terça-feira, julho 31, 2012

Pedro Lomba: Que se lixem os ciclos


"A entrada no euro e a imensa disponibilidade e alternativa do endividamento serviram para sustentar este modo artificial de vida (...). O resultado não foi uma democracia de cidadãos conscientes e esclarecidos sobre o país onde viviam, mas...um regime de súbditos e clientes que, além de não se aperceberem de que os seus votos eram uma moeda de troca para os governos, também nunca tiveram de pensar em alternativas ao seu modo de vida."

Hoje, no Público


sábado, julho 21, 2012

Clara Ferreira Alves


 
"Nós, e quando digo nós digo o jornalismo na sua decadência e euforia suicidária, criámos estas criaturas. Os Relvas, os Seguros, os Passos Coelhos, os amigos deles. O jornalismo, aterrorizado com a ideia de que a cultura é pesada e de que o mundo tem de ser leve, nivelou a inteligência e a memória pelo mais baixo denominador comum, na esteira das televisões generalistas. Nasceu o avatar da cultur...a de massas que dá pelo nome de light culture em oposição à destrinça entre high e low. O artista trabalha para o 'mercado', tal como o jornalista, sujeito ao rating das audiências e dos comentários online. A brigada iletrada, como lhe chama Martin Amis, venceu. Estão admirados?"
Clara Ferreira Alves, hoje, no Expresso

Miguel Sousa Tavares

Hoje, no Expresso

i think i’m ready




And everyday
I am learning about you
The things that no one else sees
And the end comes too soon
Like dreaming of angels
And leaving without them

quinta-feira, julho 19, 2012

I'll be seeing you




I'll be seeing you
In every lovely summer's day;
In every thing that's light and gay.
I'll always think of you that way.

quarta-feira, julho 18, 2012

Philip Roth: Némesis


"... ajudava-o a compreender que as batalhas de cada um nunca tinham fim e que, na esperança implacável que é a vida, "quando tens de pagar o preço, paga-lo".

terça-feira, julho 17, 2012

Fórmulas de uma luz inexplicável


"Então ouço-te rir. E esqueço-me das variações do tempo e da alma, como se o teu riso apagasse dúvidas e interrogações, e subisse para além de analogias e metáforas, seguindo o caminho das abelhas que não querem saber de outra coisa senão das flores, agora que o teu riso acordou a primavera."

Uma antiga retórica, Fórmulas de uma luz inexplicável, Nuno Júdice

segunda-feira, julho 16, 2012

Last goodbye




It's the last goodbye I swear
I can't rely on a dime a day love that don't go anywhere
I learn to cry for someone else
I can't get by on an odds and ends love that don't ever match up
I heard all you said and I took it to heart

I won't forget I swear
I have no regrets for the past is behind me
Tomorrow reminds me just where

Can't quite see the end
How can I rely on my heart if I break it with my own two hands?
I heard all you said and I love you to death
I heard all you said don't say anything

It's the last goodbye I swear
I can't survive on a half-hearted love that will never be whole

quarta-feira, julho 11, 2012

Helena Garrido: O mau e bom estado da Nação


Pela primeira vez, desde a segunda guerra mundial, Portugal regista este ano um excedente comercial. Um número que retrata a enorme capacidade de adaptação dos portugueses que, em menos de dois anos, passaram de esbanjadores consumidores para aforradores exportadores. Revelador de um Estado que estaria em muito melhor estado se outras e melhores fossem as lideranças.

O debate sobre o estado da Nação, que hoje marca o fim da sessão legislativa, deveria revelar este país. Um país feito de pessoas que se assustaram em Outubro do ano passado, perceberam que o paraíso prometido pelo euro era uma ilusão e puseram mãos à obra. Uns partem para trabalhar lá fora, outros vão lá para fora conquistar clientes.

Os mesmos portugueses que se endividaram, reagindo assim aos incentivos que as políticas públicas lhes foram dando desde finais dos anos 80 do século XX, responderam agora com extraordinária rapidez e flexibilidade aos problemas que se colocaram com o colapso financeiro do país.

