"Há falta de imaginação no Porto para o que quer que seja. É uma cidade com o cérebro sequestrado. Sofreu uma lobotomia e parece que ninguém deu por nada. Não gosto da ideia de cargo, é muito pesada. sexta-feira, julho 20, 2007
Paulo Cunha e Silva
"Há falta de imaginação no Porto para o que quer que seja. É uma cidade com o cérebro sequestrado. Sofreu uma lobotomia e parece que ninguém deu por nada. Não gosto da ideia de cargo, é muito pesada. quinta-feira, julho 19, 2007
Eutanásia
[Foto: Nelson D'Aires]Guillemots no Sudoeste

quarta-feira, julho 18, 2007
La Palisse

terça-feira, julho 17, 2007
João Pereira Coutinho

"A ‘Folha’ paga melhor. Quando o ‘Expresso’ subir a parada, começo a elogiar Portugal e os portugueses semana sim, semana sim."
João Pereira Coutinho, Farpas JN
segunda-feira, julho 16, 2007
José Miguel Júdice
"Os portugueses são uns vidrinhos. Eu fui vítima dos vidrecos. Portanto, estou sempre do lado daqueles que têm processos disciplinares por razões que têm a ver com a forma como falam ou deixam de falar."José Miguel Júdice, Farpas JN
domingo, julho 15, 2007
Eleições intercalares de Lisboa
Miguel Sousa Tavares

terça-feira, julho 10, 2007
Bjork
but i haven't met you yet
so special
but it hasn't happened yet
you are gorgeous
but i haven't met you yet
i remember
but it hasn't happened yet
and if you believe in dreams
or what is more important
that a dream can come true
i will meet you
i was peaking
but it hasn't happened yet
i haven't been given my best souvenir
i miss you
but i haven't met you yet
i know your habits
but wouldn't recognize you yet
and if you believe in dreams
or what is more important
that a dream can come true
i will meet you
i'm so impatient
i can't stand the wait
when will i get my cuddle?
who are you?
i know by now that you'll arrive
by the time i stop waiting
i miss you
domingo, julho 08, 2007
Da minha janela
sábado, julho 07, 2007
Críticos de teatro

sexta-feira, julho 06, 2007
quinta-feira, julho 05, 2007
Runaway train
quarta-feira, julho 04, 2007
Arcade Fire

sábado, junho 30, 2007
Lisboa íntima
Estou mais ou menos a borrifar-me para as eleições autárquicas de Lisboa, tirando o facto de estar farta do tempo de antena que ocupam nas televisões e nos jornais. Portanto, é-me perfeitamente indiferente o sítio de eleição de cada candidato que o Expresso apresenta, hoje, na Única. "As casas onde cresceram, as vistas que os deslumbram, os cafés ou restaurantes irresistíveis, os lugares a que voltam sempre, os segredos que guardam em Lisboa". Não quero saber.
Volver
sexta-feira, junho 29, 2007
Dr. House III - último episódio
quinta-feira, junho 28, 2007
quarta-feira, junho 27, 2007
"Plataforma - No meio do mundo"
Os franceses são e sempre foram pretensiosos. Dizerem de Houellebeqc, de nome verdadeiro Michel Thomas, que escreve romances como quem escreve "memorandos de uma empresa", é uma profunda injustiça. Argumentarem que é vastamente lido nos outros países apenas porque a sua hermenêutica é simplista, de uma sobranceria desconcertante. Houellebecq não escreve como escrevem os franceses: não é Honoré de Balzac, não é Charles Perrault, nem Chanford, nem Dumas, nem Duras, nem Flaubert, nem Camus, nem Hugo, nem... Não sei se é uma virtude, mas sei que está longe de ser um defeito. E reduzir os seus livros a uma maratona de obsessões sexuais - mesmo que seja esse, aparentemente, o denominador comum de todas as suas publicações -, sinceramente, é não ser capaz de chegar lá, ao lugar onde é suposto chegar-se.
"Plataforma" cruza a apoteose do turismo sexual dos resorts asiáticos com o cutelo do fundamentalismo islâmico, desmascarando de forma atroz as contingências da contemporaneidade nos dois extremos do mundo. Do Ocidente pudico, que cora quando o tema é sexo, mas que ruma para paragens tão distantes quanto possível para se entregar aos braços do prazer, não hesitando em pagar por isso. "Essa busca desesperada, equiparada à de alguém que foge da sua própria sombra, é bem conhecida nos meios ligados ao turismo, que lhe chama o paradoxo da «double mind»". E do Islão mentecapto, de crenças doentias, para quem a morte é sempre a primeira arma contra o pecado. O seu pecado. "Chegará certamente o dia em que o mundo ficará livre do Islão; embora para mim seja tarde demais. Lamentavelmente, falta de vontade de viver não é o suficiente para sentirmos vontade de morrer."
Ao terceiro romance, a novidade, do ponto de vista da existência do protagonista, é a benção do amor - "Quando falta o amor, nada pode ser santificado." - a que, até então, nunca se assistira. Michel, que mantém em comum com os personagens dos livros anteriores, o desprezo pelos homossexuais e pelos muçulmanos, a dedicação vaga à profissão (excepção para Michel, o biólogo molecular de 'Partículas'), a aversão à América e a consagração a uma existência desinteressante e desinteressada - "É fácil renunciarmos a viver, pormos de lado a nossa própria vida" -, pouco católica e pouco altruísta, apaixona-se de forma derradeira. Seria o início de um ciclo novo, se não ficasse drasticamente interrompido pela demonstração de incompatibilidade cultural e religiosa entre os mundos todos.
"Plataforma" é, à sua maneira, uma história de amor. Mas "quando a vida amorosa acaba, é a vida no seu conjunto que adquire qualquer coisa um pouco forçada e convencional. Permanece o aspecto humano e os comportamentos habituais, como uma espécie de estrutura; mas, para empregar uma expressão corrente, o coração já não mora aqui".
terça-feira, junho 26, 2007
O poder de Berardo
Time Out Lisboa

