segunda-feira, maio 19, 2008

Cat Power

Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

Melt me down
Into big black armour
Leave no trace of grace
Just in your honour
Lower me down
To culprit south
Make 'em wash a space in town
For the lead
And the dregs of my bed
I've been sleepin'
Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
Two fists of solid rock
With brains that could explain
Any feeling
Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the lead
And the dregs of my bed
I've been sleepin'
For the later parade

quinta-feira, maio 15, 2008

Paulo Nozolino

[Foto: J.P. Coutinho]

“Viajar tem sido sempre a minha maldição, ver a minha alegria, fotografar a minha sorte. Para sempre rasgado entre ficar demasiado tempo e partir cedo demais, decido-me pelo instante. Sou uma permanente testemunha em fuga.”

Fim-de-semana do cinema japonês


Amanhã, 18h30;
22h
Ugetsu Monogatari / Contos Da Lua Vaga,
Kenji Mizoguchi

Sábado, 18h30
Onna Ga Kaidan O Agaru Toki /Quando Uma Mulher Sobe As Escadas,
Mikio Naruse
22h
Madadayo / Ainda Não!
Akira Kurosawa

Domingo, 18h30; 22h
U-Na-Gi / A Enguia
Shohei Imamura


[Organização conjunta da Fundação Ciência e Desenvolvimento/ TCA e Medeia Filmes, 15 a 21 Maio sessões às 18:30 e às 22:00. Cine-Estúdio do Teatro do Campo Alegre - Rua das Estrelas. Informações: www.fcd-porto.pt 22 6089800. Oito filmes, dos clássicos aos contemporâneos, um filme por dia, à excepção do dia 17 (2 filmes).]

terça-feira, maio 13, 2008

A cor do desejo

Há música a voar na rua e só eu ouço. Borboletas de fingir a aterrarem-me no corpo, ursos de plástico a dançar à janela, flautistas de gargalhadas largas. E ilusões rápidas. O sol queima-me a pele, apesar de ser noite e estar a chover. Ainda há motivos para rir, mesmo que tudo vá morrer daqui a pouco e o silêncio vá engolir a tristeza que há-de vir. Ainda parece bonito. O fogo de artifício com cores de arco-íris. Tudo inventado.
Ninguém quer o amor; só o bocadinho de cor que existe no desejo.

quinta-feira, maio 08, 2008

Indie no Porto 8/15 Maio

As duas salas do Cinema Trindade reabrem hoje para receber a extensão do festival INDIE.
Sessões 19h00 e 21h30
Trindade 1

A Hero never Dies
de Johnnie To - Hong Kong, 1998, 98’
Dois assassinos, dois patrões, duas companheiras, destinos duplos. Eis o fim do filme de heróis de Hong Kong, o género que John Woo popularizou nos anos 1980. To desconstrói-o com movimento de câmara e cor abstracta, tornando a história do tipo com uma pistola na celebração da estrutura classicamente simétrica. Quando o glacial L. Lai e os chefes dos criminosos rivais do duro cowboy L. Ching-wan formam uma aliança, os dois pistoleiros tornam-se supérfluos. Descobrindo que são um par de avatares de heroísmo individual fora de moda, entre eles o jogo passa a aliança e depois a tragédia. Um manual da habilidade de To para injectar efeito emocional numa peça formalista: cada traição e sacrifício são um soco.
Secção: Herói Independente
Trindade 2
Scott Walker: 30 Century Man
de Stephen Kijak - Reino Unido, 2006, 95’
Documentário sobre o génio musical e uma das mais enigmáticas figuras da música rock, Scott Walker. Stephen Kijak proporciona-nos uma viagem através da música e carreira de uma das mais enigmáticas e influentes figuras da história do rock. Dos primeiros anos como baixista em Sunset Strip, ao mega-estrelato na cena pop inglesa da “swinging London” dos anos 60 como líder dos The Walker Brothers, e à evolução das últimas décadas. O filme apresenta imagens exclusivas de Walker durante a gravação do seu mais recente állbum a solo, o aclamado The Drift, assim como entrevistas com o próprio, com fãs famosos e colaboradores como David Bowie, Radiohead, Brian Eno, Jarvis Cocker (Pulp) Damon Albarn (Blur, Gorillaz), Neil Hannon (The Divine Comedy), Marc Almond, Alison Goldfrapp. Um documento obrigatório para os fãs e uma fantástica descoberta para todos os outros.
Secção: Indie Music

9 de Maio
Sessões 19h00 e 21h30
Trindade 1

En Construcción
de José Luis Guerín – Espanha, 2001, 125’
A maior parte dos filmes de Guerin são rodados fora de Espanha. “En Construcción” é a excepção: ao longo de três anos, o realizador catalão registou com um rigor obsessivo a demolição de uma área do Barrio Chino, um bairro operário em desagregação em Barcelona, e a construção de um moderno complexo residencial para a nova classe média catalã. Mas à medida que a construção da cidade futura progride o passado reafirma-se incessantemente: tanto na surpreendente descoberta do antigo cemitério romano debaixo das fundações do novo edifício como na riqueza da sabedoria popular revelada numa conversa casual entre dois vizinhos que testemunha o fim de um mundo. “En Construcción” é um dos momentos mais fortes de toda a história do documentário.
Secção: Herói Independente

Trindade 2
Introspective
de Aram Garriga – Espanha, 2007, 68’
Na segunda metade da década de 1990, a revista The Wire forjou um conceito controverso: o pós-rock. O termo era usado para definir a música de algumas bandas com estilos que não cabiam em nenhum dos outros géneros pré-determinados pela indústria e pelo mercado. Apesar de serem singulares e de se distinguirem, as bandas associadas a este (de facto inexistente) género partilhavam referências e perspectivas sobre a música, a vida e o mundo em que vivemos. “Introspective” conta com bandas como Sonic Youth, Mogwai, Embryo e Mouse On Mars, explora as razões por detrás de algumas destas bandas, as suas palavras e espectáculos ao vivo (designadamente durante o festival Sónar em Barelona), propondo um retrato de música indie ou underground como uma alegoria afectiva das nossas sociedades globais. Uma viagem na companhia de nomes como Jeff Twedy, Jason Pierce, Ira Kaplan, Thurston Moore ou Lee Ranaldo e de bandas como os Tortoise, Yo La Tengo, Piano Magic, Low, e Hood, entre outras.
Secção: Indie Music

10 de Maio
Sessões 16h00, 19h00 e 21h30
Trindade 1
Competição Internacional – Longa Metragem Premiada

Trindade 2

Kuduro - Fogo no Museque
de Jorge António – Portugal, 2008, 52’
Desde a sua independência, nunca Angola tinha assistido a um movimento cultural tão dinâmico e tão polémico como o kuduro. Nenhum outro género musical ultrapassou tão rapidamente as fronteiras e se tornou um fenómeno internacional. Paralelamente à construção vertical desenfreada que agita Angola, continuam a crescer os bairros periféricos – musekes – onde uma nova geração usa a música como arma de intervenção. É deste movimento, da crescente importância da cena musical angolana e da sua proliferação que este documentário nos fala. “Kuduro - Fogo no Museke” é o retrato social e cultural de uma nova geração, que quer acima de tudo ser a voz de uma nova Angola.
A sessão contará com a presença do realizador.
Secção: Indie Music
11 de Maio
Sessões 16h00, 19h00 e 21h30
Trindade 1
Competição Internacional – Curtas Metragens Premiadas
Trindade 2
The Reinactors
de David J. Markey – EUA, 2008, 95’
Freddy Kruegger, o pirata das Caraíbas Jack Sparrow, o Super Homem, ou uma péssima sósia de Marilyn Monroe deambulam pelo passeio da fama em Hollywood na esperança de alguém querer tirar uma fotografia com eles, por um dólar. É a Meca do cinema vista pelos olhos de um bando de sósias. Apesar de parecerem directamente saídos de um filme, as suas vidas são bastante diferentes das verdadeiras estrelas. O documentário de David J. Markey segue a vida destes imitadores ao longo de um ano, mostrando-os no seu dia-a-dia, as suas esperanças e ilusões. Alguns julgam ser estrelas que apenas ainda não foram descobertas. Têm sonhos, mas estes parecem esfumar-se ao dobrar a esquina do passeio da fama por onde se mostram…
Secção: Director’s Cut – Longas Metragens

12 de Maio
Sessões 19h00 e 21h30
Trindade 1

Occident
de Cristian Mungiu - Roménia, 2002, 105´
OCCIDENT, primeira obra do realizador de ”4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, é uma envolvente comédia com laivos trágicos. Luci, engenheiro florestal, e a namorada Sorina, educadora infantil, questionam-se sobre o seu futuro depois de serem desalojados da casa que habitavam. Sem terem a quem recorrer, vão até ao cemitério e ficam junto da campa do pai de Sorina na esperança de lhes surgir um sinal que os ajude a decidir o que fazer. Enquanto Luci promete fazer tudo o que estiver ao seu alcance para arranjar um emprego no ramo da publicidade, Sorina acredita que a única solução é saírem da Roménia e emigrarem para a Europa ocidental. Eis senão quando o desejado sinal surge vindo do além e liga as suas vidas à de outras personagens que enfrentam o mesmo tipo de problemas e que também desejam escapar da insegurança que enfrentam numa sociedade pós-comunismo.
Secção: Herói Independente – Novo Cinema Romeno

