quarta-feira, setembro 12, 2007

A falta

A amizade é um intervalo matemático impossível de clonar. É desse intervalo, único e irrepetível, mesmo que turbulento, tumultuoso, que nascem as relações de afecto que não queremos perder. E das quais sentimos a falta. Não nasce das virtudes individuais, por infinitas que sejam, de uma ou de outra parcela. Resulta do que se constrói na distância que vai de um ao outro lado. Sentimos a falta dos que têm mau feitio, mau hálito, mau aspecto, má índole, maus modos, mau corte de cabelo. Dos que ouvem música má, lêem livros maus ou não lêem de todo. A falta, muita falta dos que já não voltam. E a falta dos que vivem num paralelo independente. Dos que só vimos uma vez na vida. A falta dos que, de vez em quando, assustam, ferem, gritam, insultam e nos trocam as voltas. Mas nunca a falta daqueles com quem o intervalo é repetível. Uma equação que dá resultados iguais quando conjugada com mais do que uma parcela diferente é uma equação errada. Não nos arrebata. Não nos prende. Não deixa saudades.
Escreve Rodrigo Guedes de Carvalho, no livro "Canário", acabadinho de publicar:
"Um gajo igual a tantos outros que são iguais a tantos outros, que são afinal todos iguais e não se importam, que fazem aliás por serem todos iguais uns aos outros, e por serem todos iguais quem é que há-de dar pela falta dele, daqui a nada aparece outro igualzinho, e depois outro e assim por diante".

sábado, setembro 08, 2007

Maddie

É a Polícia portuguesa, porventura e por ridículo, os media portugueses, como acusam os ingleses, que precisam desesperadamente encontrar um culpado para o desaparecimento de Maddie, ou os ingleses todos, com rara e estranha conivência política, que precisam desesperadamente acreditar que uma família tão perfeita, onde tudo aparentemente encaixa tão bem, com uma filha tão terrivelmente bonita, não pode, por azar, por acaso, por negligência ou por má sorte estar dramaticamente envolvida no que parece ser o desfecho do caso?

sexta-feira, setembro 07, 2007

quinta-feira, agosto 30, 2007

Ana Gomes

"Estou convencida de que Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso foram politicamente "assassinados" pela "inconveniência" do seu empenho de sanear e despoluir. Dentro e fora do PS."

Ana Gomes, Farpas JN

Às vezes também me apaixono por mulheres...






Lindsay Lohan


terça-feira, agosto 28, 2007

National Geographic no estômago

Ela não tinha borboletas no estômago. Tinha o National Geographic inteiro dentro dela. Vivo, da ponta dos cabelos à ponta dos pés. E ninguém o podia apaziguar. Só talvez o tempo, que devia correr, mas só corre quando não se quer.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Os três porquinhos

O amor é uma casa. Há quem construa casas de palha, preguiçosas e permeáveis à mais ténue rajada de vento. Há quem construa casas de madeira, mais seguras do que as de palha, mas nem por isso mais confortáveis. E há quem opte por casas de tijolo, aparentemente mais resistentes. Ao frio e aos maus.
Mas quando o lobo mau está dentro das pessoas e não das casas, que amor poderá sobreviver?

Pillowman no TNSJ

Quando é mau, o teatro é pior do que o cinema. Quando é bom, é muito melhor. Com uma diferença: um filme pode ver-se vezes sem conta e uma peça não. Daí a euforia, com sabor a dádiva divina, o saber que "Pillowman", peça escrita pelo magnífico autor irlandês Martin McDonagh e brilhantemente encenada por Tiago Guedes, que estreou o ano passado do Maria Matos, em Lisboa, será reposta a 7 de Setembro no Teatro Nacioal S. João, no Porto. Absoluta e definitivamente imperdível.

domingo, agosto 26, 2007

I just don't know what to do with myself

Do que eu gostava mesmo era de poder ir já embora. Sem malas, sem hotel marcado e sem bilhete de regresso. Para Cuba, África, Paquistão ou Irão. Ou para todos estes sítios, um de cada vez, mas todos de enfiada. E ficar por lá o tempo que fosse preciso. O tempo necessário para ter vontade de voltar. Voltar, não porque as férias acabaram, mas por sentir a falta de tudo o que agora me farta.

Eduardo Prado Coelho 1944 - 2007


"Há um dia em que sentes que o essencial ficou para trás, que a partir de agora tudo pode ser igual ao anterior mas nada terá a tonalidade que o distinguia, porque nenhum desejo investe o que acontece, porque ultrapassámos uma linha invisível, e aí experimentámos essa forma de morrer que é o puro derrame do sentido, a desolação sem resgate, o declive sereno mas inexorável, a impiedosa expansão de um depois".

Eduardo Prado Coelho

sexta-feira, agosto 24, 2007

Palavra de honra; coração de cera

Convidou para padrinho de casamento o melhor amigo. Homem que - como ele, em breve - casou para honrar a palavra, para não humilhar a namorada de tantos anos, para não quebrar a promessa de eternidade, para não defraudar a família que anseava pelos descendentes, para não ser apontado pelos amigos, para não parecer imaturo, para não cancelar a compra da casa, para não devolver os presentes que não escolheu da lista e que começam a amontoar-se no quarto destinado aos herdeiros.
Noivo contrariado antecipa o futuro na vida do melhor amigo. Sabe já que as noites serão a parte pior: dificilmente a playstation, o blogue, as putas e as bebedeiras serão suficientes para esquecer a mulher que não perdoará por ter conhecido quando era já tarde demais. Um dia, sem ser consultado, terá um filho, dois, mais. Para honrar o que julga ser o curso natural da vida. Quando crescerem, talvez os aconselhe, enigmático, a nunca prescindirem do verdadeiro amor. Mesmo que ele chegue fora do calendário. Mesmo que ele obrigue a destruir tudo e a refazer de novo. Talvez não lhes diga nada.
Vale mesmo a pena honrar a palavra quando não se honra coração?

quinta-feira, agosto 23, 2007

We might as well be strangers

I don't know your face no more
Or feel your touch that I adore
I don't know your face no more
It's just a place I'm looking for

We might as well be strangers in another town
We might as well be living in a different world

I don't know your thoughts these days
We're strangers in an empty space
I don't understand your heart
It's easier to be apart

We might as well be strangers in another town
We might as well be living in a another time
We might as well be strangers
For all I know of you now

quarta-feira, agosto 22, 2007

O verão mora ao lado...

Comprei uma casa de verão no inverno. Apaixonei-me por ela muito antes de saber que a poderia ter. Não exactamente por ela, mas pelo muro de pedra que ela tem. E não pelo que o muro contém de bloqueio, mas pelo que o muro me devolve da bucólica infância. Não comprei a casa pelo muro. Comprei a casa pelo que o muro significa.
Atrás do muro há um jardim e uma vista privilegiada para o rio. Entre uma coisa e outra há centenas de pássaros durante o dia e milhares de estrelas à noite. E um silêncio que só é interrompido quando os gatos estão com cio. E uma cadeira para não perder a lua quando ela aparece.
Passei o inverno inteiro à espera do verão. Do verão quente da infância. A casa ficava cheia de amigos, fazíamos pic-nics nocturnos no terraço, adormecíamos embrulhados em mantas e coleccionávamos gargalhadas e fotografias para a posteridade.
É verão. Não é quente. E eu estou há três semanas a dormir num hotel.

Vasco Graça Moura

"O que costumava amar, já não amo; minto: amo, mas amo menos; ainda assim continuo a mentir: amo, mas mais envergonhadamente, mais tristemente; agora é que disse a verdade. De facto, é assim: amo, mas desejaria não amar o que amo, desejaria odiá-lo; amo todavia, mas sem querer, mas coagido, mas triste e em pranto. E, mísero, em mim mesmo experimento aquele famosíssimo dito: Odiarei se puder; se não, amarei apesar de mim".
Vasco Graça Moura, em As Rimas de Petrarca.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Paredes de Coura - 15ª edição






[daqui]


Peter Bjorn & John, Cansei de ser sexy e os velhinhos Sonic Youth a trazer a Paredes de Coura uma noite à moda antiga, daquelas em que todos os dias eram bons porque todos os concertos eram inesquecíveis. Coura é a banda sonora das nossas vidas. Para a vida.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Dinossaur Jr

[daqui]


Chuva para não variar. Dinossaur Jr não tocavam há 19 anos. Ressuscitaram para actuar em Paredes de Coura. E para assassinar "Just like heaven" dos Cure. Deviam pagar multa.

terça-feira, agosto 14, 2007

Babyshambles em Coura!!!!


Nos últimos anos, há sempre qualquer maldição que me impede de estar a tempo inteiro em Paredes de Coura. Felizmente, existe uma coisa chamada Antena 3 que transmite os concertos em directo. Não é serviço público; é serviço humanitário! Pete Doherty sóbrio e muito, muito bom!

segunda-feira, agosto 13, 2007

José Eduardo Agualusa


"Nunca senti a necessidade absoluta de escrever – como de comer, ou de fazer amor. Escrever é quase sempre um prazer enorme, mas não uma urgência, ou uma angústia como imagino que seja um cigarro para um fumador."
José Eduardo Agualusa, Farpas JN

quinta-feira, agosto 09, 2007

Público

Quem trabalha em jornais sabe bem o mal que sabe encontrar gralhas no dia seguinte. E também sabe que é Verão e que a malta acelera e que o sol de fim de tarde é demasiado apelativo e que há sempre falhas mesmo quando o esforço para que não as haja é completo. Mas começo a ficar um bocadinho farta de não ler os textos do Público até ao fim. Importam-se de verificar as páginas antes de as fechar?

