sábado, setembro 26, 2009

Tentativa involuntária de suicídio

O Coriscos está de braço ao peito há uma semana, depois de uma tentativa involuntária de suicídio. Mão direita flagelada, veia cortada, dedos de sensibilidade perdida. Experiência em hospital do interior fez mesmo com que preferisse morrer: médico espanhol coloca gelo numa mão cheia de vidros e diz que não pode fazer nada por mim. Nem limpar os vidros nem coser nem tirar um raio x nem estancar o sangue, nada! Pode só ficar ali a olhar para mim com ar de palerma e a acenar a cabeça. Manda-me para o hospital distrital de Vila Real. Conheço a coisa; recuso. Assumo a responsabilidade e sigo para o hospital de Santo António, no Porto. Uma hora a perder sangue porque nem a curaivo provisório tive direito. Outro médico espanhol. Genial! Não tira os vidros, não tira raio x, mas lá cose o que há para coser. "Dependo integralmente da mão direita", digo-lhe. "Quando vou recuperar a sensibilidade para começar a trabalhar?" Resposta: "Tiveste um acidente de trabalho, compreendo. Há seguro para isso." Pleeeeease!!!!! Dia-sim-dia-não troco o curativo com uma enfermeira... russa! Ah, Portugal, Portugal!

E depois o desafio: escrever, à mão ou no computador, vestir, despir, apertar um inofensivo soutien ou um relógio, lavar os dentes ou pentear o cabelo são tarefas que a minha mão esquerda não sabe fazer ou faz mal ou demasiado devagar. Percebi ironicamente a importância da mão direita numa altura em que espero que a esquerda ganhe. E apesar d tudo, o pior disto tudo é mesmo não poder escrever sobre a grande paródia que foi esta campanha eleitoral!

sexta-feira, setembro 18, 2009

About this lovely one night stand...

Finalmente, uma casa para as histórias de Paula Rego


"Tu és uma inconsciente", gritava-lhe a mãe. "Ó Maria Paula", insistia, ampliando ênfase e volume, "tu és uma inconsciente. Fazes as coisas e depois ficas toda aflita". Ela, a Maria Paula, criança inquieta, com um mundo maior dentro da cabeça do que fora dela, embaraçada, sentia-se a diminuir de tamanho, qual Alice no país das maravilhas a encolher para entrar na porta enigmática do jardim mágico. "Tinha medo", diz a juntar as palmas das mãos, os olhos pendurados no ar. "Ai, Jesus, tinha tanto medo. Medo de tudo". E tinha oito anos. Hoje tem 69. O tempo levou-lhe muita coisa. "O medo? Já não tenho tanto", confessa, aliviada. "Mas ainda existe. Agora é mais medo de coisas concretas. Medo dos ataques, das pessoas drogadas, que não fazem mal senão a si próprias, mas assustam. Medo de voltar para casa à noite sozinha."

Maria Paula é Paula Rego. Provocadora incansável. Perturbada e perturbadora. Pintora da solidão e do desespero, da frustração e do desejo, da liberdade e do encarceramento. Da melancolia. Da infância atravessada pela maturidade. Influencida pelo surrealismo e, de certa forma, pelo dadaísmo, ela pinta o pecado que imagina, o arrependimento, o purgatório, a moral e a falta dela. Em figuras ambíguas, meio humanas, meio animais, meio bonecos, meio coisas que só ela saberá, denuncia o país de que se lembra quando era ainda demasiado pequena. O Portugal da mulher submissa, manipulada, da mulher sem norte, da mulher dona de casa. E, ao mesmo tempo, da mulher erótica, misteriosa, inabalável. Constrói e destrói a História numa dialéctica motorizada pela imaginação, numa encruzilhada de metáforas para as quais só ela conhecerá a chave exacta. É a voz de quem não teve voz. A voz da consciência e da transgressão que, não raras vezes, emerge da força sexual das suas personagens. Paula Rego é um coelho. É uma formiga-rabiga. É a mulher-cão que rasga as convenções e explode em narrativas densas, carregadas de tudo menos inocência.

Continua aqui.

A discrição é coisa que se anuncia?!


"Deixemos passar as eleições e, depois, tentarei, naturalmente de uma forma discreta, como costumo fazer, obter informações sobre questões de segurança."
Cavaco Silva

Kasparov x Karpov

[Foto: Olívia Bee]

É coisa de homens, de jogo, de combate e rivalidade. E é uma lenda, duas: Kasparov e Karpov, dois russos, dois campeões mundiais de xadrez, dois adversários temíveis, temidos. Defenderam títulos mundias em tabuleiros separados, cruzaram-se, confrontaram-se, disputaram o título mundial da FIDE cinco vezes, e mais tarde, 1984 em duelo, interromperam-lhes, abortaram-lhes incompreensivelmente o jogo antes do cheque-mate. Karpov estava mais perto de vencer. Se perdesse aquele jogo perderia também o título que mantinha há dez anos. Não perdeu nem ganhou - esperou. Até ao ano seguinte. Karpov viria a perder - o jogo e o título. E eles perderam-se. Juro que parece uma história de amor.

