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quinta-feira, abril 19, 2012

Es.col.a


O Executivo de Rui Rio no seu melhor estilo. Eu até já me tinha esquecido de como era, mas de repente lembrei-me de tudo. Doze anos sem aprender nada.

sexta-feira, setembro 04, 2009

O ginásio de Rui Rio

Apesar de proclamar "transparência", Rui Rio faz tábua rasa da lei. "Não obtive resposta a mais do que 30% dos meus requerimentos", denunciou ontem Rui Sá, vereador da CDU. O exemplo mais recente é o ginásio na Casa do Roseiral.

Em Agosto, Rui Sá descobriu que o presidente da Câmara do Porto instalara na cave da Casa do Roseiral - palacete edificado no Palácio de Cristal e que está sob alçada dos serviços da presidência da Câmara do Porto - um conjunto de equipamentos de educação física, tendo mesmo procedido a obras nas instalações, como criar chuveiros, tudo levando a crer que ali seria instalado uma espécie de ginásio. Para ser utilizado por quem?, era a questão.

"Enviei um requerimento a Rui Rio; respondeu-me o seu chefe de gabinete, Manuel Teixeira", conta Rui Sá. A carta confirma que foram instaladas na cave do edifício "quatro máquinas usadas de manutenção física retiradas de diferentes espaços municipais, por obsolescência funcional". Os equipamentos "já não se encontram em condições de utilização intensiva, podendo, todavia, servir para utilização reduzida e esporádica", esclarece Manuel Teixeira, acrescentando que "será criado um regulamento" para a sua utilização.

A resposta, longe de ser esclarecedora, levantou novas dúvidas a Rui Sá, que ontem prometeu voltar ao assunto. "Todos os acessos à Casa do Roseiral requerem autorização, pelo que o ginásio não deverá ser para a população. Também não será para usufruto dos funcionários da Câmara, uma vez que esses já têm um protocolo com dois health clubs da cidade. E não quero crer que se destine ao uso pessoal de Rui Rio".

Independentemente da reposta que possa vir a obter, o autarca da CDU não concorda com a instalação de um ginásio naquela Casa. "Vou propor que os equipamentos sejam oferecidos a uma colectividade ou a um lar da terceira idade, onde certamente farão mais falta". Quanto a Rui Rio, aconselhou-o a "inscrever-se num health-club, até para calar a maledicência que diz que o autarca tem dificuldade em misturar-se com o povo".

Mas ao ginásio cujo uso permanece incógnito, Rui Sá ainda obteve resposta. O mesmo não aconteceu com 70% dos seus requerimentos, naquilo que diz configurar numa "clara violação da lei". Rui Rio, disse, "tem algo a esconder e não quer mostrar ou esconde porque não sabe". A frase é do próprio Rio, mas Sá entende que ela lhe encaixa na perfeição.

segunda-feira, maio 05, 2008

O handicap de Rui Rio

Já nem sou irónica se disser que aprendi a respeitar as políticas de Rui Rio, a quase gostar do presidente da Câmara do Porto. Sobretudo por comparação directa. O PS Porto está para Rui Rio como o PSD nacional para José Sócrates: faz corar de vergonha um calhau. Tivesse Rui Rio maior sensibilidade cultural, logo, mais inteligência, e até eu equacionaria contribuir para o seu terceiro mandato. Mas depois, em entrevista ao Jornal de Notícias, ele diz coisas assim: "A minha política continuará a ser a mesma. Não é seguramente continuar a ter meia dúzia de pessoas na assistência [no Rivoli]. Novos públicos, mensagens sofisticadas... para quem?" E isto, como amostra, não é só desmoralizador; é tão medíocre que é impossível respeitar.

Manuela Ferreira Leite vs Rui Rio

"Rui Rio tinha algumas características que eu considerava mais adequadas do que as minhas."
Manuela Ferreira Leite in Expresso, sábado, 3 de Maio

"A dra. Manuela Ferreira Leite tem o perfil de que o PSD precisa neste momento."
Rui Rio in Jornal de Notícias, domingo, 4 de Maio

terça-feira, janeiro 22, 2008

O Bolhão na Assembleia Municipal


Há vacinas contra quase tudo; dificilmente alguém conseguirá inventar uma para evitar o curso que sempre segue a Assembleia Municipal do Porto. Teria que ser inventada uma vacina contra a estupidez e a Ciência, infelizmente, nunca irá tão longe.

Ontem, o tema era o Bolhão. Mas nem importa o assunto; importa quem o discute. Ou quem finge que o discute. Não importa porque os cidadãos são sempre o mais importante (claro, claro, é para isso que eles lá estão, que lá estamos). Mas são os cidadãos quem menos falam. Aguentam ali, estoicamente, três, quatro horas (às vezes mais), a assistir àquele desfile de vaidades, de egos mal amanhados, discursos vazios de deputados que, na sua esmagadora maioria, são incapazes de conjugar dois tempos verbais de forma correcta (que raio, é assim tão difícil?). Aliás, diria que em nenhum outro local a Língua Portuguesa é tão mal tratada. Mas eles, cheios de si e dos seus fatitos adornados com gravata, pedem e pedem e pedem para falar. Para - como disse Rui Rio e bem - discutir o sexo dos anjos. Mas não há quem os pare. Chega a parecer uma sessão de terapia.

