sexta-feira, outubro 30, 2009

Vertigem


É sempre assim. Só no amor não há duas histórias iguais. Vendeste a alma ao diabo, entregaste a vida numa loja de penhores, começaste a morrer quando devias ter começado a viver. Menino velho. Por cada passo em frente, dás dez para trás. Mas dizes, e talvez acredites, que desta vez é que é de vez, que desta vez é que vai ser. E depois nunca é. Mas tu tentas. Ou tentas tentar. Tentas que tentem por ti, que tentem contigo. Que se viciem no vício de te salvar do vício, do teu. Mas se viciam, tu fraquejas. Sabes que o lado cruel do jogo é a força estar do lado de quem não a tem. Trapézio sem colo. Desculpas-te com isso. Um dó li ta. Estás cansado da dor do corpo, da dor que te faz doer até os fios de cabelo. Os olhos a arder, os teus. Como o resto todo. Cansado das insónias e dos pesadelos quando dormes, sempre pouco. Cansado de acordar e voltar a sentir tudo outra vez. A solidão, sempre. E voltas a fugir, a desistir. Um soneto. Coloreto. Continuas a morrer. Todos os dias, mais um bocadinho. A vida a escorregar-te. Há quanto tempo? Há demasiado tempo. A maioria recusa acreditar em ti. A maioria preferiu esquecer-se de ti. Ou talvez não, talvez seja só para não morrerem contigo. Para estarem cá quando sobreviveres. Um dia de cada vez. Quem está livre, livre está.

terça-feira, outubro 27, 2009

Sylvia Plath (1932-1963)

Viveu numa redoma de vidro, viveu a tentar morrer. Da última vez que tentou, tinha 30 anos. No dia 11 de Fevereiro de 1963, toma uma dose proibida de medicamentos, coloca a cabeça dentro do forno da cozinha e sorve o gás até adormecer. Conseguiu. Para trás, ficaram dois filhos (o mais velho enforcou-se em Março deste ano), um casamento com o poeta inglês Ted Hughes, um divórcio e muitas depressões. E mais poemas de gelo, de prata, de sangue. E diários escritos desde os 11 anos. Muitos foram destruídos; os que sobreviveram estão guardados, só serão conhecidos em Fevereiro de 2013, para assinalar o 50º aniversário da sua morte. Se fosse viva, Sylvia Plath faria hoje 77anos. Os Antlers têm uma canção linda para ela, aqui.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Um lugar ao sol

[Olivia Bee]
Não tinhas medo de morar paredes meias com o cemitério. Desde que me lembro de ti, lembro-me de ti sentado na rede branca presa por cordas às árvores do pátio de tua casa. Ficavas ali a balouçar, também nos sonhos, a rir, virado para as campas. Nunca pareceste uma criança. As coisas que dizias, a forma como as dizias, parecia que tinhas nascido ensinado de coisas que nunca saberíamos aprender. Às vezes, levantavas-te da rede e ias falar com os mortos. Mortos que, antes o serem, nunca conheceste. E lias as dedicatórias. E trocavas a água às flores, mesmo quando eram de plástico. Passeavas pelo recinto vedado a grades de ferro, pisavas aquela terra amarela que se cola à sola dos sapatos mesmo quando está seca, contornavas as pedras de mármore com a alegria de quem viaja por um jardim que não enterra corpos, encerra segredos. Fazias as contas desde a data do falecimento de cada defunto onde estacionavas até ao momento presente. E tentavas encenar o que aquela pessoa faria se ainda fosse viva. Tentavas imaginar de que forma aquela perda havia influenciado a vida dos que ficaram. Quando tropeçavas numa morte muito antiga, mas ainda cheia de flores novas, comovias-te. Quase choravas por uma dor que não conhecias, que não era tua, mas que supunhas que havia de ser grande. Grandemente insuportável. Nunca ninguém sobrevive se não esquecer.

Quando estavas triste, ias para lá, para o cemitério, mais ou menos às claras, mais ou menos às escondidas. Quem poderia entender um rapaz que em vez de jogar futebol como os outros meninos gostava de passear no universo dos mortos? Tu gostavas, mas também não eras capaz de explicar porquê. Achavas que cada morto era uma espécie de anjo pousado nas oliveiras e que cada um deles te conseguia ver e ouvir. E entender. E talvez até proteger.

