Cinco anos após sucessivos adiamentos, estreei-me hoje como arguida num tribunal perto de mim. Bastou para perceber por que razão a justiça, a existir neste país, é tão perra. Gostei muito do exercício retórico. Tirando isso, fiquei apenas com a certeza de que é mais fácil um pulha ficar impune do que um inocente provar a inocência.
segunda-feira, fevereiro 18, 2013
domingo, fevereiro 17, 2013
sábado, fevereiro 16, 2013
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Afectivamente
No dia em que um meteoro se desintegrou na Rússia e um asteróide fez um voo rasante na Terra, os GNR esgotaram o Coliseu do Porto para um concerto acústico, incursão pelos trinta anos da banda de Rui Reininho. A coincidência astronómica fez sentido: Reininho também é um cometa, voa a grande velocidade, deixa um rasto de luz por onde passa, mas não faz feridos, cura feridas. Popless, de 2000, ainda mal tinha dado o tiro de partida para "afectivamente, quando do público alguém gritou: "Porque estás aí a falar de amor comigo?" Reininho não falou só de amor, mas os concertos dos GNR são sempre também uma declaração de amor às pessoas. "Obrigada por vos pertencer", agradeceu o vocalista, depois da maratona de duas horas em que tornou quase irreconhecíveis os clássicos. A banda desligou a ficha, trocou o baixo eléctrico pelo acústico, a guitarra eléctrica pelas cordas do violino da majestosa russa Ianina Khmelika, os teclados pelo piano. A voz de Reininho é sempre a voz de Reininho, seja em que rotação for. Mas o público, se não estranhou, conteve-se. Quase desde o início a pedir "Dunas", recebeu o troféu só no fim da viagem partilhada em palco com Mitó, d'A Naifa, Márcia, Beatbombers (num inesquecível rearranjo de Sangue Oculto) e com Camané, a maior ovação da noite. Em "Dunas", a sala ergueu-se. A vénia devida.
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quinta-feira, fevereiro 14, 2013
sábado, fevereiro 09, 2013
Gula
Nunca a portugalidade esteve tão na moda, o que não deixa de ser intrigante, não pela moda em si mas por significar que um país pode de facto abandonar-se, abdicar de si próprio, rejeitar-se. Superada a moda do minimalismo, do clean, do design sueco democrático e da cuisine française, eis o país a reencontrar-se. Para o bem e para o mal. Bela tasquinha na capitalista, bela viagem ao passado.
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Can you live twice?
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
Fortunately, you're not dead, Mark!
Roubar é feio, mas às vezes a tentação não resiste à moral. Setlist da memorável passagem de Mark Eitzel pelo Lux.
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terça-feira, fevereiro 05, 2013
segunda-feira, fevereiro 04, 2013
Philip Roth: Engano
- Eu escrevo as respostas. Começa tu.
- Como se chama?
- Não sei. Como vamos chamar-lhe?
- Questionário sobre o sonho de fugirmos juntos.
- Questionário sobre o sonho dos amantes de fugirem juntos.
- Questionário sobre o sonho dos amantes de meia-idade de fugirem juntos.
- Tu não és de meia-idade.
- Ai isso é que sou.
- A mim pareces-me jovem.
- Ai sim? Bem, isso vai ter certamente de ressaltar do questionário. Os dois candidatos têm de responder a todas as perguntas.
- Começa.
- Qual é a primeira coisa a meu respeito que te mexeria com os nervos?
- Quando estás no teu pior, o que é o teu pior?
- Tens mesmo essa vivacidade toda? Os nossos níveis de energia equivalem-se?
- És extrovertida, encantadora e equilibrada, ou és solitária e neurótica?
- Quanto tempo levarias a sentir atracção por outra mulher?
- Ou homem?
Não podes envelhecer nunca. Pensas o mesmo a meu respeito? Costumas pensar no assunto?
- Quantos homens ou mulheres tens de ter em cada momento?
- Quantos filhos queres ter a interferir na tua vida?
- És uma pessoa organizada?
- És completamente heterossexual?
- Tens ideias concretas sobre o que me interessa em ti? Responde com precisão.
- Dizes mentiras? Já alguma vez me mentiste? Achas que mentir é uma coisa normal, ou és contra a mentira?
- Esperarias que te dissessem a verdade se a exigisses?
- Exigirias a verdade?
- Pensas que a generosidade é um sinal de fraqueza?
- Os sinais de força são importantes para ti?
- Quanto dinheiro posso gastar sem tu te zangares? Entregavas-me o teu cartão Visa sem fazer perguntas? Deixavas-me ter poder sobre o teu dinheiro?