Trindade 2
Competição Nacional – Curtas Metragens Premiadas

13 de Maio
Sessões 19h00 e 21h30
Trindade 1

Furia
de Radu Muntean - Roménia, 2004, 80´
Em FURIA, do mesmo realizador (também autor) do multipremiado “The Paper Will Be Blue”, conhecemos dois amigos: Luca e Felie vêem-se confrontados com Gabonu, o líder de um gang cigano, que lhes dá um prazo de 24 horas para pagarem uma dívida vultuosa. Conseguem metade do montante ao venderem um carro ao qual tiraram a quilometragem. Já sem ideia de como conseguir a outra metade, Luca esbarra com Mona, uma antiga colega de liceu. É então que lhe surge a ideia: oferecer Mona a Gabonu, para que este a ofereça ao seu protegido, um cantor que procura a noiva ideal, e assim ficar com a dívida saldada. Mas as coisas não correm como esperado...
Secção: Herói Independente – Novo Cinema Romeno

Trindade 2

Clint Eastwood, a Life in Film
de Michael Henry Wilson – França, 2007, 80’
Clint Eastwood fala de si próprio numa série de conversas para a câmara do crítico e historiador de cinema Michael Henry Wilson. Clint Eastwood acede passar em revista a sua carreira como actor, realizador, produtor, compositor no momento em que utlimava o mais ambicioso dos seus projectos: o díptico “As Bandeiras dos Nossos Pais” e as “Cartas de Iwo Jima”. Homem de muitas facetas, este eterno forasteiro, cujo arrojo perdura aos 75 anos, cultiva a impressão da autenticidade e da ambiguidade. Gosta de brincar com a própria imagem e só cria uma mitologia para a minar. Paradoxalmente protegido pela sua celebridade, continua a ser o mais enigmático dos grandes realizadores. Uma oportunidade única de conhecer melhor o homem por detrás do cineasta e actor.
Secção: Director’s Cut

14 de Maio
Sessões 19h00 e 21h30
Trindade 1

Let the Right One In

de Tomas Alfredson – Sweden, 2008, 106’
Oskar é um jovem frágil e ansioso de 12 anos que está constantemente a ser vítima dos colegas mais velhos e mais fortes. Um dia apaixona-se por uma rapariga que aparenta ser… um vampiro. Eli acabou de se mudar para a vizinhança. É uma miúda da mesma idade, pálida e séria, que só sai à noite. Rapidamente os dois jovens começam a envolver-se e um romance não-declarado começa a florescer. Eli incentiva Oskar a revoltar-se contra os seus agressores. E, coincidindo com a chegada dela à cidade, começam a acontecer uma série de mortes misteriosas… O filme, uma adaptação de um livro de John Ajvide Lindqvist que evoca o universo de Anne Rice e Stephen King, é uma refrescante variação do filme de vampiros. ”Let the Right One In” é o inesperado cruzamento entre as convenções do cinema de terror e um dos temas de eleição (um rapaz a lidar com as suas primeiras dores de crescimento) de algum cinema de autor contemporâneo.
Secção: Observatório

Trindade 2
Gerda 85

de Patricia Gelise e Nicolas Deschuyteneer – Bélgica, 2007, 68’
Filmado em apenas onze dias, "Gerda 85" é a primeira longa metragem de Patricia Gelise e Nicolas. O filme dá-nos a conhecer uma jovem em ruptura, algures numa zona rural da Bélgica. É Verão. Ela tem de estudar para os exames. Gerda está em casa dos tios, que não via há muitos anos, desde a morte da mãe. Estamos em 1985 e cassete que toca transporta-nos até essa altura. Gerda tem de tomar decisões, fazer escolhas que a levarão a ver outros horizontes. Há um tempo que tem de terminar para que outro se inicie. Com uma banda sonora fortemente marcada pelas sonoridades da música dos anos 80 (a lembrar New Order e The Cure, entre outros), o filme é o retrato de uma geração em ruptura, que busca um sentido e um caminho na vida.
Secção: Laboratório

15 de Maio
Sessões 19h00 e 21h30
Trindade 1

PTU: Into the Perilous Night
de Johnnie To - Hong Kong, 2003, 88’
O sargento Lo, director da divisão policial anti-crime, dá-se conta que a sua arma desapareceu durante um confronto com um gang. Ao longo de uma noite, uma equipa de polícias procura freneticamente pela arma que o colega perdeu. O director da unidade, não querendo que Lo, que está quase a ser promovido, se meta em sarilhos, dá-lhe algum tempo para recuperar a arma. Enquanto os dois polícias tentam encontrar a arma, antes que um dos membros do gang mate alguém com ela, os investigadores da polícia suspeitam de corrupção dentro da unidade. Um filme de acção frenético, pontuado por alguns momentos de humor, “PTU” é um dos melhores exemplos do virtuosismo de Johnnie To na realização.
Secção: Herói Independente

Trindade 2

Boxing Day

de Kriv Stenders- Austrália, 2007, 82’
Contado em tempo real e num único plano-sequência, “Boxing Day” documenta minuciosamente os acontecimentos ocorridos ao longo de uma tarde da vida de Chris – alcoólico em recuperação e pai alienado. A viver sozinho em prisão domiciliária, Chris está a preparar o almoço de Natal para a filha adolescente quando um velho amigo aparece e lhe relata a perturbante verdade sobre o novo namorado da sua ex-mulher. A tensão vai-se acumulando até ao ponto de não retorno. O filme documenta em meticulosos detalhes a lancinante jornada de uma família perigosamente à beira da desintegração. Concentrado e poderoso, “Boxing Day“ é um psicodrama que vive muito do carisma e forte presença do actor principal, também ele ex-condenado na vida real.
Secção: Observatório

quarta-feira, maio 07, 2008

Into the wild



"(...) Há tantas pessoas que vivem infelizes e que no entanto não tomam a iniciativa de alterar a sua situação porque ficam condicionadas a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo. Tudo isto pode parecer conferir-lhes paz de espírito. No entanto, na realidade, nada é mais prejudicial para um espírito aventureiro no interior de um homem do que um futuro seguro. O princípio básico do espírito livre de um homem é a sua paixão pela aventura. A alegria de viver provém dos nossos encontros com novas experiências, e por isso não existe maior prazer do que ter um horizonte em eterna mudança, para cada dia ter um sol novo e diferente."
[Carta de Christopher Johnson McCandless a Ronald Franz in "O lado selvagem", de Jon Krakauer]

terça-feira, maio 06, 2008

My Blueberry Nights


Wong Kar-way filma o amor. E a tradução dos títulos dos filmes, pelo menos em Portugal, está sempre a sublinhá-lo. "In the mood for love" (2000) - no original é canção de Bryan Ferry -, é "Amor à flor da pele"; o futurista "2046" (2004) é "Os segredos do amor"; e agora "My blueberry nigths" (2007) é "O sabor do amor". Já antes, "Chungkink Express" foi traduzido algures como "Amores Expressos". E seria possível fazer rewind até ao início, filme-a-filme, encontrando em todos esse denominador comum.
No entanto, o cineasta asiático, que nunca fecha os filmes, que se nos deixa entrar nunca nos deixa sair do seu universo, decidiu desenhar My Blueberry Nights a papel milimétrico. Tudo acontece na hora e lugar exactos. Nada falha. Pela primeira vez, tudo parece fácil, tangível. É o menos melancólico dos filmes que assina. E, apesar disso, mantém a beleza de todos os outros, se não mais. Beleza plástica. A fotografia, as cores, os planos são completamente arrebatadores.
De resto, a ideia de sempre está lá, mas desta vez, só em intenção: a distância, a impossibilidade, as pessoas que viajam sempre até não haver mais para onde viajar, as pessoas que se conhecem assim do nada. E que se perdem antes de se terem. As saudades das pessoas que nunca sabemos se voltaremos a ver. Um dia. O amor, claro.
Mas eu preferia que o beijo abrisse o filme em vez de o fechar. Que fosse realmente roubado e, por isso, sem continuidade. Que resultasse de uma espécie de engano ou de uma espécie de verdade que só existe inteira no momento em que acontece. Que a rapariga do coração partido (Norah Jones, suficientemente rústica) e o rapaz atrás do balcão do café, (Jude Law sempre a fazer dele próprio), também ele abandonado, nunca encetassem a história que até poderia ser de amor, mas não era. Porque o amor não é, como ali parece, o encosto de duas solidões.
Preferia que tivesse havido maior tensão quando a namorada russa de Law reaparece só porque sim. Quando o pai de Natalie Portman (fabulosa, fabulosa!) morre. E quando, naquela que é a melhor história das micro histórias todas, o dilacerado polícia alcoólico (David Strathairn), também ele abandonado pela mulher um par de anos mais nova (Rachel Weisz), sucumbe. Nenhuma das relações é suficientemente densa, realmente convincente, mesmo que todos os personagens, individualmente, funcionem.