Quando cresceste, esse teu ritual não mudou muito. A única coisa que mudou foi que passaste a ter as tuas próprias pessoas alojadas em vários cemitérios. Passaste a sentir a dor que antes só imaginavas. Não era muito diferente, dizias. Era só mais epidérmica. Era a tua. Perdeste muita gente em muito pouco tempo. E sentiste muitas vezes saudades dos tempos em que nos teus passeios pelos cemitérios só havia gente que para ti era anónima. Agora, estavam ali a primeira mulher que julgaste amar de verdade, o amigo que não era o melhor mas de quem gostavas como se fosse, os avós todos. E o teu pai. Gente suficiente para teres perdido, se alguma vez o tiveste, o medo de morrer.

Elogiavas o suicídio dia-sim, dia-não. Dizias que o grande bálsamo da vida é a possibilidade da morte. O saber que podias acabar com tudo no momento em que quisesses, no momento em que não fosse capaz de continuar. Mas nunca te suicidaste. Nunca sequer tentaste verdadeiramente. Mas sempre disseste, mesmo quando a frase já não tinha a doçura dramática da adolescência, que havias de ir embora cedo. Dizias como se acreditasses realmente nisso. Não sei se acreditavas. Acho que só dizias isso porque querias que o destino te pregasse uma partida, obrigando-te a morrer velho e decrépito. Não pregou, o destino. A partida.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Íntima Fracção


"As baladas do coração perplexo".
"Se no meio de uma tarde de chuva encontrasse a Audrey Hepburn, ficaria menos perplexo do que fico perante o meu coração persistente. Recordações, esperanças e ... isso, a perplexidade."

Francisco Amaral, para ouvir aqui:
http://aeiou.expresso.pt/para-ouvir-as-baladas-do-coracao-perplexo=f541050

quinta-feira, outubro 22, 2009

valter hugo mãe: o apocalipse dos trabalhadores


Ela queria morrer de amor. "Porque o amor não cabia quieto no espaço tão pequeno que era o corpo de mulher." O corpo dela, mulher de Bragança, mulher-a-dias, mulher de marinheiro, roliça Maria da Graça, portuguesa típica, quarenta anos, um bocadinho mais ou um bocadinho menos, que quando não há futuro para sonhar, tanto faz a idade. Maria da Graça queria morrer - já agora, de amor -, porque só morrendo encontraria a felicidade. Ou pelo menos, paz. A felicidade e o senhor Ferreira, patrão de uma vida, "velho a quem idade não tirava o fulgor", homem "maldito" que lhe ensinou o requiem de Mozart e a beleza de Goya, a poesia de Rilke e as teorias de Bergman, "homem sem escrúpulos" que lhe escalava o corpo de cada vez que ela, reles empregada, se colocava de rabo para o ar a esfregar o chão. Parecia maldito; era bendito. Era o mais próximo que conhecia de ser feliz. Mesmo que odiasse. Ao marido, Augusto, colocava "lixívia gourmet" na sopa. Não era para o matar; era só para se vingar da dor.

Maria da Graça e Quitéria são as melhores amigas, as duas de Bragança, as duas carpideiras semi-profissionais, putas de vez em quando. Entretêm-se a falar sobre o nada que é a vida de quem na vida não tem nada para esperar que não seja trabalhar para não ter nada. Quanto mais amor de verdade. As duas vazias de sonhos, as duas ali perdidas, esquecidas por deus. Uma à espera que a morte a salve; a outra a ser salva aos bocadinhos por uma pila qualquer, descartável, esquecível. Até conhecer Andriy, ucraniano belo, 23 anos, imigrante, tão esquecido por deus como elas; como elas, tão abandonado pela vida. Ele à procura em Portugal também de uma salvação qualquer, que num país que faz uma revolução com flores nada de mal pode acontecer. Pensava ele, pensavam os pais. Encontra Quitéria. Insondáveis os caminhos do amor.

