sexta-feira, setembro 28, 2012

Mais um concerto imperdível perdido

Pedro Santos Guerreiro: Anel de Nibelungo



Por uma vez, os líderes europeus deviam fechar-se numa sala sem ser para falar de uma moeda. Mas para falar de sociedades. De Nações. De europeus. Pode o euro não implodir se um país explodir? Só outra política europeia salvará a própria Europa. De outra forma, a bandeira azul estrelada que já não representa ninguém passará a não representar nada.

O euro vive da Europa, não o contrário. Mas estamos tão consumidos nos problemas orçamentais que não vemos o retrato largo de um continente a desfazer-se. Os radicais temeram a guerra entre povos, mas não previram a ruptura dentro dos povos. Mas o que se está a passar em Espanha é muito mais que um aproveitamento político de líderes regionais em manobras de diversão.

Até os tecnocratas estão aterrorizados com o protesto violento em Espanha, com o descontrolo na Grécia, com as manifestações tomba-políticas em Portugal. Num editorial há dois dias, o "Financial Times" dizia que Portugal atravessa um caminho estreito entre democracia e reformas. É uma perigosa dualidade: ou democracia ou reformas. É disto que estamos a falar.

Em Madrid, a polícia de choque sova os desordeiros. Cinco regiões estão sem financiamento. Rajoy anuncia alvoroçado mais um plano de austeridade e em silêncio sucumbe ao fracasso de um resgate. A Catalunha ameaça com secessão. O País Basco entra em greve geral. Atenas parece cenário de guerra civil. Lisboa desfila desempregados ao lado de tributados. É isto a Europa? Uma terra sem esperança, sem justiça, uma União entre sobreviventes que se alimentam dos que vão caindo como Saturno, pintado por Goya, comia os seus filhos?

Há demasiado tempo que não queremos ser uns como os outros. Portugal não é a Grécia, Espanha não é Portugal, o norte não é o sul, o centro não é a periferia. Somos um grupo de Estados que se definem por quem não são. Estamos na Europa, mas não somos Europa.

A crise sempre foi da moeda única, mas rompeu na periferia, por fragilidade específica dos países da periferia. O facto de o Norte nos tratar como ovelhas ronhosas não é apenas indigno. É provocatório. E é errado até para quem se julga próspero. Porque a política europeia para os aflitos está a falhar.

É claro que Espanha, Grécia e Portugal devem enfrentar austeridade. Mas mesmo fazendo tudo o que se lhes pede, como mostra o caso português, sem sementes de crescimento as economias entram em espiral recessiva e em insustentabilidade da dívida. Hoje, não é só Portugal que subitamente enfrenta um problema de credibilidade externa e o seu Governo um problema de credibilidade interna. É também a política da troika que testa a sua credibilidade técnica.

São precisas políticas alternativas que estão além das possibilidades do Governo. Políticas económicas integradas que não sejam simultaneamente contraccionistas em todos os Estados, como há muito defendem economistas como Krugman. Financiamentos a Portugal a prazos mais longos e com juros mais baixos, como a Alemanha teve depois da II Guerra Mundial. Capitalização de bancos a taxas mais baixas, com o compromisso de que estes financiem empresas, como defende Vitor Bento. E sim, tempo, mais tempo.

O que está em causa é a sobrevivência das economias portuguesa, grega e espanhola. Mas é também a vida de quem lá anda. E a Europa, que tão justamente critica os onzeneiros americanos pela fabricação da crise, responde afinal com submissão à finança.

Democracia não pode ser o oposto de reformas e, se o for, que prevaleça a democracia. Essa é apenas uma das perfídias deste tempo. Não há erros de comunicação, há falta de política. As Nações são mais que devedores. A sociedade é mais que a economia. A paz nunca é troca de uma moeda. Mas quem não perceber que a Europa está a viver um tempo histórico de desagregação, impiedosa e incontrolável, só acordará quando ouvir a sua vidraça estalar.

Estreou ontem, em Lisboa, uma exposição, O Sonho de Wagner cujo nome se decorre da tetralogia "O Anel de Nibelungo", que "refere como a sociedade se torna refém do poder e do dinheiro e, como isso é destrutivo". Não é a falta de dinheiro, mas de esperança, que está a aniquilar esta construção a que chamámos União Europeia. Gregos, irlandeses, portugueses, cipriotas e espanhóis são carne sem canhão. Sem coesão europeia e uma política integrada até o degredo falhará, o fim da moeda única será apenas um capítulo menor da História. E a bandeira azul estrelada será a mortalha de um continente fracassado.

Querida Europa, somos nós. Está aí alguém?

[Hoje, Jornal de Negócios]

quinta-feira, setembro 27, 2012

Em modo 50's

Europa por um fio


Se a Europa fosse ainda aquela coisa da paz que nos fizeram crer, o Governo de Rajoy não sairia impune da manifestação em que um rapaz terá ficado tetraplégico depois de touros como este da fotografia o terem espancado. Se a Europa não fosse um projecto desvirtuado pela tesouraria, a senhora alemã seria implacável com um governo que elogia agentes da polícia que se disfarçam de manifestantes para fomentar a violência. Se a Europa fosse um lugar justo, este sujeito da fotografia, e o resto da pandilha que estava com ele, nunca, nunca mais veria a luz do dia.

quarta-feira, setembro 26, 2012

José Tolentino Mendonça


A CIÊNCIA DO AMOR
O amor é um acordo que nos escapa
premissas traficadas sem certeza noite fora
em casas devolutas, em temporais, em corpos que não o nosso
aluviões para tentar de forma contínua
num sofrimento corrosivo que ninguém consegue
não chamar também de alegria

Pensamos que quando chegasse as nossas vidas acelerariam
mas nem sempre é assim:
há emoções que nos aceleram
outras que nos abrandam

Um mês ou um século mais tarde
movem-se ainda,
tão subtilmente que não se notam

[in Estação Central, Assírio & Alvim, 2012]

terça-feira, setembro 25, 2012

segunda-feira, setembro 24, 2012

Moonrise Kingdom by Wes Anderson ****

Fernando Alves: O fabulador



Vamos digerindo as estatísticas do verão, a estação das cigarras: o número de despedimentos colectivos aumentou 74% , até agosto; prevê-se que fechem 11 mil restaurantes, até ao fim do ano - com a correspondente perda de quase 40 mil postos de trabalho; o número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 26% em Agosto; duplicou o número de casais desempregados; uma em cada quatro empresas adianta dinheiro aos trabalhadores, face a situações de absoluta emergência.