Talvez se tudo ficasse mais longe do happy end, ficasse mais perto de Wong Kar-way. Talvez a chave do filme pudesse estar na frase dita por Jude Law: "Mesmo que se possua a chave, isso não significa que o que procuramos esteja dentro da porta que conseguimos abrir".

Pina Bausch week


COMPRO BILHETE PARA CAFÉ MULLER, SEXTA, DIA 9, ÀS 18.30, S.LUIZ, LISBOA!
"Às vezes 'cubro' muito... Acontece querermos exprimir alguma coisa e chegarmos muito perto do que queríamos dizer. Mas compreendemos que é tão importante que parece desajeitado mostrá-lo. Então, é como se quiséssemos vestir isso com outra coisa, porque descobri-lo parece uma operação delicada; tem-se medo. Trata-se de qualquer coisa que é demasiado grande. Não gostaria de causar mal-entendidos nem de parecer pretensiosa, mas penso que é assim. Existe qualquer coisa de muito mais sério do que aquilo que o público, em geral, pode ver. Existe qualquer coisa que não é exibido, porque eu quis escondê-lo. É, de todas as vezes, como se houvesse um grande conflito entre o que queremos tornar claro e essa qualquer coisa atrás de que nos queremos esconder..."
[L. Bentivoglio, Il teatro di Pina Bausch]

segunda-feira, maio 05, 2008

O handicap de Rui Rio

Já nem sou irónica se disser que aprendi a respeitar as políticas de Rui Rio, a quase gostar do presidente da Câmara do Porto. Sobretudo por comparação directa. O PS Porto está para Rui Rio como o PSD nacional para José Sócrates: faz corar de vergonha um calhau. Tivesse Rui Rio maior sensibilidade cultural, logo, mais inteligência, e até eu equacionaria contribuir para o seu terceiro mandato. Mas depois, em entrevista ao Jornal de Notícias, ele diz coisas assim: "A minha política continuará a ser a mesma. Não é seguramente continuar a ter meia dúzia de pessoas na assistência [no Rivoli]. Novos públicos, mensagens sofisticadas... para quem?" E isto, como amostra, não é só desmoralizador; é tão medíocre que é impossível respeitar.

Manuela Ferreira Leite vs Rui Rio

"Rui Rio tinha algumas características que eu considerava mais adequadas do que as minhas."
Manuela Ferreira Leite in Expresso, sábado, 3 de Maio

"A dra. Manuela Ferreira Leite tem o perfil de que o PSD precisa neste momento."
Rui Rio in Jornal de Notícias, domingo, 4 de Maio

quinta-feira, maio 01, 2008

Doc no Gato Vadio


"Os vários espaços da livraria Gato Vadio servirão de tela para a exibição de um conjunto de 16 filmes e 2 instalações. Através da diversidade de espaços de visionamento - três - procura-se recriar a multiplicidade de olhares que o documentário permite. Estamos longe da definição simplista deste género como representação da realidade ou verdade absoluta. Estes pontos de visionamento constituem-se como fragmentos da realidade e são, como afirmou John Grierson, um "tratamento criativo da realidade". A subjectividade é algo palpável e acompanha tanto o realizador como o espectador. Os vários locais de projecção simbolizam a fronteira entre o ficcional e o documental e o espectador escolhe a sua realidade, tal como o realizador nos deu a sua forma de ver o mundo."

Programa completo:
http://projectovideolab.blogspot.com/
http://www.projectovideolab.com/

"DOCUMENTE Videolab"
Sábado, 3 de Maio, 21h30
Entrada 1€
Gato Vadio

terça-feira, abril 29, 2008

Rainer Maria Rilke: cartas a um jovem poeta

(...) Sabemos muito poucas coisas, mas a certeza de que devemos sempre preferir o difícil não nos deve, jamais, abandonar. É bom estar só, porque a solidão é difícil. Se uma coisa é difícil, razão mais forte para a desejar. Amar também é bom porque o amor é difícil. O amor de um ser humano por outro é talvez a experiência mais difícil para cada um de nós, o mais alto testemunho de nós próprios, a obra suprema em face da qual todas as outras são apenas preparações. Na medida em que estamos sós, o amor e a morte tocam-se. As exigências dessa terrível empresa que é o amor através da nossa vida não são à medida dessa vida e jamais estaremos à altura de merecer o amor desde os primeiros passos. Mas se, à força da constância, consentirmos em suportá-lo como dura aprendizagem, em vez de nos dispersarmos em brinquedos fáceis e frívolos que permitem que os homens se furtem à gravidade da existência, talvez um progresso insensível, um certo alívio possa então resultar para aqueles que nos seguirem, muito tempo ainda depois da nossa morte (...) Toda a aprendizagem é um tempo de clausura.

domingo, abril 27, 2008

Ana Drago

"A Beleza não é atributo que possa ser-me consignado".
Importa-se de repetir?
Ana Drago, 32 anos, deputada do BE, Farpas JN

domingo, abril 20, 2008

[Foto: Guillaume Pazat]

"Amamos o que desconhecemos. Mais do que tudo, é o que desconhecemos, e não podemos vir a conhecer, que nos prende. O amor vive dessa ignorância." Pedro Paixão

sábado, abril 19, 2008

Não há príncipe azul no elefante cor-de-rosa by Rute Rosas, na Miguel Bombarda

"(...) Será toda a frase uma afirmação de impossibilidade e incerteza?
Percebemos que é preciso revelar, entender, digerir. Que nada é aquilo que parece.
E com o que é que deparamos na exposição?
Entramos num cenário: verdadeiro ou falso?
Realidade ou ficção?
O que aconteceu aqui, neste lar?
Talvez castelo abandonado. Alegria, prazer, isolamento e solidão, mal-estar, dor, abandono...?Então, porque apesar de ausente o corpo, a sua presença ainda é mais fortemente sentida?
Não está aqui! Como?
Não tem Rute Rosas tida como centro fulcral do seu discurso, o próprio corpo?
O corpo transcende-se quando não existe.
Transforma-se em memória que não pertence à artista mas ao espectador.
Percebemos que podemos estar, estar apenas...."
João Baeta

HOJE: Espaço Ilimitado

HABITAT by Volker Schnüttgen‏, na Miguel Bombarda


"HABITAT une escultura contemporânea, dança e multimédia. Foi concebido como performance e como instalação de escultura. Cada uma das seis esculturas tem um monitor no seu interior. Estes monitores são uma extensão virtual do espaço real das esculturas, formando palcos virtuais para a coreografia. Ao contrário das esculturas materializadas, o espaço virtual permite uma dinâmica distinta e especial, alterando e modelando perspectivas, proporções e pontos de vista. Os bailarinos actuam num ecrã, mas nas esculturas adaptam-se a cada novo habitat, quer estejam sós ou acompanhados de múltiplos clones em diálogo com o seu passado recente mostrado no ecrã. O ambiente arquitectónico, o real e o virtual, torna-se o tema da coreografia."
HOJE: Galeria Arthobler, 16h-20h

sexta-feira, abril 18, 2008

Inês Nadais in Luna Park


Se sexta-feira sem Ípsilon não é sexta-feira, Ípsilon sem Inês Nadais não é Ípsilon. Inês Nadais é tão alucinada, tão cínica, tão retorcida às vezes, como só os muito bons cronistas (e jornalistas, no caso dela) podem ser. Mesmo que escrevesse mal, Inês Nadais seria sempre, pelo menos, original. Mas além de sempre original, Inês Nadais escreve superlativamente bem.

Inês Nadais deve ter, para quem não sabe, e se é que eu sei, 31 anos, mais coisa menos coisa, mas Inês Nadais é as gerações todas. As gerações todas dos livros, dos discos, dos filmes, da geografia mundial. É daquele tipo de cronista que pode escrever apenas sobre o seu próprio universo - e ela usa a possibilidade; que pode preencher a coluna só com private jokes - e ela abusa; que pode usar sempre o plural majestático - registo com o qual costumo embirrar; que pode prolongar a dança de uma frase até fazer com que nos percamos, obrigando-nos a voltar ao início; que pode escrever sobre coisas que só ela sabe o que serão, sobre batatas fritas, sobre nada, que pode escrever como quem escreve numa noite completamente out; que pode escrever no mesmo suplemento onde escreve Alexandra Lucas Coelho - adversária difícil -, que é sempre, sempre invariavelmente irresistível.
Não percebo, por isso, a razão pela qual não existe Luna Park todas as sextas-feiras. Hoje houve. Hoje foi um dia bom. Mas nem sempre é assim. E tinha este protesto para partilhar há já algum tempo.

