irreal que convida a suster a respiração e simplesmente escutar.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

O sonho europeu acabou?

Os eurocépticos tinham razão, afinal? Teria sido o sonho de uma Europa unificada – inspirado pelos receios de outra guerra europeia e sustentado pela esperança idealista que os estados-nação estariam obsoletos e que dariam lugar aos bons europeus – um beco sem saída utópico?

Aparentemente, a crise europeia actual, que algumas pessoas predizem vir a desagregar a União Europeia, é financeira. Jacques Delors, um dos arquitectos do euro, afirma agora que a sua ideia para uma moeda única era boa, mas que a sua “execução” foi imperfeita, porque foi permitido aos países mais fracos que se endividassem demasiado.

Mas, fundamentalmente, a crise é política. Quando estados soberanos detêm as suas próprias moedas, os cidadãos estão dispostos a ver o dinheiro dos seus impostos ser aplicado nas regiões mais desfavorecidas. Isso é uma expressão de solidariedade nacional, uma prova de que os cidadãos de uma nação estão unidos e preparados, numa crise, para sacrificar os seus próprios interesses para o bem comum.

Mesmo em estados-nação, isto não é sempre evidente. Muitos italianos do norte não conseguem ver por que devem pagar para o sul mais pobre. Os flamengos ricos da Bélgica ressentem-se por ter que suportar os valões desempregados. Mesmo assim, no conjunto, tal como os cidadãos de estados democráticos toleram o governo que ganhou as últimas eleições, normalmente aceitam a solidariedade económica como parte da nacionalidade.

Como a UE não é nem um estado-nação nem uma democracia, não há um “povo europeu” que suporte a UE em tempos difíceis. Os ricos alemães e holandeses não querem pagar pela confusão económica em que os gregos, portugueses ou espanhóis se encontram agora.

Em vez de mostrar solidariedade, moralizam, como se todos os problemas na Europa mediterrânica fossem resultado de preguiça nativa ou da natureza corrupta dos seus cidadãos. Como resultado, os moralizadores arriscam demolir o edifício europeu comum e confrontar os perigos nacionalistas que a criação da UE quis prevenir.

A Europa deve ser consertada tanto politicamente como financeiramente. É um lugar-comum, mas nem por isso menos verdadeiro, dizer que a UE sofre de “défice democrático”. O problema é que a democracia só tem funcionado em estados-nação. Os estados-nação não precisam de ser monoculturais, ou mesmo monolingues. Pense-se na Suíça ou na Índia. Também não precisam de ser democracias: lembramo-nos da China, do Vietname e de Cuba. Mas a democracia requer que os cidadãos tenham um sentido de pertença.

Será isto possível num corpo supranacional como a UE? Se a resposta for não, será talvez melhor restaurar a soberania dos vários estados-nação europeus, desistir da moeda única e abandonar um sonho que ameaça transformar-se num pesadelo.

Isto é o que pensam os eurocépticos britânicos mais radicais, que para começar nunca partilharam o sonho da UE. É fácil repudiar isto como um típico chauvinismo britânico – a atitude insular de um povo vivendo um isolamento esplêndido. Mas, em defesa da Inglaterra, os seus cidadãos têm tido uma história democrática maior e mais bem-sucedida do que a maioria dos europeus continentais.

Contudo, mesmo que fosse possível desfazer a Europa, isso arrastaria um enorme custo. Abandonar o euro, por exemplo, mutilaria o sistema bancário do continente, afectando tanto a Alemanha e o norte rico como as nações em dificuldades no sul. E, se as economias grega e italiana enfrentam recuperações difíceis dentro da zona euro, considere-se quão difícil seria reembolsar dívidas denominadas em euros com dracmas ou liras desvalorizados.

Muito à parte dos aspectos financeiros, haveria o perigo real de deitar fora os benefícios que a UE trouxe, principalmente em termos da posição da Europa no mundo. Encarados isoladamente, os países europeus teriam uma limitada expressão global. Como união, a Europa ainda importa bastante.

A alternativa ao desmantelamento da UE é reforçá-la – partilhar a dívida e criar um tesouro europeu. Se os cidadãos europeus aceitarem isto, porém, a UE precisa de mais democracia. Mas isso dependerá de um sentido vital de solidariedade europeia, que não virá de hinos, bandeiras ou outros artifícios criados por burocratas em Bruxelas.Para começar, os ricos europeus do norte têm de ser convencidos que o reforço da UE lhes interessa, até porque é verdade. Afinal, eles beneficiaram mais do euro, que lhes permitiu exportar barato para os europeus do sul. Enquanto essa tarefa de exposição cabe aos políticos nacionais, as instituições que governam a UE em Bruxelas, no Luxemburgo e em Estrasburgo também têm de ser aproximadas dos cidadãos europeus.

Talvez os europeus pudessem votar nos membros da Comissão Europeia, com candidatos que fizessem campanha noutros países, em vez de apenas no seu. Talvez os europeus pudessem eleger um presidente.

A Democracia pode parecer um sonho louco numa comunidade de 27 estados-nação, e se calhar é. Mas a não ser que estejamos preparados para desistir de construir uma Europa mais unida, vale certamente a pena considerá-lo.

E quem pode dizer o que é possível? Considerem-se os clubes de futebol, as instituições mais isoladas, até tribais, do mundo moderno. Há trinta anos, quem teria imaginado que dois dos clubes mais populares de Londres – Arsenal e Chelsea – teriam respectivamente um francês e um português como treinadores, e jogadores de Espanha, França, Portugal, Brasil, Rússia, Sérvia, República Checa, Polónia, México, Gana, Coreia do Sul, Holanda, Bélgica, Nigéria e Costa do Marfim? Ah, sim, têm também um ou dois britânicos.

Ian Buruma, especialista em política, cultura e religião, hoje, no Público