Prós & Contras II
Prós & Contras
domingo, junho 24, 2007
Noite de S. João
sexta-feira, junho 22, 2007
Fosse só o Rivoli....
E depois, a cultura de Rui Rio não é só La Féria; não é só um lençol vazio. É, também, um improvável concerto dos Keane que a Câmara, vá lá saber-se porquê, decidiu promover em Agosto.
Viva Rui Rio! Viva!
quinta-feira, junho 21, 2007
Rui Rio, the big brother
quarta-feira, junho 20, 2007
Restart
terça-feira, junho 19, 2007
Ricardo II
[Foto: Bruno Castanheira]Mas Ricardo II, encenado por Nuno Cardoso para o Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa - em cena até 8 de Julho - é assim uma espécie de imenso jogo de futebol, que também podia ser de xadrez, mas onde "o mecanismo de confrontação entre as duas equipas - a que exerce o poder e aquela sobre quem ele é exercido - extrapola os limites das regras de qualquer desafio".
A ilustração desse divórcio subjaz a toda a peça. A engrenagem sobre a transição de poder de Ricardo II (João Ricardo) para o seu primo Bullingbrook, duque de Hereford (Gonçalo Amorim), que assumirá o título de Henrique IV, "é uma espécie de jogo de espelhos que se vai amplificando, uma dissecação perfeita do movimento antitético entre as duas personagens.
No início, um é rei; o outro apenas um homem. De repente, redefinem-se e os papéis invertem-se. Mas ambos continuam presos. Antes de tudo, à sua identidade". É o poder enquanto "monstro de Frakenstein" "As maiores sevícias praticam-se quando não temos consciência delas. Daí, as grandes catástrofes e a dimensão de loucura que o homem transporta", afirma Nuno Cardoso, para justificar que é justamente "a nossa constante distanciação da aceitação de coisas tão simples como a morte - Ricardo diz: "A morte é a única coisa que nos pertence" - que o "fascina" e o conduz à escolha de textos que versam invariavelmente sobre "temáticas complexas".
A aposta - primeira incursão do encenador pela obra de Shakespeare - parece cínica (os actores são vestidos pela dupla Storytailors com equipamentos de futebol), mas ele garante que é uma peça "serena", sem juízos de valor. "Não estabeleço fronteiras entre o que é justo ou injusto; entre o que é bom ou mau. Esta peça, que é imensa [mais de três horas], é a demonstração da capacidade que temos de ser ambas as coisas ao mesmo tempo. E, neste caso, ambas as coisas na figura daqueles dois reis".
Ancorada num exercício que joga com o "perdurar da memória", e com a ambiguidade fornecida pela banda sonora de Sérgio Delgado, a história desenvolve-se em três momentos que correspondem a três linguagens diferentes o reinado de Ricardo; a invasão e a transição de poder; e a abdicação do Rei, período de síntese num quadro "um bocadinho pervertido" a evocar a última ceia. A causa, o efeito e as consequências.
A equipa de Nuno Cardoso não é a mesma de sempre, mas quase dos 15 actores, Cátia Pinheiro, Luís Araújo, António Júlio e Daniel Pinto pertencem a um grupo que raras vezes não integra as suas criações. O autor do estádio, Fernando Ribeiro, e o dos holofotes, José Álvaro Correia, também estão sempre lá. O núcleo duro, a linguagem cénica e a conexão entre o texto e actualidade serão a marca coerente do encenador que, desde o início, promete fazer uma comédia... que nunca chegou.
terça-feira, junho 12, 2007
quarta-feira, junho 06, 2007
As pessoas e as cidades
As pessoas não são as cidades que habitam, mas são completamente diferentes: as do Porto e as de Lisboa. Mesmo que alguns, poucos, de um lado pudessem pertencer ao outro lado e vice versa. A amizade, nas suas quase infinitas possibilidades de demonstração é, também, tão radicalmente diferente que quase não parece a mesma coisa. E, se calhar, não é. Sei hoje, como já sabia antes, que a porta - de casa e do coração - escancarada do Porto, a abnegação, a generosidade, o estar sempre presente, mesmo quando não se pode, não encontra a mais leve simetria em Lisboa.
Nem sempre é possível explicar o que nos aproxima, por dentro, das pessoas; mas é perfeitamente possível saber o que nos afasta. Não estamos juntos! Já não estamos. Alguma vez estivemos?
segunda-feira, maio 28, 2007
Quatro estações