Com este quadro de fim de estação, um ministro fabulador decide recuperar Esopo: "Portugal", disse ontem Miguel Macedo, "não pode ser um país de muitas cigarras e poucas formigas". A mais conhecida das fábulas de Esopo tem servido de bengala a moralistas de diversa orientação. Durante a Revolução Francesa causticava os aristocratas. Noutros contextos, ela aponta a dedo os que são mais dados ao divertimento e não gostam de vergar a mola. Não se percebe muito bem que ela possa ou deva ser contada nas filas dos centros de emprego. Elas são um formigueiro de desespero.

Quando o desemprego e a crise social atingem níveis tão preocupantes não se percebe a quem possa servir esta advertência. Dita por um ministro habitualmente sensato, discreto e hábil como Miguel Macedo ( a tal ponto que é dado como um dos possíveis substitutos de Relvas na pasta politicamente mais sensível do governo), esta frase não gera senão perplexidade e revolta. Ela explica por que é que o Houaiss define o fabulador como alguém que constrói versões mentirosas dos factos.

Pode contudo estar em marcha um aviso subliminar: somos uns madraços por não termos ainda alcançado os níveis de superação letã. Vale a pena ler na edição de Setembro da Courier Internacional uma reportagem publicada este verão no jornal La Vanguardia sobre a situação na Letónia.

Obrigada, em 2008, a um acordo de resgate com a União Europeia e o FMI, a Letónia colhe os frutos de uma austeridade sem freio: um terço dos jovens emigraram, o PIB caiu 23%, os serviços públicos estão destruidos, os salários baixaram entre 25 e 30%, o desemprego passou de 5 para 20%.
Ora este verão, olhando as formigas letãs, Christine Lagarde rejubilou. A Letónia, disse ela, "está a indicar o caminho à zona euro".

Fabuloso! Uso o adjectivo sabendo que ele pode ter o sentido de admirável, mas também o de obscuro.
Neste outono de formigas sem carreiro, e outras, muitas, em sentido contrário (terá o rumor cívico das manifestações sido entendido como sarau de cigarras?) proponho uma outra fábula de Esopo, "As pombas e o falcão".

Vendo-se as pombas perseguidas pelo milhano que as maltratava de quando em quando, e buscando como poderiam livrar-se, quiseram valer-se do falcão. Tomou este o cargo de as defender, mas começou a tratá-las muito pior, matando-as e comendo-as sem piedade. Vendo-se sem remédio, diziam: 'Com razão padecemos, pois não nos contentando do que tinhamos soubemos tão mal escolher cousa que tanto nos importava".

Fernando Alves, hoje, na TSF

sábado, setembro 22, 2012

Oslo by Joachim Trier *****



Tive esperança que fosse mau, para doer menos. É demasiado bom.

domingo, setembro 16, 2012

José Gomes Ferreira: Contra a TSU, pela austeridade


O autêntico suicídio político, que Passos Coelho iniciou no dia 7 e Vítor Gaspar aprofundou no dia 11 de setembro, está a dar azo a interpretações que ameaçam desvirtuar a discussão sobre as alterações propostas para a Taxa Social Única.

A alteração da TSU não é uma medida de austeridade porque não representa um contributo decisivo para a redução do défice, mas foi interpretada como tal e esta a fazer alargar perigosamente a contestação a outras medidas, essas sim destinadas à redução do défice, que são importantes e não têm alternativa.

Por outras palavras, esta medida é um erro crasso e arrisca-se a bloquear toda a austeridade que está em marcha e tem de mesmo de ser reforçada até ao fim do programa de assistência financeira.

O aumento de 64 por cento do desconto dos trabalhadores para a Segurança Social, elevando a taxa de 11 para 18 por cento, deverá gerar receitas de 2.800 milhões de euros. A devolução de 2.300 milhões de euros aos patrões, através da redução da parte do desconto das empresas sobre o salário dos trabalhadores, de 23,75 para 18 por cento, torna inútil a maior parte deste esforço das famílias, ataca de morte a procura interna e deixa apenas 500 milhões de euros para combater o défice. Uma gota de água num oceano de dificuldades, que o próprio Governo já quantificou em 4.900 milhões de euros no ano de 2013. Também por isso, esta medida é um erro, nem sequer se destina a cobrir aquele défice.

Mas esta medida é um erro monumental, sobretudo porque transfere um cheque chorudo, de 2.300 milhões de euros, de famílias aflitas para empresas que não podem garantir a criação de emprego porque isso não faz nenhum sentido – simplesmente porque o mercado não está a crescer, está a diminuir. E vai diminuir ainda mais, precisamente como consequência desta medida. Ninguém em seu perfeito juízo investe em maquinaria e contrata empregados para produzir sem nenhuma garantia de venda. O resultado seria apenas aumentar os stocks de bens. No caso dos serviços nem isso é possível, mais trabalhadores ficariam de braços cruzados.

E, acima de tudo, esta medida é um erro moral porque transfere dinheiro para quem não o merece, bem pelo contrário.

Sem teorizar agora sobre todas as causas da crise económica e financeira em que vivemos, é muito importante recordar os seguintes factos:

1.Culpada da crise foi a esquerda irresponsável, partidos e sindicatos que andaram anos a fio, décadas a fio, a reclamar aumentos salariais, benesses e isenções sem fim, esquecendo completamente o baixo nível de produção e o baixíssimo nível de produtividade do país. Contribuíram decisivamente para o aumento do endividamento público e, por consequência, da dívida externa.

2.Culpados da crise foram os políticos irresponsáveis, todos os políticos irresponsáveis de esquerda, de centro e de direita, que estiveram no poder e que não puderam, não souberam ou não quiseram contrariar esta pressão, tirando dela proveito para se reeleger.

3.Culpada da crise foi a direita dos interesses que, em conluio entre grandes empresas, bancos, construtoras, consultoras, deputados e governantes, atirou o país para o mais elevado nível de endividamento de que há registo deste 1870 face ao Produto Interno Bruto. Mais grave do que o endividamento – stock – este conluio levou à criação de obrigações permanentes do Estado – fluxos - durante mais de 30 anos, que representam pagamentos anuais de muitos milhares de milhões de euros a essas empresas, arruinado as finanças nacionais e comprometendo o futuro, não de uma, mas de várias gerações. O espelho e corolário deste conluio foi a estratégia de financiamento da Estadas de Portugal desenhada em 2007 por José Sócrates, Mário Lino e Paulo Campos, com um horizonte temporal de mais de 70 anos! Feito notável para quem foi eleito por apenas 4 anos, obrigando o Estado a pagar milhares de milhões de euros aos parceiros privados de conluio durante mais de três décadas. Não só amarraram o Estado a uma loucura financeira como conseguiram resguardar as empresas beneficiárias das agruras próprias do mercado concorrencial saudável, deixando-as em mercado protegido durante décadas.