Califórnia dreaming


Problema: Dezasseis horas de viagem para pôr o pé no território do abominável Bush, que atropelaria de bom grado se pudesse. Irresponsável escala no Bairro Alto lisboeta, no albergue desse quase desconhecido Beto que, por alguma estranha razão, me faz sentir em casa, obriga-me a adormecer, indefesa e literalmente de pé, ainda no corredor do aeroporto da Portela. Arrasto-me, mais sonâmbula que os sonâmbulos, pelo avião da Continental; só acordo no dia seguinte. Muda. E do avesso. Percebo que passei mais de 24 horas sem comer. Não tenho fome. Só fome de apagar a última paragem, o último take, a última conversa, o último caldo entornado.

Recolha de dados:Uma semana inteira com pessoas que nunca vi; que à partida supunha que nunca mais veria; e com quem me apetecia tudo menos partilhar o que quer que fosse. Uma semana inteira em Los Angeles dos 88 condados, sem qualquer desejo de pisar o passeio da fama, de fotografar o Kodak Theatre, de cumprimentar o Mickey, de entrar no "Bates Hotel" do Psyco, de beber café de litro em Santa Mónica, de pedir milagre a Steven Spielberg ou explicação neurológica a António Damásio, de abrir a boca de espanto, de fingir ser turista de havaiana no pé quando na realidade não posso enterrar o corpo na cama sem antes despachar mais uma entrevista no computador. Todos os dias.

Proposta de hipótese:Talvez não seja tudo realmente possível em Hollywood, talvez o sonho americano não seja senão o que sempre foi para mim: uma mentira de açucar. Talvez o "Enjoy" sucessivo dos néons, o "dream come true" omnipresente, a banda sonora apoteótica e constante não passe de uma lavagem cerebral sugestiva de resultados aleatórios e pouco fiáveis. Talvez... mas, engolida ou não por esse contexto, foi possível acontecer-me tudo ao contrário do que imaginei. E viver de mãos dadas com pessoas com uma extraordinária capacidade de me surpreender, e que espero voltar a ver depressa. Sobretudo essa Ana dos cabelos ruivos, menina-mulher de algodão doce com quem a praia e o fogo, os passeios e as palestras, as noites e os concertos, os carrosséis e o vinho, as conversas e as gargalhadas, as compras e as futilidades provaram o que desde os 17 anos me parecia impossível: cumplicidade feminina, genuína e profunda. Instantânea e para sempre.
Testar hipótese: Sou obrigada a abortar a viagem a meio, a trilhar as não sei quantas milhas de regresso sozinha. Já estava previsto. Mas o que no início me parecia uma benção, pesa-me agora algures no peito. Recebo as primeiras mensagens de telemóvel, de ausência notada, ainda no aeroporto de L.A., decido não acrescentar as oito horas no relógio que separam os dois continentes, eventualmente ter os pés num lado e a cabeça no outro. Não estou triste por voltar, mas não estou contente por não ficar.

Análise dos resultados: Se o sonho americano é isto, este 'bling bling' no coração, esta porta escancarada por onde entraram, e me permitiram entrada, a Ana e a Bárbara, a Isabel e a Margarida, a Dalila e a Célia e o Nuno, então, o sonho americano, o que não se contabiliza em dólares na algibeira, existe mesmo. Há quem, como os mexicanos, e tantos da América latina, venda tudo para o conseguir e nunca o alcance - como Bob, o intrépido motorista; como Laura, a animadora que faz figuras tristes com esperança de ser descoberta por um qualquer realizador; como Jason, o menino guia que sonha um dia ganhar um Oscar como alguns da sua Universidade. E há quem não faça nada por ele e o veja sentar-se ao lado, como uma estrela que, podendo ser só cadente, iluminou mais do que ela própria poderá saber - como eu.

Conclusão: Cheguei da Califórnia cheia de Sol. Bronzeada por dentro. As cidades, como tudo o resto, são as pessoas. Mesmo as cidades americanas. Thanks.

terça-feira, agosto 07, 2007

Nuno Markl


"Consegui fazer carreira a partir de tudo aquilo que fazia de mim uma vítima no recreio da escola. Gostava de ver o que estão hoje a fazer os "bullies" que me faziam a vida negra na escola! Além disso, ter como trabalho relatar a minha vida faz não só com que eu ganhe dinheiro por isso, mas poupe em terapia."
Nuno Markl, Farpas JN

domingo, julho 29, 2007

Cuba: a fuga de Ernesto

[Foto: Jordi Burch]
Às vezes, há imagens assim, que deixam o corpo a crepitar por dentro, quase a fazer doer sem magoar. Que contam, sozinhas, uma história inteira através de um olhar que não é nosso, mas que o nosso coração grava para sempre, quase como se só ali pudesse ficar o que as mãos não podem guardar. É-me quase sempre difícil reprimir a exclamação diante das fotografias de Jordi Burch, o "menino dos olhos mágicos".
Às vezes, há textos maiores do que as palavras. Textos onde não é possível contabilizar as emoções, os sobressaltos, os arrebatamentos, a ternura. A primeira vez que li, a fungar, uma reportagem de Ana Sofia Fonseca, estava ela no Peru a relatar com invulgar perícia o trabalho infantil. Ontem, a torneira voltou a pingar com a raiva e a tentativa de Ernesto para libertar-se das amarras de Cuba. No Expresso.
Às vezes, é difícil escolher o destino de férias. Este ano, havia três opções: um insondável apelo vindo de África, a excitação de cumprir o que resta da Route 66 e, claro, a pressão de cheirar Cuba antes da morte de Fidel Castro. Acaba de ganhar Cuba.

quarta-feira, julho 25, 2007

Aimee Mann

22.47 horas. Antena 3 a recordar a todos os que não estão em Lisboa, que estão a perder o concerto de Aimee Mann, no Coliseu. Apetece-me chorar. Aparentemente, tudo indica que este ano, é o ano de todas as perdas musicais.
Its not what you thought
When you first began it
You got what you want
Now you can hardly stand it though
By now you know its not
Going to stop
Its not going to stop
Its not going to stop
til you wise up
Youre sure theres a cure
And you have finally found it
You think one drink
Will shrink you til
Youre underground and living down
But its not going to stop
Its not going to stop
Its not going to stop
til you wise up
Prepare a list of what you need
Before you sign away the deed
couse its not going to stop
Its not going to stop
Its not going to stop
til you wise up
No its not going to stop
til you wise up
Now its not going to stop
So just give up

sábado, julho 21, 2007

As Pontes de Madison County

É o filme da vida dele. E a ficção sonhada da vida dela. Como Michael Cashmore é o homem que ambos ouviram em repeat até à exaustão. Agora, estão os dois em "Doe Eyes". Foi ele quem pediu ao carteiro para lho entregar. Depressa e de bicicleta. [Carteiro de fim-de-semana a entregar pautas de amor? Há alguma coisa melhor?] Ela reconheceu logo o tema do filme. E já não conseguiu sair dali, daquele presente de açucar. Supostamente, só se haviam visto uma vez na vida. Duas, acrescentou ele. Há uma fotografia para o provar. De um tempo distante em que se viram se sem verem. Em que tropeçaram um no outro, sem que tenham sido atropelados um pelo outro. Quem quer saber das coincidências?!...

sexta-feira, julho 20, 2007

Ricardo Araújo Pereira


"A drª. Odete Santos dançou um tango e eu disse que era um privilégio raro podermos ver um deputado a suar. Fui admoestado, evidentemente. A piada era um pouco demagógica, e sabemos todos como os políticos detestam demagogia. Estava mesmo convencido de que era uma piada inocente e banal, mas afinal tratava-se de uma generalização perigosa para a democracia – e até, suponho, para a própria Humanidade. Mas, duas ou três semanas antes, 119 dos 230 deputados tinham faltado à Assembleia da República, antecipando a ponte da Páscoa e inviabilizando as votações por falta de quórum. Se os senhores deputados não gostam de generalizações, não deviam faltar generalizadamente."
Ricardo Araújo Pereira, Farpas JN

Paulo Cunha e Silva

"Há falta de imaginação no Porto para o que quer que seja. É uma cidade com o cérebro sequestrado. Sofreu uma lobotomia e parece que ninguém deu por nada. Não gosto da ideia de cargo, é muito pesada.
Paulo Cunha e Silva, Farpas JN

quinta-feira, julho 19, 2007

Eutanásia

[Foto: Nelson D'Aires]

Estavam ligados um ao outro como o coração de um velho ligado por fios e tubos a uma máquina que, artificialmente, lhe prolongava a vida. Podiam sobreviver assim mais um ano, dois, dez, acreditando que não há relações sem dependência, e nem sentir qualquer espécie de dor. Mas sabiam, também, embora não quisessem saber, que não sentiriam nunca o imenso resto que só pode existir fora do que é passível de ser manipulado. Há eutanásia para o amor?