"o apocalipse dos trabalhadores", de valter hugo mãe [QuidNovi, 2008], é assim uma espécie de soco no estômago que não passa, que fica ali sempre a bater como um martelo pneumático. Também na cabeça. É uma história de aqui, de agora, a dizer-nos que se calhar mudámos muito pouco, quase nada, apesar de tudo o que mudou. É a história de quem está no purgatório à espera de saber se vai para o céu. O inferno já todos conhecem. Somos nós, e não parece.

quarta-feira, outubro 21, 2009

The beginning of the end


Começou a esquecê-lo no momento em que ele a deixou na estação de comboio, ao fim da tarde. Ainda mais de trinta graus e ela já subitamente cheia de frio, o coração irremediavelmente estilhaçado, as mãos a tremer como se tivesse parkinson. Uma espécie de choque térmico, mas por dentro. Ela toda ali a desabar num banco, que nem sequer era de jardim - não que ser de jardim atenuasse alguma coisa... Um banco de onde se via uma placa a dizer: Partidas. Estava ali prestes a partir partida. Aprendizagem difícil esquecer alguém. Não vem nos livros, não é lição que Coimbra possa ensinar, não há em lado nenhum nada escrito que se possa decorar e depois aplicar. Molhou dois cigarros antes de entrar na carruagem 23, lugar 118, enquanto apagava todos os vestígios dele no telemóvel, mais de cem mensagens, quase todas sabidas de cor à força de tanto as ter lido. Molhou o primeiro cigarro, desistiu dele. Acendeu o segundo, nada a fazer, teve que desistir também. Ele não sabe, não fuma, mas fumar cigarros húmidos não dá prazer nenhum. O corpo, o dela, ainda a cheirar ao dele, apesar do banho de água quase fria. E, no entanto, uma solidão como nunca tinha experimentado na vida. A garganta incapaz de engolir sem arder, como se estivesse inflamada. É como se ele tivesse sido a corrente de ar dela e ela tivesse ficado constipada. Estava ali quase capaz de pedir um abraço, como quem pede lume, ao primeiro estranho que se sentasse ao seu lado no banco. Um abraço lento, apertado, quentinho. Um abraço-casaco. Mas ninguém arriscou sentar-se ali.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Vídeo-Maria ;)

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Da paixão


Já ninguém se apaixona como antes. De forma arrebatada e bloqueadora. Já ninguém quer morrer de amor, até porque depois não se morre realmente e ressuscitar do estado temporário de sonambulismo dá muito mais trabalho. Já ninguém escreve cartas dramáticas, terminais, com selos colados com sal das lágrimas num envelope de papel, nem fica em casa fechado, aturdido, a ouvir músicas de fazer chorar as pedrinhas da calçada. Já ninguém perde a fome quando o coração acelera, nem falta à escola ou ao emprego alegando uma inusitada dor de barriga, que é afinal do peito. Já ninguém fica às escuras a jurar que nunca mais vai sentir isto outra vez. Já ninguém acredita que há coisas que só acontecem - quando acontecem - uma vez na vida e que há uma única pessoa para sempre, porque há sempre demasiadas pessoas a gravitar à volta - todas únicas, todas especiais. Já ninguém se apaixona como os adolescentes - nem sequer os adolescentes. A paixão imberbe, inocente, total, ansiosa e em carne viva acabou.

Antes, quando alguém julgava apaixonar-se a sério, lutava incansável e pacientemente pelo objecto da paixão. Mesmo que isso implicasse vergonhas, meter cunhas aos amigos, fazer cenas e figuras tristes. Hoje, quando alguém tem a vaga impressão de estar apaixonado, fica à espera que passe. E que não atordoe muito enquanto não passar. Sem perder a pose. Antes, quando alguém estava apaixonado a sério e não era correspondido, cortava relações. Era o tudo ou nada. Hoje, quando a paixão não é correspondida, as partes ficam amigas e partilham o mesmo café. A vida pela metade é hoje mais do que razoável. Antes, a impossibilidade da paixão desejada impossibilitava outras paixões. Hoje, a paixão incumprida é motor essencial para abertura a novos relacionamentos. Antes a paixão era confessada e assumida; hoje é disfarçada e recalcada.