Estas empresas são as mesmas que nos cobram os combustíveis (sem impostos, que é a comparação legítima) muito acima da média europeia; que nos vendem a eletricidade a um preço insuportável e nos avisam por carta que vão aumentar ainda mais as tarifas quando o mercado for liberalizado (conceito único no mundo para uma liberalização); que cobram alguns – sublinho, alguns – serviços de telecomunicações que podiam ser bem mais baratos; que nos cobram comissões por serviços financeiros e utilização de cartões e outras facilidades ao nível de países ricos; que esmagam preços da produção nacional a um nível abaixo do limiar de sobrevivência para muitos produtores; que beneficiam do fundamentalismo da ASAE, essa entidade radical que não questiona leis feitas para economias como as da Escandinávia e aplica-as de forma implacável, fechando micro e pequenas empresas por todo o país e atirando os clientes para os médios e grandes interesses – se não é essa a causa é esse o efeito.

Pensávamos nós portugueses – foi-me dito pessoalmente por fonte do Governo, logo a seguir à cerimónia de posse - que a entrada em funções de um novo Governo em situação de resgate financeiro internacional tinha sido feita para combater todos estes lobbies obscuros e todos os grupos de pressão mais ou menos declarados – o próprio memorando da Troika o exige, ao obrigar ao corte dos pagamentos na energia e nas parcerias publico - privadas e à abertura de mercados a funcionar em monopólio e oligopólio no sentido da verdadeira liberalização; que tinha sido eleito para reduzir o défice de forma permanente e sustentada, cortando despesa e só aumentando a receita do Estado na medida da urgência do calendário e da dificuldade inicial de executar os cortes ; que tinha sido eleito para procurar consenso sempre que possível, mas para atuar com determinação se, e só se, não fosse possível obter este consenso.

Enganámo-nos.

Com a mega-transferência de riqueza das famílias para as empresas, através da TSU, o Governo em vez de penalizar as empresas, bancos, construtoras, que nos prejudicaram, dá-lhes um prémio. Não resolve o défice e dá-lhes um prémio chorudo.

Os empresários que não tiveram culpa nenhuma desta crise melhoram a tesouraria, mas apenas durante algum tempo. Logo a seguir, a procura interna contrai-se de tal forma que anula todos os ganhos.

Mas o maior efeito não é económico nem financeiro. É político e social. O Governo deu cabo de um capital mais precioso que o ouro, o dinheiro, as divisas – em 20 minutos destruiu o capital de credibilidade técnica e de confiança política – o bem mais valioso que pode haver em democracia.

As manifestações deste sábado, as maiores desde o período pós 25 de Abril, são a prova desta destruição e do equívoco que se está a gerar no debate sobre a TSU, que não é austeridade, é roubo – ninguém exigiu nas ruas que o cheque da devolução das contribuições seja retirado aos grandes interesses económicos que foram culpados da crise. Os slogans das manifestações não chegam, nem podem chegar a este grau de pormenor. Toda a gente exigiu nas ruas o fim da austeridade.

E aqui está o perigo maior: o governo deu cabo da aceitação pelo povo de todas as outras medidas de austeridade que foram anunciadas na terça-feira – e essas sim são necessárias para combater o défice. Agora ninguém mais quer austeridade – nenhuma, seja razoável e incontornável ou não.

Isto era o que não devia, não podia ter acontecido. Este é o caminho mais curto para Atenas e a direção oposta de Dublin. Mas agora os culpados não são os sindicatos nem os partidos de esquerda, é o próprio Governo. Se não recuar está perdido. E se recuar, estará irremediavelmente ferido. Até à saída é uma questão de tempo, jamais chegará ao final desta legislatura.

Mais duas notas:

1. Quem escreveu num editorial de um jornal semanário, que só agora os protestos sobem de tom porque foi cortado um salário no setor privado - quando os funcionários públicos já tinham dos salários cortados - e que a austeridade era inevitável, pelo que não percebia os protestos – de facto não percebeu o que foi anunciado para a TSU: que esta não vai reduzir o défice mas sim dar um cheque chorudo também a quem não o merece. Convém não inquinar o verdadeiro debate…

2. Que se passa na cabeça do ministro da Solidariedade e Segurança Social? Não foi Pedro Mota Soares quem, há pouco mais de três meses, apresentou ao país a ideia estapafúrdia e perigosa de aplicar um plafond aos descontos para a segurança social sobre os salários mais altos, porque o sistema não podia assumir tantas responsabilidades com pensões, reduzindo no imediato o financiamento do sistema e só obtendo alguns ganhos teóricos no longo prazo? Este mesmo ministro é referido pelo Primeiro - Ministro como um dos autores da alteração da TSU que vai cobrar mais 2.800 milhões de euros aos trabalhadores para devolver 2.300 aos patrões e o excedente – apenas 500 milhões – vai para combater o défice. Isto é, a alteração não representa oficial e declaradamente nem mais um tostão para reforçar o sistema de Previdência, o cofre para pagar as nossas reformas. Pedro Mota Soares quer cobrar mais 64 por cento de TSU aos trabalhadores, mas agora já não precisa deste dinheiro para reforçar o sistema? Será distração, ou outra coisa com um nome bem mais feio?

José Gomes Ferreira, hoje, no site da Sic Notícias

Joseph Stiglitz sobre Austeridade/Desigualdade


O El País entrevistou Joseph Stiglitz, nobel da economia de 2001, autor do artigo "De 1%, por 1%, para os 1%", publicado na Vanity Fair em Maio de 2011, onde explica que 1% da população tem o 99% precisa. O artigo deu agora origem ao livro: "O preço da desigualdade. Como a divisão social põe em perigo o nosso futuro em risco".

A entrevista é quase toda sobre os EUA, mas no que à austeridade/desigualdade diz respeito, cabemos todos.

"La austeridad va a tumbar la economía. (...) Hasta el Fondo Monetario Internacional se dio cuenta de eso y dice que la desigualdad es mala para la economía, porque eleva la inestabilidad. (...) La ciencia es muy clara al respecto. (...) La austeridad en periodos económicos como el actual es mala por varios motivos. La gente que no tiene trabajo se empobrece. Y con un alto nivel de desigualdad, los salarios bajan. Y la austeridad lleva a cortar gasto en cosas importantes, como la educación y la salud. Por eso estos planes de austeridad acrecientan los problemas de la desigualdad, lo que a su vez es una de las razones de la debilidad económica actual.