Já tinha acontecido noutras ocasiões. Após a revolução de 1974, em pleno choque petrolífero, o país foi capaz de integrar quase um milhão de pessoas vindas das ex-colónias sem conflitos que merecessem essa designação. Nos anos 80, quando pela segunda vez o FMI esteve em Portugal, as medidas adoptadas para corrigir os desequilíbrios financeiros tiveram um resultado imediato e surpreendente.

O actual processo de correcção dos desequilíbrios financeiros promete ser mais um caso de sucesso da história económica portuguesa se tudo correr bem na frente europeia. Tal como no passado, os portugueses anónimos, aqueles que não vivem à custa do dinheiro dos contribuintes, fazem o que é preciso fazer, fazem aquilo que as políticas económicas sinalizam que é necessário fazer.

Estes mesmos portugueses, a maioria despreza naturalmente e cada vez mais a classe política, para desgraça do nosso futuro democrático, mas sem que se possa dizer que alguns políticos não o mereçam.

A capacidade que os portugueses revelaram em mudar, para se adaptarem às novas circunstâncias, contrasta com a incapacidade que o sistema político-partidário revela em mudar. Olhamos para este ano de novo governo e mesmo perante a difícil situação financeira em que o país se encontra o que vemos é mais do mesmo.

Outros "boys" vieram, para os "jobs" que o aparelho do Estado ainda tem para distribuir. A crise não acabou com a guerra das nomeações nos partidos do Governo nem com os negócios feitos à medida de empresas e sociedades que pertencem a quem é do partido. E lá está no Governo também um "super boy" desta vez chamado Miguel Relvas a quem tudo tem sido permitido, desde ameaçar jornalistas a manchar a imagem da comunicação social, de empresas, de universidades e, claro, do próprio Governo.

Há quem diga que Portugal tem os governantes que merece. Não é assim. Há governantes que são mais parecidos com o que de melhor tem o povo português, neste governo como noutros.

Esta crise, como outras, mostrou ser capaz de mudar a vida de muitos portugueses. Só não parece ter sido capaz de mudar o comportamento dos partidos nem a atitude de alguns políticos que vêem na política uma via para se promoverem e não para servirem o Estado. Nestes tempos frágeis, o que já se deseja apenas é que o mau estado da Nação não expulse o bom estado da Nação.

(Declaração de interesses: No quadro da referência que no texto se faz às universidades e embora o tema não seja esse, em nome da transparência, o leitor deve saber que a autora é também professora de jornalismo na Universidade Lusófona há mais de uma década.)

[Hoje, no Jornal de Negócios]

sábado, julho 07, 2012

Ivan Turguéniev: Águas de Primavera


"Ambos estavam apaixonados pela primeira vez, e estavam a operar-se neles todos os milagres do amor. O primeiro amor é como a revolução: o sistema monótono e correcto da vida estabelecida quebra-se e desmorona-se num instante; a juventude ergue-se em barricadas, a sua bandeira colorida drapeja e, seja o que for que a espere pela frente - a morte ou uma nova vida -, envolve tudo nos seus vivas entusiasmados.

(...) As pessoas fracas nunca põem fim a nada - ficam à espera desse fim."

sexta-feira, junho 29, 2012

Henry James: Diário de um homem de 50 anos


"Houve momentos, nos últimos dez anos, em que me senti tão ominosamente velho, tão exausto e acabado, que teria tomado como piada de muito mau gosto qualquer insinuação de que a presente sensação de jovialidade me estava ainda reservada. De qualquer maneira, não durará; mais vale, portanto, aproveitá-la o melhor possível.

(...) E depois, feitas as contas, parece-me tão feliz! Hesita-se em destruir uma ilusão, por mais funesta que seja, que é tão deliciosa enquanto dura. São os momentos raros da vida. Ser novo e ardente, em plena primavera italiana, e acreditar na perfeição moral de uma bela mulher - que situação mais admirável! Deixe-se levar pela corrente; eu ficarei na margem a vigiá-lo.

