quarta-feira, janeiro 23, 2008

Heath Ledger

Vou chorar...
"Heath Ledger was found dead in New York in a possible drug-related death. He was 28. Police spokesman Paul Browne said Ledger had an appointment for a massage at the Manhattan flat he was found in, believed to be his home. The housekeeper, who went to let the actor know the masseuse was there, found him dead.
The Australian-born actor was an Oscar nominee for his role in Brokeback Mountain and has numerous other screen credits. He met his wife, actress Michelle Williams, in 2005 while filming Brokeback Mountain. Ledger and Williams lived in Brooklyn and had a daughter, Matilda, but they split up last year.
Ledger played the suicidal son of Billy Bob Thornton in Monster's Ball and had starring roles in A Knight's Tale and The Patriot. He was to appear as the Joker this year in The Dark Knight, a sequel to 2005's Batman Begins."

terça-feira, janeiro 22, 2008

O Bolhão na Assembleia Municipal


Há vacinas contra quase tudo; dificilmente alguém conseguirá inventar uma para evitar o curso que sempre segue a Assembleia Municipal do Porto. Teria que ser inventada uma vacina contra a estupidez e a Ciência, infelizmente, nunca irá tão longe.

Ontem, o tema era o Bolhão. Mas nem importa o assunto; importa quem o discute. Ou quem finge que o discute. Não importa porque os cidadãos são sempre o mais importante (claro, claro, é para isso que eles lá estão, que lá estamos). Mas são os cidadãos quem menos falam. Aguentam ali, estoicamente, três, quatro horas (às vezes mais), a assistir àquele desfile de vaidades, de egos mal amanhados, discursos vazios de deputados que, na sua esmagadora maioria, são incapazes de conjugar dois tempos verbais de forma correcta (que raio, é assim tão difícil?). Aliás, diria que em nenhum outro local a Língua Portuguesa é tão mal tratada. Mas eles, cheios de si e dos seus fatitos adornados com gravata, pedem e pedem e pedem para falar. Para - como disse Rui Rio e bem - discutir o sexo dos anjos. Mas não há quem os pare. Chega a parecer uma sessão de terapia.

Além dos habitués, como Manuel Monteiro (PSD), espécie de Mr. Bean, só que com menos piada e mais paleio (caso digno do Guiness na modalidade: 'Quem acha mais piada a si próprio'), há os novatos, imberbes que da política só conhecem o desejo de ascender através dela. De vez em quando aparecem. Inchados. E é preciso – juro! – colocar o cinto de segurança. Dois exemplos à Direita (da próxima vez, falo da Esquerda): Paulo Dias (PSD), com aquela voz de garganta inflamada (mais ou menos como quando tentamos falar com um caramelo colado ao céu da boca) a fazer pausas acertadas (não assertivas) como se estivesse a fazer stand-up e, por isso, a dar espaço para as reacções do público, e acentuar as frases no final à la Professor Marcelo, é desastroso. Sobra-lhe em pose (pose que, apesar de tudo, não chega a ser suficiente para perder o ar de rapaz da escola) o que lhe falta em conhecimento. Chega a ser embaraçoso (estou a especular, mas especulo com esperança) para quem está na bancada do Executivo. Porque eles querem sublinhar as ideias do seu partido, defendê-las, mas não fazem a mínima ideia, tantas vezes, demasiadas vezes, do que estão a dizer. Perfil onde, aliás, encaixa, também, na perfeição, Miguel Barbosa (PP). Coitado, o rapaz lá tentou duas ou três vezes começar a frase à la Gato Fedorento: “Dizem que temos uma espécie de Oposição…” e tal…. Mas além de não ter tido particular piada, enterrou-se em ignorância até ao pescoço ao dizer que o Bolhão é obsoleto (um rapaz centrista devia ser um bocadinho mais culto, mais viajado, mais informado…) e que o que os comerciantes querem mesmo é dinheiro. Que dessa forma lá se calariam e esqueceriam o que o local tem de emblemático ou lá o que os move. Que para ele tanto faz.