- Em que aspectos já sou uma desilusão?
- O que é que te embaraça? Diz-me. Ao menos sabes?
- Quais são os teus verdadeiros sentimentos em relação aos judeus?
- Vais morrer? És mental e fisicamente saudável? Responde com precisão.
- Preferias alguém mais rico?
- Até que ponto iria o teu embaraço de fôssemos descobertos? Que dirias se entrasse alguém por aquela porta? Quem sou eu e por que razão está tudo bem?
- Quantas coisas escondes de mim? Vinte e cinco. Mais alguma?
- Não me ocorre nenhuma.
- Aguardo com ansiedade as tuas respostas.
- E eu as tuas. Tenho uma pergunta.
- Sim.
- Gostas do que eu visto?
- Estás a exagerar.
- Não estou nada. Quanto mais banal é o defeito, mais raiva inspira. É o que me diz a experiência.
- Está bem. Última pergunta.
- Eu faço. Eu faço. A última pergunta. Continuas de algum modo, em algum recanto do teu coração, a alimentar a ilusão de que o casamento é um caso de amor? Se sim, isso pode ser a causa de muitos problemas.
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domingo, fevereiro 03, 2013
sábado, fevereiro 02, 2013
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
Je changerais d'avis
La vie n'est pas un seul garçon
Un seul visage à aimer
La vie n'est pas une seule passion
Pour toujours, allumée
Il faut de tout pour faire un coeur
Et bien peu, pour le défaire
Mais pourtant devant toi, j'ai peur
J'oublie les leçons d'hier
Je changerais d'avis
Ce qu'il faut penser
Au fond je sais, que le l'oublierais
Je changerais de vie
Si tu le voulais
Au fond je sais, que je te suivrais
Je changerais d'amis
Si tu y tenais
Tout mon passé, je le quitterais
Si tu m'aimais aussi
Je sais que je pourrais tout laisser
Et tout recommencer
Je changerais d'avis
Et je me dirais que jusqu'à toi
Je m'étais trompée
Je changerais de vie
Sans me demander où je m'en vais
Si tu m'emmenais
S'il n'y avait qu'une chance
Une sur des milliers pour te garder
Moi je la prendrais
Et tant pis si c'est fou
J'aurais envie de tout avec toi
Si tu pouvais m'aimer.
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quinta-feira, janeiro 31, 2013
Quase...
... quase lá. Se Seguro não fosse tão de cortar os pulsos e esta crónica não tivesse sido publicada um dia depois da entrevista do secretário geral do PS (até quando?) a José Gomes Ferreira.
quarta-feira, janeiro 30, 2013
Fernando Sobral: A política Dorian Gray
Cada vez que um secretário de Estado é removido, o Governo olha para o espelho e julga que é Dorian Gray. No fundo Passos Coelho tem medo de ver as rugas reais do seu Governo e também a sua verdadeira identidade.
Os secretários de Estado caem, como peras podres, para que os ministros descartáveis como Miguel Relvas se mantenham. Passos Coelho resiste dentro da falácia que é julgar que caminha com segurança para um destino que só ele vê. E continua a construir argumentos a partir de falsas premissas. Cada miniatura de remodelação, é um evento. E isso permite que o Governo não reconheça que está equivocado nas trapalhadas que vai distribuindo, aos molhos, pela sociedade.
A remodelação Dorian Gray permite que o Governo finja mudar enquanto se prepara, no meio do tumulto no PS, para cortar quatro mil milhões sabe-se lá onde e se faça uma pseudo-reforma do Estado à sucapa. E tudo corre melhor porque o PS está preocupado consigo próprio, em vez de se focar nos dislates do Governo. É por isso que António Costa só finge que avança para a liderança: para manter a pressão. Sabe que para resolver certos problemas o melhor é não fazer nada. Para que é que o PS quer ganhar, agora, o poder? Para fazer o que faz Passos Coelho? António Costa e António José Seguro hão-de lutar, porque tudo os separa há muitos anos. Mas Costa sabe que é preciso tempo.