(...) La noción de que la austeridad hace feliz a los mercados es equivocada. Fitch rebajó precisamente a España tras presentar su plan de austeridad porque pensó que debilitará su economía."

Un respiro para Portugal*


Sin crecimiento económico no pueden sanearse las finanzas públicas. La economía portuguesa confirma las evidencias al respecto. Portugal tampoco puede satisfacer los objetivos correspondientes establecidos en su programa de rescate por 78.000 millones de euros. A pesar de que su Gobierno no ha regateado esfuerzos para alcanzarlos, la continua recesión que sufre aquel país ha impedido la reducción significativa del déficit público. La Comisión Europea, el Fondo Monetario Internacional y el Banco Central Europeo no han tenido más remedio que conceder un año más, hasta el 2014, para cumplir con el objetivo del 3% marcado por el Pacto de Estabilidad y Crecimiento. El Gobierno portugués ha admitido que el objetivo de déficit este año será finalmente del 5% del PIB, frente al 4,5% acordado.

Esas desviaciones, lejos de sorprender, son el resultado, de todo punto previsible, del debilitamiento del crecimiento económico de los principales socios comerciales de Portugal con cuya demanda contaba su Gobierno para neutralizar la recesión que esa economía sufre. No es posible, por muy obediente que sea un Gobierno, reducir de forma significativa el déficit público si la economía contrae su PIB más de un 3%, como lo hará la portuguesa solo en este año. El desempleo, por su parte, superará al final del año el 15% y es probable que siga aumentando si la economía mantiene la recesión en 2013.

El Gobierno podría llegar a satisfacer sus reducciones de gasto público, pero alcanzar los ingresos públicos previstos no depende solo de las intenciones de las autoridades: es necesario que la actividad económica sobre la que giran las correspondientes figuras tributarias (el consumo o la generación de rentas) no se desplomen. Y eso es lo que está ocurriendo en Portugal, al igual que en las restantes economías de la Eurozona embarcadas en esos voluntaristas programas de una mal entendida austeridad.

Para que no quepan dudas de la disciplina del Gobierno conservador, este acaba de anunciar un aumento de las cotizaciones a la Seguridad Social de los trabajadores y un descenso de las correspondientes a las empresas. El resultado más explícito de esa decisión será una contracción adicional de la renta disponible de las familias y un consecuente debilitamiento adicional de sus decisiones de gasto. Las empresas, sin embargo, no van a cambiar de forma significativa sus decisiones de empleo o de inversión por ese ahorro en costes si la demanda interna y externa siguen deprimidas. El resultado no será otro que una erosión en las ya muy dañadas condiciones de vida de los portugueses sin la compensación del saneamiento esperado en las finanzas públicas.

Portugal es el caso más representativo de que la asunción de la austeridad en solitario no aporta los resultados pretendidos. Esa flexibilización del objetivo de déficit probablemente no será la última, acentuando la falta de verosimilitud que las políticas presupuestarias están generando no solo en los agentes económicos de los países que las practican, sino en el conjunto de la comunidad internacional, incluidos los inversores en bonos. La hora de corregir esos monocultivos depresivos hace tiempo que llegó. Y la salida de la crisis en la Eurozona hace tiempo que demanda estímulos claros al crecimiento, que favorezcan también el aumento de los ingresos públicos.

*Editorial do El País, que hoje dedicou um trabalho inteiro a Portugal

Pedro Santos Guerreiro: Una máquina del tiempo para España


Cuando Mariano Rajoy se fue al fútbol horas después de pedir ayuda financiera de emergencia para la banca, mucha gente en Portugal pensó: está loco. La experiencia de un año de intervención externa nos enseña que un gesto como ese no es una señal de confianza, sino de un peligroso estado de negación. Todos los portugueses lo saben hoy. ¿Todos? No. Hay por lo menos un portugués que no lo sabe. Se llama Pedro Passos Coelho, es primer ministro y se fue a canturrear a un concierto después de anunciar una noticia terrible. Fue primera página de EL PAÍS: “El gobierno portugués impone una bajada de sueldo a todos los ciudadanos”. La noticia tiene una semana, e hizo trizas la paz social y política.

Las contribuciones de los trabajadores a la Seguridad Social van a aumentar del 11% al 18%, y las de las empresas descenderán del 23,75% al 18%. Más que una medida de austeridad es política económica. Peligrosa. Y equivocada.

El Gobierno portugués y la troika defienden que la medida aumenta la competitividad de las empresas, que así darán empleo a más personas y exportarán más; los críticos están aterrorizados con la transferencia neta de riqueza de los trabajadores a las empresas. Pero ni los patrones quieren la medida. La izquierda y parte de la derecha están en contra. Los ministros son recibidos con huevos y han reforzado su seguridad personal. Quince meses de estabilidad social y política han acabado de la noche a la mañana.

En julio de 2011, el nuevo Gobierno de coalición entre los conservadores del PSD y los democristianos del PP inauguraba el periodo de intervención externa en Portugal. Passos Coelho y el ministro de Finanzas, Vítor Gaspar, diseñaron la estrategia del buen alumno: hacer todo lo que la troika quisiera. El Partido Socialista había firmado la petición de intervención externa antes de caer del Gobierno, por lo que ya estaba comprometido, y el sindicato UGT se alineó con una profunda reforma laboral, lo que garantizaba la paz social. Y los portugueses, aunque protestando, mantuvieron una actitud pacífica y de colaboración con una política durísima de austeridad que subió los impuestos, recortó los salarios, pensiones y prestaciones sociales, redujo los servicios públicos y trajo recesión y desempleo. Iba a ser difícil cumplir las metas de déficit presupuestario, pero la estrategia de buen alumno anticipaba tal posibilidad: si Portugal cumplía, la troika sería tolerante. Portugal sería lo contrario de Grecia. Y así fue.

Los portugueses perdieron salarios, ahorraron, consumieron menos. Las exportaciones crecieron, las cuentas externas mejoraron, los tipos de interés bajaron. Pero el desempleo y las quiebras se dispararon, los ingresos fiscales cayeron y las empresas, sin crédito, dejaron de invertir. Este verano, el derrapaje presupuestario se consumó. Era hora de recompensar al buen alumno. Y se le recompensó: esta semana, la troika dio un año más a Portugal para reducir el déficit. Buenas noticias.

¡Pésimas noticias! El aumento brutal de las contribuciones de los trabajadores a la Seguridad Social, el anuncio de más impuestos para 2013 y el recorte de salarios de la función pública y de los pensionistas incendiaron Portugal. El PS va a votar contra el Presupuesto del Estado, la UGT acepta una huelga general, el PP se muestra incómodo en la coalición y altos dirigentes del propio PSD están en contra de una medida que nunca se ha aplicado en ningún país. Y que trae consigo una injusticia social alarmante, que perjudica a los trabajadores en favor de las grandes empresas. En el fondo, esta medida acelera la reducción de salarios, defendida por la troika como único camino hacia la competitividad, la política de devaluación interna. La política de empobrecimiento que España conoce.