Os três senhores partilham um interessante denominador comum: todos quem ter piada. Terão sido eles a enganar-se no local ou eu? Ou as pessoas que esperam horas a fio para em 30 minutos divididos por meia dúzia, ou mais, poderem expor – não resolver – os seus problemas?

Depois, há Aguiar-Branco. José Pedro Aguiar-Branco (PSD). O homem do cronómetro e do martelo. Que dá e tira o tempo e decide o que é, ou não, insultuoso. Ontem, o presidente da AM decidiu que meandro – sim, eu disse meandro – é um insulto. E que o senhor em questão, comerciante do Bolhão, estava proibido de o repetir. Confesso que ouvi aquilo e pensei: Será que também este quer ter piada? Mas não, queria mesmo dizer o que estava a dizer. Que "meandro", cujo significado é enredo, intriga, é um insulto. E o homem, o outro, ali, inseguro na sua escolaridade, a pedir desculpa a tremer, a suar, a abreviar o protesto. Nada de novo. A política actual - longe de ser só esta, desta autarquia - é isto.


P.S.: Há muito tempo que tenho vontade de revelar os bonecos – literalmente, bonecos - que cada vereador e cada deputado me faz lembrar de cada vez que os vejo ali. Hoje, revelo apenas dois. E nem sequer é porque tenham sido relevantes para a discussão. Não foram. Nunca são. A diferença é que às vezes falam. Nem sequer foi o caso. Mas hoje apetece-me dizer quem vejo quando os vejo.

Matilde Alves, a vereadora da Acção Social, é a Barbie. A única boneca que nunca teve direito a pilhas, a uma evolução tecnológica qualquer que a fizesse ser mais do que um objecto de decoração dela própria. Que nunca teve a direito a mudar de expressão; só de baton.
Gonçalo Gonçalves, vereador da Cultura, é Humpty Dumpty, aquele ovo inventado por Lewis Carroll (a da Alice no País das Maravilhas) que tentava a todo o custo equilibrar-se em cima do muro. Que enrola as palavras, mas não domina os seus significados, tentando com isso enrolar os interlocutores. "Humpty Dumpty argumenta com Alice que as palavras significam exactamente aquilo que ele "quer que elas signifiquem", por isso importa saber quem manda para que se decida qual o significado que as palavras irão ter.

Ontem, durante quatro horas, ambos pareceram dois bonecos numa prateleira da Toys’r’Us, lado a lado, inertes, inúteis, desumanos.

domingo, janeiro 20, 2008

Marcelo Rebelo de Sousa


"Ser Presidente da República em Portugal é sempre um privilégio. Suceder a Cavaco Silva é um duplo privilégio. Ser candidato de uma área, que é a área dele, depois de dez anos de um presidente dessa área, é uma extrema dificuldade."
Marcelo Rebelo de Sousa, Farpas JN

terça-feira, janeiro 08, 2008

30 por noite

"Alegremente inspirado no desprezo autárquico por espectáculos a que assistem “duas ou três dezenas de pessoas”, a mostra 30 por Noite resgata da sombra um conjunto de cinco projectos teatrais desenvolvidos por jovens criadores do Porto, boa parte dos quais com idades inferiores a 30 anos.
A escolha recaiu sobre as companhias Estufa, Primeiro Andar, Teatro do Frio, Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda Quando eu Disser e Mau Artista, grupos da cidade que, tendo já nascido no cenário em desagregação do pós-Porto 2001, vêm demonstrando maior (in)consequência artística e uma crescente exigência de profissionalização.
Aos espectáculos somem-se ainda a instalação enigmaticamente intitulada Está Cá Alguém?, debates sobre os objectos artísticos gerados por estas estruturas “alternativas” de produção teatral, e um desopilante concerto de encerramento dos Mimicalkix. Evocando ao longo de uma semana intensiva o doce prazer de se ser minoritário, 30 por Noite traz para o palco do TeCA aqueles que trabalham para 30 espectadores com o mesmíssimo empenho daqueles que o fazem para uma plateia de 300 ou 3000. As minorias crescem com os processos de criação. Juventude em marcha!