A questão central é a da hegemonia cultural, de que falava António Gramsci. Só quando o vazio arder nos bolsos e na alma dos portugueses será possível mudar o rumo do vento. Até lá, quem quiser o
poder, terá de gerir o tempo. E esperar que a fonte da juventude de Dorian Gray seque.
segunda-feira, janeiro 28, 2013
Oscars 2013
Melhor Filme
- Lincoln
- Argo
- Zero Dark Thirty
- Les Misérables
- Silver Linings Playbook
- Life of Pi
- Django Unchained
- Amour
- Beasts of the Southern Wild
Melhor Realizador
- Steven Spielberg por Lincoln
- Ang Lee por Life of Pi
- David O. Russell por Silver Linings Playbook
- Michael Haneke por Amour
- Benh Zeitlin por Beasts of the Southern Wild
Melhor Ator
- Daniel Day-Lewis em Lincoln
- Joaquin Phoenix em The Master
- Bradley Cooper em Silver Linings Playbook
- Hugh Jackman em Les Misérables
- Denzel Washington em Flight
Melhor Actriz
- Jessica Chastain em Zero Dark Thirty
- Jennifer Lawrence em Silver Linings Playbook
- Emmanuelle Riva em Amour
- Naomi Watts em The Impossible
- Quvenzhané Wallis em Beasts of the Southern Wild
Melhor Actor Secundário
- Philip Seymour Hoffman em The Master
- Tommy Lee Jones em Lincoln
- Alan Arkin em Argo
- Robert De Niro em Silver Linings Playbook
- Christoph Waltz em Django Unchained
Melhor Actriz Secundária
- Anne Hathaway em Les Misérables
- Sally Field em Lincoln
- Amy Adams em The Master
- Helen Hunt em The Sessions
- Jacki Weaver em Silver Linings Playbook
Melhor Argumento Original
- Zero Dark Thirty
- Flight
- Django Unchained
- Moonrise Kingdom
- Amour
Melhor Argumento Adaptado
- Lincoln
- Argo
- Silver Linings Playbook
- Beasts of the Southern Wild
- Life of Pi
Melhor Canção Original
- "Skyfall", de Skyfall
- "Suddenly", de Les Misérables
- "Before My Time", de Chasing Ice
- "Everybody Needs a Best Friend", de Ted
- "Pi's Lullaby", de Life of Pi
domingo, janeiro 27, 2013
sábado, janeiro 26, 2013
sexta-feira, janeiro 25, 2013
Life of Pi by Ang Lee ****
"I suppose in the end, the whole of life becomes an act of letting go, but what always hurts the most is not taking a moment to say goodbye."
quinta-feira, janeiro 24, 2013
terça-feira, janeiro 22, 2013
Ruben Fonseca: Pequenas criaturas
“Sei que temos esse jantar, não se preocupe, estou vendo se encontro aquele vestido... Vou a outras lojas... Tchau.”
A mulher desliga o celular, voltam a se abraçar na cama, esquecem a vida.
“Esse coração batendo forte é o meu ou o seu?”
“O nosso, o suor também é nosso, mas esses fios de cabelo na sua mão são meus.”
Silêncio.
“Até entrar no meu carro e chegar em casa. Às vezes tenho vontade de me drogar, mas sou muito medrosa para fazer isso.”
“Não ia resolver nada.”
“Quando cheguei em casa ontem ele me perguntou, Você foi ao cabeleireiro para fazer um penteado desses? Inventei uma resposta... Estou andando sobre carvões em brasa... Você não entende, você sai de casa e bate a porta, eu tenho que deixar instruções com empregadas, dar explicações, e na volta tudo se repete, novas determinações, providências, desempenhos, embustes. O lar é um monstro que nunca tem as suas exigências saciadas, está sempre pedidndo mais. À noite tenho de ir a festas e jantares com ele e os nossos amigos, onde me mostro alegre, e sou a que ri mais alto, a que fala com mais entusiasmo, mas quando chego em casa estou com vontade de vomitar e preciso tomar um tranquilizante para poder dormir.”
“Eu te amo.”“Não precisa fazer essa cara de cachorro sem dono, esquece o que eu disse.”
Ela o beija. Fodem novamente.
“Você puxa os meus cabelos com força. Você é sádico e maluco. Um pouco sádico e muito maluco.”
“É sem querer.”
“Mas eu gosto, se nós tivéssemos um jogo de dominó você jogaria comigo?”
“Acho que sim. Quer ouvir uma música? Aquela que você gosta.”
“Me deixa triste. Não fica olhando para o tecto.”
“Estou deitado de barriga para cima.”
“Também estou deitada de barriga para cima e estou olhando para você. Quer que eu diga o que estou vendo?”
“Não.”
“E você, agora que está olhando para mim e o seu pescoço está doendo, vê o quê?”
“A mulher mais bonita do mundo.”
“Quer que eu chore?”
“Não.”
Ela chora, sem soluçar, mas as lágrimas brilham tanto que ele as vê, mesmo olhando para o tecto.
“Meu marido está desconfiado.”
“A vida é um jogo de soma zero.”