PSD e os seus putativos primeiros-ministros

Durão Barroso sabia que seria primeiro-ministro, só não sabia quando. Foi primeiro-ministro entre 2002 e 2004, em coligação com o CDS-PP, mas depois encontrou um brinquedo melhor (bem melhor, como o prova o presente) e foi embora. Curiosamente, pouco antes de fugir, tinha assegurado que não o faria. É aí, por ele, que começa a derrocada do PSD. Mas isso o PSD não assume.
Santana Lopes morria se não fosse primeiro-ministro, nem que para isso tivesse que aceitar sê-lo num contexto de ratoeira, nem que fosse só por nove meses. Não deu conta do recado e saiu. Não propriamente pelo próprio pé, mas saiu.
Marques Mendes, credibilidade alcançada ao lado de Cavaco e Durão, se ambicionava ser primeiro-ministro, soube sempre disfarçar até que o escorregão de Santana há-de ter-lhe parecido demasiado apetecível. Açambarcou a liderança do partido, passo sem o qual nunca poderia ser primeiro-ministro. Não chegou a ser.
Luís Filipe Menezes ameaçava há anos liderar o PSD que, nos seus sonhos, serviria de alavanca para ser primeiro-ministro. Achava que era como em Gaia, que o povo é que manda. Enganou-se.
O homem que se segue - ou quer seguir-se, qual salvador da pátria laranja, - é José Pedro Aguiar Branco que afirmou ontem, em entrevista à Visão - talvez não tenha sido, mas aquilo cheira a encomenda por todos os lados - estar disposto a derrotar José Sócrates quando na verdade queria dizer apenas disposto a tudo para derrotar Menezes.
No PSD quem é não é por mim é contra mim. Quem não é base é barão e vice-versa. E os dois lados são inconciliáveis. Com Menezes saltou cá para fora a arraia-miúda inteira, com o execrável bacalhau Ribau Esteves a liderar a ralé (Branquinho, sem surpresa, lá vai dando sempre para os dois lados, o que o torna ainda mais intragável) - e agora parece que vão voltar os barões. Que até podem também perder, mas nunca perderão a pose.
Durão, o cherne, era afinal o rato do porão. Santana, o bobo da corte, não passou afinal de um infeliz usado para uma travessia suicida. Mendes não tinha carisma e concordava muito com o PS. Menezes não tem berço, nem nada que não seja esquizofrenia em estado puro. Os líderes do PSD têm sempre uma desculpa para sair. O PSD tem sempre uma razão para se virar contra si próprio. O partido social democrata só não parece encontrar um bom argumento para governar o país.
Há vários anos que analistas e comentadores políticos andam a dizer que Sócrates rejubila com a mediocridade da Oposição, que assim lhe facilita a vida e o faz parecer menos mau.
Sócrates será mau. Agora, imaginem se fosse bom!


quarta-feira, abril 16, 2008

National em Guimarães

Os norte-americanos National tocam no Centro Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, a 18 de Julho. O concerto está integrado no Festival Manta.

segunda-feira, abril 14, 2008

Young Marble Giants na Casa da Música


Afinal, não são só os novíssimos Vampire Weekend que vão estar na Casa da Música. Os velhinhos Young Marble Giants também vêm, e no mesmo dia: 30 de Maio.
Adivinha-se noite histórica no Clubbing!

Vampire Weekend na Casa da Música


Os nova-iorquinos Vampire Weekend actuam na Casa da Música, no Porto, a 30 de Maio. A data é avançada no site oficial do grupo. O concerto será o primeiro dos Vampire Weekend em Portugal, integrando-se numa extensa digressão europeia de promoção ao homónimo álbum de estreia da banda lançado no início deste ano.

quinta-feira, abril 10, 2008

Aceitam-se apostas


Maria das Dores foi condenada a 23 anos de prisão. Aceitam-se apostas:
a) Cumpre a pena;
b) Suicida-se;
c) Daqui a um ano está a lançar um livro;

Jorge Coelho


Sou fã. Lamento a saída da Quadratura do Círculo.

An end has a start*

Podíamos chorar se soubéssemos ainda chorar. E já não sabemos. Mas também já não sabemos rir. Nem o que fazer ao que somos, que é o somatório do que fomos, mas muito pouco do que queremos ser. E menos ainda do que sonhámos que seríamos quando chegássemos aqui. Eu digo que o fim é um novo recomeço. Tu dizes que o fim é o fim. A desistência. Eu digo que desistir é ficar num território sem acreditar nele, a vida a atravessar-nos e não nós a atravessarmos a vida. Tu dizes que ir embora é fácil. Que se fosse fácil ficar estariam cá outros. Será?
Eu digo que acredito no amor para sempre. Tu dizes que também. Eu digo que o amor não é uma condenação. Tu dizes que o amor é mutante. Eu digo que não pode ser um abismo. Tu dizes que às vezes pode. Não pode ao ponto de ser insuportável, digo. Dizes que sou hiperdramática. Sou hiperdramática. E digo que me levas as certezas quando gritas. Tu dizes que não suportas o silêncio. Eu digo que não suporto o barulho. E digo que ele deixa cicatrizes. Tu dizes que cicatrizes são feridas que já não são. Eu digo que ainda doem. Tu dizes que cicatrizes não doem. E se doerem?
Eu digo que tenho saudades do que fomos. Tu dizes que tens saudades do que seremos. Eu falo-te do desencanto. Tu falas-me de esperança. Eu digo que vejo tudo a derreter. Tu dizes que sou incongruente. Se não fosse não seria amor, digo. Tu dizes que eu tenho que recentrar o olhar. Eu digo que estou cansada de palavras. Tu dizes que sou eu quem as gasta. Eu digo espero por ti. Tu dizes: estou aqui. Estás?

*Editors

terça-feira, abril 08, 2008

Íntima Fracção no Expresso!

aqui tinha escrito, no início deste ano, que lamentava - e realmente lamentava - a ausência de Francisco Amaral e da sua Íntima Fracção num território de maior destaque do que o do seu blogue. Agora, o Expresso lança essa experiência inédita, que é um jornal ter o seu próprio programa de música online. Não podia estar melhor entregue.
Finalmente, feliz. Pelo regresso do programa, mais ainda pelo regresso do autor do programa e, também, porque, ao contrário do que parece, ainda há jornais que conseguem arriscar a novidade.

sexta-feira, abril 04, 2008

Importa-se de repetir?

Nuno Azevedo, administrador-delegado da Casa da Música em entrevista ao Jornal de Notícias:
Ser uma figura mediática é o único requisito para liderar o marketing da CdM? Guta Moura Guedes e Dalila Rodrigues não são propriamente autoridades nesta matéria…
Somos uma instituição cultural e não uma empresa que vende enlatados para pôr na prateleira do supermercado. Por isso, não é líquido que, à frente de um departamento destes, esteja um marketeer. É mais importante construir uma imagem consentânea com o que é hoje a CdM. A mudança de imagem que temos vindo a introduzir provocou efeitos muito positivos. No ano passado, registámos um crescimento de 24%. Este ano, no primeiro trimestre, crescemos 30%. Quantas empresas conseguem apresentar números destes?

Dalila Rodrigues foi um nome consensual?
Completamente.

Apesar de não ter grande experiência na área?
Discordo.

É a própria quem o admite...
A Dalila Rodrigues tem uma grande experiência na gestão de um produto cultural. Ela teve a estratégia, a vontade e a energia para pôr no mapa, em Lisboa, um museu que nem os próprios taxistas sabiam onde ficava.

Quais as prioridades da sua acção?
Tal como já acontecera com a Guta Moura Guedes, o objectivo passa por construir, ao lado da direcção artística, uma parceria criativa para conseguirmos explicar, de uma forma estruturada mas simples, o que são as características da programação e os atributos de cada concerto. Até 2006 e inícios de 2007, não conseguíamos isso. O que temos aqui é um produto volátil, pois, ao contrário de um teatro, os espectáculos mudam todos os dias.

domingo, março 30, 2008

The lovebirds


Está tudo maluco??? O filme de Bruno Almeida foi exibido no Fantasporto - Porto - e não há uma mísera sala desta cidade que tenha o filme???

Porto: A cidade mais pobre da Península Ibérica

Dados revelados recentemente colocam a cidade do Porto como a mais pobre da Península Ibérica e uma das mais pobres da União Europeia (UE). O distrito do Porto já ultrapassou os valores de âmbito nacional e concentra 45% dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção.
in jpn@icicom.up.pt

sábado, março 29, 2008

[Foto: João Carvalho Pina]

"As pessoas estão sempre com problemas de perda e não percebem. Não percebem tudo o que perdem por cada coisa que ganham. E, por isso, estão sempre a mudar. Sempre à procura de alguma coisa. É uma técnica comum: agarramos os sonhos, as fábulas, a imaginação, como exercício de sobrevivência".
João Lourenço

sexta-feira, março 28, 2008

Fuga

[Foto: JMG]

Falavam todos os dias. Ou talvez não todos os dias, que todos os dias são muitos dias. Mas quase todos os dias e nesses dias seguramente várias vezes ao dia. São mais vezes do que as vezes que se viram. Viram-se duas ou três vezes. Quatro, com alguma generosidade. Falavam sem se verem. Aparelhos electrónicos que a sociedade tecnológica inventou para reduzir distâncias - ou aumentar, who knows?. Não tinham nada para dizer. Falavam por falar. A horas insuspeitas, improváveis, sem hora marcada. Sem assunto. Jogo de pingue-pongue em que os pontos chegam sob a forma de mensagem.

