terça-feira, julho 30, 2013

segunda-feira, julho 29, 2013

In the end, I saw you...




Visions of something I wasn't used to
And I let it all go
Fill my heart,
Fill my body
With oil

And it all falls down
And it all comes around
And it all falls down
And it all comes, oh, it all comes around

And I knew it would be you
Comin’ at me like you do
Fill my heart, my soul with fire
And I won't know,
No, I won't know
Who you are

‘Cause it all falls down
Yes, it all falls down
And it all falls down
And it all falls down
And you never let it go
‘Cause it all falls down

sábado, julho 27, 2013

Bernard-Marie Koltès: Na solidão dos campos de algodão


"Não há verdadeira injustiça sobre esta terra senão a injustiça da própria terra, que é estéril pelo frio ou estéril pelo calor e raramente fértil pela doce mistura do frio e do calor; não há injustiça para quem anda sobre a mesma porção de terra submetida ao mesmo frio ou ao mesmo calor ou à mesma doce mistura, e todo o homem ou animal que pode olhar nos olhos para outro homem ou animal é seu igual porque caminham sobre a mesma linha fina e plana de latitude, escravos dos mesmos frios e dos mesmos calores, ricos da mesma riqueza e pobres de igual pobreza; e a única fronteira que existe é entre o comprador e o vendedor, porém incerta, os dois possuem o desejo e o objecto do desejo, às vezes vazio e rugoso, com ainda menos de injustiça do que a do ser masculino ou feminino entre os homens ou os animais. 

Procura atingir-me, não conseguirás; experimenta ferir-me. Se o sangue correr, será dos dois lados, e inelutavelmente, unir-nos-á... Não há amor, não há amor. Não, não conseguirás nada que não exista já, porque um homem primeiro morre, e depois procura a sua morte, e finalmente encontra-a, por acaso, no trajeto arriscado de uma luz a outra luz, e diz: então era só isto?"

(...) Não há vergonha em esquecer à noite aquilo que lembrarmos de manhã. A noite é o momento do esquecimento, da confusão, do desejo tão quente que se torna vapor! A manhã, porém, apanha-o como uma grande nuvem acima do leito. Seria estúpido não prever à noite a chuva da manhã. Se, por hipótese, me dissesses que não tens nenhum desejo a exprimir, por cansaço ou por esquecimento, ou por excesso de desejo, que leva ao esquecimento, por hipótese de retorno, dir-te-ia que não te cansasses mais, tomasses o de qualquer outro. O desejo furta-se, mas não se inventa (...) e um desejo toma-se mais facilmente que um hábito.

Portanto, não me recuses dizer, peço-te, qual é o objecto da tua paixão, da tua febre do teu olhar sobre mim. Se se trata de não ferir a tua dignidade, pois bem, diz-mo como quem diz a uma árvore, ou face a um muro de uma prisão ou na solidão de um campo de algodão, no qual nos passeamos nus, à noite. Diz-mo, sem sequer olhar para mim, pois a única e verdadeira crueldade desta hora do crepúsculo em que nos encontramos os dois não está em um homem ferir o outro, ou em o mutilar, em o torturar, ou em lhe arrancar os membros ou a cabeça, ou mesmo em o fazer chorar. A verdadeira e terrível crueldade é a do homem, ou do animal, que torna o homem, ou o animal, incompleto, que o interrompe como as reticências no meio de uma frase, que se desvia dele depois de o ter visto, que faz do homem, ou do animal, uma ilusão do olhar, um erro de julgamento, um erro, como uma carta que se iniciou e se amarrotou brutalmente, logo a seguir a ter escrito a data.

(...)As recordações são as armas secretas que o homem guarda consigo quando é despojado, a última franquia que obriga à franquia em compensação, a nudez última."


[Dos meus dramaturgos de eleição]

quarta-feira, julho 24, 2013

i can’t keep crying



i can’t keep crying
i can’t keep crying
i can’t keep crying
i can’t keep crying

terça-feira, julho 23, 2013

Absolut Nina!