“O que quer isso dizer?”
“Um jogo em que a soma dos ganhos e das perdas dos jogadores é sempre zero.”
“E o que acabamos de ganhar é zero?”
“Só quando formos somar com as perdas, as perdas nunca são zero.”
“Isso é uma coisa horrível, não é? Olha para mim.”
“Estou olhando.”
“Você está com medo. Medo que eu me mude para cá. De que eu me torne um peso para você.”
“Não diga isso.”
“Eu vivo com medo o tempo todo, mas o meu medo não é maior do que o meu amor. Diga, o seu medo é maior do que o seu amor?”
“Não estou com medo.”
“Mas esse seu medo de eu me mudar para cá só acontece às vezes, se acontecer sempre o seu amor vai diminuir. E acaba, é isso?”
“Temos que ser lúcidos.”
“A razão sobre os sentimentos, que coisa mais árida, você não respondeu.”
“Não sei responder.”
“Você não sofre por saber que eu, eu...”
“Você?”
“Durmo toda a noite com outro.”
“Prefiro não falar sobre isso.”
“Você não sabe fazer nada para ganhar dinheiro, e se formos morar debaixo da ponte o nosso amor acaba, só podemos viver dentro de um certo esquema. É isso que você não sabe responder?”
“Já estive internado. Coisas da cabeça, não é contagioso.”“Você nunca me disse isso.”
“Estou dizendo agora. Já trabalhei numa loja de discos e numa livraria, mas me mandaram embora.”
“Também nunca me disse isso.”
“Estou dizendo agora.”
“Nunca trabalhei, nem escrevi, nem pintei, nem coisa nenhuma, saí da faculdade para casar, não terminei o curso, estudava biologia, uma órfã de pai e mãe estudando biologia, você acredita?”
“O que uma orfã deve estudar?”
“Talvez contabilidade, informática. Mas você sofre ou não? Por eu dormir toda a noite com outro?”
“Fico infeliz.”
“Fica infeliz mas não chora, eu choro sempre.”
“Minha mãe não me ensinou a chorar.”
“Ela já morreu, não morreu? E o que ela dizia? Homem não chora?”
“Ela não chorava.”
“Mas tinha um marido e amava outro homem? Um artista, um intelectual incapaz de ganhar dinheiro com o seu trabalho? Desculpe o intelectual, sei que você não gosta dessa palavra.”
“Às vezes, sinto vontade de chorar, quando você vai embora e eu fico sozinho, mas não consigo.”“E quando a dor é física? Nem assim?”
“Tomo analgésico. Enxugue o seu rosto com o lençol.”
“Você não acha que temos que fazer alguma coisa? Ou vamos esperar a vida corromper nossos sentimentos?”
“Que coisa?”
“Já pensei em me matar, depois de matar você. Pára de olhar para o tecto. Não estou brincando.”
“Daqui a pouco o meu pescoço vai doer.”
“E eu?”
“O que significo para você?”
“Alegria, deleite, companhia, amor.”
“Mas a arte é mais importante que tudo... E se quando você morrer de velho, tudo o que você fez for esquecido, jogado no lixo? Você não tem coragem nem de cortar a sua orelha.”
“Se você quiser, eu corto.”
“Então corta agora.”
Ele se levanta da cama. Depois de algum tempo, volta com um pano apertado de encontro à face, sangue escorre do seu pescoço, ele estende a outra mão fechada para ela, abre a mão. Dentro está a orelha decepada.
“Um presente para você.”“Meu deus, você tem que ir para um hospital.”
“Esterilizei a faca antes e limpei o ferimento com um anto-séptico, a hemorragia passa logo.”
“Sua mãe, onde quer que ela esteja, deve estar muito orgulhosa de você.”
“Estou contando com isso.”
“Sabia que ia ter que cortar uma orelha para mim?”
“Comprei uma faca afiada.”
“E eu tenho que fazer o quê, por você?”
“Não sei, mas não é cortar os pulsos.”
“Acho que estamos enlouquecendo.”
“Eu já cheguei no meu ponto. Não passo disso.”
“Posso te contar uma coisa? Meu analista anda preocupado comigo. Ele não sabe, mas acho que ainda não cheguei no meu ponto. Tenho que ir embora. Posso levar a orelha comigo?”
“É sua, chegando em casa, põe num frasco com formol, a farmácia vende.”
“Mas o que eu gostaria mesmo é que você também chorasse.”
“Isso é mais difícil.”
“Nunca deixarei de te amar.”
“Nem eu.”
“Amanhã é sábado.”