Voltam a digladiar-se em 1986, 1987 e 1990. Kasparov vence sempre. As derrotas, mesmo curtas, apertadas, deixam marcas em Karpov, mesmo se se manteve sempre considerado como um dos melhores jogadores do mundo (170 torneios ganhos). Aparentemente, isso não bastava a quem só parecia querer vencer a Kasparov. Mas em 1993, com a saída de campo de Kasparov, Karpov volta a perder – não o jogo, mas a possibilidade de o vencer. Com Kasparov fora de campo, Karpov recupera o título da FIDE, que manteve até 1999. Mas com Kasparov fora de campo, da competição, Karpov começa a perder, também ele, o interesse em jogar, em ganhar. E vai abandonando lentamente o xadrez de competição.

Kasparov e Karpov queriam realmente ganhar um ao outro ou queriam na verdade ganhar-se?

Kasparov começa entretanto a lutar noutros tabuleiros. Em 2005, depois de 20 anos ininterruptos como número um, torna-se activista político. Foi preso pelo menos duas vezes por liderar manifestações contra o regime de Vladimir Putin, contra quem chegou mesmo a candidatar-se. E foi ali, dentro de um cela, que Kasparov voltou a ver, a receber Karpov, entretanto tornado embaixador da UNICEF. Para retribuir o gesto, fê-lo publicamente em Moscovo. E o mundo ficou a saber que entre eles existe muito mais do que apenas rivalidade, mesmo que nunca antes o tenham verbalizado. Não sabe a história de amor?!

E agora, os velhos K&K reeencontrar-se-ão outra vez. Em Valencia, Espanha, na próxima segunda-feira. Agora, depois de um quarto de século passado sobre a altura em que se viram pela primeira vez. Para celebrar essa rivalidade - que é também, só pode ser, respeito. Ou mais. Dura há 25 anos.

É amor. Quase posso jurar.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Abraços Desfeitos

Vale sempre, sempre a pena ver Almodovar. E, claro, Penélope Cruz, sempre linda de morrer. Até pode ser a mesma história de sempre - o amor, o amor, o amor perdido... - contada de outra forma, ou só noutro cenário. É sempre bom. E fica-se com vontade de ir a Lanzarote.

terça-feira, setembro 15, 2009

Patrick Swayze 1952 - 2009



Regina



[Foto: Olivia Bee]


Tens nome de chocolate, cara de boneca de porcelana e o sorriso mais desarmante que alguma vez conheci. Justificar completamenteSomos as duas ruivas, tu de um ruivo mais claro, quase louro, e ficamos as duas cravejadas de sardas quando apanhamos sol (tu achas piada; eu nem por isso). E, claro, a nossa pele, branca como o papel, permite-nos apanhar facilmente invejáveis escaldões, mesmo quando só nos bronzeamos à sombra. Tu és linda, inacreditavelmente linda, mas adoras fazer de conta que não. E coleccionas piadas negras sobre isso. E sobre o peso. E sobre a altura. E sobre a vida amorosa. Ally McBeal em versão lisboeta. Quase nunca nos tratámos pelo nome; "lindinha" era apelido que dava para as duas. Eu adorava diminutivos; tu deixaste-te levar.

Descontando as idas a Espanha para comprar caramelos, saí pela primeira vez de Portugal contigo: fomos à Áustria, teríamos 18 anos, e tu pudeste finalmente encenar uma Maria von Trapp da Música no Coração, mas com muito mais pinta. Eu encenei uma sinfonia do Mahler, sentada no piano de viagem dele, lembras-te? Fotografámo-nos como um casal de namorados: nos jardins, nas pontes, nos cafés, nos museus. Trocámos flores. Tu já contavas viagens várias, manejavas mapas com uma destreza que ainda hoje sou incapaz de imitar. Despachadíssima em tudo. Eu limitava-me a seguir a tua sombra, feliz, porque sentia que me levavas pela mão. Sentia que me bastava dizer: "Eu estou com ela". E o que eu gostava de mostrar que estava contigo. Na altura, bem tentei convencer-te de que Paris seria o nosso melhor destino, palco de um qualquer encontro anual da juventude que beneficiaria da presença do Papa, e eu queria muito conhecê-lo antes dele morrer. Mas tu, agnóstica fervilhante, trataste logo de encontrar uma alternativa às férias católicas que eu te propusera. Uma alternativa com brinde, eu sei: Taizé. Inesquecível. A verdade é que poderias ter-me proposto a Lua ou o Pólo Norte. Eu iria contigo até ao fim do mundo. Ou só até ao quarteirão do lado. Eu queria era ir contigo.