Se houvesse uma lamparina mágica só para concertos impossíveis, usaria um desejo para voar até 1976, até ao Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, até Nina Simone. Se Nina fosse viva, teria completado este ano 80 anos, morreu há dez. 

"Porra", diz ela, "que pena alguém ter escrito uma canção assim. Não estou a gozar com quem escreveu, apenas não acredito nas condições que levaram a escrever uma canção como esta." É uma canção que quer esquecer o amor. No fim, ela improvisa, contraria a sentença, acrescenta letra à letra que não está lá, e diz que nada pode matar o amor. Maravilhoso. 

"You'll always stay here in my heart, no matter what a words may say, you'll stay here in my heart, no matter what they say, no matter what they compose or do, no matter what a drugs may do or songs may do or people may do, i will always have my feelings, nothing can't destroy it..."

Concerto completo, aqui: http://vimeo.com/36880003

domingo, julho 21, 2013

Ivo Andric: A ponte sobre o Drina


“A juventude suporta facilmente a presença dos piores instintos e vive e movimenta-se livre e habilmente no meio deles.

Sempre houvera e haveria noites estreladas, constelações esplendorosas e luar por cima da cidade, mas nunca tinha havido ainda, e só Deus sabe se voltaria a haver, jovens daqueles que, com semelhantes conversas, sentimentos e ideias, mantivessem tais vigílias à porta. Era uma geração de anjos rebeldes, precisamente naquela fase, que passa tão depressa, em que ainda guardam em si todo o poder e possuem todos os direitos dos anjos e também o orgulho ardente dos rebeldes. Aqueles filhos de camponeses tinham recebido do destino, sem que para isso fosse necessário nenhum esforço especial da sua parte, uma entrada livre no mundo e a grande ilusão da liberdade.

Com as suas inatas características provincianas, partiam para outros meios e escolhiam mais ou menos livremente, de acordo com as suas inclinações, a disposição do momento ou os caprichos do acaso, os estudos a seguir, os tipos de distracção e o círculo dos seus amigos e conhecimentos. Na maior parte, não eram capazes, nem sabiam como aprender e fazer uso daquilo que conseguiam ver, mas não havia um único que não tivesse a sensação de que podia agarrar o que desejava e de que tudo o que agarrasse era dele. (…) A vida estava na sua frente como um objecto, coo um campo de acção aberto aos seus sentidos libertados, à sua curiosidade intelectual e às suas proezas sentimentais, que não conheciam limites. Todos os caminhos lhes estavam abertos, até ao infinito; em muitos deles nem sequer haveriam de pôr nunca o pé e, no entanto, a inebrtiante volúpia de viver que os dominava alimentava-se da possibilidade que tinham (pelo menos em teoria) de escolher livremente qual o caminho que queriam seguir, e, se assim o quisessem, vaguear de um para o outro.

Tudo aquilo que outros homens e outras raças, noutros tempos e noutras terras, tinham conseguido atingir ao longo de muitas gerações, através de séculos e séculos de esforço, à custa de vidas, de renúncias e de sacrifícios maiores e mais valiosos do que a própria vida, abria-se agora na sua frente como uma herança casual e um dom perigoso do destino. Parecia fantástico e improvável, mas era verdadeiro: podiam fazer da sua mocidade o que muito bem entendiam num mundo em que as leis da moral social e pessoal, chegando até às distantes fronteiras do crime, padeciam nessa época duma plena crise, sendo livremente interpretadas, aceites ou repudiadas por cada indivíduo ou cada grupo. Podiam opinar livremente e julgar sem restrições; ousavam dizer o que lhes apetecia e para muitos deles essas palavras representavam autênticas façanhas, que satisfaziam a sua atávica necessidade de heroísmo e de glória, de violência e de destruição, ao mesmo tempo que não lhes impunham nenhuma obrigação de agir nem acarretavam nenhuma responsabilidade palpável. Os mais dotados de entre eles desdenhavam do que tinham de aprender e subestimavam tudo o que eram capazes de fazer e tinham orgulho daquilo que não sabiam e entusiasmavam-se com o que não podiam realizar. É difícil imaginar uma via mais perigosa de entrar na vida ou um caminho mais seguro para façanhas excepcionais ou para uma derrocada total. Os melhores e os mais fortes deles lançavam-se à acção com um fanatismo de faquires, para nela se queimarem como moscas e serem logo glorificados pelos companheiros como mártires e santos (visto que não há geração que não tenha os seus santos) e colocados em pedestais como exemplos inacessíveis.