Falavam sem saber se no dia seguinte ainda falariam - who cares?. Sem saber o que significa falar assim por falar. Mas a saber que de tanto falar por falar podiam nunca mais falar que nunca mais esqueceriam. O tempo em que aquele era o único sítio para onde podiam fugir. Cada um saberá de quê.

Cormac McCarthy: A Estrada

- Posso perguntar-te uma coisa?
- Sim. Claro que podes.
- O que é que fazias se eu morresse?
- Se tu morresses, eu ia querer morrer também.
- Para poderes ir ter comigo?
- Sim. Para poder ir ter contigo.
- Está bem.

A Estrada, Cormac McCarthy

quinta-feira, março 27, 2008

Portishead - Coliseu do Porto


I can't deny what I've become
I'm just emotionally undone
I can't deny, I can't be someone else

when I have tried to find the words
To describe this sense absurd
Try to resist my thoughts
But I can't lie

I've been losing myself
My desire I can't have
No reason am I for

terça-feira, março 25, 2008

Stefanie Schneider



Do you think there is only one perfect match?
and why is it so hard to contain happiness
even though everybody has the best intentions
why do we have to fuck up all the time sad

Of course not just one match
you are too melodramatic
you're the absolute wrong person to be in a relationship
we love and sex cut apart
you are too melodramatic
way too melodramatic
said that it's like you purposefully want to dance on the edge of a knifewell,
it's frightening and unhealthy

Portishead - The rip

As she walks in the room,
Scented and tall,
Hesitating once more.
And as I take on myself,
And the bitterness I felt,
Realise that love lost, while
White horses,
They will take me away,
And the tenderness I feel,
Will send the dark underneath,
Will I follow?

Through the glory of life,
I 'm scattered on the floor,
Disappointed and sore.
And in my thoughts I have bled,
For the riddles I've been fed,
Another lie moves over, while
White horses,
They will take me away,
And the tenderness I feel,
Will send the dark underneath,
Will I follow?

terça-feira, março 18, 2008

Golden Era

Don´t show me your golden smile
'cause i'm trying to forget you
But if you try to hide... my love
I will catch you

Rita Red Shoes

segunda-feira, março 17, 2008

Rita Red Shoes

É a Alison Goldfrapp nacional, a Alison dos tempos áureos da Goldfrapp britânica. A rapariga mais perigosamente sexy, terrivelmente tímida, irresistivelmente cândida da nova música portuguesa. Anteontem, antecâmara do lançamento do trabalho, o promissor primeiro, "Golden Era", Rita Pereira, 26 anos, vulgo Rita Red Shoes e os seus Run Run Boys, estiveram no Plano B, Porto, para um concerto absolutamente memorável... a fazer ter saudades dos concertos de Verão.

sexta-feira, março 07, 2008

"Migalhas"

"Quando não estiveres cá e me sentir sozinho como as migalhas que sobrarem. Vou contar-te um segredo: há alturas em que as migalhas ajudam".

António Lobo Antunes in Visão

sábado, março 01, 2008

"Chovem amores na rua do matador"


Peça de Mia Couto e José Eduardo Agualusa, “Chovem Amores na Rua do Matador”, no Auditório Municipal de Viana do castelo, às 22h00. O texto é um inédito dos dois escritores africanos para o Trigo Limpo Teatro acert e resulta de uma colaboração, que se iniciou em finais de 1992, com a adaptação feita pelo grupo de alguns contos de Mia Couto. A partir desse ano, criou-se um laço entre o grupo de teatro e o escritor, que está também ligado a Agualusa por uma grande amizade.

É desta teia de afectos que nasce “Chovem Amores na Rua do Matador”, história em que Baltazar Fortuna regressa a Xigovia para matar… saudades. Pretende reencontrar os seus ex-amores: Mariana Chubichuba, Judite Malimali e Ermelinda Feitinha, mas, num sonho, as três, dizem-lhe: “Nós não te precisamos matar, nós já te matámos dentro de nós. Há muito tempo que não vives nas nossas vidas…”

A propósito da criação do texto a dois, José Eduardo Agualusa afirma: “A escrita foi muito fácil. O tom estava dado (pelo Mia) e limitei-me a ser aquelas mulheres, seguindo um registro não muito dissonante do do personagem masculino – mas contrariando a sua versão. Trabalhar com o Mia foi como conversar com ele, muitíssimo divertido e gratificante. Nem sei se a isto se pode chamar trabalho.”

Para Mia Couto o texto “mais do que produzido a duas mãos, foi feito a duas almas. Combinámos, logo de início: eu farei de homem, tu farás de mulher. E fomos, sem falar, acertando que a peça falaria de amores e mortes (não são estes os únicos motivos da literatura?)”.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

(Pedro Sousa Vieira)

Devia ser possível morrer de desgosto. Assim, cada um de nós
teria sempre como certo que, na vida, só se sofre uma vez.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Festival para Gente Sentada


Amanhã e sábado, no Festival para Gente Sentada, em Santa Maria da Feira:




Bilhetes:
Venda antecipada: dois dias 20€ ; um dia15€
Venda no próprio dia: dois dias: 25€ ; um dia 18€

domingo, fevereiro 17, 2008

Dalila Rodrigues na Casa da Música


Nada contra Dalila Rodrigues. Nada contra Guta Moura Guedes. Nada contra quem aceita o que lhe oferecem. Nada contra quem, no fundo, faz pela vida. Ou pelo currículo. Tudo contra quem não sabe o lugar que ocupa. Tudo contra quem convida não importa quem. Tudo contra quem muda regras antes de conhecer as regras. Tudo contra quem trata equipamentos públicos como quintais familiares. Tudo contra quem não sabe por onde anda nem para onde vai. Tudo contra quem tem estado ao volante da Casa da Música, no Porto.

A Casa da Música (quem consegue esquecer o chavão?) seria a casa de todas as músicas. De todos os portuenses, de todos os portugueses, de todos os europeus, de todos os de todo o lado. A Casa da Música faria parar o trânsito. A Casa da Música seria um íman, um pólo, um catalisador. A Casa da Música seria a Casa. Seria a Música. A que está a dar, a que já deu, a portuguesa, a estrangeira, a clássica, a contemporânea, a experimental, a da orquestra, a dos miúdos, a dos graúdos, a dos que sabem tudo, a dos que não sabem nada. A Casa da Música seria.

Seria mas não é. Seria mas não foi. Seria mas dificilmente será. E não me apetecendo neste momento dissertar sobre a qualidade ou diversidade (ou falta delas) da programação, debato-me com uma única dúvida que não para de me indignar, de me martelar a cabeça: por que raio uma casa de música contrata agora – como já contratou antes – alguém ligado às artes plásticas para divulgar o equipamento? O que raio tinha Guta Moura Guedes da Experimenta Design a ver com o projecto – por muita piada que possam ter tido as suas intervenções e instalações e convites que lançou a alguns artistas da praceta? E o que raio tem agora a ver Dalila Rodrigues, doutorada em História da Arte, com passado nas direcções do Museu Grão Vasco (2001 e 2004), e do Museu Nacional de Arte Antiga (2004 e 2007)?

O que sabiam ambas dessa direcção tão pomposa quanto estéril designada de Comunicação, Marketing e Desenvolvimento? Por que raio se a ideia é efectivamente cumprir um papel – desgraçadamente tão necessário – nesta área não contratam precisamente alguém da área? Que marca deixou Guta (e nada contra a senhora, que é adorável)? Que marca deixará Dalila (e nada contra a senhora, que viu a sua popularidade disparar por força da falta da popularidade de Isabel Pires de Lima)? Duas mulheres - curiosamente? ironicamente? - contratadas quando os seus projectos primeiros falharam? Não caberiam ambas melhor em Serralves, por exemplo?

Não se trata de não aceitar que um projecto possa evoluir, nomeadamente da música para as artes plásticas. Mas de não aceitar que haja aposta no acessório antes de ver cumprido o essencial – e o essencial da Casa da Música não são as artes plásticas!!!! De não aceitar que as duas contratações venham da mesma área, mas na área para a qual foram contratadas nada faça alusão à sua área de intervenção. De não aceitar que se contratem pessoas de outras áreas quando não se contratam – muito mais urgentes – assessores ou consultores para a programação.