“Eu sei, a gente não vai se ver, nem no domingo.”
“Talvez você chore, neste fim-de-semana.”
“Vou tentar:”
“Pinta uns girassóis.”
“Não sei pintar aqueles gisrassóis. Talvez se sofresse de laucoma.”
“Escreve um soneto.”
“Não sei escrever sonetos.”
Ela se veste, percorre o quarto e a sala para ver se não está esquecendo de alguma coisa, bare a porta da rua.
“Soma zero?”
Fecha a porta, sai.
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segunda-feira, janeiro 21, 2013
O Verão começa em Fevereiro!
O jovem búlgaro-maravilha Evgeni Bozhanov vem à Casa da Música (dia 3), Mark Eitzel vai ao Lux com novo e maravilhoso disquinho (dia 8), os Sigur Rós regressam ao Coliseu, também com disco novo (dia 13), deus-Reininho e os GNR também regressam ao Coliseu, mas em versão acústica (dia 15), e no dia seguinte há Crystal Castles para dançar no Hard Club, também com disco novo. Em Guimarães, há dez dias seguidos de dança contemporânea (de dia 13 a dia 23), Guidance com programa de salivar. Deus existe.
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Can you live twice?
domingo, janeiro 20, 2013
Girl from the North Country
If you're traveling till the north country fair
Where the winds hit heavy on the borderline
Remember me to one who lives there
For she once was the true love of mine
See for me if her hair's hanging down
It curls and flows all down her breast
See for me that her hair's hanging down
That's the way I remember her best
If you go when the snowflakes fall
When the rivers freeze and summer ends
Please see for me if she's wearing a coat so warm
To keep her from the howlin' winds
If you're traveling in the north country fair
Where the winds hit heavy on the borderline
Please say hello to the one who lives there
For she once was a true love of mine
True love of mine, a true love of mine
True love of mine, a true love of mine
A true love of mine, a true love of mine
She was once a true love of mine
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sexta-feira, janeiro 18, 2013
quinta-feira, janeiro 17, 2013
quarta-feira, janeiro 16, 2013
terça-feira, janeiro 15, 2013
segunda-feira, janeiro 14, 2013
domingo, janeiro 13, 2013
sábado, janeiro 12, 2013
sexta-feira, janeiro 11, 2013
quinta-feira, janeiro 10, 2013
quarta-feira, janeiro 09, 2013
Apophis
Poderia ser o asteróide que traria o fim do mundo. Mas ainda não é desta. Catorze milhões de quilómetros de distância da Terra é demasiada distância. Talvez em 2029, com um voo a 22 mil quilómetros. Ou em 2036...
Íntima Fracção
Com a devida vénia ao Francisco Amaral, que inventou esta coisa maravilhosa chamada Íntima Fracção e que, felizmente para nós, resiste e persiste.
Link directo para o ficheiro de mp3http://downloads.expresso.pt/expressoonline/Audio/IntimaFraccao/arquivo/IF030113.mp3
Conteúdo
http://expresso.sapo.pt/os-murmurios-de-um-outro-ano=f777223
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Íntima fracção
terça-feira, janeiro 08, 2013
segunda-feira, janeiro 07, 2013
Lisboa Song
"(...) ela abriu os olhos, espantada, disse-me, afinal não sei nada de ti, é como no princípio, percorremos juntos o mesmo caminho e, no fim, sabemos tanto como antes, os caminhos não são os mesmos, disse-lhe, apenas durante algum tempo correm lado a lado, e isso é o melhor que o engenho humano consegue construir, duas linhas sinuosas em prodigioso equilíbrio, conservando entre si a mesma distância relativa pelo mais longo período de tempo possível, mas o que existia antes como que se apaga, dissolve-se na obsessiva procura do presente, agora amo-te, e é um único instante, e esse instante é também a mágoa de te perder no instante seguinte, e a angústia de poder não te ter encontrado no instante anterior.
Ela avançou para mim, com as mãos atrás das costas, repetiu o meu nome, uma, duas, muitas vezes, e parecia ouvir dentro de si o eco que o dizia. Depois, perguntou-me, apenas um instante ?, eu fiz que sim, e beijámo-nos, mas nessa altura já sabíamos que estávamos condenados ao terror do instante a seguir."