Conhecemo-nos no equador do percurso académico, a meio. O mesmo curso, mais ou menos as mesmas pessoas. Pelo menos, muitas das que eram importantes para mim eram igualmente importantes para ti. Tu já lá estavas, na Universidade, quando eu cheguei. Somos as duas da mesma fornada, 77, mas tu entraste um ano mais cedo para a escola ou fizeste dois num, já não me lembro. Seja como for, não é surpreendente em ti. Às vezes, dava comigo a pensar que tu sabias tanto, que estavas tão à nossa frente, que não entendia como podias aceitar fazer parte daquele rame-rame.

No ano em que começámos a falar, eu estava adormecida, quase moribunda, com o interruptor da vida desligado. A vida tinha-me subtraído tanto em tão pouco tempo que não sabia como sair dali. Tinha deixado de falar, de rir, de sair. Definitivamente, tinha deixado de ter paciência para ir às aulas. Já tinha feitos TACs e exames vários, já me tinham sido diagnosticadas todas as espécies possíveis de neuroses, já tinha engolido toda a espécie de comprimidos. E nada. Nada parecia ser suficientemente eficaz para me devolver à terra dos vivos. Até que tu, vá lá saber-se porquê, começaste a procurar-me no único sítio onde poderias encontrar-me: em casa. E aparecias sempre com uma alegria, com uma Primavera tão grande dentro de ti, e eu gostava tanto de te ver, de te ter ali, estava tão encantada contigo, que comecei a sorrir só para tu não ires embora. Para poderes gostar de mim. Para não te fartares daquela minha tristeza. E quando dei conta, tinha reaprendido a rir, a sair. A viver. E não há nada que se possa dizer ou fazer por alguém que seja suficientemente grande para agradecer o ter-nos devolvido a capacidade de rir, de viver. De continuar. A não ser talvez jurar amizade eterna. E eu jurei numa das mil e uma cartas que te escrevi e entreguei à mão e por baixo da porta de tua casa. E, mais tarde, por correio, quando regressaste a casa, a Lisboa, com um sotaque que te queixavas de nem ser de lá nem de cá. Altura em que decidiste colocar no nariz um piercing que nunca cheguei a ver.

Mas vejo a Barbie que me ofereceste quando fiz 20 anos. Estavas farta de ouvir as minhas piadas sobre nunca ter tido uma Barbie quando era pequena e quiseste colmatar a falha num gesto que ainda hoje me leva às lágrimas. Foi a minha primeira e obviamente a minha única Barbie. E é a única boneca que guardo, a única que sobreviveu a um Natal em que decidi dar tudo o que tinha coleccionado até aí. Olho para a Barbie e penso que é como é possível termo-nos perdido. Eu tinha um namorado, quase tão ruivo como nós, ou tão louro como tu, que eu amava e tu amavas, mas de formas diferentes. E o amor da amizade, sabíamos as duas, havia de durar mais que o amor dos namorados. Mas tu ameaçavas-me, dizias que se não houvesse casamento, bem podia esquecer os paninhos de cozinha que prometeste bordar como presente. E de seguida, bem podia esquecer-te a ti. Às vezes penso se era a sério o que dizias a brincar. Mas não, não podia ser.

A verdade é que se há dez anos alguém me dissesse que quando o teu filho nascesse, o teu filho a quem, cumprindo uma das tuas teimosias, deste o nome do rapaz que te escreveu a primeira carta de amor, andavas tu na quarta classe; se me dissessem que eu não não estaria lá, ao teu lado, no dia em que foste mãe, eu não acreditaria. Se há dez anos me dissessem que não estaria contigo no dia em que perdeste a tua mãe, a tua mãe que só conheci por telefone, que só iria saber disso muitos meses depois, eu acharia que o mundo estava todo do avesso. Louco. E, no entanto, não estive lá. Não estive lá, nem em nenhum dos momentos que terão sido seguramente os mais importantes da tua vida. Não te vejo há tanto tempo que já nem sei quanto tempo passou.

