sexta-feira, fevereiro 22, 2008
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Festival para Gente Sentada

domingo, fevereiro 17, 2008
Dalila Rodrigues na Casa da Música

A Casa da Música (quem consegue esquecer o chavão?) seria a casa de todas as músicas. De todos os portuenses, de todos os portugueses, de todos os europeus, de todos os de todo o lado. A Casa da Música faria parar o trânsito. A Casa da Música seria um íman, um pólo, um catalisador. A Casa da Música seria a Casa. Seria a Música. A que está a dar, a que já deu, a portuguesa, a estrangeira, a clássica, a contemporânea, a experimental, a da orquestra, a dos miúdos, a dos graúdos, a dos que sabem tudo, a dos que não sabem nada. A Casa da Música seria.
Seria mas não é. Seria mas não foi. Seria mas dificilmente será. E não me apetecendo neste momento dissertar sobre a qualidade ou diversidade (ou falta delas) da programação, debato-me com uma única dúvida que não para de me indignar, de me martelar a cabeça: por que raio uma casa de música contrata agora – como já contratou antes – alguém ligado às artes plásticas para divulgar o equipamento? O que raio tinha Guta Moura Guedes da Experimenta Design a ver com o projecto – por muita piada que possam ter tido as suas intervenções e instalações e convites que lançou a alguns artistas da praceta? E o que raio tem agora a ver Dalila Rodrigues, doutorada em História da Arte, com passado nas direcções do Museu Grão Vasco (2001 e 2004), e do Museu Nacional de Arte Antiga (2004 e 2007)?
O que sabiam ambas dessa direcção tão pomposa quanto estéril designada de Comunicação, Marketing e Desenvolvimento? Por que raio se a ideia é efectivamente cumprir um papel – desgraçadamente tão necessário – nesta área não contratam precisamente alguém da área? Que marca deixou Guta (e nada contra a senhora, que é adorável)? Que marca deixará Dalila (e nada contra a senhora, que viu a sua popularidade disparar por força da falta da popularidade de Isabel Pires de Lima)? Duas mulheres - curiosamente? ironicamente? - contratadas quando os seus projectos primeiros falharam? Não caberiam ambas melhor em Serralves, por exemplo?
Não se trata de não aceitar que um projecto possa evoluir, nomeadamente da música para as artes plásticas. Mas de não aceitar que haja aposta no acessório antes de ver cumprido o essencial – e o essencial da Casa da Música não são as artes plásticas!!!! De não aceitar que as duas contratações venham da mesma área, mas na área para a qual foram contratadas nada faça alusão à sua área de intervenção. De não aceitar que se contratem pessoas de outras áreas quando não se contratam – muito mais urgentes – assessores ou consultores para a programação.
A continuar assim, e está visto, a Casa da Música nunca passará de um projecto que nunca chegou a ser. Será um edifício – lindo, lindo, lindo, nunca ninguém se cansará de o elogiar - para turistas. De Lisboa ou de longe. Mas, para isso, se calhar, não teria valido a pena gastar cem milhões de euros. Sobretudo, não teria valido a pena tanto sangue, suor e lágrimas.
valter hugo mãe
domingo, fevereiro 03, 2008
António Barreto
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Heath Ledger
terça-feira, janeiro 22, 2008
O Bolhão na Assembleia Municipal