A continuar assim, e está visto, a Casa da Música nunca passará de um projecto que nunca chegou a ser. Será um edifício – lindo, lindo, lindo, nunca ninguém se cansará de o elogiar - para turistas. De Lisboa ou de longe. Mas, para isso, se calhar, não teria valido a pena gastar cem milhões de euros. Sobretudo, não teria valido a pena tanto sangue, suor e lágrimas.

valter hugo mãe


"Sou deslumbrado por pessoas e não podia deixar de deslumbrar-me por quem parece andar palmos acima dos outros mortais. Alguns criadores quase tornam desnecessária a existência de Deus. A Billie Holiday, por si só, vale uma religião inteira."
valter hugo mãe, Farpas JN

domingo, fevereiro 03, 2008

António Barreto


"Vendo a desigualdade social, os vencimentos dos gestores públicos e privados, as indemnizações por despedimento que todos querem, as pensões vitalícias no sistema público e privado, posso dizer-lhe que se mandasse faria de Robin dos Bosques. Pegava no sistema fiscal e penalizava duramente os grandes rendimentos e vencimentos.Em capital e trabalho."
António Barreto, Farpas JN

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Heath Ledger

Vou chorar...
"Heath Ledger was found dead in New York in a possible drug-related death. He was 28. Police spokesman Paul Browne said Ledger had an appointment for a massage at the Manhattan flat he was found in, believed to be his home. The housekeeper, who went to let the actor know the masseuse was there, found him dead.
The Australian-born actor was an Oscar nominee for his role in Brokeback Mountain and has numerous other screen credits. He met his wife, actress Michelle Williams, in 2005 while filming Brokeback Mountain. Ledger and Williams lived in Brooklyn and had a daughter, Matilda, but they split up last year.
Ledger played the suicidal son of Billy Bob Thornton in Monster's Ball and had starring roles in A Knight's Tale and The Patriot. He was to appear as the Joker this year in The Dark Knight, a sequel to 2005's Batman Begins."

terça-feira, janeiro 22, 2008

O Bolhão na Assembleia Municipal


Há vacinas contra quase tudo; dificilmente alguém conseguirá inventar uma para evitar o curso que sempre segue a Assembleia Municipal do Porto. Teria que ser inventada uma vacina contra a estupidez e a Ciência, infelizmente, nunca irá tão longe.

Ontem, o tema era o Bolhão. Mas nem importa o assunto; importa quem o discute. Ou quem finge que o discute. Não importa porque os cidadãos são sempre o mais importante (claro, claro, é para isso que eles lá estão, que lá estamos). Mas são os cidadãos quem menos falam. Aguentam ali, estoicamente, três, quatro horas (às vezes mais), a assistir àquele desfile de vaidades, de egos mal amanhados, discursos vazios de deputados que, na sua esmagadora maioria, são incapazes de conjugar dois tempos verbais de forma correcta (que raio, é assim tão difícil?). Aliás, diria que em nenhum outro local a Língua Portuguesa é tão mal tratada. Mas eles, cheios de si e dos seus fatitos adornados com gravata, pedem e pedem e pedem para falar. Para - como disse Rui Rio e bem - discutir o sexo dos anjos. Mas não há quem os pare. Chega a parecer uma sessão de terapia.

Além dos habitués, como Manuel Monteiro (PSD), espécie de Mr. Bean, só que com menos piada e mais paleio (caso digno do Guiness na modalidade: 'Quem acha mais piada a si próprio'), há os novatos, imberbes que da política só conhecem o desejo de ascender através dela. De vez em quando aparecem. Inchados. E é preciso – juro! – colocar o cinto de segurança. Dois exemplos à Direita (da próxima vez, falo da Esquerda): Paulo Dias (PSD), com aquela voz de garganta inflamada (mais ou menos como quando tentamos falar com um caramelo colado ao céu da boca) a fazer pausas acertadas (não assertivas) como se estivesse a fazer stand-up e, por isso, a dar espaço para as reacções do público, e acentuar as frases no final à la Professor Marcelo, é desastroso. Sobra-lhe em pose (pose que, apesar de tudo, não chega a ser suficiente para perder o ar de rapaz da escola) o que lhe falta em conhecimento. Chega a ser embaraçoso (estou a especular, mas especulo com esperança) para quem está na bancada do Executivo. Porque eles querem sublinhar as ideias do seu partido, defendê-las, mas não fazem a mínima ideia, tantas vezes, demasiadas vezes, do que estão a dizer. Perfil onde, aliás, encaixa, também, na perfeição, Miguel Barbosa (PP). Coitado, o rapaz lá tentou duas ou três vezes começar a frase à la Gato Fedorento: “Dizem que temos uma espécie de Oposição…” e tal…. Mas além de não ter tido particular piada, enterrou-se em ignorância até ao pescoço ao dizer que o Bolhão é obsoleto (um rapaz centrista devia ser um bocadinho mais culto, mais viajado, mais informado…) e que o que os comerciantes querem mesmo é dinheiro. Que dessa forma lá se calariam e esqueceriam o que o local tem de emblemático ou lá o que os move. Que para ele tanto faz.

Os três senhores partilham um interessante denominador comum: todos quem ter piada. Terão sido eles a enganar-se no local ou eu? Ou as pessoas que esperam horas a fio para em 30 minutos divididos por meia dúzia, ou mais, poderem expor – não resolver – os seus problemas?

Depois, há Aguiar-Branco. José Pedro Aguiar-Branco (PSD). O homem do cronómetro e do martelo. Que dá e tira o tempo e decide o que é, ou não, insultuoso. Ontem, o presidente da AM decidiu que meandro – sim, eu disse meandro – é um insulto. E que o senhor em questão, comerciante do Bolhão, estava proibido de o repetir. Confesso que ouvi aquilo e pensei: Será que também este quer ter piada? Mas não, queria mesmo dizer o que estava a dizer. Que "meandro", cujo significado é enredo, intriga, é um insulto. E o homem, o outro, ali, inseguro na sua escolaridade, a pedir desculpa a tremer, a suar, a abreviar o protesto. Nada de novo. A política actual - longe de ser só esta, desta autarquia - é isto.


P.S.: Há muito tempo que tenho vontade de revelar os bonecos – literalmente, bonecos - que cada vereador e cada deputado me faz lembrar de cada vez que os vejo ali. Hoje, revelo apenas dois. E nem sequer é porque tenham sido relevantes para a discussão. Não foram. Nunca são. A diferença é que às vezes falam. Nem sequer foi o caso. Mas hoje apetece-me dizer quem vejo quando os vejo.

Matilde Alves, a vereadora da Acção Social, é a Barbie. A única boneca que nunca teve direito a pilhas, a uma evolução tecnológica qualquer que a fizesse ser mais do que um objecto de decoração dela própria. Que nunca teve a direito a mudar de expressão; só de baton.
Gonçalo Gonçalves, vereador da Cultura, é Humpty Dumpty, aquele ovo inventado por Lewis Carroll (a da Alice no País das Maravilhas) que tentava a todo o custo equilibrar-se em cima do muro. Que enrola as palavras, mas não domina os seus significados, tentando com isso enrolar os interlocutores. "Humpty Dumpty argumenta com Alice que as palavras significam exactamente aquilo que ele "quer que elas signifiquem", por isso importa saber quem manda para que se decida qual o significado que as palavras irão ter.

Ontem, durante quatro horas, ambos pareceram dois bonecos numa prateleira da Toys’r’Us, lado a lado, inertes, inúteis, desumanos.

domingo, janeiro 20, 2008

Marcelo Rebelo de Sousa


"Ser Presidente da República em Portugal é sempre um privilégio. Suceder a Cavaco Silva é um duplo privilégio. Ser candidato de uma área, que é a área dele, depois de dez anos de um presidente dessa área, é uma extrema dificuldade."
Marcelo Rebelo de Sousa, Farpas JN

terça-feira, janeiro 08, 2008

30 por noite

"Alegremente inspirado no desprezo autárquico por espectáculos a que assistem “duas ou três dezenas de pessoas”, a mostra 30 por Noite resgata da sombra um conjunto de cinco projectos teatrais desenvolvidos por jovens criadores do Porto, boa parte dos quais com idades inferiores a 30 anos.
A escolha recaiu sobre as companhias Estufa, Primeiro Andar, Teatro do Frio, Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda Quando eu Disser e Mau Artista, grupos da cidade que, tendo já nascido no cenário em desagregação do pós-Porto 2001, vêm demonstrando maior (in)consequência artística e uma crescente exigência de profissionalização.
Aos espectáculos somem-se ainda a instalação enigmaticamente intitulada Está Cá Alguém?, debates sobre os objectos artísticos gerados por estas estruturas “alternativas” de produção teatral, e um desopilante concerto de encerramento dos Mimicalkix. Evocando ao longo de uma semana intensiva o doce prazer de se ser minoritário, 30 por Noite traz para o palco do TeCA aqueles que trabalham para 30 espectadores com o mesmíssimo empenho daqueles que o fazem para uma plateia de 300 ou 3000. As minorias crescem com os processos de criação. Juventude em marcha!