Além dos habitués, como Manuel Monteiro (PSD), espécie de Mr. Bean, só que com menos piada e mais paleio (caso digno do Guiness na modalidade: 'Quem acha mais piada a si próprio'), há os novatos, imberbes que da política só conhecem o desejo de ascender através dela. De vez em quando aparecem. Inchados. E é preciso – juro! – colocar o cinto de segurança. Dois exemplos à Direita (da próxima vez, falo da Esquerda): Paulo Dias (PSD), com aquela voz de garganta inflamada (mais ou menos como quando tentamos falar com um caramelo colado ao céu da boca) a fazer pausas acertadas (não assertivas) como se estivesse a fazer stand-up e, por isso, a dar espaço para as reacções do público, e acentuar as frases no final à la Professor Marcelo, é desastroso. Sobra-lhe em pose (pose que, apesar de tudo, não chega a ser suficiente para perder o ar de rapaz da escola) o que lhe falta em conhecimento. Chega a ser embaraçoso (estou a especular, mas especulo com esperança) para quem está na bancada do Executivo. Porque eles querem sublinhar as ideias do seu partido, defendê-las, mas não fazem a mínima ideia, tantas vezes, demasiadas vezes, do que estão a dizer. Perfil onde, aliás, encaixa, também, na perfeição, Miguel Barbosa (PP). Coitado, o rapaz lá tentou duas ou três vezes começar a frase à la Gato Fedorento: “Dizem que temos uma espécie de Oposição…” e tal…. Mas além de não ter tido particular piada, enterrou-se em ignorância até ao pescoço ao dizer que o Bolhão é obsoleto (um rapaz centrista devia ser um bocadinho mais culto, mais viajado, mais informado…) e que o que os comerciantes querem mesmo é dinheiro. Que dessa forma lá se calariam e esqueceriam o que o local tem de emblemático ou lá o que os move. Que para ele tanto faz.

Os três senhores partilham um interessante denominador comum: todos quem ter piada. Terão sido eles a enganar-se no local ou eu? Ou as pessoas que esperam horas a fio para em 30 minutos divididos por meia dúzia, ou mais, poderem expor – não resolver – os seus problemas?

Depois, há Aguiar-Branco. José Pedro Aguiar-Branco (PSD). O homem do cronómetro e do martelo. Que dá e tira o tempo e decide o que é, ou não, insultuoso. Ontem, o presidente da AM decidiu que meandro – sim, eu disse meandro – é um insulto. E que o senhor em questão, comerciante do Bolhão, estava proibido de o repetir. Confesso que ouvi aquilo e pensei: Será que também este quer ter piada? Mas não, queria mesmo dizer o que estava a dizer. Que "meandro", cujo significado é enredo, intriga, é um insulto. E o homem, o outro, ali, inseguro na sua escolaridade, a pedir desculpa a tremer, a suar, a abreviar o protesto. Nada de novo. A política actual - longe de ser só esta, desta autarquia - é isto.


P.S.: Há muito tempo que tenho vontade de revelar os bonecos – literalmente, bonecos - que cada vereador e cada deputado me faz lembrar de cada vez que os vejo ali. Hoje, revelo apenas dois. E nem sequer é porque tenham sido relevantes para a discussão. Não foram. Nunca são. A diferença é que às vezes falam. Nem sequer foi o caso. Mas hoje apetece-me dizer quem vejo quando os vejo.

Matilde Alves, a vereadora da Acção Social, é a Barbie. A única boneca que nunca teve direito a pilhas, a uma evolução tecnológica qualquer que a fizesse ser mais do que um objecto de decoração dela própria. Que nunca teve a direito a mudar de expressão; só de baton.
Gonçalo Gonçalves, vereador da Cultura, é Humpty Dumpty, aquele ovo inventado por Lewis Carroll (a da Alice no País das Maravilhas) que tentava a todo o custo equilibrar-se em cima do muro. Que enrola as palavras, mas não domina os seus significados, tentando com isso enrolar os interlocutores. "Humpty Dumpty argumenta com Alice que as palavras significam exactamente aquilo que ele "quer que elas signifiquem", por isso importa saber quem manda para que se decida qual o significado que as palavras irão ter.

Ontem, durante quatro horas, ambos pareceram dois bonecos numa prateleira da Toys’r’Us, lado a lado, inertes, inúteis, desumanos.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Crónica de um triste espectáculo

Ao fim dos primeiros vinte minutos, estou ao despique com Rui Rio. O desafio é ver quem boceja mais vezes. Não sei quem ganhou - às tantas, empatámos, mas pelo menos não adormecemos. Nem todos os deputados socialistas poderão dizer o mesmo. Rectifico: devo ter ganho eu, que fiquei até ao fim. Sempre me deu a vantagem de uns bocejos extra.
A Oposição da Câmara Municipal do Porto pediu uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal - ocorrida ontem à noite - para debater a situação do Rivoli depois de o Tribunal ter-se pronunciado sobre a ilegalidade que terá estado na origem da concessão daquele Teatro a Filipe La Féria. O PSD estava lá todo, inclusivamente munido de directores municipais, não fosse dar-se o caso de ser confrontado com alguma pergunta cuja resposta poderia não estar na ponta da língua. Estranhamente, o PS esqueceu-se de mandar os vereadores, mesmo aquele que assinou a Providência Cautelar à qual a decisão judicial foi favorável. Apareceu apenas Ana Maria Pereira, quase invisível, mais tarde. A CDU, idem aspas. Apareceu Rui Sá, mudo, já o espectáculo ia avançado. A sessão estava marcada para as 21 horas. Começou atrasada. E às 21.30 horas, confrontado com a ausência de inscrições, já o presidente da mesa, José Pedro Aguiar-Branco, ameaçava encerrar o serão.