domingo, maio 27, 2007
Perry Blake

A feeling that will never die
Kept a vigil by your side
Helpless as the melting snow
There are things yhat we will never know
sábado, maio 26, 2007
O que é que Reininho não tem?

sexta-feira, maio 25, 2007
European house
É um teatro sem palavras, lento e silente, real retrato da doméstica condição humana que se espia pela porta da fechadura. Cúmulo do voyeurismo. Nada se ouve, mas tudo se vê naquela casa, que já não é um imponente castelo medieval, mas um apartamento moderno da alta burguesia: três andares e nove assoalhadas literalmente quebradas ao meio para que as possamos vigiar. Numa plataforma que vai acendendo e apagando vê-se o nu menos gratuito da história do teatro e percebem-se as personagens todas de Hamlet manobradas como marionetas por fios que são dúvidas, tentações, pecadilhos invisíveis.
Todas, desde o príncipe, à mãe Gertude, ao tio Claudios, ao melhor amigo Horácio, à amada Ofélia encontram no reino da Dinamarca o seu alter-ego. E têm naquela casa o seu lugar, que não dominam – cada um vive, incomunicante, dentro da sua bolha de oxigénio –, mas ao qual sabem pertencer. Apesar disso, das semelhanças e sugestões, “European House” irá muito mais ao fundo do que Hamlet. Os residentes estão todos mortos, embora respirem. Estão mortos e não sabem ressuscitar.
Este turbulento labirinto interior é construído por Rigola numa peça cheia de subtilezas, num cenário soberbo, com irrepreensível direcção de actores, que representam de forma completamente sincronizada embora não se vejam uns aos outros – também não vêem o público, porque a casa está cortada por um vidro que é espelhado por dentro. E, mesmo sem recurso às palavras, aguentaria mais tempo. No entanto, poderia ter terminado quando os Radiohead começaram a cantar a fatalidade em “No surprises”. No fim, ficamos todos sozinhos. O que haveria a acrescentar à não-felicidade?
quinta-feira, maio 24, 2007
Para onde vão as crianças quando desaparecem?