domingo, janeiro 06, 2008

Joaquim Vieira no Público


No jornalismo há pessoas assim, profissionais a sério, que foram dispensados, encostados, preteridos, banidos dos seus postos de trabalho sem que ninguém, pelo menos ninguém que não mande ou não tenha interesses económicos ou políticos ou comprometimentos de qualquer outra ordem igualmente suspeita, perceba porquê. Assim, de repente, e só para dar alguns exemplos óbvios, gostava muito de ver regressar Vicente Jorge Silva a qualquer função mais activa que não apenas a de cronista do Sol; gostava muito de ver regressar Joaquim Vieira à chefia de uma revista como a descaradamente assassinada Grande Reportagem. Noutro campo, gostava de ver regressar Francisco Amaral à sua Íntima Fracção na TSF, ou não necessariamente a essa estação mas a outra qualquer, em vez de ficar circunscrito ao blogue homónimo que criou; gostava, apesar de tudo, de ver regressar Francisco Sena Santos.
Na actual conjuntura, nada indica que possam, estes e tantos outros, voltar. Sobretudo agora, em contagem decrescente para a corrida ao novo canal. Há-de ganhá-lo, sem grande surpresa, quem melhor souber seduzir. E a sedução, aqui, terá muito pouco a ver com romantismo. Será preciso calar mais do que informar. A coragem, em 2008 como antes, não deverá ser premiada.
Seja como for, Joaquim Vieira, que passou pelo Expresso, pela Visão, pela RTP, pela GR, e é o actual responsável pelo Observatório da Imprensa, começa hoje um novo capítulo no Público como provedor do leitor. Sempre é melhor do que nada. A ver se desta vez não o calam...

António-Pedro Vasconcelos



António Pedro Vasconcelos, cineasta, 68 anos, não fumador, nas Farpas do JN, a propósito da nova lei do tabaco:

"É uma lei sinistra, um precedente perigoso, um atentado às liberdades, uma porta aberta à intolerância, um incentivo aos denunciantes, um triste sinal dos tempos, que ajuda a perceber a indiferença dos cidadãos à União Europeia e a decadência da Europa. Espero que as consciências despertem e que se entre numa era de “desobediência civil”. E que sobretudo os “não fumadores” ajudem a boicotar os restaurantes e bares onde não se fuma. (Declaração de interesses: não sou fumador e muito menos viciado. Gosto de fumar um charuto depois de uma boa refeição, quando estou com amigos e há tempo para ficar à conversa. Só isso.)

sábado, janeiro 05, 2008

Luiz Pacheco 1925-2008

"Podem contar comigo para dar porrada, mas jamais por incumbência."
Correio da Manhã

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Estação do Calor


Guillaume Pazat, Jordi Burch e Luís Pedro Cabral partilham com os leitores da Visão e com os internautas interessados, o diário de bordo de três meses de viagem pela América do Sul. Aqui: http://www.estacaodocalor.org/ . Começa hoje!
Aviso à navegação:
"Atenção: Isto não é uma viagem. É um encontro. É a forma de tomar o pulso ao nosso planeta, de perceber como sofre esta região, como ela nos afecta inevitavelmente, nós, humanidade. É uma viagem até ao fim do mundo, com início na cidade de Buenos Aires, Argentina, através da Patagónia, rumo a El Calafate até Ushuaia, no fim de qualquer coisa, com saída para a Antárctida, terra de ninguém, de cientistas e pinguins, reduto ecológico à beira de não ser protegido. Serve este caminho para mostrar o que há de errado com o Homem quando se serve dos seus recursos naturais para os esgotar, aniquilando-se lentamente, ou nem por isso...."

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Passagem-de-ano no Gato Vadio


Preste atenção. Bem vistas as coisas é um milagre estarmos por cá. Ou um sacrilégio. Tanto faz. O que é certo é que a tragicomédia desta aventura do Gato Vadio está cada vez mais trágica e menos cómica. Ainda assim queremos partilhar a nossa loucura até ao fim. Passagem de ano 2007/2008. Algarve? Madeira? Ryan Air? Tudo Planos B. Olhem-me só pró cardápio: Gostávamos de ter circo, malabaristas, trapezistas, striptease literário, bailarinas da Sibéria com sotaque da Beira, caviar d' aeroporto, os fatos-de-treino da Ikea para os convidados darem uma mão quando a festa acabar, ainda pensámos trazer a mesa que o Woody Allen reserva no casino de Espinho vai para nove anos, falou-se ao Vasco Pulido Valente para animar a malta com as previsões hiper-óptimistas a que nos habituou para 2008, népias, vai passar o reveillon a repor whiskys na Makro de Alfragide, às duas por três ainda nos impingiam com o The Famous Grouse Vadio, a nossa história até já vem no jornal, ao fim ao cabo isto é só paleio por que não temos nada para lhe oferecer, como de costume aliás, quem sabe umas filhozes mal-amanhadas, torresmos gourmet à la garder, rabanadas de vento é fadado como'ó destino, meia-dúzia de passitas vá que não vá, (também temos sultanas e corintos), mas meu amigo para além da nossa grácil miséria temos só o sonho e uma contagem decrescente pela frente!
Entre a Loucura e a Depressão
Passagem de ano 2007/2008
5$ (estes gajos estão loucos ou deprimidos?)
As reservas devem ser feitas na livraria do Gato Vadio,
Rua do Rosário 281, Porto.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Benazir Bhutto 1953-2007


Todos sabiamos que acabaria por morrer assassinada: só não sabiamos quando...

terça-feira, dezembro 11, 2007

Manoel de Oliveira: 99 anos

Foto: Inês Gonçalves


"Cada um tem a sua sina e o seu destino. A idade é um capricho. Fazer cinema é uma paixão, algo interior. Bem ou mal feitos, os filmes são uma vocação."
Jornal de Notícias

Crónica de um triste espectáculo

Ao fim dos primeiros vinte minutos, estou ao despique com Rui Rio. O desafio é ver quem boceja mais vezes. Não sei quem ganhou - às tantas, empatámos, mas pelo menos não adormecemos. Nem todos os deputados socialistas poderão dizer o mesmo. Rectifico: devo ter ganho eu, que fiquei até ao fim. Sempre me deu a vantagem de uns bocejos extra.
A Oposição da Câmara Municipal do Porto pediu uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal - ocorrida ontem à noite - para debater a situação do Rivoli depois de o Tribunal ter-se pronunciado sobre a ilegalidade que terá estado na origem da concessão daquele Teatro a Filipe La Féria. O PSD estava lá todo, inclusivamente munido de directores municipais, não fosse dar-se o caso de ser confrontado com alguma pergunta cuja resposta poderia não estar na ponta da língua. Estranhamente, o PS esqueceu-se de mandar os vereadores, mesmo aquele que assinou a Providência Cautelar à qual a decisão judicial foi favorável. Apareceu apenas Ana Maria Pereira, quase invisível, mais tarde. A CDU, idem aspas. Apareceu Rui Sá, mudo, já o espectáculo ia avançado. A sessão estava marcada para as 21 horas. Começou atrasada. E às 21.30 horas, confrontado com a ausência de inscrições, já o presidente da mesa, José Pedro Aguiar-Branco, ameaçava encerrar o serão.

Feridos no seu orgulho - oco orgulho partidário, e não das convicções firmes - os deputados começaram a pedir a palavra. Não porque tivessem realmente alguma coisa a acrescentar. Queriam só fazer de conta que estavam realmente a debater o assunto. Pior: queriam fazer de conta, embora não tenham conseguido, que sabiam o que estavam a dizer e que sabiam para onde queriam ir. Não sabiam. Nem uma coisa nem outra. Mesmo como espectáculo, não poderia ter sido mais desolador. Se a entrada fosse paga, eu teria pedido devolução do dinheiro no fim.
Artur Ribeiro (CDU) já tinha inaugurado a sessão, roçando muito ao de leve o assunto que motivara a Assembleia. José Castro (BE) seguiu-se-lhe, enunciando o que considera ser uma "desconsideração" pela própria Assembleia, pela Justiça e pela cidade. Divagações, portanto. São os dois incontornáveis naquele palco. E Justino Santos (PS) limitou-se a ler um texto sobre o historial do Rivoli para justificar a posição socialista. Ao primeiro round, o vazio completo. Nada de novo. Pior, nem uma pergunta dirigida a quem quer que fosse.