Guillemots no Sudoeste


Todos os anos faço a mesma promessa: "desta vez, não vou ao Sudoeste". Acabo sempre por ir; acabo sempre por me queixar, mesmo quando vale a pena, por uma ou outra razão. Este ano não vou mesmo. Não vou estar cá. E só me apetece gritar!! Alguém disse que é castigo, e é bem possível que seja. Os Guillemots actuam no último dia da 11ª edição do festival e eu não vou estar lá para ver!!! Os James vão devolver a adolescência a quem agora se aproxima perigosamente dos 30 anos e eu não vou ser abrangida pelo flashback! Não é justo!!! Alguém pode trazer cá os Guillemots outra vez? Por favor?

quarta-feira, julho 18, 2007

La Palisse


Tratou-a por menina e por princesa. Por virgem de Botticelli e, de vez em quando, na terceira pessoa. Mas no fim repetiu sempre a mesma frase: "Não se deixe enganar: os únicos amores eternos são os impossíveis."

terça-feira, julho 17, 2007

João Pereira Coutinho



"A ‘Folha’ paga melhor. Quando o ‘Expresso’ subir a parada, começo a elogiar Portugal e os portugueses semana sim, semana sim."

João Pereira Coutinho, Farpas JN

segunda-feira, julho 16, 2007

José Miguel Júdice

"Os portugueses são uns vidrinhos. Eu fui vítima dos vidrecos. Portanto, estou sempre do lado daqueles que têm processos disciplinares por razões que têm a ver com a forma como falam ou deixam de falar."
José Miguel Júdice, Farpas JN

domingo, julho 15, 2007

Eleições intercalares de Lisboa

Claramente, a avaliar pela abstenção (62%), mas não só, ninguém estava interessado na eleições intercalares de Lisboa. Ninguém, a não ser os aparelhos dos partidos. A derrocada, sobretudo à Direita, não podia ter sido mais evidente. E mais catastrófica. Marques Mendes viu-se obrigado a convocar eleições antecipadas - e Menezes já deve estar a afiar os dentes; Paulo Portas, que acabou de chegar do exílio, lá ameaça mergulhar outra vez num período de reflexão; e Manuel Monteiro, o único a desconhecer que já morreu há muito tempo, ficou abaixo do próprio Bloco de Esquerda. Carmona Rodrigues continua a ser o bobo da corte. Foi escolhido por Mendes há dois anos, que depois o deixou cair, e agora acena-lhe com um segundo lugar. Soube-lhe a vitória. Inevitavemente, claro!

Aparentemente, o cenário volta a sorrir à Esquerda. O PS, que dificilmente conseguirá fazer alguma coisa que se veja em dois anos, mas também não terá tempo para chatear as hostes, não ganhou propriamente a Câmara de Lisboa. Ganhou, num percurso cumprido de forma inédita ao contrário, o que até agora não tinha: um candidato às eleições presidenciais. Não às próximas (2011), que voltarão a ser ganhas por Cavaco quando Costa estiver em velocidade de cruzeiro ao leme do segundo mandato em Lisboa. Mas às de 2016. Parece ainda um tempo muito distante, mas é já ali ao virar da esquina. O povo estará já cansado do governo socialista, Sócrates será alvo de chacota e de coisas piores, como é agora Guterres (a menos que emigre para a capa da Time), mas não será suficiente para beliscar as eleições.

Miguel Sousa Tavares


"Já tive algumas fãs psicopatas. Sim, mulheres. Tipo, aquele filme horrível, 'Atracção fatal'. Perseguiam-me de automóvel, faziam-me esperas nos sítios mais inesperados, às horas mais incríveis. Uma coisa tenebrosa."
Miguel Sousa Tavares, Farpas JN

terça-feira, julho 10, 2007

Bjork

i miss you
but i haven't met you yet
so special
but it hasn't happened yet
you are gorgeous
but i haven't met you yet
i remember
but it hasn't happened yet

and if you believe in dreams
or what is more important
that a dream can come true
i will meet you

i was peaking
but it hasn't happened yet
i haven't been given my best souvenir
i miss you
but i haven't met you yet
i know your habits
but wouldn't recognize you yet

and if you believe in dreams
or what is more important
that a dream can come true
i will meet you

i'm so impatient
i can't stand the wait
when will i get my cuddle?
who are you?
i know by now that you'll arrive
by the time i stop waiting

i miss you

domingo, julho 08, 2007

Da minha janela

Não há manuais de tolerância, livrinhos que nos ensinem a sermos melhores. Infelizmente. Porque a tolerância é um sinal de inteligência. Eu sou intolerante. Intolerante num grau muito perto do insuportável. Ontem, voltei a perceber isso. Nada de que me orgulhe; nada de novo. Não tenho a mais leve paciência para a sete maravilhas de Portugal (quase todas abaixo do Mondego - brilhante!); para a sete maravilhas do mundo (era possível serem mais previsíveis?); para o número 7 que quero lá saber o que quer dizer; ou para o concerto Life Earth que ocorreu em simultâneo em não sei quantas capitais.
As minhas sete maravilhas, vejo-as todas da janela do meu quarto. Como dizia Pessoa, "do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é. (E se soubessem quem é, o que saberiam?). Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres. Com a morte a por humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens. Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada."

sábado, julho 07, 2007

Críticos de teatro


Não tenho a certeza de que "Ricardo II", de Shakespeare, em cena até amanhã no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, seja a melhor encenação de Nuno Cardoso. Mas tenho a certeza de que nele - e nunca perdi uma peça -, o que não é superlativo continua a ser muito bom. Melhor do que a maioria, definitivamente. De tal forma, que a comparação entre o trabalho dele e o que se assina no resto do tecido teatral português será profundamente injusta. São campeonatos diferentes.
No entanto, há qualquer coisa de vagamente suspeito nos críticos de teatro, que parecem encarar alguns criadores como equipas de futebol. Sendo impossível gostar do Benfica e do Sporting ao mesmo tempo, ficamos claramente sem perceber o que os motiva, para além da peça, a escrever o que escrevem. Mas ficamos com a clara sensação de que não é, apenas, o objecto da avaliação. Será uma qualquer espécie de 'clubite' que escapa à maioria? Guerras pessoais?
Para Rui Pina Coelho, do Público, o encenador "cria algumas cenas e imagens magníficas" (...) transformando Ricardo II "num espectáculo forte no um-para-um e com um grande poder de drible. Remata bem com os dois pés e tem um bom poder de elevação - golo de Cardoso." Helena Osório, no Jornal de Letras, subscreve a ideia.
Pelo contrário, para Miguel Pedro Quadrio, do DN, a peça "é um jogo equívoco e falhado", onde "os figurinos futebolísticos são duma ironia exuberantemente pop, tão desnecessária quanto óbvia" e os actores "mais parecem rapazolas num recreio escolar." João Carneiro, no Expresso, segue-lhe as pisadas. "A elementaridade dos conceitos de encenação redimensionam a peça no sentido não exactamente da insignificância mas de uma lamentável banalidade." E o título? "Com as mãos sujas", nomeia o crítico. Para quem é o recado?
PS.: R2, ensaio sobre o ensaio de Shakespeare, com 14 rapazes e raparigas dos bairros do Zambujal e da Cova da Moura, que também termina amanhã, é um exercício absolutamente notável e comovente.

sexta-feira, julho 06, 2007

George Orwell


"Em época de mentiras universais, dizer a verdade é um acto revolucionário."

quinta-feira, julho 05, 2007

Runaway train

Varre o pó das estrelas quando bateres a porta. Cala, afasta o gato. Fecha a janela. Corre a cortina. Tapa a lua. Esconde o céu. Fala baixinho. Faz de conta. Não sorrias para não doer. Sedução hirta. As horas. Inverno inteiro de espera. Apaga o fogo antes de saíres. Dobra o corpo suado como um casaco. Cansado. Acende outro cigarro. Testa o colo. Enche o copo. Queima. É inesperado? Desliga a música, mesmo que seja Chopin. Embrulha o segredo. Alucina. Amortece o medo. Venda os olhos. Usa as mãos. Guarda o abraço no bolso de trás das calças. Recolhe o mel do sono. Amanhece sem nunca ter anoitecido. Cuidado com o que vais escrever. Deixa a câmara a gravar. Não vale chorar. Vale mentir? Rasga o mapa. Anestesia a memória. A pista é a rua. A dança o destino. Depressa. Escorrega no veludo da parede. Não há duas histórias iguais. Nem fadas na mesma paragem. Despe a noite, mas não corras. Quanto tempo falta? Se chover não faz mal. O nó já ninguém solta. Amanhã já ninguém lembra. Não há espaço. Vielas córneas entupidas. Falidas? A beleza não é um posto. Porto de abrigo. Procura debaixo da pele. Ouves o incenso a roer o chão? O odor pode enganar. Outro lanço de escadas. Desce devagar. Estranhos como antes. Londres a 25 euros. Ausentes como sempre. Não digas nada. Não olhes para trás. Táxi!

quarta-feira, julho 04, 2007

Arcade Fire


Não é Paredes de Coura. Não há um anfiteatro natural, relva à volta do altar, o rio ao fundo, o céu estrelado acima da cabeça, os amigos de sempre. E também não há aquele sopro frio de Verão que existe no Minho em Agosto. Mas os Arcade Fire voltaram a trazer com eles o cenário. A magia. E o resto. Encheram o Super Bock Super Rock. E pararam Lisboa. Memorável.
"Música rock emotiva, ordenada por entre o caos por nove músicos que empunham múltiplos instrumentos e trocam de posições entre si, com capacidade para ser compartilhada por uma multidão, sem perder integridade", escreve hoje, no Público, Victor Belanciano. Foi mais ou menos isso que aconteceu, ontem, no Parque Tejo. Contagiante.
"Black Mirror" a abrir; "Wake up" a fechar. Hora e meia de puro deleite com Win Butler e Régine Chassagne ao rubro. Imparáveis. Mesmo quem queria mais "Funeral" e menos "Neon Bible", não permitiu que o concerto descesse da apoteose permanente. Vinte mil, braços no ar, a trautear de cor, a prolongar os separadores das músicas. O fim de cada canção foi sempre prolongado pelo público com uma espécie de coro instrumental até à canção seguinte. Emoção colectiva.
Não houve encore. Um único. E quem esperava um daqueles momentos em que a banda canadiana faz incursões por outras paragens, como pelos Clash, também não teve sorte. Perfeito.

sábado, junho 30, 2007

Lisboa íntima

[Foto: Jordi Burch]

Estou mais ou menos a borrifar-me para as eleições autárquicas de Lisboa, tirando o facto de estar farta do tempo de antena que ocupam nas televisões e nos jornais. Portanto, é-me perfeitamente indiferente o sítio de eleição de cada candidato que o Expresso apresenta, hoje, na Única. "As casas onde cresceram, as vistas que os deslumbram, os cafés ou restaurantes irresistíveis, os lugares a que voltam sempre, os segredos que guardam em Lisboa". Não quero saber.
Mas é impossível ficar indiferente às fotografias. Jordi Burch. Alguém disse, um destes dias, a propósito de umas imagens que captou em Luanda (e que aparecem, creio, no mais recente livro do Agualusa, "As mulheres do meu pai") que ele tem "uns olhos mágicos". Absolutamente verdade. Carmona Rodrigues, nesta espécie de quadro naturalista de século XIX, será a prova maior.