Portugal es una máquina del tiempo para España; va un año por delante. Por eso reconocemos el estado de negación que se vive en España, donde los problemas de los bancos parecen lejos de estar resueltos, lo que obligará a los españoles a pagar impuestos para ayudar a la banca durante años. Mariano Rajoy huye de la palabra rescate porque resume la humillación de un país, pero no puede huír de las medidas decididas por instituciones que los españoles no han elegido.

También los portugueses tardaron en percibir que el cielo les caía sobre sus cabezas. Pero los portugueses cumplieron todo lo que se les pidió. Todo. Quien falló fue el Gobierno en la reducción del gasto público. Y quien no cumplió fue Europa, donde los nacionalismos de los países más poderosos, como Alemania, impiden que haya una política económica integrada. Ese es el separatismo que amenaza al euro. Solo el BCE parece estar haciendo su trabajo. Los políticos no.

Obligar a los trabajadores a dar dinero a las empresas es una locura experimentalista. Empobrecer a los ciudadanos con medidas injustas amenanza la economía y el éxito de la troika, pero amenaza, sobre todo, a la sociedad. Una conjetura histórica dice que fue el propio emperador Nerón quien incendió Roma para reconstruirla a su gusto. Es lo que el Gobierno portugués y la troika quieren hacer con la economía: destruirla para rediseñarla desde cero. En sus magníficos laboratorios se olvidan de una variable: las personas. Los portugueses han tolerado la autoridad durante 15 meses. Se merecían algo mejor. Después de tantos impuestos, recortar para siempre los salarios más de un 7% no es solo un error. Es fanatismo.

Pedro Santos Guerreiro, hoje, no El País

quinta-feira, setembro 13, 2012

Vénia II


[Francesca Woodman]
"Aqui que ninguém nos ouve", do blogue "Sinusite Crónica"
Acabei de ouvir Miguel Relvas dizer, com o seu já habitual ar de sabujo, que o apoio aos mais desfavorecidos é uma preocupação permanente deste Governo. Perante a impossibilidade de ser ouvido por esta gente, perante esta espécie de surdez desprovida de qualquer noção de civilidade no serviço prestado ao país, vou escrever como se eles não nos estivessem a ouvir.
Que país é este que aceita que um bando de filhos da puta confisque impunemente o resultado do trabalho de milhões de pessoas? Quão insensível é preciso um bando de filhos da puta ser para anunciar ao país uma redução do salário mínimo? Eu sei que muita gente sente já ter assistido a isto antes, mas este não é um bando de filhos da puta qualquer. É uma espécie refinada de filho da puta, tão perigosa pela sua ignorância quanto pela capacidade inesgotável de mandar um país inteiro para o caralho que o foda. Bem sei que é um bando de filhos da puta com maioria absoluta. Infelizmente, demasiados eleitores desconheciam, à data das eleições, que estavam a mandatar um bando de filhos da puta com tão especial vocação para foder o mexilhão. Quiseram acreditar que este não era um bando de filhos da puta. Infelizmente, jamais imaginaram que este viesse a tornar-se o maior bando de filhos da puta que o país já viu no poder, e a mais séria ameaça ao modo de vida de todos os que diplomaticamente têm aceitado a pior forma de governo, salvo todas as outras.

Está ali um bandalho dum funcionário descansado na televisão a dizer-me que as empresas são locais de cooperação entre patrões, empregados e a cona da mãe dele. Amigo: locais de cooperação o caralho que ta foda. Este pulha dum cabrão, que nunca trabalhou numa puta duma empresa na vida, assim como a maioria destes inefáveis cabrões, que eu podia alegar não terem outro nome, não fosse o facto de já os ter apresentado como filhos da puta, mas dizia eu, este filho da puta, bandalho e pulha dum cabrão, sobejamente merecedor de todos os insultos que me forem ocorrendo, diz-me que a empresa é um local de cooperação. As empresas, cabrão desumano, são locais onde as pessoas convivem de forma mais ou menos saudável com um modo de vida/ocupação de tempo que, de forma mais ou menos saudável, aceitam ao longo de parte das suas vidas. Então explica-me lá, ó javali cagado pela arca, em que é que uma empresa é um local de cooperação, e não uma desesperada forma de prisão, quando um bando de filhos da puta destrói qualquer possibilidade de as pessoas terem uma remota esperança de construir algo edificante a que possam chamar vida, esperar que esta subsista, se mantenha e evolua positivamente sem a ajuda, mas especialmente sem a constante sabotagem, de um bando de filhos da puta. Se o referido bando de filhos da puta nos estivesse a ouvir, ouvir-se-ia por esta altura um deles dizer, de forma inacreditavelmente ponderada, dotado da mais fina filha-da-putice - que este bando de filhos da puta confunde com elevação, humanidade, sentido de estado e afins – diria que eu, e vocês todos, passámos estes anos todos a viver acima das possibilidades.

Mas quais anos, meu filho da puta? E quais possibilidades? Trabalho que nem um cão há 6 anos, a tempo inteiro mais as horas todas que não me pagaram, e o número de reduções salariais que tive, impostas por este bando de filhos da puta, é já próximo do número de empregos que tive na minha ainda curta carreira. Comprei um carro em segunda mão, uma mota para poupar no que não podia gastar com o carro, e vou jantar fora e ao cinema. Comprei uns discos, uns livros, fiz meia dúzia de viagens baratas, comprei uns móveis do Ikea e, durante o processo, paguei uma renda e uma catrefada de impostos. Vá lá, tentei ser feliz sem pedir ajuda a ninguém nem ir preso. Aceitei o mais serenamente que pude as regras do jogo, isto é, trabalho, trabalho e trabalho para usufruir do resto e conservar, em doses iguais, a saúde mental e a ambição, a primeira das quais começa a desvanecer-se, como se lê. E, no final de uma semana de 60 horas de trabalho que aceitei de bom grado por considerar justa e saudável a "relação de cooperação" mantida com quem me paga, ligo a rádio e é-me anunciada, por um filho da puta de currículo construído a favores, é-me anunciada a ideia peregrina com que este bando de filhos da puta, sem critério nem humanidade, resolveu premiar um país inteiro, que na sua maioria vive em muito piores condições do que eu.