Feridos no seu orgulho - oco orgulho partidário, e não das convicções firmes - os deputados começaram a pedir a palavra. Não porque tivessem realmente alguma coisa a acrescentar. Queriam só fazer de conta que estavam realmente a debater o assunto. Pior: queriam fazer de conta, embora não tenham conseguido, que sabiam o que estavam a dizer e que sabiam para onde queriam ir. Não sabiam. Nem uma coisa nem outra. Mesmo como espectáculo, não poderia ter sido mais desolador. Se a entrada fosse paga, eu teria pedido devolução do dinheiro no fim.
Artur Ribeiro (CDU) já tinha inaugurado a sessão, roçando muito ao de leve o assunto que motivara a Assembleia. José Castro (BE) seguiu-se-lhe, enunciando o que considera ser uma "desconsideração" pela própria Assembleia, pela Justiça e pela cidade. Divagações, portanto. São os dois incontornáveis naquele palco. E Justino Santos (PS) limitou-se a ler um texto sobre o historial do Rivoli para justificar a posição socialista. Ao primeiro round, o vazio completo. Nada de novo. Pior, nem uma pergunta dirigida a quem quer que fosse.

Segundo round, o tal para o qual eram necessárias inscrições. No caso, feitas a saca rolhas. Gustavo Pimenta (PS) vai dizer o que já havia sido dito. E acrescenta que o problema não é bem La Féria, nem bem os espectáculos dele, nem bem.... hmmm, bem o problema é.... Sérgio Teixeira (CDU) vai ao púlpito dizer apenas que o silêncio da sala afecta a dignidade do órgão e regressa mais tarde, consolado por acreditar que foi o seu desabafo a motivar a súbita, embora paupérrima, participação dos deputados. José Castro (BE) regressa também para - pasme-se! - ler um texto assinado por Marcelo Mendes Pinto (CDS), ex-vereador da Cultura no primeiro mandato de Rui Rio, tecendo-lhe os maiores elogios. (Em nenhuma outra área que não a da política se passa assim de besta a bestial!) E para acrescentar que o problema não é bem La Féria, nem bem os espectáculos dele, nem bem.... hmmm, bem o problema é.... Justino Santos (PS) regressa também para partilhar com a audiência a sua pessoal agenda cultural e para atestar o quanto gostou - pede perdão a Deus para proferir o pecado - do musical laferiano "Jesus Cristo Superstar", para dizer que até vai com os filhos, na próxima quinta-feira, ver a "Música no Coração" e bem, para acrescentar que o problema não é bem La Féria, nem bem os espectáculos dele, nem bem.... hmmm, bem o problema é....

A cereja não coube ao PSD, porque é difícil eleger uma cereja numa cerejeira repleta de frutos. Ainda assim, Gabriela Queirós (PSD) pediu a palavra para, resumidamente, dizer isto: "Ok, a decisão da Câmara é ilegal. E depois? Ajudem-nos a encontrar uma forma para tornar isto legal". Seria desastroso se tivesse sido apenas isto. Mas a deputada, bem ou mal, populista ou não, atirou números para cima da mesa: 2400 pessoas frequentam hoje diariamente o Rivoli, sendo a previsão anual de frequência de 392 mil pessoas contra as 132 mil verificadas no passado.

Como ninguém havia feito o trabalho de casa, não havia como contestar. E como ninguém sabia o que estava ali a dizer, a fazer, a defender, agarraram-se todos aos números e, eis que, de repente, a Oposição esqueceu-se que o motivo da Assembleia não era nem o serviço público, nem a estratégia cultural da Câmara, nem a formação de públicos. Ontem, não era isso. Porque isso já havia sido vastamente discutido. Mas como eles não sabiam o que era, qualquer casca de banana era boa para escorregar. Escorregaram todos.
Rui Rio, estóico, aguentou-se calado. Com toda a justa propriedade. No lugar dele, também não teria aberto a boca. Abriu apenas uma breve excepção para voltar a explicar a teoria dos 5% das receitas líquidas do Rivoli que La Féria temporariamente não terá que pagar à Câmara. E abalou.