António Mega Ferreira
domingo, janeiro 06, 2013
sábado, janeiro 05, 2013
sexta-feira, janeiro 04, 2013
Lydia Davis: Contos completos
"Sentimos uma afinidade com certo pensador porque concordamos com ele; ou porque nos mostra o que já pensávamos; ou porque ele nos mostra de modo mais articulado o que já pensávamos; ou porque nos mostra o que estávamos perto de pensar; ou o que mais cedo ou mais tarde pensaríamos; ou o que teríamos pensado muito mais tarde se o não tivéssemos lido agora; ou o que seria verosímil que pensássemos, mas nunca teríamos pensado se o não tivéssemos lido agora; ou o que teríamos gostado de pensar, mas nunca teríamos pensado se o não tivéssemos lido agora. "
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Lydia Davis
quinta-feira, janeiro 03, 2013
quarta-feira, janeiro 02, 2013
terça-feira, janeiro 01, 2013
Iron tie
Tenho o coração morto, sepultado em mim, sirvo-lhe de caixão.
Quando não estou contigo, estou numa prisão.
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Can you live twice?
domingo, dezembro 30, 2012
Concertos inesquecíveis em 2012
Ornatos Violeta, Coliseu do Porto
Flaming Lips, Primavera Sound Porto
The Kills, Optimus Alive Lisboa
The Cure, Optimus Alive Lisboa
Other Lives, Primavera Sound Porto
Beach House, Primavera Sound Porto
Destroyer, Primavera Club, Guimarães
Sensible Soccers, Primavera Club, Guimarães
Sharon van Etten, Primavera Club, Guimarães
M83, Primavera Sound Porto
Daughn Gibson, Primavera Club, GuimarãesRadiohead, Optimus Alive Lisboa
The XX, Primavera Sound Porto
The Antlers, Optimus Alive Lisboa
Yann Tiersen, Primavera Sound Porto
Suede, Primavera Sound Porto
Laurie Anderson, Aveiro
Russian Red, Mexefest Porto
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Festivais
Livros sublinhados em 2012
Rui Nunes, O choro é um lugar incerto
Rui Nunes, Ouve-se sempre a distância numa voz
Sandór Márai, As velas ardem até ao fim
Sandór Márai, A herança de Eszter
Sandór Márai, A ilha
Osamu Dazai, Não humano
Ivan Turgueniev, Águas de Primavera
Lev Tolstoi, Senhor e servo
Henry James, Diário de um homem de 50 anos
Eduardo Galeano, Bocas del tiempo
Philip Roth, Némesis
Ruben A., O outro que era eu
Andrei Platonov, A Escavação
Almeida Faria, Rumor branco
Tomas Transtomer, 50 poemas
Walt Whitman, Canto de mim mesmo
Juan Luis Panero, Poemas
Nuno Júdice, Fórmulas de uma luz inexplicável
Paul Eluard, Capitale de la douleurPaul Eluard, Dernières poèmes d'amour
Manuel António Pina, Farewell happy fields
Haruki Murakami, 1Q84 (interrompido)
Rob Riemen, O eterno retorno do fascismo
Nicolas Taleb, O cisne negro
Tony Judt, Uma grande ilusão?
Paris Review, Entrevistas
Fitas em pause em 2012
The perks of being a wallflower, Stephen Chbosky (2012) *****
Amour, Michael Haneke (2012) *****
Madame de..., Max Ophuls (1953) *****
Carta de uma desconhecida, Max Ophuls (1948) *****
Trouble with the curve, Robert Lorenz (2012) *****
Lust Caution, Ang Lee (2007) *****
Oslo, Joachim Trier (2012) *****
The lives of the others, Florian Henckel von Donnersmark (2006) *****
Beast of southern wild, Benh Zeitlin (2012) *****
Em Bruges, Steve McDonagh (2008) *****
O Artista, Michel Hazanavicius (2011) *****
A bout de soufle, Jean-Luc Godard (1959) *****
The ides of March, George Clooney (2011) ****
Red, Kieslowski (1994) ****
Blanc, Kieslowski (1994) ****
Never let me go, Mark Romanek (2010) ****
De rouille et d'os, Jacques Audiard (2012) ****
Moonrise Kingdom, Wes Anderson (2012) ****
Shame, Steve McQueen (2011) ****
Notebook, Nick Cassavetes (2004) ****
Take Shelter, Jeff Nichols (2011) ***
Go get some Rosemary, Joshua e Ben Safdie (2009) ***
Magic Mike, Steven Soderbergh (2012) ***
Un été brullant, Philippe Garrel (2011) **
The rome with love, Woody Allen (2012) **
The letter, Jay Anania (2012) **
Carnage, Roman Polanski (2011) *
Brave, a Indomável (2012) *
Tabu, Miguel Gomes (2012)
Aniki Bobó, Manoel de Oliveira (1942) ****
A desilusão:
Tal como no ano passado, Woody Allen. Bem, e o Garrel desta vez também.
sábado, dezembro 29, 2012
sexta-feira, dezembro 28, 2012
quinta-feira, dezembro 27, 2012
Andrei Platónov: A escavação
"Mas para dormir era preciso ter tranquilidade de espírito, confiança na vida, perdoar a mágoa passada, e Voschev estava ali deitado na seca tensão da consciência e não sabia se tinha alguma utilidade neste mundo ou se tudo passaria muito bem sem ele. (...) O homem constrói uma casa, mas destrói-se a si mesmo. Quem viverá então?