Reduzir o salário mínimo? Aumentar ainda mais a precariedade de quem trabalha a recibos verdes? Transferir uma soma obscena de dinheiro dos trabalhadores para as empresas num país com clivagens sociais e económicas absolutamente trágicas, numa esperança infundada de que isso promova emprego? Isto já não cabe na cabeça de ninguém, e há um bom motivo para existir hoje uma impensável maioria que vai de António Nogueira Leite a Bagão Félix, passando pelos 4 sem abrigo que contei de casa até ao trabalho, mais as lojas falidas. Não é simbolismo nem retórica nem injustiça poética: isto é a vida, conforme ditada por um bando de filhos da puta, a abater-se sobre um país inteiro, dia após dia, cêntimo após cêntimo, impossibilidade após impossibilidade. Haverá um pingo de decência nestas cabeças? Milhões de vozes manifestam em uníssono a vontade literal de esganar estes filhos da puta, ao mesmo tempo que consideram, infelizes, a hipótese de fugir do seu próprio país, e estes filhos da puta aparentam não sentir nada. Foda-se, reduzir o salário mínimo. Há gente que merece o pior de nós. E é assustador que aí se inclua o Governo do meu país.

Vénia I


[Francesa Woodman]

A quem quer que seja que tenha escrito este texto, a minha absolutamente sentida e grata vénia. 

"Vão-se foder"

Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso. Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se foder!Trabalho há 11 anos. Sempre por conta de outrém. Comecei numa micro empresa portuguesa e mudei-me para um gigante multinacional.

Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objectivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 32 anos trabalho na minha área de formação, feliz com o que faço e com um ordenado superior à média do que será o das pessoas da minha idade.Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo. Vivo bem, não sou rica. Os meus subsídios de férias e Natal servem exactamente para isso: para ir de férias e para comprar prendas de Natal. Janto fora, passo fins-de-semana com amigos, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educada a poupar.

Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter.Sou uma pessoa de muitas convicções, às vezes até caio nalgumas antagónicas que nem eu sei resolver muito bem. Convivo com simpatia por IDEIAS que vão da esquerda à direita. Posso “bater palmas” ao do CDS, como posso estar no dia seguinte a fazer uma vénia a comunistas num tema diferente, mas como sou pouco dado a extremismos sempre fui votando ao centro. Mas de IDEIAS senhores, estamos todos fartos. O que nós queríamos mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se foder. Todos. De uma ponta à outra.

Desde que este pequeno, mas maravilhoso país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Nunca fui a uma manifestação. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”. Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se foder. Matam-nos a esperança.

Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir neste parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que páram de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas? Quando é que acaba com regalias insultosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita?Perdoem-me a chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho há 11 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia.

E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira.Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam.
Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsído”. Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a puta de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD?Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia!

Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se foder.As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois.

As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos accionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a actual taxa de desemprego um flagelo? Que o é.A sério… Em que país vivem? Vão-se foder.

Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos:1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR.
2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe.Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutadora, compreensiva… Até a mim me mataram a esperança.

Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem… Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário.Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar.

Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: Vão-se foder"

quarta-feira, setembro 12, 2012

Ferreira Leite numa entrevista notável


Esta entrevista notável de Manuela Ferreira Leite à TVI, mais do que um puxão de orelhas a Vitor Gaspar e aos seus "modelos", é uma bofetada nos militantes do PSD que, confrontados com a possibilidade de a terem a liderar o partido e o país, escolheram fabricar, apoiar e eleger um fantoche. 

Aqui: http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/13697286

Galamba salva a honra do PS


João Galamba é dos poucos deputados que, no momento decrépito que o PS atravessa, não envergonha os socialistas. Hoje explicou de forma arrepiante o mito de Sísifo ao Governo, ao parlamento, ao país.

Aqui, para ver e rever e voltar a ver:
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=586537&tm=9&layout=122&visual=61

terça-feira, setembro 11, 2012

Pedro Santos Guerreiro: As espadas

O Governo estragou tudo. Tudo. Estragou a estabilidade política, a paz social, estragou aquilo que entre a revolta e o pasmo agregava o país: o sentido de que tínhamos de sair disto juntos. Sairemos disto separados? Hoje não é dia de escrever com penas, é dia de escrever de soqueira.

Passos Coelho, Gaspar e Borges estiveram fechados em salas tempo de mais. Esqueceram-se que cá fora há pessoas. Pessoas de verdade, de carne, osso, pessoas com dúvidas, dívidas, família, pessoas com expectativas, esperanças, pessoas com futuro, pessoas com decência. Pessoas que cumpriram. Este Governo prometeu falar sempre verdade. Mas para falar verdade é preciso conhecer a verdade. A verdade destas pessoas. Quando o primeiro-ministro pedir agora para irmos à luta, quem correrá às trincheiras?

Não é a derrapagem do défice que mata a união que faz deste um território, um país. É a cegueira das medidas para corrigi-lo. É a indignidade. O desdém. A insensibilidade. Será que não percebem que o pacote de austeridade agora anunciado mata algo mais que a economia, que as finanças, que os mercados - mata a força para levantar, estudar, trabalhar, pagar impostos, para constituir uma sociedade?

O Governo falhou as previsões, afinal a economia não vai contrair 4% em dois anos, mas 6% em três anos. O Governo fracassou no objectivo de redução do défice orçamental. Felizmente, ganhámos um ano. Mas não é uma ajuda da troika a Portugal, é uma ajuda da troika à própria troika, co-responsável por este falhanço. Uma ajuda da troika seria outra coisa: seria baixar a taxa de juro cobrada a Portugal. Se neste momento países como a Alemanha se financiam a taxas próximas de 0%, por que razão nos cobram quase 4%?

Mais um ano para reduzir o défice é também mais um ano de austeridade. E sem mais dinheiro, o que supõe que regressaremos aos mercados em 2013, o que será facilitado pela intervenção do BCE. Mas "regressar aos mercados" não é um objectivo político nem uma forma de mobilizar um país. São os fins, não os meios, que nos movem.

Sucede que até este objectivo o Governo pode ter estragado. Só Pedro Passos Coelho parece não ter percebido que, enquanto entoava a Nini, uma crise política eclodia. A nossa imagem externa junto dos mercados, que é uma justa obstinação deste Governo, está assente em três ou quatro estacas - e duas delas são a estabilidade política e a paz social. Sem elas, até os juros sobem. E também aqui o Governo estragou tudo. Tudo.

Os acordos entre partidos da coligação e o PS, e entre o Governo e a UGT, têm uma valor inestimável. Que o diga Espanha, que os não tem. Mas não só está anunciado um aumento brutal de impostos e de corte de salários públicos e pensões, como se inventou esta aberração a destempo da alteração da taxa social única, que promove uma transferência maciça de riqueza dos trabalhadores para as empresas. Sem precedentes. Nem apoiantes.