Na assistência, estavam os resistentes que se barricaram no Rivoli. Sozinhos, como se não passassem afinal de um bando de loucos que cismou que o Teatro tem outras obrigações. Os únicos que sabiam o que estavam realmente ali a fazer e a dizer; os únicos que fizeram as perguntas certas. Tarde demais. Já não havia quem lhes pudesse responder. E estava também o povo da cidade. Gente que não tem nada a ver com nada, mas que vai ali como quem ia, em tempos idos, ao Coliseu de Roma. Ver um espectáculo selvagem. Não lhes importa o assunto; importa o quanto se divertem com aquele circo. É um circo.

terça-feira, junho 26, 2007

Prós & Contras II

Rui Rio é um senhor e vai andar por aí. "Disse que ia por aqui e é por aqui que vou. Não vou contribuir para corromper a política, prometendo uma coisa e fazendo outra". Acho bem. Mas também acho que devia acabar de ler o seu próprio programa eleitoral. Eu tenho uma cópia e juro que há lá mais coisas, para além da Baixa e desses "20%" que vivem em bairros sociais.
Este debate foi hoje. É de mim ou podia ter acontecido no ano passado? Ou há dois anos? Será por isso que Rui Rio gosta dos jornalistas de Lisboa? Ou dos que são do Porto, mas é como se fossem de Lisboa? Pela sua extraordinária impreparação quando o assunto é o Norte?

Prós & Contras

Os convidados do costume, uma plateia envelhecida, essencialmente masculina, vagamente entediada, a repetir chavões. É esta a imagem que está a ser transmitida na televisão de um Porto que ambiciona ser rico, poderoso e cosmopolita. Neste contexto, Rui Rio é objectivamente e sem ironia, um senhor.

sexta-feira, junho 22, 2007

Fosse só o Rivoli....

Enquanto a maioria se revela e debela pela luta do Rivoli, Rui Rio sorri. Mesmo que o seu sorriso venha embrulhado em vinganças perigosamente infantis (deveria dizer canalhas?) e estratagemas de exclusão, provavelmente apreendidos no orgulho do seu colégio alemão. Sorri porque ele, mais do que qualquer outro, saberá que quanto mais as pessoas da cidade estiverem focalizadas num único assunto - a perda do Teatro Municipal com tudo o que isso significa de subtração de diversidade cultural -, mais aos olhos do país parecerá que o assunto não basta para tamanha insatisfação. O mesmo defenderá - e defende - o olhar mais distraído, ou menos exigente, dos cidadãos do Porto - seguramente os que nele votaram. E nesse arco de posições extremadas, Rio sentir-se-á salvo porque, aparentemente, vítima da obsessão de um grupo que ele considera reduzido.

Só ele sabe o jeito que este circo lhe dá.

Se o Rivoli fosse a única imagem da inércia cultural da cidade já seria suficientemente grave (por razões vastamente conhecidas e que não me apetece repetir). O problema é que a atenção mediática (mediática, mas tragicamente impotente) que o Teatro ganhou serve, apenas, para encobrir os problemas todos dos outros equipamentos que o seu Executivo impunemente delapidou.

A Casa de Cinema Manoel de Oliveira, onde está? Empatada há quatro anos, grafitada e cercada de matagal. Sem vergonha, a Câmara colocou o cineasta a pagar a renda do apartamento que ela própria arrendou para catalogar o seu acervo.

Os Ateliers da Lada, para que servem? As casas que deveriam ser, como foram em 2001, residência para artistas nacionais e internacionais criarem e projectarem o seu trabalho no Porto estão agora a servir de albergue pontual para uns quantos que foram desalojadas pela autarquia.
O Cinema Batalha, como está? Gerido por Laura Rodrigues da associação de comerciantes numa negociata que nem Deus saberá, rasteja entre a cantina de bairro e os bailes de paróquia num nível de exigência mais do que deprimente. Ela jura que teve 500 mil pessoas no ano passado. Alguém acredita?
O Teatro do Campo Alegre, que evolução sofreu? Esse espaço que iria servir, na voz de Rui Rio, para acolher as criações das companhias independentes da cidade. Todas menos uma: o Plástico ficou vedado por se ter barricado no Rivoli. Ah, a liberdade...
E o Edifício Transparente (esquizofrenia em grau terminal do PS, é certo) transformado em centro comercial? É sempre mais fácil converter tudo a tostões. Ou, pelo menos, à possibilidade de os ganhar. Haja restauração em força!

E depois, a cultura de Rui Rio não é só La Féria; não é só um lençol vazio. É, também, um improvável concerto dos Keane que a Câmara, vá lá saber-se porquê, decidiu promover em Agosto.

Viva Rui Rio! Viva!