No terreno baldio segado cheirava a erva morta e à humidade dos lugares desnudados, pelo que se sentia mais claramente a tristeza geral da vida e a melancolia da inutilidade. Deram uma pá a Voschev e ele agarrou-a nas suas mãos, com a dureza do desespero da sua vida, como se quisesse extrair a verdade do interior dopó da terra; deserdado da sorte, teria aceitado a ausência de sentido para a existência, mas queria ao menos observá-lo na substância do corpo de outro, de um homem próximo - e para se encontrar perto desse homem, era capaz de sacrificar no trabalho todo o seu frágil corpo, extenuado pelo pensamento e pelo absurdo."
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sexta-feira, dezembro 21, 2012
terça-feira, dezembro 18, 2012
segunda-feira, dezembro 17, 2012
First time: doze anos
I love you because the earth turns round the sun,
because the North wind blows north sometimes,
because the Pope is Catholic
and most Rabbis Jewish.
because winters flow into springs and the air clears after a storm,
because only my love for you despite the charms of gravity keeps me from falling off this Earth into another dimension.
I love you because it is the natural order of things,
I love you like the habit I picked up in college of sleeping through lectures or saying I'm sorry when I get stopped for speeding.
because I drink a glass of water in the morning and chain-smoke cigarettes all through the day,
because I take my coffee Black and my milk with chocolate,
because you keep my feet warm though my life a mess
I love you, because I don't want it any other way.
I am helpless in my love for you
It makes me so happy to hear you call my name
I am amazed you can resist locking me in an echo chamber where your voice reverberates through the four walls sending me into spasmatic ecstasy
I love you because it's been so good for so long
that if I didn't love you I'd have to be born again
and that is not a theological statement.
I am pitiful in my love for you
The Dells tell me Love is so simple the thought though of you sends indescribably delicious multitudinous thrills throughout and through-in my body
I Love you because no two snowflakes are alike and it is possible if you stand tippy-toe to walk between the raindrops
I love you because I am afraid of the dark and can't sleep in the light
because I rub my eyes when I wake up in the morning and find you there
because you with all your magic powers were determined that I should love you
because there was nothing for you but that I would love you
I love you because you made me want to love you more
than I love my privacy
my freedom
my commitments and responsibilities
I love you 'cause I changed my life to love you
because you saw me one friday afternoon and decided that I would love you
I love you
I love you
I love you
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Can you live twice?,
Poetry for the poisoned
domingo, dezembro 16, 2012
sábado, dezembro 15, 2012
sexta-feira, dezembro 14, 2012
quinta-feira, dezembro 13, 2012
Port of call
And I
I called through the air that night
A calm sea voiced with a lie
I could only smile
I've been alone some time
And all, and all, It's been fine
And you,You had hope for me now
I danced all around it somehow
Be fair to me,I may drift awhile
Were it up to me, you'd know I'd
I called through the air that night
The faults were swarming inside
Was it infantile, that which we desire
Were it up to me, all from your eyes
And I, I called through the air that night
My thoughts were still blurry in time
We were closer then
I'd been alone sometime
Filled your glass with gin
Filled your heart with pride
If there's a plan for me, Would it make you smile?
No I don't want to be there for no one
I'd stay here
No I don't want to be there for no one
That's over the sea
I don't want to follow your light
On the sea
No I don't want to be there for no one
That I can't see
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After eight
quarta-feira, dezembro 12, 2012
Paul Eluard: Derniers poèmes d'amour
Même quand nous dormons nous veillons l'un sur l'autre
Et cet amour plus lourd que le fruit mûr d'un lac
Sans rire et sans pleurer dure depuis toujours
Un jour après un jour nuit après nous.