Isto não é só mais do mesmo, isto é mal do mesmo. O dinheiro que os portugueses vão perder em 2013 dá para pintar o céu de cinzento. O IRS vai aumentar para toda a gente, através de uma capciosa redução dos escalões e do novo tecto às deduções fiscais; os proprietários pagarão mais IMI pelos imóveis reavaliados, os pensionistas são esmifrados, os funcionários públicos são execrados. É em cima de tudo isto que surge o aumento da TSU para os trabalhadores.

Alternativas? Havia. Ter começado a reduzir as "gorduras" que o Governo anunciou ontem que vai começar a estudar para cortar em 2014 (!). Mesmo uma repetição do imposto extraordinário de IRS que levasse meio subsídio de Natal, tirando menos dinheiro aos trabalhadores e gerando mais receita ao Estado, seria mais aceitável. O aumento da TSU é uma provocação. É ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras.

Poucos políticos têm posto os interesses do país à frente dos seus. Desde 2008 que tem sido uma demência. Teixeira dos Santos aumentou então os funcionários públicos para ganhar as eleições em 2009. Cavaco Silva devia ter obrigado a um Governo de coligação depois dessas eleições. José Sócrates jamais deveria ter negociado o PEC IV sem incluir o PSD. O PSD não devia ter tombado o Governo. E assim se sucedem os erros em que sacrificam o país para não perderem a face, as eleições ou a briga de ocasião. O que vai agora o PS fazer? E Paulo Portas? E o Presidente da República, vai continuar a furtar-se ao papel para que foi eleito?

João Proença foi das poucas pessoas que pôs o interesse do país à frente do seu, quando fez a UGT assinar um acordo para a legislação laboral que, obviamente, lhe custaria a concórdia entre os sindicalistas. Até Proença foi agora traído. Com o erro brutal da TSU, de que até meio PSD e o Banco de Portugal discordam. Sim: erro brutal.

É pouco importante que Passos Coelho não tenha percebido que começou a cair na sexta-feira. É impensável que lance o país numa crise política. É imperdoável que não perceba que matou a esperança a milhares de pessoas. Ontem foi o dia em que muitos portugueses começaram a tomar decisões definitivas para as suas vidas, seja emigrar, vender o que têm, partir para outra. Ou o pior de tudo: desistir.

Foi isto que o Governo estragou. Estragou a crença de que esta austeridade era medonha e ruinosa, mas servia um propósito gregário de que resultaria uma possibilidade pessoal. Não foi a austeridade que nos falhou, foi a política que levou ao corte de salários transferidos para as empresas, foi a política fraca, foi a política cega, foi a política de Passos Coelho, Gaspar e Borges, foi a política que não é política.

Esta guerra não é para perder. Assim ela será perdida. Não há mais sangue para derramar. E onde havia soldados já só estão as espadas.

Pedro Santos Guerreiro, hoje, no Jornal de Negócios

Lust, Caution by Ang Lee *****

segunda-feira, setembro 10, 2012

Fernando Sobral: O truque de Midas

 

O rei Midas desejava que tudo o que tocasse se transformasse em ouro. O desejo realizou-se. Pedro Passos Coelho, incapaz de ter o toque de Midas, criou o truque de Midas: tudo o que toca transforma-se em imposto.

Portugal está a tornar-se o Bangladesh da Europa e Passos Coelho, sem se rir, pede desculpa. Como se não conseguisse dormir por estar a promover uma revolução cultural que só encontra semelhança na que Mao Zedong impôs à China e a tornou miserável durante décadas. Destruindo as classes médias e educadas que são o pilar da democracia de consumo.

Arrasando o valor do trabalho porque as medidas sucessivas impostas começam a fazer nascer a mais terrível das perguntas: vale a pena trabalhar ou é melhor ser indigente e viver do RSI? Pedro Passos Coelho está a destruir o trabalho como valor ético e moral numa sociedade. O aumento da TSU dos trabalhadores, aliada ao afunilamento de escalões do IRS, vai triturar a espinha dorsal da sociedade: a classe média. Esse parece ser o grande objectivo da troika e do Governo. Para depois exportar o modelo para o sul da Europa.

Nada do que foi dito vai criar mais emprego. A generalidade das empresas vai perder em consumidores o que vai poupar em TSU. Passos Coelho tornou-se o coveiro sorridente de Portugal. Lembre-se: Midas acabou por morrer à fome. Até a comida em que tocava se transformava em ouro. Passos Coelho, refugiado na sua alquimia miserabilista, está a transformar Portugal num país onde tudo o que toca se transforma em chumbo. Um dia destes, de tanto tocar, só terá chumbo para comer. Tal como Midas, perecerá à fome. Porque nada restará para comer. Nem restará país para governar.

[Hoje, no Jornal de Negócios]

Pedro Santos Guerreiro: Saberão eles o que fazem?


1. Chegará a altura em que deixaremos de perguntar de quem é a culpa e quereremos ouvir apenas um pedido de desculpa. Um sinal de arrependimento, uma confissão de erro, uma liquidação da dívida moral do país sobre o seu povo. Talvez então recomecemos a acreditar. No que nos dizem. Neles. Nos tingidos pela incompetência. Nos ungidos de espírito de missão. Nos que falham. 


O anúncio de medidas de austeridade feito pelo primeiro-ministro ao entardecer de sexta-feira, antes de um jogo de futebol, é uma tragédia. Não é o seu primeiro nem último acto, é a tragédia em curso. Tratá-lo com ligeireza, como o Governo fez, é transformá-lo numa comédia. Confessar que custa muito dar estas notícias, vitimizando-se, é transformá-la numa farsa. Infelizmente, o primeiro-ministro padece desse frequente exibicionismo da humildade, condói-se da sua missão. Mas o problema não é esse.

2. O Governo anunciou para 2013 o aumento da taxa social única (TSU) para os trabalhadores, descida da taxa para empresas, supressão de um subsídio para funcionários públicos. Todos fizeram contas: os trabalhadores privados perderiam 7% do salário, o equivalente a um ordenado anual; os funcionários públicos, de empresas públicas e pensionistas perderiam dois, o mesmo que em 2012. Foram contas rápidas. Rápidas de mais. Na verdade, perde-se mais do que isso, pois 7% sobre o salário bruto é mais do que isso no salário líquido. Mas quão mais? Não se sabe. 