Segundo round, o tal para o qual eram necessárias inscrições. No caso, feitas a saca rolhas. Gustavo Pimenta (PS) vai dizer o que já havia sido dito. E acrescenta que o problema não é bem La Féria, nem bem os espectáculos dele, nem bem.... hmmm, bem o problema é.... Sérgio Teixeira (CDU) vai ao púlpito dizer apenas que o silêncio da sala afecta a dignidade do órgão e regressa mais tarde, consolado por acreditar que foi o seu desabafo a motivar a súbita, embora paupérrima, participação dos deputados. José Castro (BE) regressa também para - pasme-se! - ler um texto assinado por Marcelo Mendes Pinto (CDS), ex-vereador da Cultura no primeiro mandato de Rui Rio, tecendo-lhe os maiores elogios. (Em nenhuma outra área que não a da política se passa assim de besta a bestial!) E para acrescentar que o problema não é bem La Féria, nem bem os espectáculos dele, nem bem.... hmmm, bem o problema é.... Justino Santos (PS) regressa também para partilhar com a audiência a sua pessoal agenda cultural e para atestar o quanto gostou - pede perdão a Deus para proferir o pecado - do musical laferiano "Jesus Cristo Superstar", para dizer que até vai com os filhos, na próxima quinta-feira, ver a "Música no Coração" e bem, para acrescentar que o problema não é bem La Féria, nem bem os espectáculos dele, nem bem.... hmmm, bem o problema é....

A cereja não coube ao PSD, porque é difícil eleger uma cereja numa cerejeira repleta de frutos. Ainda assim, Gabriela Queirós (PSD) pediu a palavra para, resumidamente, dizer isto: "Ok, a decisão da Câmara é ilegal. E depois? Ajudem-nos a encontrar uma forma para tornar isto legal". Seria desastroso se tivesse sido apenas isto. Mas a deputada, bem ou mal, populista ou não, atirou números para cima da mesa: 2400 pessoas frequentam hoje diariamente o Rivoli, sendo a previsão anual de frequência de 392 mil pessoas contra as 132 mil verificadas no passado.

Como ninguém havia feito o trabalho de casa, não havia como contestar. E como ninguém sabia o que estava ali a dizer, a fazer, a defender, agarraram-se todos aos números e, eis que, de repente, a Oposição esqueceu-se que o motivo da Assembleia não era nem o serviço público, nem a estratégia cultural da Câmara, nem a formação de públicos. Ontem, não era isso. Porque isso já havia sido vastamente discutido. Mas como eles não sabiam o que era, qualquer casca de banana era boa para escorregar. Escorregaram todos.
Rui Rio, estóico, aguentou-se calado. Com toda a justa propriedade. No lugar dele, também não teria aberto a boca. Abriu apenas uma breve excepção para voltar a explicar a teoria dos 5% das receitas líquidas do Rivoli que La Féria temporariamente não terá que pagar à Câmara. E abalou.

Na assistência, estavam os resistentes que se barricaram no Rivoli. Sozinhos, como se não passassem afinal de um bando de loucos que cismou que o Teatro tem outras obrigações. Os únicos que sabiam o que estavam realmente ali a fazer e a dizer; os únicos que fizeram as perguntas certas. Tarde demais. Já não havia quem lhes pudesse responder. E estava também o povo da cidade. Gente que não tem nada a ver com nada, mas que vai ali como quem ia, em tempos idos, ao Coliseu de Roma. Ver um espectáculo selvagem. Não lhes importa o assunto; importa o quanto se divertem com aquele circo. É um circo.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

O património são as pessoas... presentes



Facto: há um Porto que se importa. O Porto de sempre, que dá cara e corpo aos manifestos: seja o Coliseu, o Rivoli, os Aliados, o que há-de vir. Não é o Porto antipoder; é o Porto que deseja um poder dinâmico, construtivo. O Porto que até pode ver o Mundo, mas prefere ver o Mundo no Porto. O Porto que anteontem, apesar do frio, do jantar, do futebol, do dia de trabalho, marcou presença no 11.º aniversário do Património Mundial.
Facto: há um Porto que não se importa. Que se cala, que se abstém, que se acomoda. O Porto que porventura não saberá o que significa ser Porto, segunda cidade do país com Centro Histórico inscrito numa parca lista de riquezas mundiais. O Porto que ignora o dever de ter mais e melhor do que já tem. O Porto que anteontem falhou à chamada. Se o Património são, também, as pessoas, a cidade conta as que às 20 horas se ergueram diante do Palácio da Bolsa. Não importa o que vale a música; importa o que vale a cidade. E a forma, literal, como o Bando dos Gambozinos a abraçou. Conta com as que às 22 horas inundaram o Salão Árabe do mesmo Palácio - os porteiros travaram entradas por, pouco depois, já não caber lá dentro "um grão de areia" - para ouvir uma conferência e duas intervenções musicais. Conta com as que, já depois da meia-noite, andavam à deriva pela cidade à espera que a cidade tivesse alguma coisa para lhes dar. E para receber. Mas a cidade, como antecipou Pedro Burmester, não estava toda lá.
O pianista, a quem coube o momento simbólico da noite, executou 4'33 de John Cage, compositor que citou antes de sentar-se ao piano. "Não quero dizer nada e, no entanto, estou a dizê-lo". Para mim, acrescentou, "isto é poesia". Burmester declamou-a assim em silêncio. E para esse silêncio é preciso coragem. Ao lado da partitura, um cronómetro laranja. Talvez os quatro minutos e 33 segundos mais longos de uma actuação. Ajeita a pauta. Pausadamente. Não tira os olhos do piano, mãos no colo, postura hirta. Ouve-se o flash da câmara fotográfica. Pouco mais. Nem sequer a tosse costumeira. Silêncio há-de convidar ao silêncio. Aí, disse tudo. Alguém ouviu?

terça-feira, dezembro 04, 2007

Porto Património Mundial

Pedro Abrunhosa cantará hoje, não por acaso, a "Balada de Gisberta", música que na história trágica de um transexual assassinado há cerca de um ano nas ruas do Porto por crianças que não deveriam sequer saber o que é matar, conta a vida de uma cidade "de pobreza, de prostituição, de miséria, de abandono, de violência, de desintegração social". O Porto também é isto.

Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta p’ró nada.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes,
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo,
Corações que já esqueci,
Com sedas matei
E com ferros morri.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim vem-me buscar.
Trouxe pouco,
Levo menos,
E a distância até ao fundo é tão pequena,
No fundo, é tão pequena,
A queda.
E o amor é tão longe,
O amor é tão longe… (…)
E a dor é tão perto.

A provocação de Burmester

Aparentemente, qualquer um poderá executar a partitura de John Cage e tocar a sua faixa 4'33. Mas se for Pedro Burmester a tocá-la, soará diferente. Porventura, soará hoje, no Palácio da Bolsa, no Porto, às 22 horas, como deverá soar. Simplesmente, porque não há música contida nessa partitura. Há apenas silêncio. Literalmente, quatro minutos e trinta e três segundos de silêncio.
A peça "composta" em 1952, consiste numa única instrução destinada ao executante: cumpri-la é não a tocar. Tocando-a. Porque, defendeu o pioneiro da "indeterminação", "tudo o que fazemos é música". E se aí reside a genialidade do compositor americano do século XX, falecido em 1992, semelhante genialidade caberá ao pianista Pedro Burmester. Não porque seja capaz de manter-se inerte diante do piano. Mas porque tendo prometido, no rescaldo de todas as controvérsias que envolveram a Casa da Música, de que é actualmente director artístico, não voltar a tocar no Porto enquanto Rui Rio fosse presidente de Câmara, será capaz de o cumprir, não o cumprindo.
Burmester associa-se à cidade, à celebração do Porto Património Mundial, ao evento apartidário, mas não retira veracidade à afirmação proferida em 2004. No entanto, em 4'33 – gesto criativo considerado absolutamente inovador –, não há só silêncio. Originalmente, a peça pretendeu questionar a própria música enquanto conceito, dirigindo a nossa atenção para o contexto em que a música existe e para a forma como a ouvimos. O pianista – num gesto que há-de ser recordado como provocação – não deverá querer questionar a música. Sobra o contexto em que será ouvida. Ouça quem quiser. O que souber.

Eu imPORTOme


sábado, dezembro 01, 2007

Ginginhas de Lisboa

Lisboa - fim de tarde. Lisboa - Hotel do Chiado. Lisboa - poesia. Lisboa - Inverno. Lisboa - conto de fadas. Lisboa - amor. Lisboa - perdida. Lisboa - mãos dadas. Lisboa - Bairro Alto. Lisboa - nostálgica. Lisboa - início de tarde. Lisboa - amigos. Lisboa - outra vez. Lisboa - teatro. Lisboa -restaurante nepalês. Lisboa - Verão. Lisboa - Berardo. Lisboa - beijos roubados. Lisboa - conversas para sempre. Lisboa - Aldina Duarte. Lisboa - lágrimas na estação. Lisboa - vinho tinto. Lisboa - Jardim da Estrela. Lisboa - guardas-me?. Lisboa - Largo da Graça. Lisboa - ceú estrelado. Lisboa - a correr. Lisboa - só por uma vez. Lisboa - só mais esta vez. E de todas as vezes Lisboa - Lisboa com ginginha.
A ASAE fechou a Casa das ginginhas sem saber que estava a fechar a via verde das minhas passagens por Lisboa. Não é justo.