As histórias todas têm um fim. Mas na vida, o fim de cada história significa sempre o início de uma nova. E, às vezes, as que que terminam nunca chegaram realmente a começar. Poderia ser mais triste?

segunda-feira, outubro 12, 2009

Quiz question


"When reality ends, where do you want to be
when you start dreaming?"

domingo, outubro 11, 2009

Era uma vez um Porto...

[Foto: JMG]

Philip Roth: Indignação


É cada vez mais difícil dizer qual é o melhor livro de Philip Roth. Quase tão difícil como encontrar um livro do autor americano em que a morte não seja a personagem principal. Em Indignação, a sua obra mais recente de uma colecção de 27, a história não é contada por quem, como habitualmente, trilha esse caminho para o fim; é contada porque quem já chegou ao fim, e volta para revisitar vida. Ou, como diz Roth, contada por quem está "sob o efeito da morfina". Marcus Messner é o narrador. A Guerra da Coreia (1951-1953) é o cenário.


Messner é um rapaz judeu de 19 anos, filho único de talhante, aluno brilhante, primeiro elemento da família a ingressar no ensino superior. O rapaz de quem se espera e a quem se exige nada menos do que ser o melhor. Em tudo. Mas o que pode esperar-se de um rapaz para quem "indignação" é a sua palavra preferida e que consegue citar, de cor, o discurso de Bertrand Russel, "Porque não sou cristão"? Antes que essa exigência paternal, impregnada de exagerada protecção, o asfixie, ele decide trocar Robert Treat, ao pé de casa, pelo Winesburg College, na zona rural do centro-norte do Ohio, a uma distância que o pai - amado, mas enlouquecido e enlouquecedor - não poderia percorrer com facilidade. De repente, quase faz lembrar a história verídica - e aguda! - de Christopher McCandless ["O lado selvagem", Jon Krakauer], mas essa impressão desvanece-se quando a história avança. E avança depressa, porque o livro é pequeno e lê-se de um penada.


Indignação cruza a guerra lá fora e o quotidiano no seio de um universo académico retrógrado e ditador. E como um pode influir no outro. Cruza a tentativa de o Poder poder cercear a liberdade - física e mental - e o contrapoder da convicção e das hormonas em plena juventude (há sexo, claro, estamos no planeta Roth!). O sagrado e o profano, seja lá o que for um e o outro. Podia ser uma história quase banal. E no entanto, é tudo menos isso. É Roth, de dedo indicador esticado, a denunciar-se no seu absoluto melhor.

Mia Couto: Jesusalém


Há uma voz que nos acompanha, como um guia, durante a viagem a Jesusalém e nos persegue, como um fantasma, muito para lá do fim da viagem. Não é a voz de Mwanito, o pequeno afinador de silêncios, com vocação para não falar, crescido num lugar que não existe, essa voz sem mancha, imaculada, sem infânci nem memória da vida real. O rapaz que não sabe o cheiro da mãe, nem sequer o que fazer para saber sonhar. Que aprende a escrever na terra para depois fazer de um baralho de cartas e de um punhado de dinheiro o seu diário. Não é a voz revoltada do seu irmão Ntunzi, o rapaz agrilhoado pela falta do mundo que o obrigaram a deixar, o real. O menino-homem que desenha uma estrela por dia num muro, uma estrela por cada dia de exílio. Nem sequer é a voz do austero pai Silvestre Vitalício, o verdadeiro fugitivo de tudo o que é vida para evitar a memória da morte. O homem que acredita que se esconder os filhos do mundo, ninguém no mundo os poderá magoar. O homem para quem "o passado era uma doença e as lembranças um castigo". O homem que coloca fato e gravata para se enamorar de uma jumenta. Também não é a voz de Marta, mesmo que seja dela a voz que mais comove, a voz do desespero de quem se procura no amor que a traiu e só se reencontra quando definitivamente o perde. É a voz da consciência. Jesusalém, que é afinal só um lugar recôndito e rebaptizado em Moçambique, é a história de quem recria o mundo para fugir da dor. A história de todas as vezes que podemos morrer numa só vida.
Na contracapa deste livro de Mia Couto está escrito que esta é "seguramente a mais madura e mais conseguida obra do escritor" e é bem capaz de ser verdade. É quase impossível pousá-lo depois de se ter pegado nele. E é humanamente impossível não sentir arrepios. E lágrimas a queimar nos olhos. Jesusalém é sobre o que nos persegue, sobre o que não é possível enterrar, sobre o que prevalece sempre. É sobre a impossibilidade de fugir disso mesmo que se viva num bunker e a tudo se dê nomes novos. É sobre o amor, que "vicia mesmo antes de acontecer" e sobre a luta cega para o preservar: "Durante anos, aplicara-me em maquilhagem, dieta, ginástica. Acreditara ser o modo de te continuar cativando. Só agora entendi que a sedução mora em outro lugar. Talvez no olhar. E há muito que eu deixara esmorecer esse olhar incendiado." Sobre a doença que é a saudade ("A saudade pode ser uma repentina estiagem na boca, um lume frio na garganta?"), sobre perda e despedida ("Em criança não nos despedimos dos lugares. Pensamos que voltamos sempre. Acreditamos que nunca é a última vez."). Sobre reencontros ("Reencontramos os nossos amores num próximo luar. Mesmo sem lagoa, mesmo sem noite, mesmo sem lua. Dentro da luz, eternos, eles regressam..."). E mais.
Jesusalém é essencialmente uma história de amor, uma história de amor contada de uma forma altamente improvável e mágica, uma história de amor com tudo o que no amor magoa e mata. Amor entre dois irmãos, entre um pai e dois , entre um homem e um animal, entre amantes, entre um homem e uma mulher que morreu de morte escolhida, entre uma mulher e um homem que a abandonou.
Ainda por cima, todos os capítulos começam com poemas, escolhidos a dedo, de três senhoras que merecem ajoelhamento: Sophia de Mello Breyner, Hilda Hilst e Adélia Prado.