quinta-feira, junho 21, 2007

Rui Rio, the big brother

Revelação que pode excitar Rui Rio, discípulos, apoiantes, camaramen rasteiros e similares: David Pontes, essa vil figura do jornalismo, que se arroga o direito de exercer a sua cidadania apesar de ser sub-director de um jornal (Que raio! Ninguém lhe explicou que um director para ser sério, isento e honesto tem o dever de não existir fora da plataforma onde trabalha? Que, de preferência, deverá mesmo ser casto, não vá dar-se o caso de se deixar contaminar por um qualquer matrimónio oue lhe conspurque a conduta?!), essa figura, dizia, além de se opor à concessão do Teatro Rivoli a Filipe La Féria, é adepto do Futebol Clube do Porto. Nos dias de jogo é vê-lo a caminho do Dragão, frenético, ansioso, fosforescente, animado com a ideia de ver ganhar o club de Pinto da Costa; devastado se ele perde. Como é que essas imagens, ilustração irrevogável da sua falta de parcialidade, e mesmo de dignidade, nunca apareceram no You Tube?! Os caninos de Rui Rio não trabalham ao domingo?!
As câmaras de filmar, sabemos todos, têm limitações. A que foi contratada por Rui Rio não confiscou (ou não reconheceu, talvez por não ter a dimensão mediática que o presidente da cidade diz ter David Pontes e Carla Miranda, essa mulher infame com quem partilha a vida e que, ainda por cima, é actriz) o chefe de redacção do JN. Outra revelação: José Queirós não só esteve na manifestação como não evitou aplaudir as griffes internacionais que desfilaram na carpete vermelha. As objectivas não captaram, mas Rui Rio é bem capaz de ter razão: como pode confiar-se nos critérios editoriais de um jornal que tem dois jornalistas na mesma acção de protesto? Pior, José Queirós, num acto de desafio superlativo à autoridade, ainda escreveu uma crónica sobre o que viu. Terá enlouquecido? Como pode o jornal de uma cidade manter nos seus quadros duas pessoas com este avançado estado de demência? E os outros jornalistas? Os do DN e do Público, que também lá estavam de R em punho? De facto, já não se pode confiar em ninguém...
Sem liberdade não há democracia. E a democracia de Rui Rio é o sistema encardido, com cheiro a mofo, decrépito e pautado pela máxima: "Quem não é por mim é contra mim", que "aqui quem manda sou eu e eu, só eu é que sei". Obcecado, no limiar da enfermidade crónica, perseguido e perseguidor, não lhe restaria outra saída que não a de voltar à cadeira de um tribunal. Eventualmente, para uma reguada que nunca lhe servirá de lição. Que tipo de homem acredita ter o direito de poder filmar os outros, catalogá-los, dissecar-lhes a vida pessoal e daí fazer extrapolações para o seu desempenho profissional? E quem, no seu pleno juízo, pode defender que Rui Rio é um homem saudável?

terça-feira, março 27, 2007

Exercício de cidadania II

Os pontos em discussão não eram extensos nem propriamente palpitantes - não ofereciam muita margem para discórdia ou, pelo menos, para grandes elocubrações verborreicas. Mas, mesmo quando assim é, costuma sobrar espaço para a redundante piada de pacotilha.
Hoje foi diferente. Sem Rui Rio na audiência, a reunião da Assembleia Municipal do Porto pareceu, finalmente, uma câmara de adultos. Decorreu de forma pacífica, educada, correcta. Não foi só a ironia do autarca que faltou, ou os seus comentários laterais de gosto duvidoso; foi também a falta de vontade dos seus parceiros de bancada - Lino Ferreira, postura inatacável em qualquer cenário, invariavelmente excluído desta interpretação -, para mostrar habilidades em tentativas sucessivas de impressionar o mestre. Álvaro Castello-Branco, habitualmente disperso nessas manobras circenses, (a)pareceu reinventado. Pareceu um adulto civilizado em vez de um menino de escola carente.
Escorregou Manuel Monteiro, deputado do PSD, de lição estudada, mas demonstrando imperdoável falta de respeito pelos congéneres mais novos. A referência perjorativa à idade do socialista Pedro Couto, na sequência - ainda por cima - de uma intervenção consistente, não podia ter-lhe ficado pior.
Excepcionalmente, a expectativa esteve concentrada nas alegações do público: a comunidade de ciganos que irá ser despejada das barracas do Freixo. Houve quem reclamasse igualdade de direitos. Lino Ferreira, outra vez superior, respondeu com a igualdade de deveres. E os lesados não contestaram.

domingo, fevereiro 25, 2007

O Porto visto de Lisboa III

"É disto que os políticos gostam, poderem aparecer como humanos". A frase, sentida, genial e certeira, foi proferida pela vizinha do lado a propósito dos perfis de Rui Rio e Luís Filipe Menezes - os dois príncipes do Norte - assinados, no domingo passado, por Paulo Moura na Pública.
Rui Rio, igual a si próprio, revelou-se um lobo solitário, um justiceiro sem medo decidido a por na ordem todos quantos ousem contestá-lo. E o jornalista de Lisboa foi o primeiro a dar ordeiramente o exemplo: não o contestou. O retrato era o de um homem sério, rigoroso, impoluto, visionário, superior. Uma ficção, portanto.
No dia seguinte, José Manuel Fernandes, que já por mais do que uma vez deu provas de não saber o que é e o que se passa realmente no Porto, não suficientemente satisfeto com o açucar da prosa, colocou na última página do diário uma seta ascendente sobre o autarca, sublinhando as suas imensas qualidades e inigualável coragem por ter dito o que disse.
Estranho? No mínimo!
O director do Público esqueceu-se apenas de dizer que Rui Rio, depois de ter reflectido sobre o seu próprio discurso, ameaçou accionar uma Providência Cautelar para impedir a publicação da reportagem. A que preço terá aceite voltar atrás? Está à vista, mas o jornal não descansa. Ontem, José Augusto Moreira, que nem sequer é de Lisboa, voltou a louvar a "visão pragmática" do presidente da Câmara, a sua "lucidez e sagacidade - raras na política actual".