O primeiro alarme foi dado na própria sexta-feira pela "Rádio Renascença", que avisou que a perda seria superior a um salário. Na noite de sexta-feira, o Negócios contactou diversos membros do Governo para confirmar as contas. Em todos os membros do Governo fora das Finanças, encontrámos pasmo. Das Finanças ouvimos silêncio. O que persistiu durante sábado, apesar da nossa insistência. Mais: enviámos as nossas contas, simulações e tabelas aoMinistério das Finanças. Resposta? Nada. Silêncio. Ao fim da tarde, o Negócios libertou a notícia: com a informação revelada pelo primeiro-ministro, o sector privado vai afinal perder mais do que um salário líquido em 2013, podendo essa perda, se não houver mais medidas, chegar aos dois. As Finanças emitiram finalmente um comunicado, dizendo que a conclusão é especulativa, pois não é conhecida ainda "toda a informação". É inacreditável. Verdadeiramente inacreditável.

3. A verdade é que, como o Negócios e a Renascença noticiaram, os trabalhadores privados vão perder mais do que um salário em 2013. O "quão mais?" permanece sem resposta. Porque o Governo ainda não clarificou "toda a informação". Mas "toda a informação" não evitará esta conclusão, apenas a doseará. É inacreditável que, para uma medida tão grave, os leitores saibam mais pela edição de hoje do Negócios do que os contribuintes e pensionistas sabem pelas comunicações do Governo.Este texto não é sobre uma notícia do Negócios, é sobre a insensibilidade inacreditável e lamentável de um Governo que atira uma bomba para cima dos portugueses e não presta "toda a informação". Neste momento, os portugueses não sabem ainda quanto vão perder em 2013. Isto revela mais do que amadorismo. Mais até que insensibilidade. Demonstra crueldade. A crueldade de um anúncio mais preocupado com a imagem do Governo do que com a vida dos portugueses. Só há duas razões para o Governo continuar sem prestar esclarecimentos 48 horas depois do anúncio das medidas e 24 depois de o Negócios ter revelado que o impacto é, afinal, maior do que parece. Uma é ignorância, o Governo não se ter apercebido de que o impacto nos salários dos portugueses é maior do que parece. Essa hipótese é inacreditável. Literalmente: não é crível. Sobra a outra hipótese: o Governo ainda não sabe como vai explicar que, para esse aumento não ser maior do que parece, terão de ser accionados mecanismos (provavelmente através do IRS, tabelas de retenção na fonte e deduções) que no final mostrem que o aumento da carga fiscal será percentualmente maior nos salários mais baixos que nos salários mais altos. 

4. O curso da revelação destas medidas mostra a hierarquia do poder em Portugal. É intencionalmente que o Negócios hoje considera que Angela Merkel é a pessoa mais poderosa na economia portuguesa - e que Vítor Gaspar (número dois) tem mais poder na economia que Passos Coelho (número três). Estas medidas de austeridade mostram-no: a troika quer, Gaspar sonha, a obra de Passos nasce. Um escreve o texto, o outro implementa, o último lê-o.A execução orçamental está a derrapar assustadoramente desde Maio. Desde então, cada mês tem agravado o saldo, por causa das receitas do IVA e do aumento do desemprego (menos IRS, mais prestações sociais). O "caso" da privatização da RTP silenciou aliás a desgraça da última execução orçamental. Faltam três mil milhões de euros este ano; podem faltar até sete mil milhões para o ano. Por isso é que o Governo anda a enviar sinais de fumo à troika, fazendo de conta que não pede o que precisa: tolerância no défice.Não foi anunciada nenhuma medida para compensar o desvio deste ano. Isso quererá dizer, provavelmente, que Portugal vai mesmo ter tolerância em 2012.

O Governo dirá então que compensou ser bom aluno, o que é verdade; e nós diremos que as medidas do BCE de quinta-feira facilitam essa tolerância, o que também é verdade. E isso será bom para Portugal. Falta 2013. O Governo aproveitou o álibi político do chumbo do Tribunal Constitucional ao corte de dois salários da função pública para a essa medida somar outras. Mas a solução é sempre a mesma: impostos, impostos, sempre mais impostos. Como o PSD bem perguntava antes de ser Governo: e o corte na despesa? Governar é mais do que aumentar impostos e ter "coragem" para anunciar a medida. Até uma criança saberia governar assim. Nos últimos 12 meses, foram feitas em Portugal reformas como nunca se havia feito. A mais clara de todas é a da legislação laboral. O País ainda pode sair disto com sucesso, mas o Governo está a fracassar. E assim aumenta impostos.

5. Estas medidas não são apenas uma saída de emergência. Desta vez, o Governo aproveitou para fazer uma reforma estrutural: a subida permanente (repete-se: permanente) dos descontos para os trabalhadores, a descida para as empresas. Concretiza-se o desejo da descida abrupta da TSU. Financiada por quem trabalha. Com o pretexto de que vai aumentar o emprego.Esta medida tem um impacto muito, mesmo muito positivo nas empresas. É uma redução pronunciada, o que melhora a sua competitividade e pode aliviar a pressão financeira na tesouraria e junto dos bancos a que devem. Mas fá-lo transferindo esse peso para os trabalhadores (e, não o sabemos ainda, provavelmente para os pensionistas). A redução salarial líquida acumulada pela austeridade é brutal. O crédito malparado que pode descer nas empresas vai certamente aumentar nos particulares. Além disto, esta medida beneficia todas as empresas, incluindo os famigerados sectores não transaccionáveis.Depois da reforma da legislação laboral, temos pois a descida abrupta da TSU para as empresas.

Nunca um Governo foi tão amigo das empresas. Num mundo perfeito, as empresas serão agora amigas dos trabalhadores. Porque se é verdade que as empresas exportadoras vão poder contratar mais gente, as empresas expostas ao mercado interno não precisam de aumentar capacidade instalada, porque a procura está em queda. Isso significa que não precisam de contratar mais pessoas. Vão apropriar-se do bónus do Governo. A pressão social é mais do que um conceito abstracto. Se o Governo se mostra mais preocupado com as sociedades do que com a sociedade, e se as empresas não souberem ajudar depois de serem ajudadas, o resumo destas medidas de austeridade é só um: aumento de impostos, redução de salários. Esta insensibilidade do Governo em relação a quem paga impostos é assustadora. Talvez seja tique da tecnocracia, o de medir o impacto das decisões ao equilíbrio entre as receitas que se ganham para o défice e a popularidade que se perde nas sondagens. O país já foi cozido e está agora a ser cosido - e nem nos dizem sequer quanto dinheiro nos vão tirar. Sim, eles sabem o que fazem. Só não sabem o que nos fazem. Mas querem que os adoremos. 

[Hoje, no Jornal de Negócios]