Há vacinas contra quase tudo; dificilmente alguém conseguirá inventar uma para evitar o curso que sempre segue a Assembleia Municipal do Porto. Teria que ser inventada uma vacina contra a estupidez e a Ciência, infelizmente, nunca irá tão longe.
Ontem, o tema era o Bolhão. Mas nem importa o assunto; importa quem o discute. Ou quem finge que o discute. Não importa porque os cidadãos são sempre o mais importante (claro, claro, é para isso que eles lá estão, que lá estamos). Mas são os cidadãos quem menos falam. Aguentam ali, estoicamente, três, quatro horas (às vezes mais), a assistir àquele desfile de vaidades, de egos mal amanhados, discursos vazios de deputados que, na sua esmagadora maioria, são incapazes de conjugar dois tempos verbais de forma correcta (que raio, é assim tão difícil?). Aliás, diria que em nenhum outro local a Língua Portuguesa é tão mal tratada. Mas eles, cheios de si e dos seus fatitos adornados com gravata, pedem e pedem e pedem para falar. Para - como disse Rui Rio e bem - discutir o sexo dos anjos. Mas não há quem os pare. Chega a parecer uma sessão de terapia.
Além dos habitués, como Manuel Monteiro (PSD), espécie de Mr. Bean, só que com menos piada e mais paleio (caso digno do Guiness na modalidade: 'Quem acha mais piada a si próprio'), há os novatos, imberbes que da política só conhecem o desejo de ascender através dela. De vez em quando aparecem. Inchados. E é preciso – juro! – colocar o cinto de segurança. Dois exemplos à Direita (da próxima vez, falo da Esquerda): Paulo Dias (PSD), com aquela voz de garganta inflamada (mais ou menos como quando tentamos falar com um caramelo colado ao céu da boca) a fazer pausas acertadas (não assertivas) como se estivesse a fazer stand-up e, por isso, a dar espaço para as reacções do público, e acentuar as frases no final à la Professor Marcelo, é desastroso. Sobra-lhe em pose (pose que, apesar de tudo, não chega a ser suficiente para perder o ar de rapaz da escola) o que lhe falta em conhecimento. Chega a ser embaraçoso (estou a especular, mas especulo com esperança) para quem está na bancada do Executivo. Porque eles querem sublinhar as ideias do seu partido, defendê-las, mas não fazem a mínima ideia, tantas vezes, demasiadas vezes, do que estão a dizer. Perfil onde, aliás, encaixa, também, na perfeição, Miguel Barbosa (PP). Coitado, o rapaz lá tentou duas ou três vezes começar a frase à la Gato Fedorento: “Dizem que temos uma espécie de Oposição…” e tal…. Mas além de não ter tido particular piada, enterrou-se em ignorância até ao pescoço ao dizer que o Bolhão é obsoleto (um rapaz centrista devia ser um bocadinho mais culto, mais viajado, mais informado…) e que o que os comerciantes querem mesmo é dinheiro. Que dessa forma lá se calariam e esqueceriam o que o local tem de emblemático ou lá o que os move. Que para ele tanto faz.
Os três senhores partilham um interessante denominador comum: todos quem ter piada. Terão sido eles a enganar-se no local ou eu? Ou as pessoas que esperam horas a fio para em 30 minutos divididos por meia dúzia, ou mais, poderem expor – não resolver – os seus problemas?
Depois, há Aguiar-Branco. José Pedro Aguiar-Branco (PSD). O homem do cronómetro e do martelo. Que dá e tira o tempo e decide o que é, ou não, insultuoso. Ontem, o presidente da AM decidiu que meandro – sim, eu disse meandro – é um insulto. E que o senhor em questão, comerciante do Bolhão, estava proibido de o repetir. Confesso que ouvi aquilo e pensei: Será que também este quer ter piada? Mas não, queria mesmo dizer o que estava a dizer. Que "meandro", cujo significado é enredo, intriga, é um insulto. E o homem, o outro, ali, inseguro na sua escolaridade, a pedir desculpa a tremer, a suar, a abreviar o protesto. Nada de novo. A política actual - longe de ser só esta, desta autarquia - é isto.
P.S.: Há muito tempo que tenho vontade de revelar os bonecos – literalmente, bonecos - que cada vereador e cada deputado me faz lembrar de cada vez que os vejo ali. Hoje, revelo apenas dois. E nem sequer é porque tenham sido relevantes para a discussão. Não foram. Nunca são. A diferença é que às vezes falam. Nem sequer foi o caso. Mas hoje apetece-me dizer quem vejo quando os vejo.
Matilde Alves, a vereadora da Acção Social, é a Barbie. A única boneca que nunca teve direito a pilhas, a uma evolução tecnológica qualquer que a fizesse ser mais do que um objecto de decoração dela própria. Que nunca teve a direito a mudar de expressão; só de baton.
Gonçalo Gonçalves, vereador da Cultura, é Humpty Dumpty, aquele ovo inventado por Lewis Carroll (a da Alice no País das Maravilhas) que tentava a todo o custo equilibrar-se em cima do muro. Que enrola as palavras, mas não domina os seus significados, tentando com isso enrolar os interlocutores. "Humpty Dumpty argumenta com Alice que as palavras significam exactamente aquilo que ele "quer que elas signifiquem", por isso importa saber quem manda para que se decida qual o significado que as palavras irão ter.
Ontem, durante quatro horas, ambos pareceram dois bonecos numa prateleira da Toys’r’Us, lado a lado, inertes, inúteis, desumanos.
domingo, janeiro 20, 2008
Marcelo Rebelo de Sousa
terça-feira, janeiro 08, 2008
30 por noite
"Alegremente inspirado no desprezo autárquico por espectáculos a que assistem “duas ou três dezenas de pessoas”, a mostra 30 por Noite resgata da sombra um conjunto de cinco projectos teatrais desenvolvidos por jovens criadores do Porto, boa parte dos quais com idades inferiores a 30 anos.domingo, janeiro 06, 2008
Joaquim Vieira no Público