Ou talvez te tenha visto no Verão do ano passado, no Alentejo. Não sei. Acordei daquele torpor do calor e quando olhei para o lado, a duas ou três toalhas de distância, vi uma rapariga como tu, com o teu sorriso, com a tua forma de falar, de andar, que é andar aos saltinhos, e ao lado uma criança que deveria ter três ou quatro anos a chamar-te mamã. Os dois em direcção à água com uma prancha de body board. Eras tu? Eras, não eras? Sabes o que fiz? Tentei voltar a adormecer pra me esquecer de ti, daquela improbabilidade que me soube a amarga ironia, mas comecei a chorar antes de conseguir adormecer. A chorar de raiva. Pela falta de coragem de ir ter contigo, falta de coragem para te abraçar, para te dizer que não sei por que raio nos perdemos, mas que eu morro de saudades tuas. Quis sair dali. Depressa. E saí. Para fugir de ti. Porque não queria um encontro de circunstância. Como não o quis quando marcaste, através um mail colectivo, um jantar cá em cima. Queria estar sozinha contigo. Sempre fui muito monopolizadora, eu sei. Sempre quis as pessoas só para mim. Sempre te quis só para mim. Tu queixavas-te disso. "O sol não nasce só para ti, lindinha!"

Não penso em ti todos os dias. Não penso em ti sequer todas as semanas. Mas penso em ti infinitamente mais vezes do que aquelas que estarás se calhar disposta a acreditar. E nunca me esqueço, nunca me esqueci durante este tempo todo, do teu aniversário. Há anos em que penso até que seria um bom pretexto para te escrever, para te telefonar. Mas depois falta-me coragem. A mesma que me faltou quando há dois ou três meses soube da tua mãe. Vou dizer o quê? Que gosto muito de ti? Que gostei sempre? E isso serve-te de quê, não é?

Quando surgiu esta coisa do Facebook, inscrevi-me e cliquei logo o teu nome no motor de busca. Mas tu não estavas lá. Chegaste agora, há duas ou três semanas. Adicionei-te meia a medo, meia em histeria. E aguardei um qualquer sinal teu. Como quando me guiavas pelo Tirol com os teus mapas, dizendo-me quando podia passar. Mas tu não deste sinais. Acordava, ligava o computador e ia sempre ver. Nada. Até que hoje comentaste uma das minhas fotografias. Estivemos as duas em Paris em Novembro de 2007, dizes. Era só disso que eu precisava. Do teu sinal. E se bem te conheço, vais odiar que te escreva publicamente quando poderia tê-lo feito simplesmente para ti. Ou pegado num telefone. Mas eu não consigo fazer isso. Não me perguntes porquê. E depois, apetece-me mesmo fazer-te esta declaração pública. De amor. Ou este público acto de contrição.

Eu costumava dizer que tu eras um dos meus cinco dedos da mão, uma das minhas cinco melhores amigas. Sem ti, durante estes anos todos, perdi o indicador. E não imaginas a falta que ele me fez. A falta que tu me fizeste. E fazes.

domingo, setembro 13, 2009

Round X: Sócrates 10 - Ferreira Leite 0



Absolutamente inacreditável a falta de consensualidade dos comentadores da praça relativamente a quem ganhou o debate de ontem!!!!

sábado, setembro 12, 2009

Muito bom!!!!!!!

Da Eurosondagem para o Expresso, SIC e RR

PS: 33,6%
PSD: 32,5%
BE: 9,6%
CDU: 9,4%
CDS: 8%
Outros: 6,9%
[Entrevistas directas e pessoais realizadas entre 6 e 9 de Setembro.
De um universo de 2269 entrevistas foram validadas 2025.
A margem de erro é de 2,18%]

Da Católica para JN, DN, RTP e Antena 1

PS: 37%
PSD: 35%
BE: 11%
CDU: 8%
CDS: 6%
[Recolha de intenções de voto efectuada entre 4 e 8 de Setembro,
em pleno vendaval gerado pelo fim do Jornal Nacional na TVI.
Foramvalidados 1281 inquéritos. A margem de erro é de 2,7%]

sexta-feira, setembro 11, 2009

Round IX: Portas 0 - Louçã 0

Se alguém ganhou, não se deu conta. O frente-a-frente entre Paulo Portas e Francisco Louçã foi caracterizado por um indescritível ambiente de absoluta peixeirada. Até ao fim - não sei se não deveria mesmo dizer para lá do fim. Nacionalizações, código de trabalho, emprego e desemprego, Rendimento Social de Inserção (vulgo 'subsídio à preguiça', PP dixit), imigração e segurança. Mais temas do que o costume para um só debate (Judite de Sousa disse fazer questão de que assim fosse) e nem um vago sinal do mais pequeno entendimento. Surpreendente seria se esse entendimento existisse. Mais surpreendente - e mais assustador - seria se algum deles chegasse um dia a primeiro-ministro. No fim, houve lugar para indignações "transcendentes" - para eles e sobretudo para nós. Portas disse não perceber a tributação sugerida pelo BE sobre os telemóveis; Louçã, vá lá saber-se como, conseguiu, completamente a despropósito, perguntar se o PP voltaria a levantar a questão sobre a penalização do aborto. Não sei, mas parece-me que o vencedor deste debate voltou a ser José Sócrates.