Volver

Sexta-feira à noite. Eu e uma terrível dor de cabeça. A espreitar pela janela, uma lua cheia, luzente, demasiado bonita, demasiado sozinha. Somos duas. Penso: posso aterrar no sófá e ver um dos inúmeros filmes que estão no computador em lista de espera; posso acabar de ler o último livro do Roth; ou posso desligar a ficha e morrer. Ou só dormir. Para algumas vocações, sexta-feira à noite nem sequer significa véspera de fim-de-semana. Amanhã, logo de manhã, há outro dia de trabalho para cumprir e portanto também tenho a possibilidade de o preparar. Mas não me apetece.
Dou-me conta, subitamente, que vivo a oito minutos de distância da Casa da Música. Estrella Morente vai recapitular o "Volver" de Almodovar. Confirmo a temperatura. Pego no casaco e chamo um táxi, que a piada da carta de condução ainda está para durar. E vou. E fui.
O concerto não foi memorável. Mas foi melhor do que ficar a dissecar a má sorte no sofá. A vida cultural de uma cidade é como os amigos: às vezes, não precisam estar ao rubro; basta estarem presentes.

sexta-feira, junho 29, 2007

Dr. House III - último episódio



House desafia Deus. E ganha. Mas, no fim, fica sozinho. É mais fácil fazer um milagre na medicina do que no coração das pessoas.

quinta-feira, junho 28, 2007

Shami Chakrabarti


"Se enfiarmos cinco sapos numa panela de água a ferver, muito sensatamente, eles saltarão para fora e salvar-se-ão. Se os colocarmos numa panela de água fria, e formos aquecendo a água lentamente até ela começar a ferver, permanecerão na panela e cozerão até à morte."

quarta-feira, junho 27, 2007

"Plataforma - No meio do mundo"

Ao terceiro romance achei que o iria perder. Ou melhor, que ele, Michel Houellebecq, escritor mal dito e mal apreciado pela crítica francesa, me iria perder. Depois de ter devorado "Extensão do domínio da luta" (1994) e "Partículas elementares", (2001) custou-me entrar em "Plataforma - No meio do mundo". A voz do narrador parecia-me a mesma voz tremida dos livros anteriores, apesar de num ser um rapaz de 30 anos à beira do colapso, e no outro representar dois irmãos, diametralmente opostos, na faixa dos 40, e de ele próprio ter 50 anos. E custou-me a avançar. Segui com o esforço que me mereciam os muitíssimo bons momentos proporcionados pelos livros anteriores e pela teimosia de nunca deixar um livro a meio. Segui com a esperança de não ficar desapontada logo ali, depois do que passámos juntos. Pelo caminho, reencontrei-me com o autor. Velocidade de cruzeiro até ao fim.

Os franceses são e sempre foram pretensiosos. Dizerem de Houellebeqc, de nome verdadeiro Michel Thomas, que escreve romances como quem escreve "memorandos de uma empresa", é uma profunda injustiça. Argumentarem que é vastamente lido nos outros países apenas porque a sua hermenêutica é simplista, de uma sobranceria desconcertante. Houellebecq não escreve como escrevem os franceses: não é Honoré de Balzac, não é Charles Perrault, nem Chanford, nem Dumas, nem Duras, nem Flaubert, nem Camus, nem Hugo, nem... Não sei se é uma virtude, mas sei que está longe de ser um defeito. E reduzir os seus livros a uma maratona de obsessões sexuais - mesmo que seja esse, aparentemente, o denominador comum de todas as suas publicações -, sinceramente, é não ser capaz de chegar lá, ao lugar onde é suposto chegar-se.

"Plataforma" cruza a apoteose do turismo sexual dos resorts asiáticos com o cutelo do fundamentalismo islâmico, desmascarando de forma atroz as contingências da contemporaneidade nos dois extremos do mundo. Do Ocidente pudico, que cora quando o tema é sexo, mas que ruma para paragens tão distantes quanto possível para se entregar aos braços do prazer, não hesitando em pagar por isso. "Essa busca desesperada, equiparada à de alguém que foge da sua própria sombra, é bem conhecida nos meios ligados ao turismo, que lhe chama o paradoxo da «double mind»". E do Islão mentecapto, de crenças doentias, para quem a morte é sempre a primeira arma contra o pecado. O seu pecado. "Chegará certamente o dia em que o mundo ficará livre do Islão; embora para mim seja tarde demais. Lamentavelmente, falta de vontade de viver não é o suficiente para sentirmos vontade de morrer."

Ao terceiro romance, a novidade, do ponto de vista da existência do protagonista, é a benção do amor - "Quando falta o amor, nada pode ser santificado." - a que, até então, nunca se assistira. Michel, que mantém em comum com os personagens dos livros anteriores, o desprezo pelos homossexuais e pelos muçulmanos, a dedicação vaga à profissão (excepção para Michel, o biólogo molecular de 'Partículas'), a aversão à América e a consagração a uma existência desinteressante e desinteressada - "É fácil renunciarmos a viver, pormos de lado a nossa própria vida" -, pouco católica e pouco altruísta, apaixona-se de forma derradeira. Seria o início de um ciclo novo, se não ficasse drasticamente interrompido pela demonstração de incompatibilidade cultural e religiosa entre os mundos todos.

"Plataforma" é, à sua maneira, uma história de amor. Mas "quando a vida amorosa acaba, é a vida no seu conjunto que adquire qualquer coisa um pouco forçada e convencional. Permanece o aspecto humano e os comportamentos habituais, como uma espécie de estrutura; mas, para empregar uma expressão corrente, o coração já não mora aqui".

terça-feira, junho 26, 2007

O poder de Berardo

Foi sempre assim; sempre assim há-de ser: em terra de cegos quem tem um olho é rei. E José Manuel Rodrigues Berardo - Joe, cá para nós - pode não dominar exactamente as curvas da língua portuguesa, fillho pródigo que foi fazer pela vida - qual sonho americano produzido em África - com mil e duzentos escudos na algibeira, mas regressou como um dos dez homens mais ricos de Portugal; pode não ter o sex-appeal de José Sócrates (para quem acha que ele o tem), mas lá foi distinguido com o grau de comendador pelo qual se faz tratar; nem a cultura formatada das academias da paróquia pelas qual todos se pelam - a vida por um título! -, nem conseguir identificar a verdade de um Mona Lisa, mas lá se transformou no maior coleccionador de arte contemporânea. E agora tem um Museu com o nome gravado, fogo de artifício pela noite dentro e - garante - é credor do Estado.
Joe dispara insultos, ideias e OPAs em todas as direcções e o país pára, desculpa-o, rende-se, estende-lhe a passadeira vermelha e abre-lhe o cofre. Ou o que dele resta. Às vezes, ganha; outras vezes, não - mas nunca perde. E da crista da onda, de onde ameaça não sair tão cedo, lá vai assistindo à submissão de um povo (políticos, artistas, benfiquistas, tudo incluído) que se verga com o deslumbramento bacoco de quem viu Deus.
Ontem, foi Rui Costa - "Fuck him!" - que foi para uma parte que não queria; hoje, foi Mega Ferreira a demitir-se do Centro Cultural de Belém vulgo Conselho de Fundadores da Fundação Colecção Berardo. Quem será o próximo?

Time Out Lisboa


Chega em Setembro! É semanal, sobre Lisboa, e é, tal como as congéneres de outras 15 cidades, dedicada à cultura e lazer. "Um produto associado ao lado mais cool, irreverente e criativo" avança, hoje, ao Público, o director João Cepeda. O adjunto será João Miguel Tavares; a editora Sónia Morais Santos, ambos resgatados ao DN.

Prós & Contras II

Rui Rio é um senhor e vai andar por aí. "Disse que ia por aqui e é por aqui que vou. Não vou contribuir para corromper a política, prometendo uma coisa e fazendo outra". Acho bem. Mas também acho que devia acabar de ler o seu próprio programa eleitoral. Eu tenho uma cópia e juro que há lá mais coisas, para além da Baixa e desses "20%" que vivem em bairros sociais.
Este debate foi hoje. É de mim ou podia ter acontecido no ano passado? Ou há dois anos? Será por isso que Rui Rio gosta dos jornalistas de Lisboa? Ou dos que são do Porto, mas é como se fossem de Lisboa? Pela sua extraordinária impreparação quando o assunto é o Norte?

