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quarta-feira, setembro 01, 2010

Oscar Wilde: Uma mulher sem importância


Gerald: É muito difícil compreender as mulheres, não é?
Lord Illingworth: Não deves nunca tentar compreendê-las. As mulheres são quadros. Os homens são problemas. Se quiseres saber o que uma mulher realmente quer dizer - o que, a propósito, é sempre uma coisa perigosa de se fazer - olha para ela, não a ouças.
Gerald: Mas as mulheres são terrivelmente inteligentes, não são?
Lord Illingworth: Devemos sempre dizer-lhes isso. Mas para o filósofo as mulheres representam o triunfo da matéria sobre a mente - tal como os homens representam o triunfo da mente sobre a moral.
Gerald: Como podem então as mulheres ter o poder que Lord Illingworth diz que têm?
Lord Illingworth: A história das mulheres é a história da pior forma de tirania que o mundo alguma vez conheceu. A tirania dos fracos sobre os fortes. É a única tirania que perdura.
Gerald: Mas as mulheres não têm uma influência refinadora?
Lord Illingworth: Nada refina excepto o intelecto.
Gerald: Todavia, há diversos tipos de mulheres, não há?
Lord Illingworth: Na sociedade, há apenas dois tipos: as simples e as sofisticadas.
Gerald: Mas há boas mulheres na sociedade, não há?
Lord Illingworth: Demasiadas.
Gerald: Mas acha que as mulheres não deveriam ser boas?
Lord Illingworth: Não devemos nunca dizer-lhes isso, tornar-se-iam boas de imediato. As mulheres são um sexo fascinantemente voluntarioso. Todas as mulheres são rebeldes e geralmente numa revolta desenfreada de si próprias.
Gerald: Nunca foi casado, pois não, Lord Illingworth?
Lord Illingworth: Os homens casam-se por estarem cansados; as mulheres por estarem curiosas. Ambos se desiludem.
Gerald: Mas não acha que podemos ser felizes quando casamos?
Lord Illingworth: Completamente felizes. Mas a felicidade de um homem casado depende das pessoas com quem não casou.
Gerald: E se estivermos apaixonados?
Lord Illingworth: Devemos estar sempre apaixonados. É por essa razão que não devemos nunca casar.
Gerald: O amor é uma coisa maravilhosa, não é?
Lord Illingworth: Quando estamos apaixonados começamos por nos enganar a nós próprios. E acabamos a enganar os outros. É a isto que as pessoas chamam romance. Mas uma verdadeira grande paixão é relativamente rara hoje em dia. É o privilégio de pessoas que não têm nada para fazer.

terça-feira, julho 06, 2010

Oscar Wilde: A alma do homem sob o socialismo

"O mundo moderno tem esquemas. Propõe-se destruir a pobreza e o sofrimento. Deseja livrar-se da dor e do sofrimento que a dor provoca. Confia no socialismo e na ciência como métodos ideias para isso. O que pretende é um individualismo que se exprima através da alegria. Esse individualismo será maior, mais completo, mais encantador do que o individualismo alguma vez foi. A dor não é a forma última da perfeição. É meramente temporária e é um protesto. Tem referências com o erro, a falta de saúde, as circunstâncias injustas. Quando o erro, a doença e a injustiça são removidas, já não terá mais lugar. Foi um grande trabalho, mas está quase tudo acabado. A sua esfera de acção diminui todos os dias. O homem não esquecerá isso. Porque o que o homem procura não é, na verdade, nem a dor nem o prazer mas simplesmente a Vida. O homem procura viver intensamente, completa e perfeitamente. Quando ele o puder fazer sem exercer repressão sobre os outros, sem nunca sofrer, e quando as suas actividades forem todas de grande prazer para ele, será mais são de espírito, mais saudável, mais civilizado, mais ele próprio. O prazer é o teste da Natureza, o seu sinal de aprovação. Quando o homem é feliz, ele está em harmonia consigo mesmo e com o que o rodeia. O novo individualismo, para cujo serviço o socialismo, quer ele queira ou não, está a trabalhar, será uma harmonia perfeita. Será o que os Gregos procuraram, mas não puderam, excepto em pensamento, realizar completamente porque tinham escravos e os alimentavam. Será o que o Renascimento procurou mas não pôde realizar completamente, excepto na Arte, porque havia escravos e morriam à fome. Será completo e, através dele, cada homem atingirá a sua perfeição. O novo individualismo é o novo helenismo."