A tradição já não é o que era...



Será que esta maltinha marxista que está aqui toda contentinha a bater palminhas aos Blind Zero sabe que o rapaz que está a cantar não é bem-bem um camarada? Que é mais bloquista?! Que é mandatário do BE por Gaia?! Que erro de casting...

Gosto dela!

Bela entrevista de Carolina Patrocínio ao jornal I. Ela, mandatária da juventude do PS, miúda de 22 anos, disse que preferia fazer batota a perder, e o país quase teve um ataque cardíaco. Jerónimo de Sousa disse exactamente o mesmo à SIC, naquela coisa chamada "Como nunca o viu", que é bom jogador de cartas porque faz batota, e toda a gente achou normal. Aparentemente, o que vende neste país é dizer mal do PS. Seja lá o que for. Nem que sejam as cerejas sem caroço da menina Patrocínio! Ou o voto que provavelmente não exerceu em 2005!

Nekrosius volta ao TNSJ


O encenador lituano Eimuntas Nekrosius regressa hoje e amanhã ao Teatro Nacional de S. João para abrir a temporada que, por motivos óbvios, será dedicada, e bem, a Isabel Alves Costa, ex-directora do Rivoli e fundadora do Festival Internacional de Marionetas do Porto.

Nekrosius, desta vez, é "Os Idiotas", baseado em "O idiota", de Dostoievsky. Cinco horas e meia de teatro. O espectáculo resulta de uma co-produção entre a Capital Europeia da Cultura 2009 (Vilnius, capital da Lituânia), a Fundação Música por Roma, Fundação Internacional Stanislavski, Festival Dialog-Wroclaw e Festival Baltic House.

Preciso de um bilhete!!!!!!

Íntima Fracção


"A Voz Humana quase sem voz"
Recordo-me do longo e trágico monólogo - A Voz Humana. A voz pode quase tudo e ao mesmo tempo é inútil. Não é a voz, é o discurso. E onde se apoia hoje o discurso ? Para os corações gelados de alguns, ele só existe dentro de si próprios, não dos outros. O eco desapareceu. As vozes únicas estão sumidas. Delego então a minha própria voz, o meu coração, nas palavras articuladas por Ingrid Bergman : " i can hear music".

As escolhas de Francisco Amaral, aqui: http://aeiou.expresso.pt/intima-fraccao=s24867

quinta-feira, setembro 10, 2009

Round VIII: Ferreira Leite 1 - Paulo Portas 0

Paulo Portas passou o debate inteiro a tentar seduzir Manuela Ferreira Leite. Uma daquelas danças em que o bailarino tenta cativar a bailarina (não por ser a mais bonita, mas porque é a que lhe garante boleia no fim do baile) mais pela exibição do seu próprio sapateado do que pelas piruetas que consegue fazer a parceira dar. Ou seja, Portas não quer realmente dançar com Ferreira Leite; Portas quer dançar para Ferreira Leite, mostrar o quanto o seu contributo é imprescindível para o PSD caso o PSD vença. O puto aplicado e a professora primária.

Mas a bailarina, que tem pé de chumbo, e só dança com ele se não tiver alternativa, lá o foi colocando no lugar, embora sempre com a preocupação de não o fazer desistir (como se Portas desistisse, adiante!). A bailarina estava mais ocupada a piscar os olhinhos à esquerda. Ah pois, que MFL não consegue, diz, fazer aquele discurso maldoso de Portas sobre os pobrezinhos que precisam do RSI! Nem conseguirá retirar prestações sociais a ninguém nesta fase tão crítica do país, prometeu. Nem irá subir os impostos, porque só o "faz quem pode e não quem quer".

