terça-feira, abril 29, 2014

Oh, if I'd only seen that the joke was on me



I started a joke, which started the whole world crying,
Oh but I didn't see that the joke was on me, oh no.

And I started to cry, which started the whole world laughing,
Oh, if I'd only seen that the joke was on me.

And I looked at the skies, running my hands over my eyes,
And I fell out of bed, cursing my head from things that I'd said.

Til I finally died, which started the whole world living,
Oh, if I'd only seen that the joke was on me.

And I looked at the skies, running my hands over my eyes,
And I fell out of bed, cursing my head from things that I'd said.

'Til I finally died, which started the whole world living,
Oh, if I'd only seen that the joke was one me.

segunda-feira, abril 28, 2014

domingo, abril 27, 2014

Vasco Graça Moura (1942-2014)


já ninguém morre de amor, eu uma vez 
andei lá perto, estive mesmo quase, 
era um tempo de humores bem sacudidos, 
depressões sincopadas, bem graves, minha querida, 
mas afinal não morri, como se vê, ah, não, 
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz, 
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes, 
ah, sim, pela noite dentro, minha querida. 

a gente sopra e não atina, há um aperto 
no coração, uma tensão no clarinete e 
tão desgraçado o que senti, mas realmente, 
mas realmente eu nunca tive jeito, ah, não, 
eu nunca tive queda para kamikaze, 
é tudo uma questão de swing, de swing, minha querida, 
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber, 
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim. 

há ritmos na rua que vêm de casa em casa, 
ao acender das luzes, uma aqui, outra ali. 
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha 
no lusco-fusco da canção parar à minha casa, 
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente, 
minha querida, toda a gente do bairro, 
e então murmurarei, a ver fugir a escala 
do clarinete: — morrer ou não morrer, darling, ah, sim. 

blues da morte de amor in "Antologia dos Sessenta Anos"

quarta-feira, abril 23, 2014

Crushin

quinta-feira, abril 17, 2014

Gabriel García Márquez (1927-2014)


"Entre realidades, deseos, sueños, alegrías, agradecimientos, imaginaciones y, sobre todo, por el paraíso irrepetible de su lectura, Gabriel García Márquez está ahora en el mismo lugar donde él llevó a Esteban en su inolvidable cuento El ahogado más hermoso del mundo, después de que a la gente del pueblo “se le abrieran las primeras grietas de lágrimas en el corazón”… Porque una vez comprobado que había muerto “no tuvieron necesidad de mirarse los unos a los otros para darse cuenta de que ya no estaban completos, ni volverían a estarlo jamás”…"
cultura.elpais.com


terça-feira, abril 15, 2014

Arcade Fire no Rock in Rio a 31 de Maio



Seria necessária uma coragem que não temos para faltar a este concerto!

Cortes com cortes

"Comparar os cortes deste Governo com os cortes do Governo de José Sócrates é uma mentira tão grosseira que não pode ser mentira - só pode ser erro".
Pedro Santos Guerreiro (análise à entrevista de Pedro Passos Coelho, Sic N)

segunda-feira, abril 14, 2014

A Vida é Dor

[Oleg Oprisco]

"Quem deseja, sofre; quem vive, deseja; a vida é dor. Quanto mais elevado é o espírito do homem, mais sofre. A vida não é mais do que uma luta pela existência com a certeza de sermos vencidos. A vida é uma incessante e cruel caçada onde, às vezes como caçadores, outras como caça, disputamos em horrível carnificina os restos da presa. A vida é uma história da dor, que se resume assim: sem motivo queremos sofrer e lutar sempre, morrer logo, e assim consecutivamente durante séculos dos séculos, até que a Terra se desfaça."

Arthur Schopenhauer

Das europeias

Cada candidato às eleições europeias pode gastar em campanha eleitoral, ou seja, em menos de um mês, o equivalente a 300 salários mínimos nacionais. Não se pode dizer que saber isto seja um incentivo ao voto.

domingo, abril 13, 2014

Europeias. Parte I


Na primeira temporada de House of cards, série americana cuja genialidade está longe do propalado, mas que ainda assim serve de aviso para que se não levem os políticos a sério, o congressista Peter Russo, sujeito volátil e inepto, é responsável pelo desemprego de 12 mil pessoas. De um dia para o outro, o Governo decide fechar os estaleiros (onde é que já ouvimos isto?!) e ele, que tinha prometido lutar pela manutenção dos postos de trabalho daquela gente que o elegeu, borrifou-se para o assunto só para não afrontar o partido, esqueceu os eleitores, recusou recebê-los e ouvi-los.

Tempos depois, Peter Russo decide candidatar-se a governador. Volta então a lembrar-se do povo. Precisa dele para ser eleito. Pede desculpa pelo passado (também já ouvimos isto, não já?) e promete que no prazo de dois anos metade daqueles 12 mil desempregados poderão voltar a ter emprego... ainda que só a meio tempo e com um salário de seis dólares por hora. Ou seja, menos de metade do que antes recebiam. O povo rabuja, mas quem tem contas para pagar é sempre permeável ao canto da sereia. É assim em todo o lado. O povo cede. 