Maddie é bela, é rica, é inglesa. O último factor - ancorado em toda a tabloidização do país de origem - terá sido maior alavanca para o mediatismo do caso do que os dois primeiros, embora também esses delírios tenham sido usados para explicar o circo global. Maddie não é especial; Maddie é todas as crianças que desapareceram. E só nestes 21 dias, afirma hoje o DN, já desapareceram 800 menores no Reino Unido. É um grito anónimo a dizer "Basta!" Basta de investigações que esbarram invariavelmente num obstáculo que é sempre invisível. Quem são os pedófilos? De onde lhes vem a capa que lhes possibilita seguir incólumes e, muito provavelmente, a perpetuar sórdidos malabarismos? Onde estão? Serão os colarinhos brancos que mandam no país? Na Polícia Judiciária? Quem os protege? O nacionalíssimo caso Casa Pia, na sua ínfima escala, oferece algumas respostas...
É indiferente se a pedofilia é uma doença ou uma perturbação de qualquer ordem. Facto é que o pedófilo pé-descalço ataca a sobrinha, a filha ou a filha da vizinha. Não raras vezes é apanhado e mais vezes ainda apanhado em flagrante. O outro pedófilo, o que entenderá que é retorcido mas se encara a si próprio como um indivíduo normal de preferências legítimas, integra redes onde ninguém, estranhamente, parece conseguir entrar. Como funciona uma rede de pedofilia? Não será mais importante responder a isto do que entrar nessa onda contestatária, e estéril, em que muitas pessoas parecem estar a entrar, questionando por que não houve a mesma mediatização para outros casos e incentivando outros pais a indignarem-se por não terem beneficiado dos mesmos recursos? A questão crucial é: se nem com esta parefernália de meios se chega a algum lugar, o que estará errado? Se esta investigação conduzir ao aparecimento de Maddie, aí sim, deverá questionar-se porque razão noutros casos não foi despendido o mesmo tempo.
O que pode esperar-se de um país (de um mundo?) que só chora uma criança enquanto a comunicação social a quiser chorar também? E quando ninguém a chorou, o que mudou? Nada! Ninguém pode substituir-se à Justiça, à Judiciária, à Lei, por muito falidos que todos esses sistemas estejam. Não estará mais do que na altura de questionar os procedimentos? De os questionar a sério? Com agulhas? Onde fica a responsabilidade individual de cada um de nós?
A reputação de Robert Murat! Grande celeuma! Se a Câmara de Lisboa caiu só porque Carmona Rodrigues é arguido num caso de gravidade infinitamente inferior, porque raio há-de ter-se cautela com o principal suspeito do desaparecimento de Maddie? Daqui a meio ano já ninguém se lembrará dele. Daqui a meio ano talvez a criança ainda não tenha aparecido. Talvez Murat, Malinka e outros pervertidos sejam os últimos a rir. E nunca, nunca ninguém mais há-de lembrar-se... até ao dia em que a criança for a nossa. Mas os pedófilos não conseguem roubar as crianças todas do mundo. Portanto, a maior parte das consciências estarão ilibadas.
domingo, maio 20, 2007
quinta-feira, maio 17, 2007
Sebastian Chamfort

é difícil encontrá-la em nós
e impossível encontrá-la em algum lugar".
quarta-feira, maio 16, 2007
Blonde redhead
Quietly, I drop my weight into your sea, I drop my anchor
I sway in your waves, I sing in your sleep
I stay till I'm in your life
I realize now you're not to be blamed my love
You didn't choose your name my love
You never crossed the seven seas
I realize now you're not to be blamed my love
You didn't choose your name my love
You never crossed the seven seas
Oh, sweet creature
I know exactly how you feel
Your clock is ticking, tick tack tick tack
Your heart is beating tum tum tum tum tum
Silently, I wish to sail into your port, I am your sailor
Quietly, I drop my weight into your sea, I drop my anchor
I realize now you're not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
You die a little in my arm
I realize now you're not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
We never crossed the seven seas
I realize now you die a little in my arm
Before you even taste my love
We never crossed the seven seas
I realize now you re not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
You die a little in my arm
I realize now
Avenida Paulista

[Foto: Ricardo Meireles]
Com João Pereira Coutinho, de quem acaba de ser editado "Avenida paulista", selecção de 45 crónicas - entre sambas e chorinhos e com direito a encore - publicadas semanalmente na Folha de S. Paulo, oferecidas com a revista Sábado desta semana, e não acessíveis n'O Sítio de forma integral, foi diferente. Os textos que agora acabo de ler são tão mordazes e, por isso, tão bons como todos os outros: os do Expresso e os do Independente (reunidos em ‘Vida Independente: 1998-2003’, publicado em 2004). Mas, também, tão bons como os do Jornal de Matosinhos. E esses nunca foram publicados em livro. Duvido que alguma vez sejam.
Nessa altura, 1995 ou 1996, o João, sendo ainda praticamente um menino - devia ter uns 19, 20 anos -, embora já ostentasse aquela pose severa, era o João sem medo. Escrevia como nunca ninguém escreveu num jornal paroquial. Dava comigo, em Braga, a implorar que me comprassem o Jornal de Matosinhos. Até que um dia desafiou Narciso Miranda e foi parar ao Tribunal. Já não me lembro se ganhou. Mas desde essa altura que sei que se o João fosse um cavalo e as crónicas uma corrida de hipismo valeria a pena apostar nele.
terça-feira, maio 15, 2007
Robert Murat: divulgar ou esconder?