(Já cá volto)

Mr. Vertigo

"No fundo, não acredito que seja necessário qualquer talento especial para uma pessoa se elevar do chão e pender no ar. Todos temos isso cá dentro - todo o homem, mulher e criança - e com trabalho árduo suficiente e concentração, todo o ser humano é capaz de duplicar os feitos realizados por mim como Walt, o Rapaz Maravilha. Tens de aprender a deixar de ser tu próprio. É aí que começa, e tudo o resto vem daí. Tens de te deixar evaporar."
Paul Auster

quarta-feira, setembro 09, 2009

Round VII: Ferreira Leire 1 - Jerónimo de Sousa 0

Ela riu, claro! E nem sequer ouviu Jerónimo dizer que ganhou o debate! Numa palavra: deprimente.

terça-feira, setembro 08, 2009

Round VI: Grande goleada de José Sócrates sobre Francisco Louçã


Quem achava que ia ser o debate mais temido de Sócrates enganou-se. Foi o debate em que esteve melhor. Todos os truques que não resultaram com Portas desarmaram facilmente Louçã. O líder do Bloco de Esquerda teve talvez a sua pior prestação de sempre. Ficámos sem perceber como é que um partido que não quer ser governo diz que se "candidata para vencer a crise". Mas ficámos sobretudo sem perceber como é que um partido tão pós-moderninho apresenta ideias tão desajustadas da realidade. (Volto a isto amanhã)

segunda-feira, setembro 07, 2009

AS(fix)IA Democrática


"Seria inaceitável não vir à Madeira que é um exemplo típico um bastião inamovível do PSD, que é um exemplo do bom governo do PSD, é o local do continente e das ilhas, de todo o Portugal, em que a política social-democrata tem mais efeitos visíveis no que é o êxito, o progresso, o desenvolvimento e o bem-esta das pessoas."

Manuela Ferreira Leite

domingo, setembro 06, 2009

Micro Audio Waves in Zoetrope


Zoetrope [ontem, no Theatro Circo, em Braga] não é o tipo de concerto que muda a nossa vida. Mas faz a vida valer muito a pena...

sexta-feira, setembro 04, 2009

O ginásio de Rui Rio

Apesar de proclamar "transparência", Rui Rio faz tábua rasa da lei. "Não obtive resposta a mais do que 30% dos meus requerimentos", denunciou ontem Rui Sá, vereador da CDU. O exemplo mais recente é o ginásio na Casa do Roseiral.

Em Agosto, Rui Sá descobriu que o presidente da Câmara do Porto instalara na cave da Casa do Roseiral - palacete edificado no Palácio de Cristal e que está sob alçada dos serviços da presidência da Câmara do Porto - um conjunto de equipamentos de educação física, tendo mesmo procedido a obras nas instalações, como criar chuveiros, tudo levando a crer que ali seria instalado uma espécie de ginásio. Para ser utilizado por quem?, era a questão.

"Enviei um requerimento a Rui Rio; respondeu-me o seu chefe de gabinete, Manuel Teixeira", conta Rui Sá. A carta confirma que foram instaladas na cave do edifício "quatro máquinas usadas de manutenção física retiradas de diferentes espaços municipais, por obsolescência funcional". Os equipamentos "já não se encontram em condições de utilização intensiva, podendo, todavia, servir para utilização reduzida e esporádica", esclarece Manuel Teixeira, acrescentando que "será criado um regulamento" para a sua utilização.

A resposta, longe de ser esclarecedora, levantou novas dúvidas a Rui Sá, que ontem prometeu voltar ao assunto. "Todos os acessos à Casa do Roseiral requerem autorização, pelo que o ginásio não deverá ser para a população. Também não será para usufruto dos funcionários da Câmara, uma vez que esses já têm um protocolo com dois health clubs da cidade. E não quero crer que se destine ao uso pessoal de Rui Rio".

Independentemente da reposta que possa vir a obter, o autarca da CDU não concorda com a instalação de um ginásio naquela Casa. "Vou propor que os equipamentos sejam oferecidos a uma colectividade ou a um lar da terceira idade, onde certamente farão mais falta". Quanto a Rui Rio, aconselhou-o a "inscrever-se num health-club, até para calar a maledicência que diz que o autarca tem dificuldade em misturar-se com o povo".

Mas ao ginásio cujo uso permanece incógnito, Rui Sá ainda obteve resposta. O mesmo não aconteceu com 70% dos seus requerimentos, naquilo que diz configurar numa "clara violação da lei". Rui Rio, disse, "tem algo a esconder e não quer mostrar ou esconde porque não sabe". A frase é do próprio Rio, mas Sá entende que ela lhe encaixa na perfeição.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Round II: Louçã - Jerónimo de Sousa: Zzzzzzz

Eu não tinha dito que o sol faz mal a Aguiar Branco?

"O PSD, sem qualquer sentido eleitoral ou partidário, presta homenagem e solidariedade a todos os jornalistas portugueses e ao jornalismo português". Isto dito pelo presidente da Assembleia Muncipal do Porto, a Câmara que pior trata os jornalistas e o jornalismo, só pode ser uma piada, campo, aliás, que o PSD domina como ninguém.