(...) Não há nada mais analítico do que a desilusão."

domingo, junho 24, 2012

sábado, junho 23, 2012

terça-feira, junho 12, 2012

Rui Nunes: O choro é um lugar incerto


Os barcos, sedimentos de um negro mais compacto, movem o silêncio entre dois mundos: a viagem anuncia os seus despojos. Longe, a rasar o horizonte, o dia é o que resta da descida de uma pálpebra.

Todos os portos descrevem um abandono: a sua repetição: sobre os guindastes, as amarras e os navios, inscreve-se sempre o mesmo sinal.

O terror refugiou-se no tempo, mas de vez em quando alguém
diz um dos seus nomes.
E a multidão rejubila,

abrir a luz à fragmentação. Estilhaçar uma cidade doente. Cada coisa atravessa-se na trajectória de outra coisa, e cada trajectória parte o mundo. Hoje, os olhos cansam-se de continuamente tentarem juntar o que se dispersa,
[Ceuta]

segunda-feira, junho 11, 2012

Rui Nunes: Ouve-se sempre a distância numa voz


por vezes a tua cara torna-se nítida e insuportável. Outras vezes, esbate-se e com o esbatimento vem-me a resignação de te ter perdido. Às vezes, esqueço-te. Ou ficas escondido numa casa, num quadro, numa árvore, de onde ressurgirás. Um dia olharei o quadro, a casa, a árvore, e lembrar-me-ei de ti. Mas cada vez haverá menos sítios onde te esconderes.

a tua face vem e atira-me sempre para o mesmo tempo, é uma face que o ódio esquece, anterior à deserção, a face de quem encontrou a primeira palavra, é essa que me olha nos sítios mais vulgares. Não te procuro: de repente, estás ali. Como uma arma. O límpido assassino.
(...)
vejo uma pessoa a fumar e o gesto de levar o cigarro à boca é o teu, é o teu corpo todo que esse gesto recria, vejo-te nos sítios mais improváveis como alguém que me foge, como uma impostura que desaparece quando me aproximo: outra cara contamina a tua cara numa metamorfose alucinante, de repente nada há de ti em quem me olha e pergunta: quer alguma coisa? não, não, digo com repugnância e com medo, quase estendo os braços para afastar aquele desconhecido, encobri-lo com as minhas mãos abertas, chorar porque não és tu, nunca és tu, sentar-me na cadeira e ouvir a mulher perguntar-me: que tens?
nada, não tenho nada. 

domingo, junho 10, 2012

Juan Luis Panero: Poemas


Quando te esqueceres do meu nome,
quando o meu corpo for apenas uma sombra
a apagar-se entre as húmidas paredes daquele quarto.
Quando já não te chegar o eco da minha voz
nem ressoarem as minhas palavras,
então, peço-te que te lembres do que fomos
uma tarde, umas horas, felizes juntos e foi belo viver.
(...)
Tu chegaste, sem que me desse conta apareceste e começámos a falar,
tropeçávamos de riso nas palavras, balbuciávamos
no estranho idioma que nem a ti nem a mim pertencia.
(...)
Sim, às vezes é simples e é belo viver,
quero que recordes, que não esqueças
a passagem daquelas horas, o seu esperançado resplendor.
Eu também, longe de ti, quando perdida na memória
estiver a sede do teu sorriso, lembrar-me-ei, tal como agora,
enquanto escrevo estas palavras para todos aqueles
que por um momento, sem promessas nem dádivas, limpamente se entregam.
Desconhecendo raças ou razões de fundem
num único corpo mais aventurado
e depois, acalmado já o instinto,
se separam e cumprem o seu destino
e sabem que, talvez só por isso,
a sua existência não foi em vão.
[O que resta depois dos violinos]