No jornalismo há pessoas assim, profissionais a sério, que foram dispensados, encostados, preteridos, banidos dos seus postos de trabalho sem que ninguém, pelo menos ninguém que não mande ou não tenha interesses económicos ou políticos ou comprometimentos de qualquer outra ordem igualmente suspeita, perceba porquê. Assim, de repente, e só para dar alguns exemplos óbvios, gostava muito de ver regressar Vicente Jorge Silva a qualquer função mais activa que não apenas a de cronista do Sol; gostava muito de ver regressar Joaquim Vieira à chefia de uma revista como a descaradamente assassinada Grande Reportagem. Noutro campo, gostava de ver regressar Francisco Amaral à sua Íntima Fracção na TSF, ou não necessariamente a essa estação mas a outra qualquer, em vez de ficar circunscrito ao blogue homónimo que criou; gostava, apesar de tudo, de ver regressar Francisco Sena Santos.
António-Pedro Vasconcelos
António Pedro Vasconcelos, cineasta, 68 anos, não fumador, nas Farpas do JN, a propósito da nova lei do tabaco:
"É uma lei sinistra, um precedente perigoso, um atentado às liberdades, uma porta aberta à intolerância, um incentivo aos denunciantes, um triste sinal dos tempos, que ajuda a perceber a indiferença dos cidadãos à União Europeia e a decadência da Europa. Espero que as consciências despertem e que se entre numa era de “desobediência civil”. E que sobretudo os “não fumadores” ajudem a boicotar os restaurantes e bares onde não se fuma. (Declaração de interesses: não sou fumador e muito menos viciado. Gosto de fumar um charuto depois de uma boa refeição, quando estou com amigos e há tempo para ficar à conversa. Só isso.)
sábado, janeiro 05, 2008
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Estação do Calor

terça-feira, janeiro 01, 2008
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Passagem-de-ano no Gato Vadio

Passagem de ano 2007/2008
5$ (estes gajos estão loucos ou deprimidos?)
As reservas devem ser feitas na livraria do Gato Vadio,
Rua do Rosário 281, Porto.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
segunda-feira, dezembro 24, 2007
terça-feira, dezembro 11, 2007
Manoel de Oliveira: 99 anos
Crónica de um triste espectáculo
Na assistência, estavam os resistentes que se barricaram no Rivoli. Sozinhos, como se não passassem afinal de um bando de loucos que cismou que o Teatro tem outras obrigações. Os únicos que sabiam o que estavam realmente ali a fazer e a dizer; os únicos que fizeram as perguntas certas. Tarde demais. Já não havia quem lhes pudesse responder. E estava também o povo da cidade. Gente que não tem nada a ver com nada, mas que vai ali como quem ia, em tempos idos, ao Coliseu de Roma. Ver um espectáculo selvagem. Não lhes importa o assunto; importa o quanto se divertem com aquele circo. É um circo.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
O património são as pessoas... presentes