Round I: Sócrates 0 - Portas 1


José Sócrates chegou atrasado ao primeiro debate onde previsivelmente estaria em desvantagem. Era na TVI, era moderado por Constança Cunha e Sá (próxima de Paulo Portas desde os tempos do defunto Independente), e era com Paulo Portas, orador imbatível, rapaz que estuda bem a lição em casa, e que nos últimos tempos tem dito e defendido coisas que não serão de subestimar.

Houve quatro temas em debate (embora aquele modelo, sinistro e absurso, de debate nada tenha): economia, política social, segurança e educação. Sócrates perdeu em todos. E perdeu também pelo estilo: postiço, artificial, nervosinho. Portas passou aquele confronto descontraído, com a mão pousada no queixo, como se estivesse no café, vagamente entediado. Um artolas à espera de ver o adversário escorregar na sua própria casca de banana. E Sócrates, sempre aflito com as regras do jogo, foi escorregando, escorregando, uma vez, duas, três, até cair. Perdeu. Em toda a linha.

Perdeu e foi pena. Porque podia ter ganho sem ter mentido, sem ser demagógico, sem usar aquele insuportável discurso eleitoralista, os olhos postos na câmara. A principal diferença entre os dois é que Sócrates não levava a lição estudada. Como é possível?! Despeçam-lhe os assessores!

Economia: Portas abre as hostilidades, diz que a política do PS fracassou, que o governo decretou o início da retoma quando a crise chegou a Portugal, que anunciou o princípio do fim da crise na véspera de se saber que existe meio milhão de desempregados. Que é preciso investir nas PME, responsáveis por dois milhões de postos de trabalho, em vez de se investir nas grandes obras públicas, que só servirão para consumir o crédito e endividar ainda mais o país. Que a carga fiscal nacional é uma das cinco mais altas da Europa. Que cada português pagou, em média, mais 310 euros de IRS, o que na totalidade significa mais 1,5 milhões de euros. E que o défice aumentou, está altíssimo. Que o optimismo de Sócrates é irresponsável.

É aqui que, apesar de tudo, Sócrates se sai menos mal - mesmo assim, pouco bem. Responde que não é optimista, mas determinado. E aos números responde com números. Diz que houve um tempo em que ao Estado se exigia que colocasse as contas em ordem - e ele colocou logo em 2005; um tempo em que se exigia que o país crescesse - e ele colocou o país a crescer 2%; que combatesse a crise internacional - e ele fê-lo. Tanto assim é que, sublinhou, Portugal foi um dos primeiros países a sair da recessão técnica. Em quatro anos, recordou, apoiou 40 mil PME quando Portas, em 2004, então no Governo, apoiou apenas 1500. E se o desemprego sobe 1,4% em Portugal, sobe 2% no resto da União Europeia. Que o desemprego terá portanto a ver com a conjuntura mundial. Que criou mais programas de apoio aos desempregados, que há 30 mil jovens a trabalhar em IPSS, que muitas empresas em lay off começam agora a chamar os seus empregados. Tudo graças aos programas criados pelo governo.

Portas discordou, estrebuchou, disse que Sócrates recebeu um país com 387 mil desempregados e deixa um país com 507 mil. Que dificultou a vida aos jovens que não têm emprego, estendo o período de acesso ao subsídio, e desprotegeu as pessoas com mais de 65 anos, dificultando-lhes o acesso antecipado à reforma. Que se achava que 6,9% de desemprego seria uma marca trágica, o que dizer dos actuais 9,2%. Estes quatro anos e meio de governação socialista têm mais do que matéria para responder a isto. Mas Sócrates não conseguiu dizê-lo, explicá-lo claramente. Vá lá saber-se porquê.

Política social: Portas debita o seu conhecido relambório contra o RSI, que é tudo menos de menosprezar. Que uma parte do subsídio deve ser pago em géneros, que deve ser fiscalizado, que a taxa de fraude é de 25%, que dever sei incutido em quem o recebe a cultura do dever. Que de outra forma, o RSI é insultusoso para quem trabalha e ganha em média 700 euros mensais e desse parco rendimento ainda tem que pagar impostos, renda de casa, transportes, abono de família não majorado, blá blá blá. Há que assumi-lo: concordo com Portas nisto. Disse ainda que existe 1,4 milhões de idosos com rendimento abaixo do salário mínimo, o que fica muito além dos beneficiários do CSI, sete vezes mais.