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Falso referendo

Afinal, não era um referendo. Era só uma brincadeirinha de meninos que parecem não ter muito que fazer. Alguém duvida que o sentido de humor impera na Câmara do Porto?

"Por penosa falha técnico-informática esteve ontem visível no novo espaço Consulta deste site, durante mais de meia hora, a desagradável pergunta “Concorda com a política de oposição do JN à Câmara do Porto, se realizada por opção do director, desde os primeiros dias do mandato e sujeita a desmentidos legalmente consagrados?”
Tratava-se apenas de uma questão-teste que, durante os necessários ensaios técnicos que antecedem a troca de tema no espaço em causa, por lapso, ficou indevidamente visível no écran, em lugar da pergunta: “Considera que o JN é isento e rigoroso no tratamento que dá à informação sobre a Câmara do Porto?” Do facto pedimos desculpa aos nossos visitantes e, em particular, ao Senhor Director do JN, José de Leite Pereira".

Novo referendo

A Câmara Municipal do Porto acaba de lançar um referendo à escala municipal.

Concorda com a política de oposição do JN à Câmara do Porto, se realizada por opção do director, desde os primeiros dias do mandato e sujeita a desmentidos legalmente consagrados?

Exercício de cidadania

É sempre o mesmo nojo que me invade em cada reunião de Câmara, em cada Assembleia Municipal do Porto. E sempre, sempre a mesma tristeza. Saio invariavelmente muda; hoje saí pior, embora o panorama não tenha sido diferente ou agravado por qualquer circunstância nova. É só a continuada falta de respeito, a persistência na ironia bacoca, a arrogância sem critério, a total ausência de pensamentos ou posturas nobres que me atropela e impede de continuar a acreditar que é inevitavelmente por ali, pelo poder político, por aquele poder político, que alguma coisa pode ainda mudar, melhorar.
Hoje discutia-se exclusivamente a política cultural da cidade. A Oposição queria respostas; a Maioria PSD/PP (não) respondeu com um entediante powerpoint retirado da internet, elencando as inúmeras estruturas da cidade. Tal e qual um filho questiona os pais sobre a ausência de uma alimentação equilibrada e os pais respondem com os quadros e os bibelots que existem lá em casa. "É isso que poderemos deixar às gerações vindouras".
No fim, o contraste. O aterrador paradoxo capaz de arrancar arrepios ao mais empedernido coração. Pessoas que da cultura só conhecem o nome, mas dos filhos, vários e doentes, conhecem a pobreza. Vivem todos num quarto ou numa cave ou em qualquer outro sítio desumano. Mesmo assim pedem para não serem despejadas. A resposta do Executivo, para quem a coesão social é a prioridade, sai com a mesma secura, a mesma insensibilidade, o mesmo riso despropositado nos lábios. "Já tínhamos avisado. Não pode ter ali a barraca. Há uma via nova para abrir".
O povo encolhe-se, trata-os por "vossas excelências", treme a ler os bilhetes escritos à mão que leva para apresentar as suas angústias sem se enganar, mortifica-se quando se engasga pressionado pelos três minutos que tem de antena. Sai como entrou: a pedir desculpa por existir.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Rui Rio - Um livro de estilo

