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segunda-feira, agosto 10, 2015

Tolstoi, Ivan, o tolo


A contracapa do livro mostra ao que vamos: 

"Pode um homem simples, tolo no sentido em que recusa as regras do mundo materialista, onde reina a guerra, a vanglória e a ganância, vencer o diabo e liderar daí em diante toda uma nação com base apenas no seu despojamento e força de carácter? Tolstoi questiona o materialismo, a ganância e a vaidade, e questiona-nos a todos nós enquanto sociedade, questiona as nossas opções de vida e abre caminho a uma realidade alternativa baseada noutros valores, talvez menos ilusórios."

É um conto para crianças. E, como quase todos os contos para crianças, deve ser lido por adultos. A literatura russa, obcecada pela justiça, está repleta de contos de fadas, de parábolas, alegorias, fábulas, de alertas sobre os princípios que aprendemos quando somos pequenos e, na maior parte das vezes, esquecemos quando crescemos. Ivan, protagonista costumeiro dos russos, e também de Tolstoi, é o personagem de uma história tão simples que só pode embaraçar-nos. A Civilização acaba de reeditá-la e vale mesmo a pena lê-la ou relê-la. 

"Mil anos transcorreram e Ivan ainda vive. Multidões acodem constantemente ao seu reino. Até mesmo os seus próprios irmãos, desde há muito, com ele foram morar. E a todos os que chegam e digam: "Deixai-me aqui ficar", ele manda responder: "Seja! Vivei! Temos de tudo." Há, todavia, nesse reino, uma lei, uma única lei - aos que trabalham com verdadeiro afã, dizem-lhes: "Sentai-vos à mesa"; mas aos outros, aos que queriam viver sem esforço, é-lhes dito: "Comei as sobras". 


Lev Tolstói: Ivan, O tolo


A contracapa do livro mostra ao que vamos: 

"Pode um homem simples, tolo no sentido em que recusa as regras do mundo materialista, onde reina a guerra, a vanglória e a ganância, vencer o diabo e liderar daí em diante toda uma nação com base apenas no seu despojamento e força de carácter? Tolstoi questiona o materialismo, a ganância e a vaidade, e questiona-nos a todos nós enquanto sociedade, questiona as nossas opções de vida a abre caminho a uma realidade alternativa baseada noutros valores, talvez menos ilusórios."

É um conto para crianças. E como todos os contos para crianças deve ser lido por adultos. A literatura russa, obcecada pela justiça, está repleta de contos de fadas, de parábolas, alegorias, fábulas, de alertas sobre os princípios que aprendemos quando somos pequenos e, na maior parte das vezes, esquecemos quando crescemos. Ivan, protagonista costumeiro dos russos, e também de Tolstoi, é o personagem de uma história tão simples que só pode embaraçar-nos. A Civilização acaba de reeditá-la e vale mesmo a pena lê-la ou relê-la. 

"Mil anos transcorreram e Ivan ainda vive. Multidões acodem constantemente ao seu reino. Até mesmo os seus próprios irmãos, desde há muito, com ele foram morar. E a todos os que chegam e digam: "Deixai-me aqui ficar", ele manda responder: "Seja! Vivei! Temos de tudo." Há, todavia, nesse reino, uma lei, uma única lei - aos que trabalham com verdadeiro afã, dizem-lhes: "Sentai-vos à mesa"; mas aos outros, aos que queriam viver sem esforço, é-lhes dito: "Comei as sobras". 

*Em russo, tolo diz-se durak. E durak significa "aquele que segue o sol".

sexta-feira, maio 04, 2012

Tolstoi: Senhor e servo


Vassili Andréitch permaneceu durante alguns segundos imóvel e silencioso. Depois, bruscamente, com o mesmo ar resoluto que costumava ter quando apertava a mão de um cliente ao concluir qualquer negócio vantajoso, recuou um passo, arregaçou as mangas da peliça e pôs-se, com ambas as mãos, a afastar a neve que cobria Nikita e o trenó. Afastada a neve, desapertou a pelica e, empurrando Nikita para o fundo do carro, estendeu-se sobre ele, cobrindo-o assim com a pelica e com o seu próprio corpo. Entalando as abas da pelica entre Nikita e os lados do trenó a segurando-as com os joelhos, Vassili ficou assim deitado de bruços com a cabeça apoiada na parte dianteira da carruagem. Já não sentia agora movimentos do cavalo, nem silvos da tempestade; prestava atenção apenas à respiração de Nikita. Este permaneceu a princípio imóvel durante algum tempo, depois suspirou e agitou-se suavemente.
- É assim mesmo! E dizias tu que ias morrer. Tranquiliza-te, aquece-te. Nós, cá, somos assim...
Mas com grande espanto seu, Vassili Andréitch não pôde prosseguir porque os seus olhos se lhe enchiam de lágrimas e o lábio inferior se lhe pôs a tremer convulsivamente. Deixou de falar, esforçando-se para abafar o soluço que lhe subia à garganta. "Tive um grande susto... pensou. - Estou muito enfraquecido." Entretanto, não só essa fraqueza lhe não era desagradável, como até, pelo contrário, lhe fazia sentir uma singular alegria, que nunca até então experimentara. 

quarta-feira, abril 06, 2011

III

All right, but what’s it all for? It can’t be that life was so meaningless, repugnant. And if it really was this repugnant and meaningless, then why die, and die suffering? Something is wrong.
* A Morte de Ivan Ilitch, Tolstoi

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Lev Tolstoi: A morte de Ivan Ilitch


"A vida é uma série de sofrimentos em aceleração, voa cada vez mais velozmente para o seu termo, para o mais hediondo sofrimento. «Estou a voar...» Estremecia, estrebuchava, queria resistir, mas já sabia que era impossível resistir, e de novo, com os olhos cansados de olhar mas incapazes de não olhar para o que estava diante deles, perscrutava o espaldar do sofá e esperava - esperava a queda terrível, o golpe, a destruição. «É impossível resistir», dizia para si."