Cada geração humana tem as suas ilusões próprias no que respeita à civilização; umas acreditam que estão a tomar parte no seu crescimento, outras que estão a assistir à sua extinção. A verdade é que ela brilha, arde e extingue-se sempre consoante o lugar e o ponto de vista. Esta geração, que agora discutia filosofia e questões sociais e políticas nas portas sob o olhar complacente das estrelas e acompanhada pelo murmúrio das águas do rio, apenas era mais rica em ilusões; em tudo o mais era semelhante a qualquer outra. Tinha a convicção de que estava ao mesmo tempo acendendo as primeiras luzes de uma nova civilização e extinguindo as últimas chamas de uma outra que estava praticamente consumida. O que a caracteriza particularmente é que há muito tempo não surgia uma geração que tivesse sonhado mais com a vida e da vida falado mais e com mais audácia, bem como dos prazeres e da liberdade, e que, ao mesmo tempo, tão pouco tivesse recebido da vida, mais tivesse sofrido, mais fosse escravizada, morrendo pelos seus ideias. Mas nesses dias do Verão de 1913 existiam apenas uns indícios ousados mas vagos de tudo isso. Tudo tinha ainda a aparência de um novo e excitante jogo, jogado ali, na velha ponte, que brilhava ao luar daquelas noites de Julho, limpa, jovem e inalterável, forte e encantadora na pureza das suas linhas, mais forte do que tudo o que o tempo podia trazer e do que os homens podem imaginar ou fazer."

[Talvez o livro mais maravilhoso que li a seguir a "Gente independente", do Laxness. Seguramente daqueles livros que ficam remoer na cabeça e que voltam sempre. Obrigada, Esquilo.]

sábado, julho 20, 2013

"Most of what you see is worth letting go...



... because not everything that goes around comes back around"

quinta-feira, julho 18, 2013

Voltar a ter, pela primeira vez, 14 anos



O mundo não era globalizado. Não havia youtube, nem facebook, nem telemóveis, nem nenhuma espécie de partilha que não fosse de pele, em tempo real, com cheiro e sabor. Os amigos tinham rosto de verdade e a chave de nossa casa, e a nossa casa era o café da rua, sempre o mesmo. Não havia coisas combinadas ou a combinar, a combinação era tácita e única: estarmos juntos, sempre. E estávamos. E fazíamos de qualquer hora a hora das nossas vidas e todas as horas eram inesquecíveis. O mundo era uma miragem mais ou menos indiferente, não precisávamos de mais ninguém, cuidávamos uns dos outros como família de sangue, éramos felizes. Éramos adolescentes, acreditávamos que um dia seríamos grandes por dentro e mudaríamos o mundo. Enquanto não crescíamos ensaiávamos a vida em bandas sonoras de concertos que não sabíamos se algum dia haveríamos de ver, mas que nos preenchiam como se lhes pertencêssemos porque alguém sempre improvisava um vocalista. A vida era simples e a adolescência um privilégio. Oh, the years burn!...

quarta-feira, julho 17, 2013

O mundo ao contrário




Sempre gostava de saber o que terá passado pela cabeça do director da Rolling Stone para ter feito capa com  Djokhar Tsarnaev, a besta que arruinou a vida a não sei quantas pessoas na maratona de Boston em Abril desde ano. Mais intrigante só mesmo o facto de o polícia Sean Murphy, indignado com a perigosíssima opção editorial, ter sido afastado do cargo depois de ter divulgado as fotografias do dia do massacre.

domingo, julho 14, 2013

sábado, julho 13, 2013

A visita da velha senhora, Friedrich Durrenmatt


Recuperação de um texto notável, assustador pela falta de bolor. Encenação imbatível, como sempre, de Nuno Cardoso. E uma Maria João Luís como Clarinha, que é uma absoluta perdição. 