Numa semana em que o país parece estar exclusivamente concentrado na discussão sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, só Rui Rio consegue resgatar-me do tédio noticioso e envolver-me na deliciosa bruma das coisas que ainda conseguem surpreender-me.
O autarca portuense prepara-se para lançar um Livro de Estilo de jornalismo, à semelhança dos que foram, há já vários anos, editados pela TSF e pelo Público. E partilhou, no início desta semana, a pré-publicação da obra - espécie de tese de mestrado, que usa como objecto e amostra de estudo as edições dos dias 1 e 2 de Fevereiro do Jornal de Notícias, para tentar provar o "jornalismo de péssima qualidade" seguido por aquele matutino - no habitual site da autarquia. O texto, imodestamente, intitula-se: "Análise: Jornalismo de péssima qualidade para denegrir a Câmara". (Há semióticos na Câmara e ninguém nos disse nada...)
1. Os jornalistas não devem usar "verbos que simbolizam desagrado, hostilidade, manipulação de factos". A saber: revoltar, sobretudo se em causa estiver o que a edilidade supõe ser meia dúzia de pessoas "a trocar impressões" - hoje, às 16 horas, veremos quantas são as pessoas e quais as impressões que efectivamente as mobilizam; ignorar, contestar, retirar, protestar... A lista de verbos vem adicionar-se a uma lista de adjectivos já anteriormente divulgada e onde figura o famigerado "energúmeno", que levou Augusto M. Seabra a sentar-se num tribunal, acusado de abuso de liberdade de expressão.
2. Os jornalistas não podem ser factuais. Alguns exemplos: se existir um lavadouro que parece uma espécie de esgoto a céu aberto, os jornalistas não devem denunciá-lo; menos ainda ilustrá-lo com a fotografia do local sob pena de transmitir da cidade a ideia "de um cenário tipicamente rural"; se a Câmara não renovar, pela primeira vez em cinco anos, um acordo que garante a aferição da qualidade da água pública, o jornal não deve dizê-lo para não parecer que "a Câmara não tem projectos, nem cuida da cidade"; se a Câmara pedir um empréstimo (2,5 milhões de euros), os munícipes não devem sabê-lo.
3. As notícias devem ser equitativamente distribuídas pela região. Se um jornal tiver, por exemplo, um caderno local dedicado à Área Metropolitana do Porto, não deve privilegiar o noticiário daquela que é, por enquanto, e supostamente, a sua principal cidade. Ou seja, em seis páginas de suplemento dedicar-lhe metade é absolutamente inaceitável. O que acontece em Santa Maria da Feira ou na Trofa é tão importante como o que acontece no Porto. Não o encarar desta forma é uma fórmula traiçoeira para "dar uma imagem geral de contestação e revolta na cidade", sobretudo quando "todas as notícias apresentam um título negativo sobre a Câmara do Porto ou mesmo sobre o seu Presidente".
4. Títulos negativos são, obviamente, punidos com retirada de carteira profissional. Rui Rio não é insensível a nada, não ignora nada, não é culpado de nada. Quem disser o contrário, esse sim, é um energúmeno.
5. As citações que até aqui eram usadas para atestar a veracidade das notícias, deverão passar a ser usadas com parcimónia caso não sejam vantajosas para a autarquia. “Vou pagar o dobro e nem vidros tenho” ou “É o mesmo que me dizerem para não comer”; e ainda “A minha reforma só foi aumentada seis euros” serão claramente censuradas.
6. As fotografias deverão ser substituídas por pinturas de... vá lá, Monet. Sim, paisagens. Porque os repórteres fotográficos, contaminados pelo espírito malévolo dos jornalistas, tenderão a construir imagens que coloquem o leitor a ver, literalmente, o contexto da notícia. Por exemplo, o Bairro do Aleixo - um dos maiores centros de tráfico de droga do Porto - não pode fotografar-se a partir de um dos muitos vidros partidos que por lá existem. Isso é querer "montar um efeito de caos" que obviamente não existe ali.
Nas notas finais, Rui Rio conclui que "a polémica linha editorial" do JN é, como esclarece no título da obra, "de péssima qualidade", mas salvaguarda que o estilo usado para noticiar a cidade "contrasta claramente com as restantes páginas do jornal onde os assuntos positivos e negativos são noticiados com aceitável factualidade".
O Livro de Estilo ainda não tem data de publicação, mas é provável que os próximos capítulos continuem a aparecer no site da Câmara.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Rui Rio: obsessões, fobias, traumas

Há qualquer coisa de perverso (deveria dizer sórdido?) e quase masoquista na cabeça de Rui Rio, que o leva a actuar quase sempre da forma errada. Não são só os fins - obviamente discutíveis -; são os meios para os atingir. Se a Cultura parece ser uma fobia, a forma de a suprir é tanto mais insólita quanto o facto de nunca a conseguir concretizar sem o recurso a um circo que nunca prescinde de um batalhão da polícia municipal. Foi assim na substituição da Associação de Gabinete de Desporto do Porto pela Porto Lazer; foi assim quando decretou a privatização do Teatro Rivoli; foi assim hoje com a alegada extinção da Culturporto.
Pergunto-me: para lá da esfera estritamente legal, não encontrará Rui Rio, na sua concha ética, uma forma decente de concretizar as suas medidas? Sem atropelar funcionários ou sem encontrar, posteriormente, na comunicação social a causa do mal da sua desventura?
A esta altura, reler o capítulo do seu programa eleitoral dedicado à Cultura assemelha-se à leitura de uma manual de anedotas. O presidente da Câmara do Porto afirmou, há menos de meio ano, que "o futuro da cidade passa por uma aposta na cultura e por um esforço do sentimento de cidadania e da integração na comunidade". Nota-se.
Acrescentava ainda, para justificar a importância na aposta, que "o Porto 2001 foi uma oportunidade perdida, cujos efeitos se esgotaram no momento, não tendo conseguido criar novos públicos que ajudassem a construir mais facilmente o futuro". Curiosa afirmação quando a ele se deve a falta de continuidade do projecto. E de todos os projectos filhos desse projecto maior. Assim, de repente, em que estado estão os caminhos do romântico? Que foi feito dos ateliers da lada?
Rui Rio comprometia-se também a "ouvir as necessidades sentidas pelas instituições culturais e pelas associações/fundações e participar numa reflexão sobre a importância da cultura para a cidade, pedindo uma programação, com projectos de qualidade, estimulando a inovação". Alguém foi ouvido?
Dizia querer "reafirmar a importância da cultura na cidade, aproximá-la das pessoas, divulgando bem o conceito de cultura que está subjacente a este novo projecto (melhoria das competências, condição para melhor obtenção de emprego, factor de melhoria de vida e de ascenção social) (...), restabelecer uma relação orgulhosa e civilizada dos portuenses com a sua cidade, equilibrar as produções efémeras com o desenvolvimento de projectos estruturantes, remodelar toda a estrutura de divulgação, a começar pela Culturporto, que tem que ser restruturada".
Se isto não é mentir descaradamente, o que é?