Do ponto de vista da ética profissional, não sei. Reconheço a absoluta dificuldade para raciocinar em termos de deontologia jornalística quando o assunto é pedofilia, seja qual for a sua forma de materialização: efectivamente praticada ou, apenas, visionada em sites do ramo. Aliás, em qualquer um dos casos, defendo uma solução simples e eficaz: morte lenta, dolorosa, com recurso estratégico a todas as ferramentas humanamente incorrectas, incluindo a legalizada castração química: pedras, paus, choques eléctricos e talvez, também, a recuperação de algumas técnicas usadas pelos nazis. Há casas específicas para portadores de perturbações graves e insanáveis, mas no caso da pedofilia a melhor casa é mesmo um caixote subterrâneo, vários palmos abaixo da terra.
Entre a possibilidade de estar a cometer-se uma enorme injustiça ao sinalizar o homem por algo que porventura não terá feito e a aterradora hipótese da impunidade de alguém que há 12 dias não tem qualquer pudor em brincar com a inclassificável dor de alguém, prefiro claramente a primeira. Porque a primeira é resolúvel; a outra, como demonstram as centenas de crianças desaparecidas pelo mundo fora, não.
segunda-feira, maio 14, 2007
Little Maddie

Depois do facilitismo fatal do casal inglês, quem será capaz de deixar três filhos a dormir para degustar um jantar a menos de 50 metros? Antes do casal inglês, quantos de nós não o terão já feito?
A Comunicação Social insiste, diariamente, nas possíveis penalizações da negligência. Não bastará, como condenação, o resto da vida no escuro?
domingo, maio 13, 2007
My best friend's wedding
Casei ontem o meu melhor amigo com a inevitável pirâmide de contradições egoístas no peito. Mas com a certeza de um privilégio maior que, sei agora, nem todos alguma vez experimentaram. Já não somos os melhores amigos; não, agora somos irmãos de coração - impermeáveis a tudo. Também ao casamento.
Há uns anos largos, amigos à prova da bala, da distância, do apuramento de personalidade, do sufoco profissional, das crises existenciais e dos encantamentos efémeros, decidimos imitar a Julia Roberts e o Dermot Mulroney, prometendo casar um com o outro se aos 30 anos ainda estivéssemos solteiros. Ele casou na véspera do aniversário; a promessa perdeu a validade. Mas depois de termos atravessado a infância, a adolescência e o início da vida adulta a jurar quase diariamente aos pais, aos amigos, aos amigos dos amigos que não, não éramos namorados, nem amantes, nem apaixonados platónicos; e que não, não vacilávamos um com o outro, nem adiávamos qualquer espécie de inevitabilidade, não estava preparada para a sucessão de perguntas monocórdicas a que tive de responder. A mãe da noiva: "Ah, então tu é que és a pessoa X?"; A mãe do noivo: "Ah, sempre decidiste vir?"; A irmã do noivo: "Já tinha perguntado por ti. Estás bem?"; Os amigos do noivo: "E agora?"
E agora, só quem nunca soube o que é amizade a sério, tão-mas-tão-a-sério, duvida da possibilidade da amizade entre dois sexos sem qualquer interferência de outra natureza. "Deixa-os lá. Entre nós, não muda nada". Eu sei.
"I say a little prayer for you
Forever, and ever, you'll stay in my heart
And I will love you
Forever, and ever, we never will part
Oh, how I love you
Together, together, that's how it must be".
sexta-feira, maio 11, 2007
quinta-feira, maio 10, 2007
La Féria na cruz
quarta-feira, maio 09, 2007
Aos sonhos
Celebram no Porto, "cidade onde o coração arde", quarenta e sete anos de vida comum. "Não fui um marido fiel", confessa, os olhos a encherem-se de água. Ela abana a cabeça, condescendente. Sempre soube; sempre perdoou. "Não fui um marido fiel", repete. Pega-lhe na mão, afaga-lhe o anel de ouro impecavelmente pulido. "Sempre gostei de ti, sempre te amei. Mas queria amar tudo. Não te ter perdido é a maior benção que recebi na vida". "Eu sei, eu sei", responde ela, baixinho. "Não foi fácil, mas é muito bonito chegar aqui".
Quase 20 anos mais velho - mais crescido, como prefere dizer -, fisicamente demasiado idêntico a Fidel Castro, mas com um coração sem qualquer semelhança, ele é um homem do mundo. "Foge comigo", pediu-lhe quando a conheceu. Ela consentiu, mas só depois de terminar o sétimo ano. Ele esperou. No primeiro ano da universidade já eram marido e mulher. Desde então, ele serve-lhe, diariamente, o pequeno-almoço na cama com as notícias dos jornais internacionais já devidamente seleccionadas. Ela completa-lhe as frases dos episódios que a memória começa a apagar. Amor para sempre. Correram o mundo juntos: ele como embaixador; ela como professora. Regressaram há pouco mais de três anos de Israel, a última paragem. Vivem em Lisboa, "cidade onde nem os calos ardem".
"O coração arde quando vamos para lugares onde vivem pessoas de quem gostamos muito. Arde no Porto. Arde na Guarda. Arde nos sítios onde as pessoas têm o coração nos olhos, onde sabem receber o que temos para dar". Ardeu muito em África durante cinco anos. "Deus deu-me o dom de amar os outros; de os amar de verdade", diz ele que não se perdoa por ter vindo embora. "Todos os dias acordo com esse remorso. O remorso de os ter abandonado. Sei que a vida deles piorou". A vida de todos quantos passaram a fazer parte da sua casa. Da sua vida.
Um brinde para travar o galope das lágrimas. "À vida!", diz alguém. "À vida é muito pouco", interrompe ele. "Aos sonhos! Ao que é maior do que a vida!" Ele é.
I didn't understand