domingo, janeiro 06, 2008

Joaquim Vieira no Público


No jornalismo há pessoas assim, profissionais a sério, que foram dispensados, encostados, preteridos, banidos dos seus postos de trabalho sem que ninguém, pelo menos ninguém que não mande ou não tenha interesses económicos ou políticos ou comprometimentos de qualquer outra ordem igualmente suspeita, perceba porquê. Assim, de repente, e só para dar alguns exemplos óbvios, gostava muito de ver regressar Vicente Jorge Silva a qualquer função mais activa que não apenas a de cronista do Sol; gostava muito de ver regressar Joaquim Vieira à chefia de uma revista como a descaradamente assassinada Grande Reportagem. Noutro campo, gostava de ver regressar Francisco Amaral à sua Íntima Fracção na TSF, ou não necessariamente a essa estação mas a outra qualquer, em vez de ficar circunscrito ao blogue homónimo que criou; gostava, apesar de tudo, de ver regressar Francisco Sena Santos.
Na actual conjuntura, nada indica que possam, estes e tantos outros, voltar. Sobretudo agora, em contagem decrescente para a corrida ao novo canal. Há-de ganhá-lo, sem grande surpresa, quem melhor souber seduzir. E a sedução, aqui, terá muito pouco a ver com romantismo. Será preciso calar mais do que informar. A coragem, em 2008 como antes, não deverá ser premiada.
Seja como for, Joaquim Vieira, que passou pelo Expresso, pela Visão, pela RTP, pela GR, e é o actual responsável pelo Observatório da Imprensa, começa hoje um novo capítulo no Público como provedor do leitor. Sempre é melhor do que nada. A ver se desta vez não o calam...

António-Pedro Vasconcelos



António Pedro Vasconcelos, cineasta, 68 anos, não fumador, nas Farpas do JN, a propósito da nova lei do tabaco:

"É uma lei sinistra, um precedente perigoso, um atentado às liberdades, uma porta aberta à intolerância, um incentivo aos denunciantes, um triste sinal dos tempos, que ajuda a perceber a indiferença dos cidadãos à União Europeia e a decadência da Europa. Espero que as consciências despertem e que se entre numa era de “desobediência civil”. E que sobretudo os “não fumadores” ajudem a boicotar os restaurantes e bares onde não se fuma. (Declaração de interesses: não sou fumador e muito menos viciado. Gosto de fumar um charuto depois de uma boa refeição, quando estou com amigos e há tempo para ficar à conversa. Só isso.)

sábado, janeiro 05, 2008

Luiz Pacheco 1925-2008

"Podem contar comigo para dar porrada, mas jamais por incumbência."
Correio da Manhã

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Estação do Calor


Guillaume Pazat, Jordi Burch e Luís Pedro Cabral partilham com os leitores da Visão e com os internautas interessados, o diário de bordo de três meses de viagem pela América do Sul. Aqui: http://www.estacaodocalor.org/ . Começa hoje!
Aviso à navegação:
"Atenção: Isto não é uma viagem. É um encontro. É a forma de tomar o pulso ao nosso planeta, de perceber como sofre esta região, como ela nos afecta inevitavelmente, nós, humanidade. É uma viagem até ao fim do mundo, com início na cidade de Buenos Aires, Argentina, através da Patagónia, rumo a El Calafate até Ushuaia, no fim de qualquer coisa, com saída para a Antárctida, terra de ninguém, de cientistas e pinguins, reduto ecológico à beira de não ser protegido. Serve este caminho para mostrar o que há de errado com o Homem quando se serve dos seus recursos naturais para os esgotar, aniquilando-se lentamente, ou nem por isso...."