Alive?


Sabemos que estamos a envelhecer quando perder um concerto já não parece o fim do mundo. Tanto, pelo menos :(

sexta-feira, julho 12, 2013

quarta-feira, julho 10, 2013

Crise

Ninguém quer ter António José Seguro como primeiro-ministro, provavelmente nem o próprio, se se visse de fora, gostaria de se ter como PM. Toda a gente criticou a birrenta demissão de Paulo Portas e duvidou da sua patética reconciliação com Passos Coelho e da improvável promoção dada por Passos a Portas. Toda a gente ridicularizou Cavaco por oscilar entre a rainha de Inglaterra e o padrinho da coligação. Mas quando o PR, pressionado pela dimensão do jardim infantil e autista que é esta escumalha toda, decide ressuscitar, chumbar o Governo e finalmente propor uma decisão - sim, complexa -, mas talvez a única que, a ser aceite, sossegaria os mercados e congelaria a fricçãozinha da partidarite, ninguém parece estar disposto a fazer parte dela. Temos a Troika à porta e o Orçamento de Estado mais difícil das nossas vidas a caminho. Os partidos repetem que o país é que é importante, que a situação é excepcional e grave, mas... pois, mas desde que não seja para aceitar um compromisso que lhes estrague os planos que nada têm a ver com os portugueses. Amanhã se verá de que fibra são feitos os partidos do dito arco da governação e sobretudo o PS. Se o Governo de salvação nacional conseguir erguer-se, e com Silva Peneda ao leme, eu ficaria contente. A minha expectativa? Zero.

segunda-feira, julho 08, 2013

I killed for love



Everybody's got a secret to hide
Everyone is slipping backwards
I drank the water and i felt alright
I took a pill almost every night
In my mind i was waiting for change
While the world just stayed the same

domingo, julho 07, 2013

Pedro Santos Guerreiro: Por mares nunca dantes navegados


O pior foi evitado: se o Presidente apoiar, não vamos para eleições. Mas o pior foi evitado da pior forma, enfiando quadrados no lugar de triângulos e garantindo que são redondos. Há um lacrau no Governo. É o lacrau da traição. É o lacrau que faz temer pela próxima crise, daqui a dois meses e meio. Acha mesmo que o problema é a troika?

Ainda não sabemos se os ajuizados enlouqueceram ou se os loucos vão simulando juízo, mas dá medo ser governado por gente assim. Gente que mente, se desmente, gente da inconstância e da incontinência. Uma máscara caiu-lhes e já arranjaram outra. O Governo é o mesmo mas mudou radicalmente. Há uma semana perguntámos: depois de Gaspar, quem mandará num Governo em que Passos nunca mandou? Sabemos agora: manda Portas, que se engoliu a si mesmo, aos seus chiliques, à sua palavra e à sua honra. O líder do PP é hoje dono da maior cara de pau do país. Dizem que "ganhou". Ganhou poder. Vale isso mais que o respeito? Portas mudou a geografia da seriedade, navegou por mares nunca dantes revogados. 

Comecemos pela boa notícia: o acordo, que apascenta os lobos dos mercados. Há perdas irreparáveis na economia, mas o segundo resgate voltou a não ser uma fatalidade. Foi a única vantagem desta crise: mostrar que o segundo resgate não é um papão usado para impor austeridade. O risco é real e é medonho, pode significar uma pobreza ainda maior e mais prolongada. É aliás curioso ver que muitas das pessoas que diziam que o segundo resgate é uma ficção disseram agora que ele é inevitável, haja ou não eleições. Não é verdade. O segundo resgate não está afastado mas ainda é evitável. O programa cautelar que há-de manter-nos apoiados não tem nada a ver com o segundo resgate. É um apoio na mesma, mas um supõe financiamento nos mercados. Andar de muletas não é o mesmo que de cadeira de rodas.
As taxas de juro poderão voltar a descer, as Bolsas poderão aliviar. E se o Governo fizer o que ainda não fez - reduzir a despesa permanente do Estado para poder descer impostos e inventar politicas para reactivar a economia -, encaminhamo-nos para os últimos doze meses da troika em Portugal.