sábado, outubro 10, 2009

I didn't know what i felt for myself...


"Sylvia", by Leonard Michaels

Em repeat



In a nightmare,
I am falling from the ceiling into bed beside you.
You're asleep,I'm screaming,
shoving you to try to wake you up.
And like before, you've got no interest in the life
you live when you're awake.
Your dreams still follow storylines,
like fictions you would make.

So I lie down against your back,
until we're both back in the hospital.
But now it's not a cancer ward,
we're sleeping in the morgue.
Men and women in blue and white,
they are singing all around you,
with heavy shovels holding earth.
You're being buried to you neck.
In that hospital bed, being buried quite alive now.
I'm trying to dig you out
but all you want is to be buried there together.

You're screaming,
and cursing,
and angry,
and hurting me,
and then smiling,
and crying,
apologizing.

I've woken up, I'm in our bed,
but there's no breathing body there beside me.
Someone must have taken you while I was stuck asleep.
But I know better as my eyes adjust.
You've been gone for quite awhile now,
and I don't work there in the hospital
(they had to let me go.)

When I try to move my arms sometimes,
they weigh too much to lift.
I think you buried me awake
(my one and only parting gift.)
But you return to me at night,
just when I think I may have fallen asleep.
Your face is up against mine,
and I'm too terrified to speak.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Festival Trama


T R A M A
Festival de Artes Performativas
música, performance, teatro, cinema
8 – 11 OUTUBRO
PORTO

“YOU WHO WILL EMERGE FROM THE FLOOD…”
de Juliana Snapper
10 Outubro, 22h
Piscinas do Clube Fluvial Portuense

You Who Will Emerge From The Flood procede duma linha de trabalho em que Juliana Snapper explora os limites da tecnologia da voz. Este projecto de ópera realizado debaixo de água, adaptável a lugares tão diferentes como uma banheira, um tanque, uma piscina ou uma gruta no mar, é o primeiro trabalho onde alguém canta directamente para a água. Juliana Snapper explica: “Cantar ópera é algo de muito físico. O que eu estou a fazer necessita da intensidade e exactidão do canto operático – seria difícil cantar ‘country’ debaixo de água por exemplo. O canto operático é um fluxo firme de sons que se vai tornando mais e mais poderoso. O que eu faço é uma mutação da ópera – levando-a mais longe.”

O trabalho vocal será realizado fora de água, havendo no entanto a possibilidade de se juntarem à artista dentro da piscina no final do espectáculo.