E se há campo em que Sócrates deveria estar à vontade é este, porque se há campo em que este governo trabalhou bem foi no da Segurança Social, com medidas histórias, únicas. Mas aqui Sócrates já estava demasiado contidamente irritado para conseguir raciocinar e defender-se - e tinha tanto por onde defender-se. Ainda disse que que aumentou o salário mínimo em 10%, que o CSI abrange 230 mil idosos que antes viviam na pobreza, que para esses o acesso aos medicamentos genéricos passou a ser gratuito, que o abono de família aumentou, que criou o abono pré-natal, que a acção social escolar abrange hoje meio milhão de crianças (o dobro de 2004), que investiu nos equipamentos sociais, lares e sobretudo creches. E tudo isto é verdade. E tudo isto é fundamental. Mas dito assim, em catadupa, surte pouco efeito. E, mais grave, deixou-se engolir pela temática da privatização - defendida pelo CDS e pelo PSD de formas diferentes - da Segurança Social e depois não soube sustentar a sua própria crítica. Lamentável.

Segurança: Portas como peixe na água; Sócrates a morrer afogado. Sócrates já só a reclamar as regras do jogo (exalta-se porque Portas volta atrás, à Segurança Social, para explicar que 25% das pensões estão na bolsa com o governo socialista, embora o PM critique as medidas apresentadas neste mesmo sentido pela direita) e Portas a descarrilar para uma falta de educação como nunca se lhe tinha visto. Fica daqui a frase dita naquele tom do "Vá à merda", mas com o texto: "Vá interrogar os seus camadas, que eu estou a usar o meu tempo". A mesma frase repetida quatro vezes. Surreal. Hoje ninguém falará dela porque é made in Portas; se tivesse sido dita por Sócrates, hoje o país caía.

De resto, criminalidade aumentou, diz Portas; não aumentou, excepto num ano, diz Sócrates. Aumentou por causa da reforma penal e da revisão da prisão preventiva, diz Portas. E aqui, Sócrates empanca. Literalmente. Traz fisgada que Portas aprocou a lei e que contrariá-la agora é pura demagogia. E como disco riscado, não consegue sair do: "Mas votou ou não votou? Diga lá, não votou? Votou?" Deprimente. Oportunidade para Portas debitar mais números: o Cacém tem 56 efectivos para 60 mil pessoas; a damaia tem 40 mil para 21 mil habitantes, blá blá blá. E Sócrates, entalado, não faz mais nada, volta a ser a cinco anos, e dispara: "Pois é, mas eu nunca aceitei que o Estado português entrasse numa guerra ilegítima. E esse fardo vai persegui-lo para sempre". Importa-se de repetir? Custa a acreditar que o PM tenha dito isto. Nova deixa para Portas: "À insegurança nacional, Este PM responde com a guerra no Iraque". Risos. Pois...

Educação: Portas defende um sistema de ensino em que que haja liberdade de escolha dos pais relativamente às escolas públicas e privadas para que se gere competitividade. Para que se acabe com o facilitismo no qual os alunos vivem e que passem de ano por mértio, trabalho e assiduidade. Outra ideia que é tudo menos dispicienda. Sócrates diz que não aceita desviar dinheiros públicos para financiar o ensino privado. E atira os seus troféus de caça: 120 mil no ensino profissional quando em 2004 havia 30 mil; 900 mil nas Novas Oportunidades, 100% de escolas básicas com inglês, desporto e música e abertas até às 17h30 quando antes eram apenas 20%, uma taxa de insucesso escolar reduzida a metade. Outras vez verdades, outra vez ditas de uma forma que não passa. Do circo dos professores, sistema de avaliação e afins, não me apetece falar. Sou, obviamente, contra os professores e a favor deste modelo de avaliação.

Soundbyte de Portas: "Para este PM tudo é culpa do passado ou do mundo."

Soundbyte de Sócrates: "Eu sei o que fizeste no Verão passado."
[Este debate foi o programa mais visto, com 1,4 milhões de telespectadores, de acordo com dados da Marktest. Registou uma audiência média de 15,2% e um share de 39,8%]

quarta-feira, setembro 02, 2009

Os dez debates eleitorais

Hoje, TVI
José Sócrates - Paulo Portas
Amanhã, dia 3, SIC
Francisco Louçã - Jerónimo de Sousa
Sábado, dia 5, RTP
José Sócrates - Jerónimo de Sousa
Domingo, dia 6, TVI
Francisco Louçã - Manuela Ferreira Leite
Segunda, dia 7, SIC
Paulo Portas - Jerónimo de Sousa
Terça, dia 8, RTP
José Sócrates - Francisco Louçã
Quarta, dia 9, TVI
Manuela Ferreira Leite - Jerónimo de Sousa
Quinta, dia 10, RTP
Paulo Portas - Manuela Ferreira Leite
Sexta, dia 11, RTP
Paulo Portas - Francisco Louçã
Sábado, dia 12, SIC
José Sócrates - Manuela Ferreira Leite