Vem isto a propósito dos discursos de Nuno Melo e Paulo Rangel, hoje de manhã, na Curia, na apresentação dos candidatos do PSD e CDS-PP às eleições europeias. Melo diz que a agricultura - a agricultura que os sucessivos governos de Cavaco Silva destruíram - é a "prioridade" da coligação. Rangel corrobora e acrescenta o mar (Ah, o mar, esse eterno reduto de salvação do país...), a reindustrialização e o emprego. 

Dizem isto sem rir e com ênfase. A sério, é preciso ter uma esplendorosa lata! E é muito triste que o bom povo continue a ter amnésias constantes no momento de votar. Não sei quanto ganha um congressista ou um governador na América, mas um eurodeputado eleito aqui pelo burgo ganha dez mil euros limpos. Para que conste!

sexta-feira, abril 11, 2014

Roberto Bolaño: Os detectives selvagens


"Há uma literatura para quando se está aborrecido. Abunda. Há uma literatura para quando se está calmo. Esta é a melhor literatura, acho eu. Também há uma literatura para quando se está triste. E há uma literatura para quando se está alegre. Há uma literatura para quando se está ávido de conhecimento. E há uma literatura para quando se está desesperado. Esta última é a que quiseram fazer Ulisses Lima e Belano. Grave erro, como se verá a seguir. Tomemos, por exemplo, um leitor médio, um tipo tranquilo, culto, de vida mais ou menos sã, maduro. Um homem que compra livros e revistas de literatura. Bem, aí está. Esse homem pode ler o que se escreve para quando se está sereno, para quando se está calmo, mas também pode ler qualquer outro tipo de literatura, com olho crítico, sem cumplicidades absurdas ou lamentáveis, desapaixonadamente. É o que eu acho. Não quero ofender ninguém.

Agora tomemos o leitor desesperado, aquele a quem presumivelmente é dirigida a literatura dos desesperados. O que é que vêem? Primeiro: trata-se de um leitor adolescente ou de um adulto imaturo, acobardado, com os nervos à flor da pele. É o típico parvajola (perdoem-me a expressão) que se suicidava depois de ler Werther. Segundo: é um leitor limitado. Porquê limitado? Elementar, porque não consegue ler senão literatura desesperada ou para desesperados, tanto importa, importa tanto, um tipo ou um estafermo incapaz de ler de uma assentada "Em busca do tempo perdido" ou "A montanha mágica" (em minha modesta opinião um paradigma da literatura tranquila, serena, total), ou, se quisermos, "Os miseráveis" ou "Guerra e Paz". Acho que falei claro, não? Bem, falei claro. 

Assim lhes falei a eles, disse-lhes, adverti-os, pu-los em guarda contra os perigos que enfrentavam. Foi a mesma coisa que falar com uma pedra. E também: os leitores desesperados são como as minas de ouro da Califórnia. Mais cedo ou mais tarde, esgotam-se. Porquê? É bem evidente! Não se pode viver desesperado toda uma vida, o corpo acaba por dar de si, a dor acaba por se tornar insuportável, a lucidez escapa-se em grandes jorros frios. O leitor desesperado (ainda que o leitor de poesia desesperado, esse é insuportável, acreditem-me) acaba por se antagonizar com os livros, acaba inelutavelmente por se transformar num desesperado sem apelo nem agravo. Ou cura-se! E então, como parte do seu processo de regeneração, volta lentamente, como que entre algodões, como que sob uma chuva de comprimidos tranquilizantes fundidos, volta, como ia dizendo, a uma literatura escrita para leitores serenos, repousados, com a mente bem centrada. A isso se chama (e, se ninguém lhe chama assim, eu chamo-lhe assim) a passagem da adolescência à idade adulta. E com isto não quero dizer que quando nos convertemos nem leitor tranquilo se deixe de ler livros para desesperados. Claro que se lê! Sobretudo se são bons, ou passáveis, ou se um amigo os recomendou. Mas, no fundo, chateiam-no! No fundo, essa literatura amarga, cheia de armas brancas e de Messias enforcados, não consegue penetrá-lo até ao coraçao como, por outro lado, o consegue uma página serena, uma página meditada, uma página tecnicamente perfeita!E eu disse-lhes. Eu adverti-os. Mostrei-lhes a página tecnicamente perfeita. Avisei-os dos perigos. Não esgotar o filão! Humildade! Buscar, perder-se em terras desconhecidas! Mas com guia, com migalhas de pão ou pedrinhas brancas! E, vejam lá, eu estava louco, estava louco por culpa das minhas filhas, por culpa deles, por culpa de Laura Damián, e não me ligaram nenhuma."

[Se não tivesse morrido por não lhe ter sido feito um transplante de fígado, o escritor chileno faria este mês 61 anos. Morreu em Barcelona, a 14 de Julho de 2003, depois de dez dias em coma. Tinha 50 anos. Este livro, a que estupidamente resisti tantos anos, é o que ele chamou "uma carta de amor à minha geração".]