No mundo ideal, este ano não teria tido 52 semanas, apenas 51. Se tivéssemos saltado de domingo 30 de Junho para segunda 8 de Julho, tudo se teria resumido a uma remodelação no Governo com reequilíbrio de poderes, perdendo Gaspar e Passos para Portas. (Era isto aliás que se exigia a estadistas, que resolvessem o problema em privado e tornassem público apenas a solução). O Governo quer fazer crer que assim foi: que Portas não recuou (o que é a gargalhada do ano) e que o Governo é melhor do que era. A desfaçatez com que ninguém pede desculpa e se assume que não é necessário prestar contas por esta vergonhosa semana é (mais) uma armadilha na democracia deixada por quem a diz cumpri-la. 

Talvez quando todos percam todos se considerem vencedores. Gaspar perdeu e deixou veneno na carta de despedida. Cavaco fez tudo, porque nada fez, pelo apodrecimento da coligação. Passos desprezou tanto Portas que acabou refém dele. Portas perdeu a vergonha.

O novo Governo vai mostrar que Gaspar era menos forte e que Álvaro era menos fraco do que se pensava. Não se está contra a troika sem apresentar alternativas. Portas nunca teve alternativas. Como é politicamente mais hábil, criará a sensação de que nos vão tirar um milhão para ficarmos felizes quando nos tirarem meio milhão. Mas isso não são alternativas, são percepções. Alternativa não é ter mais tempo, é saber o que se faz com ele. Se não se sabe, mais tempo é apenas mais dívida. Que política traz Portas? Somos todos ouvidos.

A troika funciona com uma restrição: o envelope de 78 mil milhões. Se o défice é maior, é preciso mais financiamento. E ou o FMI e a UE enviam mais dinheiro (o que não deveríamos querer) ou ele tem de ser garantido nos mercados. Ora as últimas emissões são positivas mas foram caríssimas. E queremos mesmo continuar a aumentar a dívida pública? Não.

Se Portas quer baixar impostos, tem de cortar mais despesa pública ou dançar a dança da chuva do crescimento económico. O crescimento ficou mais distante depois da insanidade desta semana (você investiria num país onde o Governo dá o espectáculo que o nosso deu?). E cortar a despesa do Estado é o odioso a que Portas se furtou. Significa despedir funcionários públicos, cortar-lhes salários, reduzir pensões - e reformar o Estado.

A melhor solução teria sido manter a coligação sem Paulo Portas, que se enforcara com as suas próprias mãos. Mas o relativismo moral venceu. E o Governo transmite tanta confiança como um pirómano com um cinturão de bombas a fazer malabarismo com frascos de nitrogelicerina num paiol de pólvora. Portas é o melhor dos políticos mas revelou que os problemas de carácter não são um assunto da vida privada quando se tornam problema da vida pública. Portas é um talento sem coragem. Passos é um corajoso sem talento. E é isto.

No final de Setembro há eleições e três semanas depois é apresentado o Orçamento. Uma derrota dos partidos da coligação nas autárquicas terá consequências políticas; a austeridade no Orçamento testará o apoio social. Portas e Passos vão ter de aguentar-se ou não merecem esta segunda oportunidade.

O que se passou ainda não passou nem vai passar depressa. Pensar que a "crise irrevogável" não existiu é como supor que a TSU de há um ano foi irrelevante, só porque nela se recuou - e ela mudou tudo. As coisas não voltarão a ser iguais. Mas este Governo tem de aguentar-se até ao Verão do próximo ano. Se for para cair depois do Orçamento, mais valia ter caído agora. Tudo menos um segundo resgate. Tudo, inclusive um Governo que, por ser feito de bonecos sempre-em-pé, pensa que não está com a cara no chão. 
 
[Hoje, Jornal de Negócios]