Thought you'd be looking for the next in line to love then ignore
put out and put away
and so you'd soon be leaving me along like i'm supposed to be tonight,
tomorrow and everyday
there's nothing here that you'll miss
I can guarantee you this
is a cloud of smoke
trying to occupy space
what a fucking joke
what a fucking joke
I waited for a bus to separate the both of us and take me off faraway from you
Because my feelings never change a bit
I always feel like shit
I don't know why
I guess that i "just do"
you once talked to me about love
and you painted pictures of a never-neverland
and i could've gone to that place
but i didn't understand
I didn't understand
I didn't understand
sexta-feira, maio 04, 2007
Quem quer comentar a política da praça?
quinta-feira, maio 03, 2007
Queima das Fitas
Atentamente observados de fora, ninguém daria nada por nós. Nós que, de manhã cedo, já tinhamos emborcado várias garrafas de Whisky, armado confusão em todas as paragens, montado a tenda no meio da estrada. Não era assim para nos orgulharmos; era assim porque era assim. Sem legendas. Imensamente felizes, profundamente unidos, desastradamente loucos. Ninguém se perdeu. Pelo contrário. Fomos os únicos a nunca duvidar.
Tentámos, nos anos seguintes, fazer de conta que éramos, ainda, parte daquilo. Daquele sempre inesquecível Maio maior. Mas passámos a ter relógio. O tempo muda tudo. E - é verdade - nunca devemos voltar ao local onde fomos felizes. Hoje, quando chega o período da Queima, dou comigo, apenas, a querer que não me marquem essa reportagem. Marcam sempre, não sei porquê. Mas sei que devia ser proibido. Os rituais dos outros assassinam os nossos.
SMS
quarta-feira, maio 02, 2007
Eu não

Francisco Alves volta a privilegiar o texto, a escolher um monólogo, a assinar uma encenação que não é um ponto de chegada, mas antes a indicação de um caminho. Parecendo demasiado simples, é, talvez, a escolha mais complexa do director. E a mais arrojada. O texto, em loop (interpretado por Romi Soares), é um jogo de intermitências: agarra-nos e solta-nos; leva-nos à Irlanda e devolve-nos ao lugar. Sucessivamente, até ao fim.
É história de uma mulher de 70 anos em rewind: desenterra o passado, vagueia pelas lágrimas que chorou desde que nasceu, senta-se sobre a solidão, deixa-se perturbar pelo zunido do tempo, antecipa a morte. Porquê o desabafo? Porque, para Beckett, o personagem só existe quando olham para ele. Se olham, ele tem que revelar-se. "Eu não", é mais sobre o silêncio do que sobre o que se diz.
The snow abides