Prós & Contras

Os convidados do costume, uma plateia envelhecida, essencialmente masculina, vagamente entediada, a repetir chavões. É esta a imagem que está a ser transmitida na televisão de um Porto que ambiciona ser rico, poderoso e cosmopolita. Neste contexto, Rui Rio é objectivamente e sem ironia, um senhor.

domingo, junho 24, 2007

Noite de S. João


Acto I
- Estás a gostar de estar no Porto?
- Sim. Muito.
- Mas ponderas ficar por cá?
- Não. Isso não.
- Porquê?
- Sinto falta da multiculturalidade que existe em Lisboa. Lá, tenho amigos de todas as cores, de todas as partes do mundo. Aqui, bastou-me ver uma mulher caboverdiana ser ignorada num quiosque para ter a certeza de que nunca poderia cá ficar.
Acto II
- Dama, gente do Porto é gente da paz! Obrigada.
- Ya, estás na boa!
- A sério, dread chegou sem nada, disse que tinha fome e vocês abriram os braços. Sem preconceito. Mas não quero incomodar. Se estiver a incomodar, vazo.
- Sem stress. Fica aí, come. Bebe. És de onde?
- Vim de Luanda há muitos anos, you know? Fui obrigado a ir para a tropa. No choice. Fiquei traumatizado.
- Lutar pelo MPLA?
- Sim, mas era tão mau como estar do lado da UNITA. Manos a matar manos, tás a ver?
- E agora vives onde?
- Em Coimbra, com os estudantes. Em Coimbra tá-se bem. Trabalho de dia e estudo à noite. Mas também já vivi quatro anos no Porto.
- E então?
- Não dava. Muito fechado. O people daqui é muito fechado. Vive dentro de casa. Sais à rua e não acontece nada.

sexta-feira, junho 22, 2007

Fosse só o Rivoli....

Enquanto a maioria se revela e debela pela luta do Rivoli, Rui Rio sorri. Mesmo que o seu sorriso venha embrulhado em vinganças perigosamente infantis (deveria dizer canalhas?) e estratagemas de exclusão, provavelmente apreendidos no orgulho do seu colégio alemão. Sorri porque ele, mais do que qualquer outro, saberá que quanto mais as pessoas da cidade estiverem focalizadas num único assunto - a perda do Teatro Municipal com tudo o que isso significa de subtração de diversidade cultural -, mais aos olhos do país parecerá que o assunto não basta para tamanha insatisfação. O mesmo defenderá - e defende - o olhar mais distraído, ou menos exigente, dos cidadãos do Porto - seguramente os que nele votaram. E nesse arco de posições extremadas, Rio sentir-se-á salvo porque, aparentemente, vítima da obsessão de um grupo que ele considera reduzido.

Só ele sabe o jeito que este circo lhe dá.

Se o Rivoli fosse a única imagem da inércia cultural da cidade já seria suficientemente grave (por razões vastamente conhecidas e que não me apetece repetir). O problema é que a atenção mediática (mediática, mas tragicamente impotente) que o Teatro ganhou serve, apenas, para encobrir os problemas todos dos outros equipamentos que o seu Executivo impunemente delapidou.

A Casa de Cinema Manoel de Oliveira, onde está? Empatada há quatro anos, grafitada e cercada de matagal. Sem vergonha, a Câmara colocou o cineasta a pagar a renda do apartamento que ela própria arrendou para catalogar o seu acervo.

Os Ateliers da Lada, para que servem? As casas que deveriam ser, como foram em 2001, residência para artistas nacionais e internacionais criarem e projectarem o seu trabalho no Porto estão agora a servir de albergue pontual para uns quantos que foram desalojadas pela autarquia.
O Cinema Batalha, como está? Gerido por Laura Rodrigues da associação de comerciantes numa negociata que nem Deus saberá, rasteja entre a cantina de bairro e os bailes de paróquia num nível de exigência mais do que deprimente. Ela jura que teve 500 mil pessoas no ano passado. Alguém acredita?
O Teatro do Campo Alegre, que evolução sofreu? Esse espaço que iria servir, na voz de Rui Rio, para acolher as criações das companhias independentes da cidade. Todas menos uma: o Plástico ficou vedado por se ter barricado no Rivoli. Ah, a liberdade...
E o Edifício Transparente (esquizofrenia em grau terminal do PS, é certo) transformado em centro comercial? É sempre mais fácil converter tudo a tostões. Ou, pelo menos, à possibilidade de os ganhar. Haja restauração em força!

E depois, a cultura de Rui Rio não é só La Féria; não é só um lençol vazio. É, também, um improvável concerto dos Keane que a Câmara, vá lá saber-se porquê, decidiu promover em Agosto.

Viva Rui Rio! Viva!

quinta-feira, junho 21, 2007

Rui Rio, the big brother

Revelação que pode excitar Rui Rio, discípulos, apoiantes, camaramen rasteiros e similares: David Pontes, essa vil figura do jornalismo, que se arroga o direito de exercer a sua cidadania apesar de ser sub-director de um jornal (Que raio! Ninguém lhe explicou que um director para ser sério, isento e honesto tem o dever de não existir fora da plataforma onde trabalha? Que, de preferência, deverá mesmo ser casto, não vá dar-se o caso de se deixar contaminar por um qualquer matrimónio oue lhe conspurque a conduta?!), essa figura, dizia, além de se opor à concessão do Teatro Rivoli a Filipe La Féria, é adepto do Futebol Clube do Porto. Nos dias de jogo é vê-lo a caminho do Dragão, frenético, ansioso, fosforescente, animado com a ideia de ver ganhar o club de Pinto da Costa; devastado se ele perde. Como é que essas imagens, ilustração irrevogável da sua falta de parcialidade, e mesmo de dignidade, nunca apareceram no You Tube?! Os caninos de Rui Rio não trabalham ao domingo?!
As câmaras de filmar, sabemos todos, têm limitações. A que foi contratada por Rui Rio não confiscou (ou não reconheceu, talvez por não ter a dimensão mediática que o presidente da cidade diz ter David Pontes e Carla Miranda, essa mulher infame com quem partilha a vida e que, ainda por cima, é actriz) o chefe de redacção do JN. Outra revelação: José Queirós não só esteve na manifestação como não evitou aplaudir as griffes internacionais que desfilaram na carpete vermelha. As objectivas não captaram, mas Rui Rio é bem capaz de ter razão: como pode confiar-se nos critérios editoriais de um jornal que tem dois jornalistas na mesma acção de protesto? Pior, José Queirós, num acto de desafio superlativo à autoridade, ainda escreveu uma crónica sobre o que viu. Terá enlouquecido? Como pode o jornal de uma cidade manter nos seus quadros duas pessoas com este avançado estado de demência? E os outros jornalistas? Os do DN e do Público, que também lá estavam de R em punho? De facto, já não se pode confiar em ninguém...
Sem liberdade não há democracia. E a democracia de Rui Rio é o sistema encardido, com cheiro a mofo, decrépito e pautado pela máxima: "Quem não é por mim é contra mim", que "aqui quem manda sou eu e eu, só eu é que sei". Obcecado, no limiar da enfermidade crónica, perseguido e perseguidor, não lhe restaria outra saída que não a de voltar à cadeira de um tribunal. Eventualmente, para uma reguada que nunca lhe servirá de lição. Que tipo de homem acredita ter o direito de poder filmar os outros, catalogá-los, dissecar-lhes a vida pessoal e daí fazer extrapolações para o seu desempenho profissional? E quem, no seu pleno juízo, pode defender que Rui Rio é um homem saudável?

quarta-feira, junho 20, 2007

Restart

Retomo o Coriscos porque sim. E porque apetece tanto retomá-lo como há dois meses me apeteceu abandoná-lo. Sendo das poucas coisas que podemos pousar e pegar, amar e odiar, errar e corrigir sem que daí resulte qualquer consequência, porque não?

terça-feira, junho 19, 2007

Ricardo II

[Foto: Bruno Castanheira]

Colocar o Rei Ricardo II, figura emblemática da dramaturgia de Shakespeare, num estádio de futebol, com baliza e relva e holofotes e tudo, disfarçado (revelado?) de jogador, poderá parecer, para os mais fundamentalistas, uma heresia. Tirar-lhe a poltrona, mesmo antes de a majestade perder a coroa, substituindo-a por uma minguada cadeira de praia, uma arriscada blasfémia.

Mas Ricardo II, encenado por Nuno Cardoso para o Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa - em cena até 8 de Julho - é assim uma espécie de imenso jogo de futebol, que também podia ser de xadrez, mas onde "o mecanismo de confrontação entre as duas equipas - a que exerce o poder e aquela sobre quem ele é exercido - extrapola os limites das regras de qualquer desafio".
A ilustração desse divórcio subjaz a toda a peça. A engrenagem sobre a transição de poder de Ricardo II (João Ricardo) para o seu primo Bullingbrook, duque de Hereford (Gonçalo Amorim), que assumirá o título de Henrique IV, "é uma espécie de jogo de espelhos que se vai amplificando, uma dissecação perfeita do movimento antitético entre as duas personagens.