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books,
Paul Eluard,
Poetry for the poisoned
terça-feira, dezembro 11, 2012
segunda-feira, dezembro 10, 2012
Ceremony
This is why events unnerve me
They find it all, a different story
Notice whom for wheels are turning
Turn again and turn towards this time
All she ask's the strength to hold me
Then again the same old story
World will travel, oh so quickly
Travel first and lean towards this time
Oh, I'll break them down, no mercy shown
Heaven knows, it's got to be this time
Watching her, these things she said
The times she cried
Too frail to wake this time
Oh, I'll break them down, no mercy shown
Heaven knows, it's got to be this time
Avenues all lined with trees
Picture me and then you start watching
Watching forever, forever
Watching love grow, forever
Letting me know, forever
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After eight
sábado, dezembro 08, 2012
Portugal, Portugal, de que é que estás à espera?
Todos os dias, 85 portugueses abandonam o país.
Todos os dias, 3 pessoas suicidam-se em Portugal. A taxa de suicídio aumentou 20 a 25%. (Fonte: Programa Nacional para a Saúde Mental)
Todos os dias fecham 100 empresas, só de comércio, em Portugal. (Fonte: Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, hoje, no Expresso)
No primeiro semestre de 2012, os Carros abandonados na rua aumentaram 40%. Em 83% dos casos, não são reclamados pelos proprietários.
Há mais 1,8 milhões de casas em Portugal que famílias. Significa de 32% dos alojamentos existentes são residências secundárias ou estão desocupadas. Apesar disso, 11% das habitações estão sobrelotadas. (Fonte: INE)
Portugueses gastam por trimestre mais de 5300 milhões de euros em alimentos. Este valor baixou pela primeira vez em 18 anos.
A DECO recebeu, até Novembro, mais de 5000 pedidos de ajuda por parte de famílias sobreendividadas. Significa uma média de 15 agregados por dia.
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Portugal
sexta-feira, dezembro 07, 2012
Irreal social
[Alex Stoddard]
Há já algum tempo que Portugal me faz lembrar a Rússia do séc. XIX. Fazia. Até hoje. A partir de hoje, Portugal passa a ser o México dos gangues autorizados.
Uma pessoa vem na auto-estrada em direcção ao Porto, são quatro da tarde, a estrada está deserta. Somos nós e um carro da GNR. Só. Ultrapassamos. Uns quilómetros à frente, a GNR manda-nos encostar. Em plena auto-estr...ada. Paramos. O agente revista tudo, não encontra nada. E como não encontra nada, dispara:
- "Vou passar-lhe uma contra ordenação, porque quando nos ultrapassou percorreu dois quilómetros na faixa do meio antes de passar para a da direita."
- "Desculpe?! Está a brincar, não está?!"
- Não. São 60 euros. Paga já ou fica com a carta apreendida."
A multa é tão surreal que me rio, não consigo sequer irritar-me. Pergunto que parte da multa reverte para a GNR. 10%. Multas à comissão, portanto. Tento pagar com multibanco, o multibanco da GNR não funciona, não tem bateria. Entretanto, já passaram mais de vinte minutos, estamos parados na auto-estrada, onde supostamente não se deve parar. O agente, que não tinha mais de 25 anos, treme, aflito com o embaraço da maquineta multibanco. Solução: escolta policial até a estação de serviço mais próxima.
Chegamos lá, o multibanco não tem dinheiro.
- "Pode fazer o pagamento através de pagamento de serviços."
- "A máquina não tem dinheiro nem recibos."
- "Nesse caso, tem de ficar com a carta apreendida até pagar."
- "O senhor passou-me uma multa, uma multa surreal, não tem como cobrá-la e eu é que fico com a carta apreendida?!"
Portugal é isto. Do local do crime até à estação passaram uns vinte carros, todos pela faixa do meio, perguntei porque não mandou parar todos.
- "Um agente não pode cantar e assobiar ao mesmo tempo."
Está tudo dito. Cuidado quando virem um carro na GNR na estrada, são assaltantes armados, autorizados, perigosos. O agente chamava-se Matos, como o mágico. Em meia hora fez desaparecer 60 euros. Portugal é esta merda!
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The human condition
segunda-feira, dezembro 03, 2012
domingo, dezembro 02, 2012
Christy Lee Rogers
[Da série Reckless Unbound]
É quase demasiado bom, demasiado bonito, para ser verdade. Esta rapariga havaina pinta com a sua máquina de fotografar retratos renascentistas debaixo de água. É a coisa mais bonita que me ofereceram nos últimos tempos, aqui: www.christyrogers.com.
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To leave and to take
sábado, dezembro 01, 2012
“To have faith and to let each other grow and see if we come back together”
Em breve cada um vai para seu lado,
seja pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
...
Talvez continuemos a encontrar-nos,
quem sabe... nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamos perder-nos no tempo...
quem sabe... nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamos perder-nos no tempo...
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Can you live twice?
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