Curtas by Saguenail
É lá que, amanhã, às 22 horas, é projectada a trilogia (rodada entre 2001 e 2006) de Saguenail, cineasta a viver na cidade desde 1975. As três curtas metragens - "Antes de amanhã"; "A imitação"; "Mau dia" - centram-se naquele que é, ainda, o local de vivência portuense por excelência: o café. O espaço "é tratado cinematograficamente como lugar de intimidade onde vidas - reais, fantasmáticas ou míticas - se constroem e desconstroem".
Antes disso, serão lançados quatro novos livros, editados pela Hélastre (fundada por Saguenail e Regina Guimarães, "razão social e signo da sua obra comum"), na colecção "Français langue étrange". Os livros: "Foule"; "Tentation"; "Il n'y a pas de saisons en enfer"; "Les rendez-vous manqués".
No sábado, também às 22 horas, Regina Guimarães exibe o seu vídeo-retábulo, "Meu deus".
sábado, abril 28, 2007
A promessa

"Se tão pouco não fotografei os rostos dos peregrinos que choravam ao verem a urna a passar por eles, que fotografei eu então? a resposta acho que está nos peregrinos que durante o dia resistiram no santuário de Fátima ao frio, à chuva, à espera de chorarem por eles enquanto rezavam a missa, para no regresso, poderem então celebrar, libertos das amarras do clero, fazendo aquilo que melhor sabem: comer, beber e dançar, ainda que, seja numa estação de serviço da auto-estrada". Nelson D'Aires
A vida por outra vida
Há três anos, numa tarde de Agosto, sentada numa esplanada da Ribeira, anunciava ao pai que a criou a intenção de casar quando sofreu novo ataque de asma. Esquecera-se da imprescindível bomba de oxigénio em casa. Ligaram para o INEM; ninguém atendeu. A ambulância haveria de aparecer nove minutos depois. Mas o cérebro só aguenta quatro minutos sem receber ar. Entrou em paragem cardio-respiratória, tombando para um estado de coma vegetativo do qual nunca mais saiu. Tem 26 anos.
Sem irmãos, sem pais biológicos, sem mãe adoptiva – que, entretanto, faleceu –, com o tutor de sempre à beira dos 80 anos, Carla ficou entregue ao Hospital Militar até a tia Manuela, mulher de coragem e abnegação superior, ter decidido trocar a sua vida pela vida da sobrinha.
“Era encarregada geral dos CTT, ganhava 850 euros”. Despediu-se. Os cuidados de que Carla necessita não se compadecem com horários de trabalho. “Pedi à Câmara uma casa maior – tinha um T2 –; deram-me um apartamento, no Bairro da Boa Nova, em Gaia, que havia sido habitado por uma família de etnia cigana. Estava todo destruído. Mas a autarquia não aceitou pagar as obras de remodelação”.
Manuela, 44 anos, gastou os 15 mil euros que juntou ao longo de uma vida inteira – ela e o marido, varredor de ruas –, a adaptar a habitação. Ficou sem verba para casar a filha, única, que agora vai adiando o matrimónio. Mas ficou, sobretudo, sem dinheiro para comprar o aparelho respiratório de que Carla necessita para viver. O que tem não cobre sequer o que gasta com a medicação da sobrinha, que absorve mais de 400 euros por mês. O marido “tenta fazer cada vez mais horas extraordinárias, mas o dinheiro não estica”.
O aparelho custa 1500 euros; o que têm alugado custa-lhes 200 euros todos os meses. Fraldas, resguardos e pomadas têm sido oferecidos pela Associação de Solidariedade “Ponto de Ajuda”. Os médicos dizem que Carla pode viver mais 50 anos, inerte, na cama. A Manuela vaticinam, desde 1995, apenas, 15 dias de vida. Doente crónica renal, foi-lhe diagnosticado um tumor no fígado; outro no intestino. Recusa tratamentos. Diz que não pode ausentar-se de casa. Vai assinando termos de responsabilidade, uns a seguir aos outros, para sair do hospital de cada vez que tem uma crise. Não quer largar a sobrinha.
Chama-lhe princesa, enceta batalhas de narizes, brinca com ela, liga a aparelhagem durante o dia, enche-lhe o quarto de cor. Dorme ali, no chão, todos os dias, em vigília permanente. Depois de amanhã, Carla será submetida a uma cirurgia ao estômago. Manuela aproveitará a ocasião para retirar a vesícula. “Não vou morrer. Quem tomaria conta da Carla?”
sexta-feira, abril 27, 2007
Alemanha
Alunos do liceu Gutemberg, em Erfurt, na Alemanha, choram as vítimas do tiroteio ocorrido na escola há cinco anos. Na cerimónia foram lembradas as 16 pessoas assassinadas por um antigo aluno que a dia 26 de Abril de 2002 executou a matança, suicidando-se de seguida.
Posição: 2007