No início, um é rei; o outro apenas um homem. De repente, redefinem-se e os papéis invertem-se. Mas ambos continuam presos. Antes de tudo, à sua identidade". É o poder enquanto "monstro de Frakenstein" "As maiores sevícias praticam-se quando não temos consciência delas. Daí, as grandes catástrofes e a dimensão de loucura que o homem transporta", afirma Nuno Cardoso, para justificar que é justamente "a nossa constante distanciação da aceitação de coisas tão simples como a morte - Ricardo diz: "A morte é a única coisa que nos pertence" - que o "fascina" e o conduz à escolha de textos que versam invariavelmente sobre "temáticas complexas".

A aposta - primeira incursão do encenador pela obra de Shakespeare - parece cínica (os actores são vestidos pela dupla Storytailors com equipamentos de futebol), mas ele garante que é uma peça "serena", sem juízos de valor. "Não estabeleço fronteiras entre o que é justo ou injusto; entre o que é bom ou mau. Esta peça, que é imensa [mais de três horas], é a demonstração da capacidade que temos de ser ambas as coisas ao mesmo tempo. E, neste caso, ambas as coisas na figura daqueles dois reis".

Ancorada num exercício que joga com o "perdurar da memória", e com a ambiguidade fornecida pela banda sonora de Sérgio Delgado, a história desenvolve-se em três momentos que correspondem a três linguagens diferentes o reinado de Ricardo; a invasão e a transição de poder; e a abdicação do Rei, período de síntese num quadro "um bocadinho pervertido" a evocar a última ceia. A causa, o efeito e as consequências.

A equipa de Nuno Cardoso não é a mesma de sempre, mas quase dos 15 actores, Cátia Pinheiro, Luís Araújo, António Júlio e Daniel Pinto pertencem a um grupo que raras vezes não integra as suas criações. O autor do estádio, Fernando Ribeiro, e o dos holofotes, José Álvaro Correia, também estão sempre lá. O núcleo duro, a linguagem cénica e a conexão entre o texto e actualidade serão a marca coerente do encenador que, desde o início, promete fazer uma comédia... que nunca chegou.

terça-feira, junho 12, 2007


[Foto: João Carvalho Pina]

A insegurança é como o medo: atrai os cães.

quarta-feira, junho 06, 2007

As pessoas e as cidades

As pessoas não são as cidades que habitam. Mas também são as cidades que habitam. Ausentes em cidades frias, mesmo se as cidades transpiram de calor. Insistentemente presentes em cidades quentes, mesmo se as cidades são cinzentas. Lisboa e Porto. Não terá a ver com o clima. Talvez com a dimensão, onde ninguém se perde porque nunca se encontrou. Com a cultura de um apurado individualismo, que eventualmente abrirá excepções para uma família restrita de incondicionais. Instinto de sobrevivência.

As pessoas não são as cidades que habitam, mas são completamente diferentes: as do Porto e as de Lisboa. Mesmo que alguns, poucos, de um lado pudessem pertencer ao outro lado e vice versa. A amizade, nas suas quase infinitas possibilidades de demonstração é, também, tão radicalmente diferente que quase não parece a mesma coisa. E, se calhar, não é. Sei hoje, como já sabia antes, que a porta - de casa e do coração - escancarada do Porto, a abnegação, a generosidade, o estar sempre presente, mesmo quando não se pode, não encontra a mais leve simetria em Lisboa.

Nem sempre é possível explicar o que nos aproxima, por dentro, das pessoas; mas é perfeitamente possível saber o que nos afasta. Não estamos juntos! Já não estamos. Alguma vez estivemos?

segunda-feira, maio 28, 2007

Quatro estações


Colaram estrelas de brincar no tecto do quarto para combater as insónias que condicionavam o humor do dia seguinte. Passaram noites e noites com os olhos pendurados no ar. Abriam a janela, mesmo no Inverno, e fingiam estar no Alentejo. Riam. Contavam histórias. Faziam planos. E amor. À noite era sempre verão. Sempre a doce aragem das férias. Adormeciam abraçados. Acordavam como a primavera: de mansinho. Depois, o fuso horário mudou. As estrelas perderam os espectadores. E agora quando os pesadelos lhe torturam o sono já não há ninguém para a salvar. É Outono outra vez.

domingo, maio 27, 2007

Perry Blake


Sinto no Theatro Circo, em Braga, o que até há bem pouco tempo sentia na Casa das Artes, em Famalicão: cada visita tem sempre a garantia de um grande concerto. Foi ontem assim, outra vez, com Perry Blake. Pouco me importa se Paulo Brandão, o director artístico, tem um orçamento que começa a fazer roer de inveja quem gravita no meio. Desde que me saiba dar música, está tudo bem. So long no encore.

A feeling that will never die
Kept a vigil by your side
Helpless as the melting snow
There are things yhat we will never know

sábado, maio 26, 2007

O que é que Reininho não tem?


Não tem 20 anos. É a única coisa que lhe falta. De resto, está lá tudo. É o maior! Se dúvidas houvesse, Rui Reininho mostrou ontem, na Casa da Música, na mais do que preciosa ajuda que deu a Armando Teixeira dos Balla, quem vale quanto em cima de um palco. Grande Reininho!

sexta-feira, maio 25, 2007

European house

Não será o exercício mais simples: pegar em “Hamlet”, clássico maior de Shakespeare, usar o seu significado mas não o seu texto, antecipar a história antes da história que se conhece e não exactamente transportá-la para a actualidade, mas demonstrar que a máquina do tempo avariou na Idade Média. Que a sociedade de uma Europa supostamente de vanguarda, nos seus costumes, nas suas ambições, no seu modo de socialização e individualização continua tão enfranquecida, tão próxima da ruptura como antes. E, no entanto, o resultado de “European House”, trabalho iminentemente poético do catalão Alex Rigola, que abriu anteontem o trigésimo FITEI no Teatro Nacional S. João, no Porto, não poderia ser mais conseguido.

É um teatro sem palavras, lento e silente, real retrato da doméstica condição humana que se espia pela porta da fechadura. Cúmulo do voyeurismo. Nada se ouve, mas tudo se vê naquela casa, que já não é um imponente castelo medieval, mas um apartamento moderno da alta burguesia: três andares e nove assoalhadas literalmente quebradas ao meio para que as possamos vigiar. Numa plataforma que vai acendendo e apagando vê-se o nu menos gratuito da história do teatro e percebem-se as personagens todas de Hamlet manobradas como marionetas por fios que são dúvidas, tentações, pecadilhos invisíveis.

Todas, desde o príncipe, à mãe Gertude, ao tio Claudios, ao melhor amigo Horácio, à amada Ofélia encontram no reino da Dinamarca o seu alter-ego. E têm naquela casa o seu lugar, que não dominam – cada um vive, incomunicante, dentro da sua bolha de oxigénio –, mas ao qual sabem pertencer. Apesar disso, das semelhanças e sugestões, “European House” irá muito mais ao fundo do que Hamlet. Os residentes estão todos mortos, embora respirem. Estão mortos e não sabem ressuscitar.

Este turbulento labirinto interior é construído por Rigola numa peça cheia de subtilezas, num cenário soberbo, com irrepreensível direcção de actores, que representam de forma completamente sincronizada embora não se vejam uns aos outros – também não vêem o público, porque a casa está cortada por um vidro que é espelhado por dentro. E, mesmo sem recurso às palavras, aguentaria mais tempo. No entanto, poderia ter terminado quando os Radiohead começaram a cantar a fatalidade em “No surprises”. No fim, ficamos todos sozinhos. O que haveria a acrescentar à não-felicidade?

quinta-feira, maio 24, 2007

Para onde vão as crianças quando desaparecem?


Quantos dias faltam para que Madeleine McCann deixe de ser notícia? Dois? Menos? Quando o caso mais mediático de um desaparecimento (Rapto? Crime?) deixar de cravar os olhos da populaça à televisão e aos jornais ficarão as cruas questões de sempre por responder. Mas até quando? Até quando será possível aceitar que crianças se evaporem sem, aparentemente, haver a quem recorrer com imaculada eficácia?

Maddie é bela, é rica, é inglesa. O último factor - ancorado em toda a tabloidização do país de origem - terá sido maior alavanca para o mediatismo do caso do que os dois primeiros, embora também esses delírios tenham sido usados para explicar o circo global. Maddie não é especial; Maddie é todas as crianças que desapareceram. E só nestes 21 dias, afirma hoje o DN, já desapareceram 800 menores no Reino Unido. É um grito anónimo a dizer "Basta!" Basta de investigações que esbarram invariavelmente num obstáculo que é sempre invisível. Quem são os pedófilos? De onde lhes vem a capa que lhes possibilita seguir incólumes e, muito provavelmente, a perpetuar sórdidos malabarismos? Onde estão? Serão os colarinhos brancos que mandam no país? Na Polícia Judiciária? Quem os protege? O nacionalíssimo caso Casa Pia, na sua ínfima escala, oferece algumas respostas...

É indiferente se a pedofilia é uma doença ou uma perturbação de qualquer ordem. Facto é que o pedófilo pé-descalço ataca a sobrinha, a filha ou a filha da vizinha. Não raras vezes é apanhado e mais vezes ainda apanhado em flagrante. O outro pedófilo, o que entenderá que é retorcido mas se encara a si próprio como um indivíduo normal de preferências legítimas, integra redes onde ninguém, estranhamente, parece conseguir entrar. Como funciona uma rede de pedofilia? Não será mais importante responder a isto do que entrar nessa onda contestatária, e estéril, em que muitas pessoas parecem estar a entrar, questionando por que não houve a mesma mediatização para outros casos e incentivando outros pais a indignarem-se por não terem beneficiado dos mesmos recursos? A questão crucial é: se nem com esta parefernália de meios se chega a algum lugar, o que estará errado? Se esta investigação conduzir ao aparecimento de Maddie, aí sim, deverá questionar-se porque razão noutros casos não foi despendido o mesmo tempo.