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Homem invisível

A propalada demissão de Fernando Almeida da vereação da Cultura da Câmara Municipal do Porto, eventualmente seguida da publicação do clássico livro de memórias - tão em voga -, levar-me-ia a nutrir por ele algum respeito. Mas temo que até para se demitir tenha que obedecer aos timings estipulados por Rui Rio.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

The big question

Que favor deverá Rui Rio a Filipe La Féria?!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Será Rui Rio "tolinho da cabeça"?

Uma entrevista pode não ser suficiente para denunciar a qualidade de um autarca, mas é sempre reveladora do seu carácter, da sua forma de estar e encarar a vida. Sobretudo em televisão, porque o meio em causa, além das palavras, mostra os silêncios, as expressões faciais, o encolher de ombros...
Rui Rio afirmou hoje perante as câmaras do Porto Canal, numa conversa conduzida por Rui Baptista, que perguntas sobre o que está a ler, qual a última vez que foi ao teatro ou ao cinema são "difamatórias"!!! Tão difamatórias que o presidente da Câmara do Porto entendeu que não devia responder. E quando o jornalista lhe recordou que no mandato anterior o havia visto numa ópera, ele encolheu os ombros e torceu os lábios. Sublinhou: "Eu não sou uma presença constante em lado nenhum".
Confrontado com a cláusula - que já não está em vigor porque, pela via das dúvidas, os subsídios acabaram para toda a gente -, segundo a qual qualquer entidade subsidiada pela autarquia estaria inibida de a criticar, esclareceu: "Se eu tivesse feito isso devia ser tolinho da cabeça". Fica no ar a questão: será Rui Rio tolinho da cabeça?! É que a seguir, e depois de condenar os jornalistas, essas malévolas criaturas sempre dispostas a distorcer o teor das suas afirmações - e que, ainda por cima, parecem ter capacidade de influenciar as pessoas do seu próprio partido, uma vez que quase todos os elementos da concelhia manifestaram a sua renitência relativamente à dita cláusula -, sustentou que "quem recebe [recebia, no caso] subsídios pode criticar a Câmara e o seu presidente; não pode é assinar um protocolo e depois virar costas e dizer mal dele ou da instituição". Em que ficamos?
Revelação que Rui Rio se terá esquecido de partilhar durante a campanha eleitoral: "Já tinha germinado na minha cabeça, muito antes de ser presidente da Câmara, que haveria de acabar com os subsídios à cultura. Porque sempre me fez muita confusão essa coisa de toda a gente ir à autarquia pedir um subsídio. Pedem e acham que isso é um direito!", indignou-se. Por isso, a partir de agora, a cultura municipal tem, apenas, preocupações com três estruturas da cidade: Casa da Música (curiosa escolha, por conhecidíssimas razões, mas também porque a Câmara detém, apenas, 13% das acções); Fundação de Serralves (talvez a instituição mais subsidiada a nível nacional); e o Coliseu. E desabafou: "Ó Rui Baptista, não vamos falar só de cultura, pois não?"
Não. Mas antes de mudar de assunto, ainda ficámos a saber que a queixa-crime contra o grupo de pessoas que ocupou, em Outubro, e durante quatro dias, o Teatro Rivoli, foi apresentada pela maioria PSD/CDS-PP em nome de TODO o Executivo, ou seja, também em nome dos elementos da Oposição, porque, explicou "não estava à espera que fosse ligar aos 13 vereadores, pois não? Já viu, se uns gatunos forem assaltar os Paços do Concelho e eu os apanhar, não posso perder tempo a ligar a toda a gente para saber se posso chamar a polícia, não é?"
Ficámos ainda a saber que Eduardo Prado Coelho é uma das "doze pessoas" - assim mesmo, bem contadinhas -, que escreve mal dele nos jornais. No caso do cronista do Público, justificou, "porque deixou de lhe dar dinheiro". O professor e ensaísta foi comissário, a convite de Isabel Alves Costa, do ciclo Capicua, uma iniciativa promovida pela Culturporto, que abordava várias vertentes culturais: teatro, conferências, novo circo, etc. E, tanto quanto me lembro, levou o Porto para os jornais. Lembro-me concretamente da crítica à peça "Valparaíso” de Don DeLillo, encenada por Nuno Cardoso em 2002, sobre quem disse ser o mais promissor encenador da contemporaneidade.
A conversa entre os Ruis, Baptista e Rio, galopou ainda pela empresa do Metro, pela requalificação da Baixa e pelos bairros sociais. Aliás, reforçou o presidente da Câmara, "a poupança brutal da Cultura será canalizada para o que eu sempre disse que seria a minha prioridade: a coesão social". Fiquei a pensar nisto: fiquei a pensar no Bairro do Leal, onde vou de vez em quando, e nas condições em que vivem aquelas pessoas; fiquei a pensar no que sempre me dizem os taxistas quando recusam terminantemente ir ao Bairro S. João de Deus... fiquei a pensar no que quer dizer coesão social.... talvez, baralhar e voltar a dar. Mas sempre de olhos fechados.