O lançamento da obra, editada por Miguel von Hafe Pérez, crítico de arte e comissário de exposições, actualmente responsável pelo projecto http://www.anamnese.pt/ da Fundação Ilídio Pinho, será acompanhado de um debate, que deverá questionar o que significa, hoje, ser artista em Portugal. Carla Cruz, Daniel Barroca, Eduardo Matos, Isabel Carvalho, Manuel Santos Maia, Mafalda Santos e Pedro Barateiro darão respostas sobre modos de produção, canais de difusão e plataformas de recepção.
quinta-feira, abril 26, 2007
IA vazio. Outra vez.

Mesmo que seja nomeado, já amanhã, novo sucessor, Isabel Pires de Lima tem mais um problema, e grave, para resolver. Se já não são só os artistas que se queixam; se dois directores seguidos não conseguem responder às necessidades do panorama cultural, não será altura de repensar o sistema?
quarta-feira, abril 25, 2007
Freedom
segunda-feira, abril 23, 2007
Rainbow
Entro decidida a não cumprir mais do que o mínimo estritamente imposto pelo protocolo da amizade incumprida. Não porque o coração me fale de regras sociais, de condutas e parcimónia; mas porque não quero que penses que só estou aqui por causa da tragédia. Que se a tragédia não tivesse acontecido, nunca iria aparecer. A verdade é que só estou aqui por causa disso. Se isso não tivesse acontecido, talvez nunca caminhasse em direcção a ti. Nunca caminhei. E podia tê-lo feito. Isso, neste preciso instante, envergonha-me. Mais, dói-me.
Entro na capela pela primeira vez desde a vez do avô. Percebo imediatamente que nunca chega a haver tempo para recuperar o prazer de cheirar as flores. As flores trazem sempre perdas agarradas ao cheiro. Não tenciono sequer dar-te os dois beijos com a etiqueta das condolências. Talvez, apenas, piscar-te um olho, soprar-te um sorriso; quando muito, pousar apressadamente a mão no teu ombro. Sim, achava que para quem se perdeu há tanto tempo, isso seria suficiente. Ou, pelo menos, menos embaraçoso. O pudor, às vezes, tem em nós efeitos contraditórios. É difícil saber o que é mais acertado.
Procuro com o olhar alguém em quem possa depositar a dor, funda e genuína, mas infinitamente inferior à tua. Quando o olhar estaciona, já estou a tropeçar nos teus pés como tropeçava, aflita, quando éramos pequenos e, ao domingo à noite, atiravas pedras para a janela do meu quarto para nos despedirmos antes de ires para o seminário. Não sei quem caiu no colo de quem. Mas, às tantas, estamos ali, outra vez, nos braços um do outro. Um abraço apertado, demorado, do coração. A vida inteira dentro desse abraço. Volto a tratar-te pelo diminutivo. Tu, também. Os nomes com diminutivo só são permitidos aos amigos de infância. São os únicos que conhecem a chave de um tesouro a que nunca mais ninguém terá acesso.
domingo, abril 22, 2007
Creep
Ele é do Norte. Ela é do Sul. Conheceram-se no mês do Verão que ele escolheu para casar. Há dez anos que falam todas as semanas ao telefone. Nem que seja para dizerem que não têm nada para dizer. Contam os dias para se encontrarem, três, quatro vezes por ano, não mais. E nunca de propósito. É imperativo que haja acontecimentos sociais de ordem colectiva: funerais, casamentos ou celebrações de espécie aproximada. E quando se encontram não se largam. Não é sequer um acordo tácito - é assim, são parte um do outro. Ele vai casar com a namorada que já traiu com ela. Ela limpa os óculos, ri, diz que está tudo bem. Lembra que têm uma canção só deles, como os namorados. Ele diz que não tem uma canção com mais ninguém. "I wish i was special; you're so fuckin' special..."