O que pode esperar-se de um país (de um mundo?) que só chora uma criança enquanto a comunicação social a quiser chorar também? E quando ninguém a chorou, o que mudou? Nada! Ninguém pode substituir-se à Justiça, à Judiciária, à Lei, por muito falidos que todos esses sistemas estejam. Não estará mais do que na altura de questionar os procedimentos? De os questionar a sério? Com agulhas? Onde fica a responsabilidade individual de cada um de nós?

A reputação de Robert Murat! Grande celeuma! Se a Câmara de Lisboa caiu só porque Carmona Rodrigues é arguido num caso de gravidade infinitamente inferior, porque raio há-de ter-se cautela com o principal suspeito do desaparecimento de Maddie? Daqui a meio ano já ninguém se lembrará dele. Daqui a meio ano talvez a criança ainda não tenha aparecido. Talvez Murat, Malinka e outros pervertidos sejam os últimos a rir. E nunca, nunca ninguém mais há-de lembrar-se... até ao dia em que a criança for a nossa. Mas os pedófilos não conseguem roubar as crianças todas do mundo. Portanto, a maior parte das consciências estarão ilibadas.

domingo, maio 20, 2007

Voando sobre um ninho...de aves


A frase tem direitos de autor.
Somos campeões! Outra vez.

quinta-feira, maio 17, 2007

Sebastian Chamfort


"A felicidade é coisa delicada:
é difícil encontrá-la em nós
e impossível encontrá-la em algum lugar".

quarta-feira, maio 16, 2007

Blonde redhead

Silently, I wish to sail into your port, I am your sailor
Quietly, I drop my weight into your sea, I drop my anchor
I sway in your waves, I sing in your sleep
I stay till I'm in your life

I realize now you're not to be blamed my love
You didn't choose your name my love
You never crossed the seven seas
I realize now you're not to be blamed my love
You didn't choose your name my love
You never crossed the seven seas

Oh, sweet creature
I know exactly how you feel
Your clock is ticking, tick tack tick tack
Your heart is beating tum tum tum tum tum

Silently, I wish to sail into your port, I am your sailor
Quietly, I drop my weight into your sea, I drop my anchor

I realize now you're not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
You die a little in my arm
I realize now you're not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
We never crossed the seven seas
I realize now you die a little in my arm
Before you even taste my love
We never crossed the seven seas
I realize now you re not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
You die a little in my arm
I realize now

Avenida Paulista


[Foto: Ricardo Meireles]

Quando um cronista que acompanho religiosamente salta para a ribalta com uma compilação de textos publicados numa revista qualquer acontece-me ser invadida por uma raiva turbulenta, mas facilmente explicável. Não passo anos e anos a criar dossiers de autor com recortes de imprensa temática e cronologicamente tratados e enfiados dentro de pijamas transparentes para depois vir uma editora desvalorizar essa dedicação minuciosa, oferecendo a todos com facilidade aquilo que me custa horas de empenho. Empenho e, sim, eu sei, ilusão de raridade.

Com João Pereira Coutinho, de quem acaba de ser editado "Avenida paulista", selecção de 45 crónicas - entre sambas e chorinhos e com direito a encore - publicadas semanalmente na Folha de S. Paulo, oferecidas com a revista Sábado desta semana, e não acessíveis n'O Sítio de forma integral, foi diferente. Os textos que agora acabo de ler são tão mordazes e, por isso, tão bons como todos os outros: os do Expresso e os do Independente (reunidos em ‘Vida Independente: 1998-2003’, publicado em 2004). Mas, também, tão bons como os do Jornal de Matosinhos. E esses nunca foram publicados em livro. Duvido que alguma vez sejam.

Nessa altura, 1995 ou 1996, o João, sendo ainda praticamente um menino - devia ter uns 19, 20 anos -, embora já ostentasse aquela pose severa, era o João sem medo. Escrevia como nunca ninguém escreveu num jornal paroquial. Dava comigo, em Braga, a implorar que me comprassem o Jornal de Matosinhos. Até que um dia desafiou Narciso Miranda e foi parar ao Tribunal. Já não me lembro se ganhou. Mas desde essa altura que sei que se o João fosse um cavalo e as crónicas uma corrida de hipismo valeria a pena apostar nele.

terça-feira, maio 15, 2007

Robert Murat: divulgar ou esconder?


Deviam ou não os jornais e as televisões divulgar a imagem de Robert Murat, intérprete voluntário das investigações no caso do desaparecimento de Madeleine subitamente transformado em suspeito e, desde ontem, em arguido? Deviam!

Do ponto de vista da ética profissional, não sei. Reconheço a absoluta dificuldade para raciocinar em termos de deontologia jornalística quando o assunto é pedofilia, seja qual for a sua forma de materialização: efectivamente praticada ou, apenas, visionada em sites do ramo. Aliás, em qualquer um dos casos, defendo uma solução simples e eficaz: morte lenta, dolorosa, com recurso estratégico a todas as ferramentas humanamente incorrectas, incluindo a legalizada castração química: pedras, paus, choques eléctricos e talvez, também, a recuperação de algumas técnicas usadas pelos nazis. Há casas específicas para portadores de perturbações graves e insanáveis, mas no caso da pedofilia a melhor casa é mesmo um caixote subterrâneo, vários palmos abaixo da terra.

Entre a possibilidade de estar a cometer-se uma enorme injustiça ao sinalizar o homem por algo que porventura não terá feito e a aterradora hipótese da impunidade de alguém que há 12 dias não tem qualquer pudor em brincar com a inclassificável dor de alguém, prefiro claramente a primeira. Porque a primeira é resolúvel; a outra, como demonstram as centenas de crianças desaparecidas pelo mundo fora, não.

segunda-feira, maio 14, 2007

Little Maddie


A dor é um fluído sanguíneo que só tem um de dois caminhos possíveis: corre nas nossas veias ou nas veias dos outros. E quando corre nas veias dos outros é fácil dissertar sobre a sua trajectória. Sobre o que não foi perfeito e deveria ter sido.

Depois do facilitismo fatal do casal inglês, quem será capaz de deixar três filhos a dormir para degustar um jantar a menos de 50 metros? Antes do casal inglês, quantos de nós não o terão já feito?

A Comunicação Social insiste, diariamente, nas possíveis penalizações da negligência. Não bastará, como condenação, o resto da vida no escuro?

domingo, maio 13, 2007

My best friend's wedding

Casar o melhor amigo é mais ou menos como casar um filho único. Sabemos que temos que o deixar ir, mas não conseguimos evitar o travo de um certo abandono. Sabemos que o amor que nos une é necessariamente diferente - nem melhor nem pior, nem maior nem menor - do amor que o liga à pessoa que entretanto o resgatou, mas não conseguimos não reclamar a antiguidade do posto. Ficamos felizes se ela o fizer feliz, claro, mas nunca conseguiremos aceitá-la plenamente. Se ela o magoar, é uma mulher morta. Ela conhece o risco.

Casei ontem o meu melhor amigo com a inevitável pirâmide de contradições egoístas no peito. Mas com a certeza de um privilégio maior que, sei agora, nem todos alguma vez experimentaram. Já não somos os melhores amigos; não, agora somos irmãos de coração - impermeáveis a tudo. Também ao casamento.

Há uns anos largos, amigos à prova da bala, da distância, do apuramento de personalidade, do sufoco profissional, das crises existenciais e dos encantamentos efémeros, decidimos imitar a Julia Roberts e o Dermot Mulroney, prometendo casar um com o outro se aos 30 anos ainda estivéssemos solteiros. Ele casou na véspera do aniversário; a promessa perdeu a validade. Mas depois de termos atravessado a infância, a adolescência e o início da vida adulta a jurar quase diariamente aos pais, aos amigos, aos amigos dos amigos que não, não éramos namorados, nem amantes, nem apaixonados platónicos; e que não, não vacilávamos um com o outro, nem adiávamos qualquer espécie de inevitabilidade, não estava preparada para a sucessão de perguntas monocórdicas a que tive de responder. A mãe da noiva: "Ah, então tu é que és a pessoa X?"; A mãe do noivo: "Ah, sempre decidiste vir?"; A irmã do noivo: "Já tinha perguntado por ti. Estás bem?"; Os amigos do noivo: "E agora?"

E agora, só quem nunca soube o que é amizade a sério, tão-mas-tão-a-sério, duvida da possibilidade da amizade entre dois sexos sem qualquer interferência de outra natureza. "Deixa-os lá. Entre nós, não muda nada". Eu sei.

"I say a little prayer for you
Forever, and ever, you'll stay in my heart
And I will love you
Forever, and ever, we never will part
Oh, how I love you
Together, together, that's how it must be".

sexta-feira, maio 11, 2007

Al Berto

[Nelson D'Aires]

"Tenho saudades dos lugares onde nunca estive,
porque só nesses lugares, dizem, a vida continua".

quinta-feira, maio 10, 2007

La Féria na cruz

O tema do musical que Filipe La Féria há-de estrear um destes dias no Teatro Rivoli, no Porto - Jesus Cristo Superstar - não poderia ser mais irónico. Numa cidade que cultiva uma necessidade obssessiva de ter inimigos abater, a cegueira parece começar a confundir o alvo. Crucifixa-se La Féria e iliba-se Rui Rio. Ou seja, mata-se a doença, mas deixa-se viver o que a provocou.

quarta-feira, maio 09, 2007

Aos sonhos

Trata-a ainda por miúda, mesmo se ela está quase a beneficiar dos descontos culturais que o país atribui aos reformados. "É a minha miúda!", diz naquela voz rouca e quente que o caracteriza. "É a minha miúda desde os 14 anos", insiste, orgulhoso. "Vi-a e soube logo que nunca mais a largaria". Ela, tímida a enrolar os dedos finos das mãos, arrisca a provocação: "Bem tentei, mas nunca mais consegui fugir". Riem como meninos, sopram beijos por cima da mesa do Majestic, estendem os braços um ao outro.

Celebram no Porto, "cidade onde o coração arde", quarenta e sete anos de vida comum. "Não fui um marido fiel", confessa, os olhos a encherem-se de água. Ela abana a cabeça, condescendente. Sempre soube; sempre perdoou. "Não fui um marido fiel", repete. Pega-lhe na mão, afaga-lhe o anel de ouro impecavelmente pulido. "Sempre gostei de ti, sempre te amei. Mas queria amar tudo. Não te ter perdido é a maior benção que recebi na vida". "Eu sei, eu sei", responde ela, baixinho. "Não foi fácil, mas é muito bonito chegar aqui".

Quase 20 anos mais velho - mais crescido, como prefere dizer -, fisicamente demasiado idêntico a Fidel Castro, mas com um coração sem qualquer semelhança, ele é um homem do mundo. "Foge comigo", pediu-lhe quando a conheceu. Ela consentiu, mas só depois de terminar o sétimo ano. Ele esperou. No primeiro ano da universidade já eram marido e mulher. Desde então, ele serve-lhe, diariamente, o pequeno-almoço na cama com as notícias dos jornais internacionais já devidamente seleccionadas. Ela completa-lhe as frases dos episódios que a memória começa a apagar. Amor para sempre. Correram o mundo juntos: ele como embaixador; ela como professora. Regressaram há pouco mais de três anos de Israel, a última paragem. Vivem em Lisboa, "cidade onde nem os calos ardem".

"O coração arde quando vamos para lugares onde vivem pessoas de quem gostamos muito. Arde no Porto. Arde na Guarda. Arde nos sítios onde as pessoas têm o coração nos olhos, onde sabem receber o que temos para dar". Ardeu muito em África durante cinco anos. "Deus deu-me o dom de amar os outros; de os amar de verdade", diz ele que não se perdoa por ter vindo embora. "Todos os dias acordo com esse remorso. O remorso de os ter abandonado. Sei que a vida deles piorou". A vida de todos quantos passaram a fazer parte da sua casa. Da sua vida.

Um brinde para travar o galope das lágrimas. "À vida!", diz alguém. "À vida é muito pouco", interrompe ele. "Aos sonhos! Ao que é maior do que a vida!" Ele é.

I didn't understand



Thought you'd be looking for the next in line to love then ignore
put out and put away
and so you'd soon be leaving me along like i'm supposed to be tonight,
tomorrow and everyday
there's nothing here that you'll miss
I can guarantee you this
is a cloud of smoke
trying to occupy space
what a fucking joke
what a fucking joke
I waited for a bus to separate the both of us and take me off faraway from you
Because my feelings never change a bit
I always feel like shit
I don't know why
I guess that i "just do"
you once talked to me about love
and you painted pictures of a never-neverland
and i could've gone to that place
but i didn't understand
I didn't understand
I didn't understand

sexta-feira, maio 04, 2007

Quem quer comentar a política da praça?

Há vários tipos de comentadores a analisar a política da praça na televisão: Marcelo Rebelo de Sousa que é, só por si, um género; directores de jornais que já não o são, famintos como Inês Serra Lopes ou Mário Betencourt Resendes; directores de jornais que ainda o são, mas já não deviam ser há muito tempo, tendenciosos como José Manuel Fernandes; directores de jornais de protagonismo renovado, como João Marcelino; figurinhas que por obra e graça de algum espírito profano já sentaram, também, os neurónios numa cadeira do poder jornalístico, ambiciosos desbragados como Luís Delgado; e os personagens da própria política, que na cabeça são políticos, na aparência são profissionais de uma coisa qualquer e à noite são analistas, como Pacheco Pereira, Jorge Coelho ou Lobo Xavier. Mas nenhum, com todas as suas vicissitudes, conseguiu alguma vez ter uma prestação tão má como a de Inês Serra Lopes, ontem, na RTP 2. Até Carmona Rodrigues deve ter ficado envergonhado. Enfim, mais envergonhado, se é que isso ainda é possível.

quinta-feira, maio 03, 2007

Queima das Fitas

Percebemos o tempo a tombar, cumprindo o seu circuito impiedoso, quando a queima das fitas passa a ser, apenas, um ritual distante de memórias distorcidas, contraditórias, agradáveis, mas irrepetíveis. Há dez anos, o mês de Maio representava uma maratona acelerada num carrosel de concertos, bebedeiras curadas em cima de bebedeiras, noites sem dormir, mesmo que estivesse muito frio, e às vezes estava, sempre a correr, cortejos de declarações inteiras, t-shirts de curso com tinta desbotada para a posteridade, vai-e-vém de autocarros e boleias, o dobro dentro da lotação de cada carro, todos juntos, todos frenéticos para sorver da vida cada milésimo de segundo. Nada se perdia. Braga no coração - santoinho de todas as perdições -, o Porto ali ao lado - "Love is in the air", braços no ar e a ambulância a levar um dos nossos - Coimbra na recta final da semana, Vila Real ainda a seguir. Nada nos escapava. Era a semana de todos os cansaços; semana de cansaço nenhum. A vida era maior do que isso.

Atentamente observados de fora, ninguém daria nada por nós. Nós que, de manhã cedo, já tinhamos emborcado várias garrafas de Whisky, armado confusão em todas as paragens, montado a tenda no meio da estrada. Não era assim para nos orgulharmos; era assim porque era assim. Sem legendas. Imensamente felizes, profundamente unidos, desastradamente loucos. Ninguém se perdeu. Pelo contrário. Fomos os únicos a nunca duvidar.

Tentámos, nos anos seguintes, fazer de conta que éramos, ainda, parte daquilo. Daquele sempre inesquecível Maio maior. Mas passámos a ter relógio. O tempo muda tudo. E - é verdade - nunca devemos voltar ao local onde fomos felizes. Hoje, quando chega o período da Queima, dou comigo, apenas, a querer que não me marquem essa reportagem. Marcam sempre, não sei porquê. Mas sei que devia ser proibido. Os rituais dos outros assassinam os nossos.

SMS

É, no mínimo, curioso como as pessoas, sem se verem ou tocarem, conseguem provocar reacções físicas fortes nas outras. Diálogos de sms em catadupa usados como um jogo de tetris, cujo objectivo é fazer encaixar as palavras (as provocações?) - e não os legos. O que nos aproxima dos estranhos afasta-nos dos amigos-amigos. E, no entanto, a ferramenta é a mesma. O que faz a diferença?

quarta-feira, maio 02, 2007

Eu não


Sem grande parafernália, o Teatro Plástico tem em cena (até depois de amanhã), no Espaço Passos Manuel, no Porto, "Eu não", micro peça de Samuel Beckett (1906-1987), tal e qual como o dramaturgo a concebeu, em 1972. Um palco que não se vê; uma voz vagamente iluminada que se basta. É tudo.

Francisco Alves volta a privilegiar o texto, a escolher um monólogo, a assinar uma encenação que não é um ponto de chegada, mas antes a indicação de um caminho. Parecendo demasiado simples, é, talvez, a escolha mais complexa do director. E a mais arrojada. O texto, em loop (interpretado por Romi Soares), é um jogo de intermitências: agarra-nos e solta-nos; leva-nos à Irlanda e devolve-nos ao lugar. Sucessivamente, até ao fim.

É história de uma mulher de 70 anos em rewind: desenterra o passado, vagueia pelas lágrimas que chorou desde que nasceu, senta-se sobre a solidão, deixa-se perturbar pelo zunido do tempo, antecipa a morte. Porquê o desabafo? Porque, para Beckett, o personagem só existe quando olham para ele. Se olham, ele tem que revelar-se. "Eu não", é mais sobre o silêncio do que sobre o que se diz.

The snow abides


Para ouvir em repeat até à exaustão. Menos de 20 minutos, cinco temas compostos e tocados por Michael Cashmore, muito piano, a voz inconfundível de Anthony e as letras de David Tibet. "The snow abides", mini álbum editado em Fevereiro, é um absoluto tesouro.

Curtas by Saguenail

É no Passos Manuel que se desvendam os segredos do Porto.

É lá que, amanhã, às 22 horas, é projectada a trilogia (rodada entre 2001 e 2006) de Saguenail, cineasta a viver na cidade desde 1975. As três curtas metragens - "Antes de amanhã"; "A imitação"; "Mau dia" - centram-se naquele que é, ainda, o local de vivência portuense por excelência: o café. O espaço "é tratado cinematograficamente como lugar de intimidade onde vidas - reais, fantasmáticas ou míticas - se constroem e desconstroem".

Antes disso, serão lançados quatro novos livros, editados pela Hélastre (fundada por Saguenail e Regina Guimarães, "razão social e signo da sua obra comum"), na colecção "Français langue étrange". Os livros: "Foule"; "Tentation"; "Il n'y a pas de saisons en enfer"; "Les rendez-vous manqués".

No sábado, também às 22 horas, Regina Guimarães exibe o seu vídeo-retábulo, "Meu deus".